Bakunin

Bakunine, de geração em geração…


bakunin

“Considere-se, por exemplo, a atitude do cão em presença do dono: não está nela, inteiramente, a do homem perante Deus?

Pretendeu-se, erroneamente, que o sentimento religioso só é próprio dos homens. Mas todos os elementos constituintes da religião se encontram no reino animal – sendo o principal desses elementos o medo. O  “temor a Deus – dizem os teólogos – é o começo da sabedoria”.  Esse temor encontra-se extremamente desenvolvido em todos os animais, que possuem um instintivo terror perante a omnipotência que os produz.

Tal como os animais, os seres humanos encontram-se ainda submetidos pela ignorância a esse medo do omnipotente. Medo que a Igreja, apoiada pelo Estado, consagra e oficializa. Ao defender-se, a sociedade dominante fá-lo também propagando a ficção religiosa.  E de tal modo que esta ficção, exacerbada, se torna uma loucura normalizada. A religião dos crentes é assim um estado de loucura normalizado pelas leis materiais e ideológicas das classes dominantes. As maiores imbecilidades são consideradas oficialmente como as verdades mais profundas. Que exprime este estado de coisas senão que os humanos permanecem num estádio de rastejante escravidão intelectual e, por conseguinte, material?”

Bakunine (adaptado do livro”Deus e o Estado”)

Anúncios

(Escritos contra Marx) Bakunin sempre actual e à frente do seu tempo


Screenshot (3)

para ler e download: escritos-contra-marx-mikhail-bakunin

A revolta é um instinto da vida; até mesmo o verme se revolta contra o pé que o esmaga, e pode-se dizer que, em geral, a energia vital e a dignidade relativa de qualquer animal se pode avaliar pela intensidade do instinto de revolta que ele traz em si. No mundo selvagem, bem como no mundo humano, não há faculdade ou hábito mais degradante, mais estúpido e mais covarde do que obedecer e resignar-se.
– Mikhail Bakunin (Escritos contra Marx)

*

“Um Estado, um governo, uma ditadura universal! O sonho dos Gregório VII, dos Bonifácio VIII, dos Carlos V e dos Napoleão, reproduzindo-se sob novas formas, mas sempre com as mesmas pretensões, no campo da democracia socialista!

Pode-se imaginar algo de mais burlesco, mas também de mais revoltante? Sustentar que um grupo de indivíduos, mesmo os mais inteligentes e os mais bem intencionados, será capaz de tornar o pensamento, a alma, a vontade dirigente e unificadora do movimento revolucionário e da organização económica do proletariado de todos os países é de uma tal heresia contra o senso comum e contra a experiência histórica que nos perguntamos, com perplexidade: como um homem tão inteligente quanto o Sr. Marx pôde concebê-la?

Os papas, ao menos, tinham por desculpa a verdade absoluta que eles diziam ter em mãos pela graça do Espírito Santo e na qual eram obrigados a crer. O Sr. Marx não tem absolutamente esta desculpa e não lhe farei a injúria de pensar que ele crê ter inventado cientificamente algo que se aproxime da verdade absoluta. Mas a partir do momento que o absoluto não existe, não pode existir para a Internacional dogma infalível nem, consequentemente, teoria política ou económica oficial, e nossos congressos nunca devem assumir o papel de concílios ecuménicos proclamando princípios obrigatórios para todos os associados e fiéis.

Só existe uma única lei realmente obrigatória para todos os membros, indivíduos, seções e federações da Internacional, da qual esta lei constitui a verdadeira, a única base: é, em toda a sua extensão, em todas as suas consequências e aplicações, A SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES DE TODAS AS PROFISSÕES E DE TODOS OS PAÍSES EM LUTA ECONÓMICA CONTRA OS EXPLORADORES DO TRABALHO. É na organização real desta solidariedade, pela ação espontânea das massas operárias de todas as línguas e de todas as nações, e não em sua unificação por decretos, nem sob a batuta de um governo qualquer, que reside unicamente a unidade real e viva da Internacional.

É desta organização cada vez mais ampla da solidariedade militante do proletariado contra a exploração burguesa que deve sair e surge, com efeito, a luta política do proletariado contra a burguesia. Quem pode duvidar disso? Os marxistas e nós somos unânimes nesse ponto. Entretanto, apresenta-se de imediato a questão que nos separa tão profundamente dos marxistas.

Pensamos que a política, necessariamente revolucionária, do proletariado deve ter por objetivo imediato e único a destruição dos Estados. Não compreendemos que se possa falar da solidariedade internacional quando se quer conservar os Estados, — a menos que se sonhe com o Estado universal, isto é, com a escravidão universal, como os grandes imperadores e os papas, — o Estado, por sua própria natureza, por ser uma ruptura desta solidariedade, é, em consequência, uma causa permanente de guerra. Também não concebemos que se possa falar da liberdade do proletariado ou da libertação real das massas no Estado e pelo Estado. Estado quer dizer dominação, e toda dominação supõe a subjugação das massas e, desta forma, a sua exploração em proveito de uma minoria governamental qualquer.

Não admitimos, nem mesmo como transição revolucionária, as Convenções Nacionais, as Assembleias Constituintes, os governos provisórios ou as ditaduras pretensamente revolucionárias; porque estamos convictos de que a revolução só é sincera, honesta e real, nas massas, e que, quando ela se encontra concentrada nas mãos de alguns indivíduos governantes, torna-se inevitável e, imediatamente, reação. Tal é a nossa crença, e este não é o momento para desenvolvê-la.

Os marxistas professam ideias totalmente contrárias. Eles são adoradores do poder do Estado, e necessariamente também os profetas da disciplina política e social, os campeões da ordem estabelecida de cima para baixo, sempre em nome do sufrágio universal e da soberania das massas, às quais reservam a felicidade e a honra de obedecer a chefes, a mestres eleitos. Os marxistas não admitem absolutamente outra emancipação senão a que eles esperam de seu Estado pretensamente popular (Volksstaat). Eles são tão pouco inimigos do patriotismo que a sua própria Internacional traz muito frequentemente as cores do pangermanismo. Existe entre a política bismarckiana e a política marxista uma diferença sem dúvida muito sensível, mas entre os marxistas e nós há um abismo. Eles são governamentais; nós, anarquistas.

Tais são as duas principais tendências políticas que hoje separam a Internacional em dois campos.”

Mikhail Bakunin – CARTA AO JORNAL LA LIBERTE, DE BRUXELAS 

(Évora) Regressam hoje as conversas do “Ciclo do Pensamento Libertário” com Bakunin


cartazoensamento-libertario

“Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como o único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens; não esta liberdade formal, outorgada e regulamentada pelo Estado, mentira eterna que, em realidade, representa apenas o privilégio de alguns, apoiada na escravidão de todos; (…) só aceito uma única liberdade que possa ser realmente digna desse nome, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem em estado latente em cada um (…)” BAKUNIN

ba

Está de regresso a Évora o “Ciclo do Pensamento Libertário” organizado pelo Núcleo de Estudos Libertários Elias Matias, quinzenalmente, na Livraria “Ler com Prazer”. Esta quarta-feira, dia 4 de Janeiro, pelas 18 horas terá lugar uma conversa sobre o pensamento de Bakunin.

Estão todos convidados para a conversa e o debate que se segue. Aparece e traz um amigo.

Contamos contigo!

https://eliasmatias.wordpress.com/

 

(Évora) Próxima sessão do “Ciclo do Pensamento Libertário” sobre Bakunin a 4 de Janeiro


imagem

A segunda sessão do “Ciclo do Pensamento Libertário”, realizada ontem ao fim da tarde, em Évora, na Livraria Ler Com Prazer, sobre Proudhon, atraiu uma dezena de interessados que durante mais de duas horas debateram  as ideias deste filósofo, sociólogo e  pensador francês que tão fortemente marcou o movimento operário, socialista e anarquista, em áreas como o cooperativismo, o federalismo ou o mutualismo.

A conversa partiu do pensamento de Proudhon mas estendeu-se até à actualidade, tendo sido salientado que muitos dos temas abordados por si ainda hoje estão bastante actuais, tais como o federalismo ou o cooperativismo.

O próximo encontro do “Ciclo do Pensamento Libertário” – que tem atraído cada vez mais participantes de sessão para sessão –  realiza-se apenas no dia 4 de Janeiro (devido às festividades do Natal e  do Ano Novo) e irá abordar o pensamento de Bakunin.

Estão todos desde já convidados a participarem nessa sessão.

Antes  publicaremos aqui no blog uma biografia/síntese das ideias do revolucionário e pensador anarquista que ainda hoje é considerado um dos autores mais influentes no movimento libertário internacional.

Núcleo de Estudos Libertários Elias Matias

aqui: https://eliasmatias.wordpress.com/

(video) O interrogatório de Bakunin


Para quem não esteve no Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo no ano passado, segue o curta realizado pela Biblioteca Terra Livre em homenagem aos 200 anos de Mikhail Bakunin.

Depois de uma brilhante operação mesa branca, a polícia brasileira finalmente conseguiu prender o líder do caos no país, Miguelzinho Bakunin. Agora é ver se os tiras conseguem tirar uma confissão esclarecedora desse perigoso terrorista e reestabelecer a ordem. Singela homenagem da Biblioteca Terra Livre (Brasil) aos 200 anos do gigante barbudo.

(Cacilhas) ‘Círculo de Leituras Anárquicas’ no CCL este sábado


Bakunin_Nadar_Wikipedia

Sábado, 31 de Janeiro | Círculo de Leituras Anárquicas: “O princípio do Estado” de Mikhail Bakunine

18h – Círculo de Leituras Anárquicas: “O princípio do Estado” de Mikhail Bakunine

20h – Jantar vegetariano

Uma vez por mês, juntamo-nos em torno de textos que nos despertaram o interesse, partilhamos leituras e debatemos ideias. Os círculos de leituras anárquicas não são apresentações de livros, são um espaço de partilha e debate em que todos podem participar, mesmo que ainda não tenham lido o texto.

(mais…)