biografia

(efeméride) Adelaide Cabete, a ‘Louise Michel’, nasceu há 150 anos


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Assinalam-se hoje os 150 anos do nascimento de Adelaide Cabete, alentejana, natural  de Elvas. Formada em medicina, foi colaboradora e dirigiu várias publicações dirigidas às mulheres. Republicana e filiada na maçonaria – que hoje celebra o seu nascimento – , onde adoptou o nome da anarquista francesa Louise Michel, o que prova que “era alguém muito próxima dos ideais anarquistas”, como sustenta a investigadora Isabel Lousada nesta entrevista. Adelaide Cabete foi também uma assídua colaboradora do jornal anarco-sindicalista “A Batalha”, orgão da CGT. 

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De seu nome completo Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete, nasceu em Elvas, freguesia de Alcáçova, a 25 de Janeiro de 1867, filha de Ezequiel Duarte Brazão e de Balbina dos Remédios Damas. Oriunda de uma família humilde, começou a trabalhar muito nova e casou com o sargento republicano Manuel Fernandes Cabete, que a incentivou a estudar.

Em 1889 prestou o exame de instrução primária e, em 1894, concluiu o curso liceal. No ano seguinte mudou-se para Lisboa, onde se matriculou no ano seguinte na Escola Médico-cirúrgica, instituição onde concluiu o curso em 1900 com a tese Protecção às Mulheres grávidas Pobres como meio de promover o Desenvolvimento físico das novas gerações (1900).

Republicana militante, participou activamente na propaganda que antecedeu a mudança de regime em 1910. Professora no Instituto Feminino de Odivelas e médica, procurou sempre defender a melhoria das condições de vida das crianças e das mulheres, com particular ênfase na luta contra a prostituição e o alcoolismo. Propagandista do feminismo fundou e presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Cruzada Nacional das Mulheres Portuguesas, à Liga Portuguesa Abolicionista, às Ligas de Bondade e dirigiu a revista Alma Feminina (1920 – 1929).

Na Universidade Popular Portuguesa organizou um curso de Higiene e Puericultura. Participou no Congresso Internacional de Ocupações Domésticas (Gand, 1913), no Congresso internacional Feminino de Roma (1923), no Congresso do Conselho Internacional das Mulheres (Washington, 1925), nos I e II Congressos Feminista e da Educação (1921 e 1928), nos Congressos Abolicionistas (1926 e 1929). Viveu em Angola entre 1929 e 1934, onde continuou a sua acção a favor da higiene e da assistência. Colaborou em numerosas publicações periódicas como: Educação, Educação Social. O Globo, A Mulher e a Criança, Pensamento, O Rebate.

Iniciada em 1 de Março de 1907, na Loja Humanidade, com o nome simbólico de «Louise Michel». Atingiu os graus 2 e 3º em 1 de Março de 1907, 4º em 28 de Julho de 1910, 5º, 6º e 7º em 16 de Janeiro de 1911. Grau 30º do REAA em 28 de Outubro de 1923. Conservou-se na Loja no período em que laborou sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano Unido (até 1913 e depois de 1920 até 1923) e posteriormente, após a adesão da Loja Humanidade à Ordem Maçónica Mista Internacional O Direito Humano, em 1923. Foi eleita várias vezes Venerável da sua Loja e Grã-Mestra do Areópago Teixeira Simões (1926).

Morreu em Lisboa, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, a 19 de Setembro de 1935.

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(memória libertária) José Negrão Buísel (1875-1954), um anarquista de Portimão


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José Negrão Buísel é uma das referências do anarquismo no Algarve. Professor, seguidor das ideias pedagógicas libertárias da escola Moderna de Francisco Ferrer, esteve ligado à Federação Anarquista do Sul e posteriormente à CGT. Preso por diversas vezes, o seu nome foi atribuído, após o 25 de Abril de 1974, a um estabelecimento de ensino e a uma rua de Portimão.

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“O ódio que Mário Botas tinha contra a burguesia era de uma imensidão inaudita”


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O pintor Mário Botas nasceu a 23 de Dezembro de 1952 na Nazaré. Em Lisboa, a seguir ao 25 de Abril de 1974, foi uma presença constante nos meios libertários, nomeadamente como frequentador da sede de “A Batalha”, na rua Angelina Vidal.  A poucos dias de mais um aniversário do nascimento de Mário Botas recuperamos este artigo de José Maria Carvalho Ferreira, que com ele manteve estreitas relações de amizade até à sua morte, a 29 de Setembro de 1983, em Lisboa, publicado na revista “A Ideia”, de Novembro de 2013.

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Biografia do anarquista algarvio Bartolomeu Constantino (1863-1916)


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Operário sapateiro, nasceu em Olhão em 1863 e faleceu em Lisboa, no Beco da Ricarda, n.° 4, em 11 de Janeiro de 1916. Figura controversa, Bartolomeu Constantino foi um extraordinário orador do anarquismo. Sempre que solicitado para falar em algum lugar, fechava a sua pequena banca de trabalho e seguia corajosamente sem a preocupação do que podia acontecer. Foi o promotor do Congresso Anarquista de 1911, abrindo espaço às ideias libertárias e possibilitou logo em 1914 outro encontro acrata. Durante o governo de Afonso Costa viveu no Algarve onde lançou um jornal, com a ajuda da sua companheira Júlia Cruz. Também viveu algum tempo em Almada, mas para o seu espírito irrequieto, os lugares tornavam-se pequenos.

Falando do transladamento dos seus restos mortais A Batalha de 5-10-1922, informa em 1ª página: “A Comissão pró-transladamento convida a C.G.T., U.S .0 ., Federações, Sindicatos, Juventudes Sindicalistas e Comunistas Libertários e grupos revolucionários”. E concluía: “O itinerário é Loreto, Praça Luís de Camões, rua do Mundo, S. Pedro de Alcântara, Praça Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Praça Brasil, rua Visconde de S. Ambrósio, rua Saraiva de Carvalho e Cemitério dos Prazeres”.O proletariado e os anarquistas de Lisboa compareceram em massa a confirmar o apreço ao orador anarquista.

Embora o seu nome tenha caído um pouco no esquecimento, de que urge resgatar, tem hoje uma praceta com o seu nome no Laranjeiro (Almada) (https://goo.gl/maps/e9wD6zf8Rfx)

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(memória libertária) José António Machado (“Graça”), um dos obreiros d’ “A Batalha” clandestina


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José António Machado, tipógrafo e jornalista, militante anarco-sindicalista,  na manifestação do 1º de maio de 1975, em Lisboa. (aqui)

José António Machado (1916-1978), de origem operária, depois tipógrafo e jornalista, foi um dos militantes libertários que permitiram a existência de “A Batalha” clandestina, bem como de outra propaganda anarquista e anarco-sindicalista durante os tempos da ditadura.

Natural do Barreiro, onde nasceu em 1916, José António Machado começou a trabalhar aos 16 anos na indústria corticeira, passando depois para aprendiz da escola da tipografia da Imprensa Nacional. Autodidacta, dedicou-se ao estudo e difusão do esperanto e dos ideais libertários. Fez parte do grupo anarquista do Barreiro “Terra e Liberdade”, que na altura publicava um jornal com o mesmo nome.

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(biografia) Rui Vaz de Carvalho, 1941-2003


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Rui Vaz de Carvalho (1941-2003) foi um dos mais destacados e influentes militantes libertários da geração do pós-25 de Abril de 1974, que o “apanhou” na força da idade. Com uma sólida bagagem teórica, o Rui esteve sempre ligado aos mais diversos projectos editoriais, servindo também de elo entre os militantes mais velhos e os mais novos. Esteve ligado à Batalha, à Merda, à Voz Anarquista, à Acção Directa, à Antítese e à Utopia, bem como a diversos projectos direccionados para o ensino e para o teatro. Pouco tempo depois da sua morte, José Maria Carvalho Ferreira traçava a sua biografia na revista Utopia, nº 16, de 2003, revista de cuja equipa redactorial fazia parte quando se deu o seu desaparecimento.

“Sejamos optimistas, deixemos o pessimismo para melhores tempos!” (texto de Júlio Carrapato sobre Gabriel Morato)


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O funeral de Júlio Carrapato realiza-se esta sexta-feira, pelas 14h, para o cemitério de Faro. Em jeito de última homenagem, de entre as largas dezenas de textos que podíamos ter escolhido, seleccionámos este artigo, publicado em Outubro de 2005 na revista “Algarve Mais” evocativo da morte, poucas semanas antes, de um outro anarquista de referência no meio libertário português, de que foi amigo próximo e companheiro, em França e em Portugal, nomeadamente no grupo fundador da revista anarquista “Acção Directa”. Neste artigo, Júlio Carrapato revela de forma bem clara a amizade entre os dois libertários, uma amizade baseada na solidariedade e no respeito mútuo entre companheiros, e também fornece alguns elementos para uma melhor compreensão dos relacionamentos políticos e pessoais na época a que o texto se refere – anos 70, antes e depois do 25 de Abril.

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“Sejamos optimistas, deixemos o pessimismo para melhores tempos!”

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À MEMÓRIA DE JOÃO GABRIEL DE OLIVEIRA MORATO PEREIRA (1940-2005)
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Morreu o João Gabriel Morato Pereira, o nosso Gabriel, como lhe chamávamos nos vários círculos do movimento libertário português, movimento cuja sobrevivência ele garantiu com mais um punhado de resistentes como Rui Vaz de Carvalho ou Antonio Mota, e que tanto lhe ficou a dever em vários momentos decisivos do pós-25 de Abril de 1974. Ele próprio, porém, a despeito de uma perseverança, de uma pertinácia e de uma firmeza à prova de bala, não resistiu a mais uma cirurgia ao coração (válvula mitral) e uma embolia cerebral, desgraçadamente sobrevinda durante o famigerado período pós-operatório, deitou-o por terra, fulminou-o, no dia 19 de Julho de 2005, à beira dos 65 anos, já que nascera em 28/07/1940. Por mais um capricho da vida, no próprio dia em que eu festejava os meus provectos 58 anos, morria-me um dos meus maiores e mais constantes amigos, deixava de bater aquele coração grande e generoso e de pulsar aquela inteligência clara. Lúcido até o fim, sempre animado por aquela lucidez apaixonada e revolucionária que nada tem a ver com a frieza ou a rigidez cadavérica, precisamente porque é a antítese da morte, era a prova viva de que a razão e emoção não se opõem, e menos ainda se excluem,conforme no-lo ensinam os modernos neurologistas, estudiosos da actividade cerebral e dos processos físicos e psíquicos, porque também se pensa com o corpo. Era, em suma, um homem sensível, porque inteligente, e inteligente porque sensível, e a sua morte revoltante deixou-nos a todos imensamente mais pobres, constituindo mais uma prova da inexistência de Deus, como diria Sébastien Faure. E de nada serve que os materialistas toscos e os “socialistas” arregimentadores, homogeneizadores e massificadores, aparentemente por outro lado, nos venham cá dizer com gélidas inflexões que “ninguém é insubstituível”. Nós anarquistas, que lutamos por uma sociedade de indivíduos (homens e mulheres) livres e iguais, mas únicos e variados, sabemos , pelo contrário, que jamais alguém é substituído,quanto mais o Gabriel! Pode-se, é claro, se for o caso, “ganhar” com a“troca”, mas o conceito de substituição é em si mesmo absurdo e obsceno…

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