Brasil

Autor brasileiro defende necessidade de autogestão no atendimento às populações de rua (download de livro gratuito aqui)


Livro Cassio

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“Vida que segue, rua que muda”, por Cassio Giorgetti

O permanente descompasso entre a realidade da população de rua e as políticas de atendimento

A necessidade de se repensar as metodologias de atendimento ora disponibilizadas à população de rua se apresenta como medida prioritária. Inovar. Reagir à inércia. Aventar propostas progressistas e revitalizadas, antagônicas à lógica de albergamento tradicional, que segrega e reforça estereótipos; ações que superem as limitações de um tipo de atendimento – cujos conceitos se referenciam numa outra população de rua, de décadas atrás – que já não se alinha à realidade da rua, hoje, muito mais complexa e heterogênea.

A autogestão dos serviços públicos de atendimento pela própria população de rua é viável e exequível, à medida que, verdadeiramente, se conceba o trabalho social como mecanismo de transposição da subserviência à emancipação.

Este livro é uma produção absolutamente sem fins lucrativos. Não está incluído no preço final nenhum valor de direitos autorais. A reprodução e divulgação do .seu conteúdo é livre e pode ser feita a partir do Portal Anarquista: “Vida que segue, rua que muda”

Cassio Giorgetti é graduado em Ciências Sociais pela PUC-SP desde 2002, mesmo ano em que iniciou no trabalho social.

Desde então, vem acumulando experiências e aprendizados no trabalho de campo com a população de rua em variadas modalidades de atendimento socioassistencial como abordagem de rua, centro de convivência, núcleo de inclusão produtiva e centros de acolhida (albergue).

Ainda no trabalho social, atuou em comunidades de baixa renda nas regiões do Grajaú e Capela do Socorro, com crianças e adolescentes abrigados por determinação judicial e populações fronteiriças do sul do Brasil.

Boas leituras!

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Morreu Belchior, cantor brasileiro, libertário e inconformista


Não quero regra nem nada
Tudo tá como o diabo gosta, tá,
Já tenho este peso, que me fere as costas,
e não vou, eu mesmo, atar minha mão.

O que transforma o velho no novo
bendito fruto do povo será.
E a única forma que pode ser norma
é nenhuma regra ter;
é nunca fazer nada que o mestre mandar.
Sempre desobedecer.
Nunca reverenciar.

Belchior, o cantor inconformista, de canções com letras cuidadas e “de constante denúncia da alienação e da mercantilização do mundo” morreu este domingo em Santa Cruz do Sul.

Nos últimos anos, o movimento libertário brasileiro revia-se na letra das suas canções e na revolta e na denúncia do capitalismo de que elas se faziam eco, como muito certeiramente aponta este artigo publicado há menos de um ano no site brasileiro “Outras Palavras”.

(Brasil) Sobre o documentário “O que resta de Junho”


Os protestos no Brasil em 2013, também conhecidos como Manifestações dos 20 centavos, Manifestações de Junho ou Jornadas de Junho consistiram num forte protesto e em inumeráveis manifestações populares por todo o país que inicialmente surgiram como contestação aos aumentos nas tarifas de transporte público, principalmente nas principais capitais.

Inicialmente restrito a pouco milhares de participantes, os actos pela redução das passagens nos transportes públicos ganharam grande apoio popular em meados de junho, em especial após a forte repressão policial contra os manifestantes, cujo ápice se deu no protesto do dia 13 em São Paulo. Quatro dias depois, um grande número de populares tomou parte das manifestações nas ruas em novos diversos protestos por várias cidades brasileiras e até do exterior. Em breve, milhões de brasileiros estavam nas ruas protestando não apenas pela redução das tarifas e a violência policial, mas também por uma grande variedade de temas como os gastos públicos em grandes eventos desportivos internacionais, como o mundial de futebol e os novos estádios, que obrigaram à deslocação de populações inteiras, a má qualidade dos serviços públicos e à indignação com a corrupção política em geral. Os protestos geraram grande repercussão nacional e internacional.

O documentário foi divulgado na internet em finais do ano passado e nos últimos dias foi objecto duma crítica violenta por parte de alguns meios libertários brasileiros.

Vantié Oliveira escreveu mesmo um longo texto, divulgado no facebook, sobre este documentário que, na sua opinião, “apesar de dar voz a alguns representantes do campo anarquista”, insere-os de tal forma no filme, ilustrando-os com imagens escolhidas que “o sentido final da interpretação a que levam o espectador a fazer favorece o projeto político partidário d@s autoritári@s da esquerda partidária, utilizando-se para isto das próprias vozes d@s libertári@s.”

(mais…)

(Brasil) Jovens entoam versão portuguesa do hino da CNT no funeral de Guilherme Irish


Durante o velório de Guilherme Irish, o jovem brasileiro morto pelo pai por discordar da sua participação na ocupação da Universidade de Goiânia, um grupo de companheiros da UFG, que ocupa a Universidade neste momento, efectuou uma homenagem simbólica ao estudante de Matemática e activista dos movimentos estudantis.

Entoando a versão portuguesa do Hino da CNT “A las barricadas” quiseram, de forma simbólica, com a canção e, no final, com um abraço ao caixão, efectuado por cerca de 25 companheiros seus, testemunhar a sua solidariedade para com a luta em que Guilherme se tinha envolvido: a construção de um outro mundo, um mundo novo, mais solidário e fraterno.

http://www.opopular.com.br/editorias/cidade/durante-vel%C3%B3rio-colegas-da-universidade-prestam-homenagem-a-jovem-morto-pelo-pai-1.1180571

irish

Homenagem em várias escolas ocupadas à memória de Guilherme:

 

 

 

(Lisboa) Solidariedade com Rafael Braga


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Sessão solidária com Rafael Braga na Disgraça (Rua da Penha de França 217B, Lisboa), na quarta-feira, dia 23 de Novembro, pelas 20 horas (jantar+conversa)

Rafael Braga é um jovem negro da periferia do Rio de Janeiro que se encontra desde 20 de junho de 2013 preso no sistema prisional do estado do Rio de janeiro. Ele é o unico preso das manifestações de junho de 2013, acusado de porte de material explosivo.

O destaque desta história é que Rafael nem estava de fato na manifestação: Rafael era um guardador de carro que acabou sendo preso nos arrastões promovidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro durante as manifestações, e o tal do material explosivo que Rafael portava eram produtos de limpeza utilizados para limpar os carros, meio através do qual Rafael sustentava a sua família.

Dentre todos detidos na noite, Rafael foi selecionado e enviado para o Complexo Penitenciário de Japeri para aguardar julgamento. Cinco meses depois, em dezembro de 2013, ele foi condenado a 5 anos e 10 meses de reclusão por porte de material explosivo, mesmo a defesa tendo apresentado laudos inclusive do esquadrão antibombas provando que o material de limpeza que carregava não tinha possibilidade explosiva.

O caso de Rafael acabou por ser um símbolo da desigualdade e da seletividade do sistema penal brasileiro, que mantêm hoje a quarta maior população carcerária do mundo, sendo uma maioria desproporcional de negros oriundos das camadas mais pobres da população, condenados de modo arbitrário por um sistema que oferece tudo menos justiça.

O caso de Rafael teve diversos outros capítulos, sendo o último deles, ao receber o direito de sair no regime semi aberto, o flagrante forjado de Rafael com uma quantidade considerável de drogas (chamado pela imprensa alternativa de kit flagrante) enquanto ia para a padaria comprar pão.

Neste mês de novembro, que no Brasil se lembra o mês da consciência negra, a campanha de Liberdade para Rafael Braga procura impulsionar a divulgação do caso, pois não é um caso isolado, reflete a guerra do governo brasileiro contra os negros e pobres, transvestida de guerra contra as drogas. Para tal, se chama manifestações e atividades beneficentes, para divulgar o caso e levantar fundos para a defesa e auxilio da sua família.

Convidamos todos e todas então para neste dia 23/11 comparecerem ao jantar beneficente + bate papo sobre o caso.

Solidariedade é mais que palavra escrita!
Pela liberdade a Rafael Braga! Nenhuma complacência com o estado racista e policial!

Mais informações sobre o caso, https://libertemrafaelbraga.wordpress.com/about/

Iniciativa: https://www.facebook.com/events/1724295361224682

Carta do Brasil: “A situação aqui é crítica. Tenho medo até de um novo golpe militar.”


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Publicamos este texto de Francisco Castillo, que foi inserido na caixa de comentários na página do facebook do Portal Anarquista em que dávamos destaque à intervenção da estudante Ana Júlia, na  assembleia legislativa do Paraná. O texto sintetiza as razões de luta dos estudantes brasileiros e as suas apreensões face à resposta autoritária do governo e das autoridades.

*

Não só contra essa proposta de censura que nós estamos nos organizando. Nós também estamos lutando contra diversos abusos do governo de legitimidade duvidosa (apesar de eu achar que qualquer tipo de regime onde não haja democracia direta é ilegítimo) que quer fazer cumprir a todo custo e com medidas autoritárias uma agenda liberal que começa com uma emenda constitucional (a PEC 241) que corta por 20 anos investimentos em saúde, educação, programas sociais, previdência e em outras áreas vitais para a população brasileira. O mais revoltante que isso acontece ao mesmo tempo que todos os políticos estão aumentando os próprios salários (prática extremamente comum no Brasil) (os salários devem estar girando em torno de R$ 40.000 em media, o que da mais de 10.000 euros, e isso sem as dezenas de benefícios).

Alem dessa emenda constitucional, eles estão querendo censurar o direito de liberdade de expressão dos professores em sala de aula (como vcs ja sabem) e absurdos ainda maiores, como cortar sociologia e filosofia do currículo. Mas, como se não bastasse, este governo ainda promete fazer uma grande reforma trabalhista e previdenciária no próximo ano, que reduzira em muito os direitos dos trabalhadores e dos aposentados. Contratos de terciarização poderão prevalecer sobre a legislação trabalhista. Alem disso tudo, existe um plano a longo prazo da base aliada deste governo de terciarizar todos os serviços públicos e de privatizar a saúde e a educação do país, medida que é apoiada pela nossa desprezível direita que se embaseia na escola austríaca, nos ditadores militares que governaram o pais e no desprezível ditador chileno Pinochet.

Apesar de estarmos ocupando as escolas e lutando com todas as nossas forças, não estamos conseguindo mobilizar a população do pais em favor a nossa causa, já que ela se encontra alienada por uma midia neoliberal e enfurecida contra a demagogia e a corrupção do ultimo governo q se dizia de esquerda que acabou de cair devido a uma politicagem mafiosa executada no congresso.

Acho que estou aqui em um pedido de socorro para vocês, já que vejo que aí na europa vocês conseguem fazer uma oposição muito mais forte a esse tipo de coisa. Nós no Brasil já sofremos com as oligarquias nacionais e com o imperialismo internacional durante os últimos 200 anos. A situação aqui é crítica. Tenho medo até de um novo golpe militar.

Francisco Castillo