CGT

(Portugal) Programa libertário para a construção de uma nova organização social após a II Guerra Mundial


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Ler (em PDF) Os problemas actuais do anarquismo e do sindicalismo

também aqui: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/index.php?option=com_jumi&fileid=12&id=1317

“Opomos ao critério centralista da unidade o princípio libertário da união” escreviam os libertários portugueses em 1945

Com o desenrolar da II Guerra Mundial e a previsível vitória dos Aliados, os antifascistas portugueses, incluindo os anarquistas, estavam, em geral, convencidos de que o regime fascista de Salazar tinha os dias contados. Não foi isso que aconteceu, Salazar – tal como Franco – conseguiu sobreviver à queda de Hitler e Mussolini, mas os sectores oposicionistas festejaram a queda do nazi-fascismo como a antecâmara do fim da ditadura em Portugal.

Preso na Penitenciária de Coimbra e a cumprir uma pena de 16 anos de cárcere por ter sido um dos organizadores e um dos autores do atentado a Salazar, em Julho de 1937, Emídio Santana elaborou um documento onde analisa a situação que se vive em Portugal, o posicionamento dos diversos sectores oposicionistas, a necessidade do reforço da presença anarquista e esboça um programa futuro para a concretização de uma sociedade de características libertárias assente numa Confederação Sindical (a CGT) e numa Confederação de Municípios que cobrisse todo o território, numa aproximação às teses proudhonianas, mais tarde retomadas por Murray Bookchin.

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(memória libertária)Biografia de José Correia Pires (1907-1976)


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Almoço de reencontro de anarquistas em Almada logo após o 25 de Abril de 1974. Na foto (da esquerda para a direita), Sebatião Almeida, Correia Pires, Emídio Santana e Francisco Quintal

José Correia Pires, filho de João Correia e de Isabel Pires, nasceu em S. Bartolomeu de Messines, a 17 de Abril de 1907 (1). Seus pais eram analfabetos, mas puseram-no na escola. Aí teve o primeiro contacto com a ideologia libertária. Fez-se amigo de um colega, o filho do destacado anarquista messinense José Inácio. O episódio que marcou a orientação que seguiu foi o de ter assistido a um comício onde José Negrão Büisel, “um dos maior propagandistas no tempo do anarco-sindicalismo”(2), era o orador principal. As suas palavras tiveram em José Correia Pires “um belo receptáculo”(3). A partir daí, aderiu de alma e coração aos ideais do anarquismo.

José Correia Pires teve um papel fundamental no núcleo das Juventudes Sindicalistas de Messines. Foi desde cedo operário de carpintaria.

A sua prisão foi ordenada pelo Administrador do Concelho, em Janeiro de 1931, por causa do incidente com a escola que abrira no Sindicato da Construção Civil. Escapou à Polícia, dessa vez, devido à intervenção de Manuel Caetano de Sousa, a quem recorreu, em Faro, e que o ajudou a livrar-se da prisão certa quando chegasse a Silves.

Em 1932, devido à agitação que provocou junto dos trabalhadores das estradas, para que fosse cumprido o horário de trabalho, teve de se ausentar por uns meses de Messines, sendo preso, posteriormente, no mesmo ano. Foi para o Aljube, onde ficou seis meses e onde contactou com uma plêiade de militantes notáveis, nomeadamente Manuel Joaquim de Sousa, Correia de Sousa, Luís Laranjeira, José Augusto de Castro, Emídio Santana e Miquelino da Silva Pimentel, entre outros.

Em 1933, foi julgado no Tribunal Militar Especial, tendo sido absolvido. A sua defesa esteve a cargo de Mourinho da Silva, advogado do Conselho Jurídico da CGT.

Regressado a Messines, José Correia Pires destacou-se na preparação da greve de 18 de Janeiro de 1934, pelo que reuniu com Mário Castelhano e vários delegados do Barlavento. Durante o Verão de 1933, “com o auxílio de um núcleo de camaradas”(4), trabalhou intensamente pela região. Foi, juntamente com Virgílio Barroso, o principal mentor da acção revolucionária que deveria ter tido lugar em Messines, não tivessem sido descobertos alguns dos explosivos escondidos. Por causa disso, viu-se “constrangido a fugir, mas era tão difícil escapar as garras da PIDE” (5), que teve de recorrer ao exílio. A mesma sorte não teve Virgílio Barroso, que com ele fugira para a serra, aquando da descoberta dos explosivos, e que decidira regressar, passados alguns dias, confiante que o perigo maior já teria passado, acabando por ser preso.

José Correia Pires dirigiu-se a S. Marcos da Serra, onde se manteve escondido algum tempo em casa de José Ventura Vargas(6), um democrata local. Encontrava-se aí, quando a greve de 18 de Janeiro de 1934 estalou, tendo sabido por esse amigo o que se passara. Oito dias mais tarde, resolveu ir para o Alentejo onde tinha família. Circulou clandestinamente pela Funcheira, Mina do Lousal, S. Domingos, Cercal e Ermidas sempre ajudado por anarquistas seus conhecidos e pelos ferroviários do “Sul e Sueste”. Em Ermidas, preparou a sua ida para Espanha, onde permaneceu quinze meses. Dirigiu-se a Sevilha, onde foi solidariamente recebido por camaradas espanhóis. Aí conviveu com Adriano Pimenta, da Federação Anarquista dos Portugueses Exilados (FAPE) (7), ligada à Federação Anarquista da Região Portuguesa (FARP). Passou por Alcalá de Guadayra, onde foi preso. Foi libertado pela intervenção do Comité Pró-Presos dessa localidade. Seguiu depois para Córdova e daí para Madrid em atribulada viagem(8). Aí restabeleceu as ligações, tendo ficado com Reboredo à frente do secretariado da FAPE, no qual desenvolveu notável acção de propaganda e editou um número, em forma de boletim, do Rebelião, órgão dessa organização. Foi a Jaime Cortesão e ao «Grupo dos Budas» a quem José Correia Pires recorreu para arranjar documentação(9) que lhe possibilitasse ir para França. Não tendo conseguido passar a fronteira, ficou algum tempo em S. Sebastian, onde arranjou trabalho. O ambiente tumultuoso e o perigo eminente em Espanha, os riscos que corria e a precariedade da sua situação fizeram com que se decidisse pelo regresso a Portugal. Esteve em Sevilha e entrou em Portugal clandestinamente por S. Domingos, pelo mesmo caminho que tinha saído.

A vida que o esperava na clandestinidade não era menos dura do que a no exílio. Em Lisboa, reencontrou-se com sua mulher, que ficou com ele, juntamente com os seus cinco filhos. Reatou os contactos e adoptou o pseudónimo de “Júlio Rocha” (10). Instalou-se numa casa no Alto de S. João, com o arquivo da organização e uma espécie de tipografia. Mudou várias vezes de casa. Ligou-se a elementos do “Reviralho”, tendo estado presente em reuniões conspirativas (11). Foi numa destas reuniões na casa onde residia que foi preso, a 5 de Novembro de 1936, com Antonino Francisco (12), numa cena digna do cinema. Ficou nos calabouços do Governo Civil, “os mais imundos no tempo” (13). Passou pelas cadeias da 1ª Esquadra e do Aljube (14). Esteve em regime de incomunicabilidade 86 dias. A 5 de Junho de 1937, foi embarcado para o campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde (15), onde iria encontrar muitos conterrâneos. A sua primeira noite no “campo da morte” foi a 12 de Junho de 1937. Três meses após a sua chegada, teve início o violento surto de biliosa (16), que vitimou muitos presos. Acompanhou o sofrimento e sentiu muito a morte do seu amigo Mário Castelhano. “Com o desaparecimento de Mário Castelhano algo desaparece de nós mesmos e que dificilmente tem explicação” (17).

Sendo carpinteiro de profissão, foi José Correia Pires quem fez a maioria dos caixões dos presos que morreram no Tarrafal. Teve a seu cargo a carpintaria do campo, tendo efectuado muitos trabalhos fora do campo. Fazia também tamancos de madeira para os camaradas. Experimentou a célebre “Frigideira” e fez parte da “Brigada Brava” (18).

Oito anos mais tarde, ou mais exactamente depois de 99 meses de prisão preventiva (19), pois não fora julgado, José Correia Pires regressou a 20 de Fevereiro de 1945, para o Forte de Caxias. Amnistiado(20), foi libertado a 9 de Março de 1945.

Depois de solto, e apesar do que sofrera, José Correia Pires continuou a actividade contra o regime, integrando o comité de acção especial anarquista (21) e o Comité Confederal (22). Fixou residência em Almada, onde desenvolveu uma intensa actividade associativa (23), nomeadamente na “Cooperativa Piedense” e na “Incrível Almadense”, da qual foi Presidente da mesa da Assembleia-Geral (24). Pelo 5 de Outubro de 1956, discursou na sessão comemorativa organizada por Câmara Reis, em Almada (25), com o amplo recinto da Piedense a transbordar de gente entusiasta.

A 16 de Julho de 1973, em Almada, oficializou o seu casamento com Maria Guerreiro Correia (26).

Depois de Abril de 1974 fez parte do grupo “Cultura e Acção Libertária de Almada” e colaborou no jornal Voz Anarquista, que ajudou a fundar, entre outras publicações (27). Instado por Edgar Rodrigues (28) a responder a um inquérito com 75 quesitos, o que fez, decidiu aproveitar essas notas para fazer as suas memórias, que designou de Memórias de um Prisioneiro do Tarrafal, onde nos relata, além da sua rica experiência pessoal, as relações dos comunistas e dos anarquistas, e descreve minuciosamente a organização prisional nesse campo de concentração, bem como a vida trágica dos presos, muitos deles os mais notáveis resistentes ao regime ditatorial nos anos 30. Este livro é de especial interesse para os investigadores (29), abordando, além dos aspectos mencionados, muitos outros sobre a clandestinidade, as prisões e a extrema violência do regime salazarista. Publicou ainda A Revolução Social e a Sua interpretação Anarquista (30).

José Correia Pires faleceu em Almada, a 28 de Outubro de 1976 (31).

Notas:

(1) AP de Aurélio Nuno Cabrita, Registo de Baptismo n.º 77, de José Correia Pires, Igreja Paroquial de S. Bartolomeu de Messines, de 27 de Fevereiro de 1908.

(2) Cf. José Correia Pires, Ob. Cit., p. 15.

(3)Idem, Ibidem.

(4) Cf. BN, Arquivo Histórico Social N 61, Núcleo outros militantes, José Correia Pires, Possível resposta, doc. cit., fl. 15.

(5) Ibidem, fl. 14.

(6) José Ventura Vargas, filho de Ventura Vargas e de Maria Catarina, era natural de S. Marcos. Foi um destacado elemento da propaganda republicana. Fez parte da Comissão Municipal republicana de Silves, que tomou posse a 6 de Outubro de 1910. Em 1912 consorciou-se civilmente com Maria Gomes Santinho, associada da Liga das Mulheres Republicanas. Foi amigo íntimo de João José Duarte, sendo seu sócio nas empresas “Duarte & Granadeiro & C.ª” e na “Sociedade Geral de Cortiças”. Foi um acérrimo opositor do regime salazarista. Residia em S. Marcos da Serra. Deu abrigo a muitos que, pela serra, fugiam à perseguição da Polícia, nomeadamente a alguns dos principais intervenientes no 18 de Janeiro de 1934. Pela sua actividade oposicionistas deverá ter sido detido com Álvaro Santinho Coelho e Ataíde Santinho Coelho, em 1937. Fez parte do MUD e das comissões locais de apoio às candidaturas do General Norton de Matos e de Arlindo Vicente. Esteve sob vigilância permanente da PIDE. Faleceu em S. Marcos da Serra, a 20 de Setembro de 1962.

(7) Cf. José Correia Pires, Ob. Cit., Ed. Deagá, Lisboa, 1975, p. 87. (8)Idem, Ibidem, pp. 96 e 97.

(9) Idem, Ibidem, p. 117.

(10) Idem, Ibidem, p. 127.

(11) Cf. IAN-TT, SC PC 422/37, José Correia Pires, fl. 1, de 1 de Abril de 1937.

(12) Cf. IAN-TT, PIDE/DGS, SC SPS 2410 e SC PC 422/37, José Correia Pires. Os arguidos eram José Correia Pires, António Joaquim, Antonino Francisco e Maria Guilhermina de Moura. Segundo a acusação, José Correia Pires estaria ligado a esta última que, por sua vez, estaria ligada ao ex-Tenente Pissara, a Manuel António Correia, a José Santos Rocha e a Francisco Horta Catarino, que estavam escondidos em sua casa.

(13) Cf. José Correia Pires, Ob. Cit., p. 163.

(14) Cf. Presos Políticos no Regime Fascista, Mem Martins, 1982, Vol. II, 1936/1939, p. 154, «Biografia Prisional de José Correia Pires».

(15) No navio «Lourenço Marques» seguiram 41 presos, a 5 de Junho de 1937, sem saberem se iriam para Angra do Heroísmo ou para Cabo Verde. Foram juntar-se aos presos que já se encontravam no Tarrafal.

(16) Vide adiante, na Parte III, o capítulo 5 – «A longa noite: episódios prisionais».

(17) Cf. José Correia Pires, Ob. Cit., p. 238.

(18) Vide adiante, na Parte III, o capítulo 5 – «A longa noite: episódios prisionais».

(19) Cf. Cândido de Oliveira, Tarrafal o pântano de morte, Lisboa, Editorial República, 1974, p. 30.

(20) Em sessão do TME de 7 de Março de 1945, José Correia Pires foi amnistiado nos termos do Decreto 34377 de 12 de Janeiro de 1945.

(21) Cf. João Freire, Anarquistas e operários: ideologia, ofício e práticas sociais, Biblioteca das ciências do homem. Sociologia, epistemologia, 13, Afrontamento, Porto 1992, p. 241. Deste comité faziam parte Adriano Botelho, Carlos Silva e Alberto Dias, pois os restantes membros tinham sido presos.

(22) Cf. João Freire, «Os anarquistas portugueses na conjuntura do após-guerra», in O Estado Novo das origens ao fim da autarcia 1926-1959, Ob. Cit., Vol. II, p. 10.

(23) Cf. Romeu Correia, Homens e Mulheres Vinculados às Terras do Almada (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, 1978, pp. 70 e 71. (24) Cf. Luís Alves Milheiro, Almada e a resistência antifascista. Contribuição para a compreensão da importância da oposição democrática no concelho de Almada no período 1926-1974, Edição de autor, 2000. p. 90.

(25) Cf. José Correia Pires, Ob. Cit., p. 266.

(26) Cf. Terra Ruiva, n.º 73, Novembro de 2006, p. 15, «José Correia Pires».

(27)Cf. A Ideia, n.º 7, Verão de 1977, p. 36, «Correia Pires».

(28) Cf. José Correia Pires, Ob. Cit., p. 15.

(29) Cf. António Ventura, Memórias da Resistência, Ob. Cit., pp. 94-97. (30) Cf. José Correia Pires, A Revolução Social e a Sua interpretação Anarquista, Lisboa, RPA, 1975.

(31)  AP de Aurélio Nuno Cabrita, Averbamento no Registo de Baptismo n.º 77, de José Correia Pires, Igreja Paroquial de S. Bartolomeu de Messines, de 27 de Fevereiro de 1908

Maria João Raminhos Duarte ( Historiadora e Investigadora)

aqui: silves e a resistência ao fascismo

José Correia Pires. por entre anarquistas alentejanos (aqui)

José Correia Pires: A revolução social e a sua interpretação anarquista

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(memória libertária) A Confederação Geral do Trabalho (1919-1927)


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Para ler e fazer download em PDF

Volume 1

Volume 2

Defendido em 2014 como tese universitária para as provas de doutoramento, está disponível na web um trabalho de várias centenas de páginas, da autoria de José Miguel de Jesus Teodoro, sobre a Confederação Geral do Trabalho, desde a sua fundação, em 1919, ao seu encerramento após o golpe do 28 de Maio, em 1927. Um estudo aprofundado sobre a Central Sindical Anarco-Sindicalista que marcou o movimento operário durante a 1ª República.

O trabalho, com muitas referências e de grande rigor científico, divide-se em dois volumes. O primeiro com a parte de análise histórica e o segundo sobretudo com anexos e documentação diversa.

18 de Janeiro de 1934: o fim dos sindicatos livres


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Colectânea de textos fundamentais sobre o 18 de Janeiro de 1934 publicada pelo Portal Anarquista nos 80 anos do levantamento operário. Para leitura e download em PDF.

Assinala-se hoje o 82º aniversário do levantamento operário contra a fascização dos sindicatos. O movimento foi proposto aos sectores oposicionistas pela central sindical anarco-sindicalista, a CGT, que na altura representava a esmagadora maioria dos trabalhadores organizados, e preparado durante vários meses. Na véspera do 18 de Janeiro, elementos ligados ao PCP lançaram uma bomba contra um polícia em Chelas e às primeiras horas da madrugada de dia 18 fizeram descarrilar um comboio em Santa Iria da Azóia, indo contra o que estava combinado. O governo e a policia ficam de sobreaviso. O Comité que dirigia a greve decide suspendê-la e Custódio da Costa, que deveria fazer explodir durante a madrugada a bomba que assinalaria o início do movimento na zona de Lisboa, é avisado para não o fazer e que o movimento estava suspenso. No entanto, esta informação não chega a todo o lado e, na manhã do 18 de Janeiro de 1934, milhares de trabalhadores, em vários pontos do país, declaram-se em greve e nalguns locais cortam as comunicações, assaltam os postos da GNR, etc. É o caso da Marinha Grande, Silves, Coimbra, Sines, Almada, Barreiro, etc. O PCP, mais tarde, através do seu secretário-geral Bento Gonçalves, vai classificar o movimento do 18 de Janeiro como uma “anarqueirada”, quando os únicos actos verdadeiramente desorganizados, putschistas e sem ligação aos trabalhadores foram os desencadeado por aquele partido com a explosão de uma bomba, na véspera, em Chelas e o provocatório, inútil e desmobilizador descarrilamento do comboio em Santa Iria da Azóia…

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(CGT/Espanha) Não chores por Tsipras, apoia o povo grego


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Há dias que a imprensa e as redes sociais, desde o centro direita até aos indignados, estão a chorar por Tsipras. Entretanto, a maioria da direita celebra-o e a imprensa dos partidos da esquerda não radical utiliza a “justificação criativa”. Ah! E será que  podemos?…

Não nos alegra absolutamente nada o desenlace (por agora) desta novela. Não nos agrada, nem agora nem nunca, que pessoas manifestamente de esquerda voltem a ser decepcionadas pela má praxis dos seus dirigentes, daqueles a que, pela enésima vez, cederam a outros a capacidade de decidir por eles.

Ainda menos nos alegra que um irresponsável político com responsabilidades de governo tenha feito do referendo, da consulta popular, um pequeno truque de desprestigiador (perdão pelo neologismo).

Dissemos e reiteramos: estamos com aqueles que participam quotidianamente na consulta real que a construção de projectos alternativos ao sistema, de realidades que defendem as suas conquistas, das pessoas que através do protesto procuram modificar a situação existente à sua volta, com aqueles que não aceitam que lhes cortem a dignidade ou aqueles que defendem os postos de trabalho e os direitos laborais supõe.

Somos aqueles que já levamos muito tempo a dizer OXI. Defendemos e defenderemos o OXI nas ruas e nos caminhos. E nunca prometemos derrubar sozinhos e desde dentro nem o dragão do capitalismo nem o do autoritarismo, porque se é triste representar, mais triste é roubar o voto popular.

Aprendamos de novo. Recordemos o psoetanesco  (posição do PSOE aquando da adesão à NATO) de “entrada, não”. Esse “oxi” que transformaram em “nai” (Permitam que aproveitemos para enviar uma saudação ao recém falecido Krahe [músico e poeta anarquista espanhol] que, à margem de tudo, se tornou famoso pela canção contra Felipe [Gonzalez] por causa desse referendo sobre a NATO).

Nós defendemos que nos consultem diariamente para obedecerem ao que decidimos. Queremos construir “autonomia”.

E somos também pelo “poder popular” e pelo “contrapoder popular”, mas sobretudo e como sempre, estamos pelo anarco-sindicalismo, pela ideia de anarquia juntamente com o trabalho sindical, para construirmos alternativas a qualquer opressão e criar espaços de liberdade individual e colectiva, por procurarmos um mundo novo e caminhar com quem vai mais devagar e sermos, e sabermos, que somos todos iguais.

Por isso choramos e desta vez sim, choramos pelas falsas promessas e em conjunto com todos os que queremos um mundo melhor, que contenha muitos mundos e que seja construído pelas pessoas e não pelas super-instituições.

A LUTA ESTÁ NA RUA

SECRETARIADO PERMANENTE DO COMITÉ CONFEDERAL DA CGT

Madrid, 17 de Julho de 2015

aqui: http://www.cgt.org.es/noticias-cgt/comunicados/no-llores-por-tsipras-apoya-al-pueblo-griego

(CGT/Ruesta) Escola Libertária de Verão sobre temas da comunicação


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Mais uma vez a CGT abre a sua Escola Libertária de Verão, um espaço de encontro e discussão, de aprendizagem e descontracção, em que tod@s podem aportar as nossas experiências e saberes para nos enriquecermos mutuamente.

Este ano entre 16 e 19 de julho vamos-nos encontrar em Ruesta (Zaragoza) com o tema: “A comunicação importa”.

Como todos sabemos os meios de informação convencionais não difundem as nossa informações a não ser que elas lhes interessem por algum motivo. Por isso devemos ser nós mesmos a criar os nossos próprios meios para sar a conhecer o que queremos difundir, tudo isso sem deixar de insistir com os meios convencionais e alternativos.

Durante estes dias, das 10 à 14H e das 18 às 21H, vamo-nos reunir em oficinas para aprender e partilhar experiências em:

Videoactivismo;

Redes Sociais

Uso da palavra em público

Comunicados e notas de imprensa

Ruesta é uma pequena povoação cedida em 1998 à CGT pela Confederação Hidrográfica do Ebro. Está situada junto à barragem de Yesa que nos serve de piscina. Por ali passa o caminho de Santiago (antiga rota românica).

Consulta a Web: http://ruesta.com/

Podes pedir a ficha de inscrição ou outras informações para:  sp-comunicacion@cgt.org.es

Mais informações em: http://www.cgt.org.es/escuela-libertaria-de-verano-ruesta-2015

(Estado Espanhol) Boas leituras para quem aposta na transformação do mundo e não no voto


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para ler e descarregar o jornal da CNT de Maio de 2015: http://www.cnt.es/sites/default/files/cnt%20419%20mayo_opti.pdf

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para ler e descarregar a revista teórica da CGT ‘Libre Pensamiento”:http://librepensamiento.org/wp-content/uploads/2015/05/LP82-completo-final.pdf