corrupção

(justiça) Sobre a acusação a Sócrates, Salgado, Bava, Granadeiro…


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A corrupção e o peculato são a essência do Estado, sempre ao serviço dos interesses económicos e financeiros dos de cima.

Enquanto anarquistas sabemos que a Justiça é sempre uma justiça de classe, de grupo e de interesses. Sabemos as injustiças da Justiça, dita enquanto tal, e que quando age é sempre em funções de interesses particulares.

A acusação a José Sócrates e a outros elementos da “nata” política, financeira e empresarial, deve ser encarada neste contexto, mas esse facto em nada põe em causa a denúncia da espiral de corrupção e compra de favores generalizada com que as classes dirigentes e possidentes têm governado o país e os seus negócios, dando razão àqueles – como nós, anarquistas – que sempre denunciámos o apetite voraz com que os grandes grupos económicos e financeiros usam o Estado – como um mero instrumento ao seu serviço, colocando à frente das instituições públicas serventuários comprados a peso de ouro, chamem-se eles Sócrates, Vara ou outros quaisquer.

A acusação, hoje tornada pública, é um bom exemplo desta mistura entre Estado, classe política e mundo dos negócios. E essa mistura, intrínseca, mantém-se. Essa é a natureza do Estado, essa é a natureza da classe política: servir os interesses do capital e do mundo dos negócios. Ontem, hoje e sempre.

Ver: http://www.ministeriopublico.pt/sites/default/files/documentos/pdf/nota_comunicacao_social_operacao_marques_acusacao-11-10-2017_0.pdf

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Corrupção em Angola: os negócios de Isabel e Eduardo dos Santos


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A mulher mais rica de Angola, filha do ditador Dos Santos

Isabel Dos Santos está presente em 16 grandes empresas em Angola, 17 em Portugal, uma na Suiça, outra em Chipre e uma outra na Madeira. O artigo que se segue foi publicado esta terça-feira na edição digital do jornal alternativo do Estado Espanhol “Diagonal”, assinado por Daniel Toledo (um jornalista espanhol a residir em Lisboa), e traduzido pelo Portal Anarquista, dá conta dos negócios e da forma como Isabel dos Santos se tornou na mulher mais rica do continente africano.

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Daniel Toledo 

Em Espanha é bem conhecido o processo de absorção de caixas (bancos) iniciado por La Caixa a partir de 2011. Apenas um ano depois de criar CaixaBank, La Caixa absorveu o conglomerado de caixas que constituíram a Banca Cívica (Caja Navarra, CajaCanarias, Caja de Burgos e Cajasol) e manteve outros investimento em bancos fora do país, como foi o caso do BPI – o Banco Português de Investimento.

Menos conhecida é a longa e dura luta em que La Caixa tem estado envolvida pelo controlo do BPI. Esta batalha tem-se regido pelas regras do jogo europeu, mas o outro beligerante não é português, nem espanhol, nem sequer europeu, mas sim angolano. A toda poderosa Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, Eduardo dos Santos, “A Princesa” ou “A Leoa”, como lhe chamam aqueles que não a veem com bons olhos, a mulher mais rica de África há anos que tenta impedir que La Caixa assuma o controlo do BPI. É uma luta de culturas, de mentalidades, uma luta entre a forma europeia de fazer dinheiro e a forma africana.

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O caso Banif e o seu seguimento


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Vitor Lima (*)

“Entre 2008 e 2014 foram concedidos apoios públicos ao sector financeiro cujos fluxos líquidos atingiram no final do período € -11.822 M.” (Tribunal de Contas)

1 – No caso do sistema financeiro, provavelmente, vão seguir-se ao Banif ( > € 3800 M), o Montepio (€ 62.5 M já em 2013) e a CGD, com envolvimentos enormes de fundos públicos, numa escala até agora não vista. A título de exemplo, na Grécia já atingiu € 47000 M.

2 – Essa situação significará a extinção de bancos com centros de decisão em Portugal e as poupanças e créditos concedidos a serem integrados em redes financeiras para as quais os portugueses contarão como 10 milhões de seres periféricos, empobrecidos e ignorantes; isto é, um “mercado” pouco interessante.

3 – É evidente e consensual a exigência popular pelo conhecimento das contas e locais para onde se escoou o dinheiro confiado aos bancos, reforçado pelas entregas de fundos públicos, bem como os nomes dos responsáveis pelas facilidades dadas para esse escoamento criminoso.

4 – Esse conhecimento só pode conseguir-se através de uma auditoria aprofundada jamais suscetível de ser executada decentemente por elementos pertencentes à classe política, ao sistema financeiro ou destes dependentes.

5 – Criação de um tribunal especial e plenos poderes de acesso e investigação, constituído por elementos nas condições expressas em 4. para a análise dos comportamentos e responsabilidades dos envolvidos nas burlas bancárias desde o BPN e, avaliação dos danos causados na população, vítima da austeridade e perda de direitos nos últimos já longos anos.

6 – Repúdio pelo afunilamento da reação aos descalabros bancários através de atuações mediáticas inconsequentes, incompetentes, coniventes com os actos praticados ou, dirigidas a um ou outro elemento (ex. o governador do BdP) bode expiatório de todos os males, para alívio das responsabilidades da maioria dos políticos e dos banqueiros.

7 – Realista consideração de que o sistema financeiro é global, integrado, desnacionalizado, com regras definidas pelo próprio sistema financeiro e aceites, pacificamente e de modo conivente, pela grande maioria dos governos e classes políticas mundiais.

8 – Apelar, no contexto vigente definido em 7., por um controlo público nacional da banca é totalmente irrealista, no atual modelo concentracionário e globalizado do chamado “mercado de capitais”, que vai muito para além da UE.

9 – Na prática, esse controlo é o que vem acontecendo, com a nacionalização do BPN, as injeções de capitais públicos com evidentes perdas em nome da quimérica salvação de riscos sistémicas, com a partidarização dos processos e da gestão, a ausência de informação; e, com o bem presente financiamento desses desmandos através do aumento de impostos sobre trabalhadores e reformados, perda de direitos para quase todos, o que vulgarmente se chama austeridade.

10 – Um sistema financeiro isento dos desmandos a que vamos assistindo nos últimos sete anos terá de ter caraterísticas completamente distintas do actual, desconetado da especulação, do branqueamento de capitais, baseado nas poupanças realmente existentes e em créditos de proximidade; uma banca ética.

11 – Sair da situação actual exige uma estratégia sobre os objetivos da sociedade portuguesa, na sua Inter-relação com outros povos, mormente do estado espanhol, a consideração de uma economia baseada nas necessidades e não na histeria do aumento do PIB, uma democracia em que todos possam ser decisores e executores, eleitores e eleitos, sem exclusões como assistimos na chamada “democracia representativa”.

12 – Nenhuma estratégia – somente foguetório à hora do telejornal – pode sair da classe política, corrupta ou acomodada que, nem a isso se sente obrigada por um empresariato culturalmente indigente e viciado no subsídio público, na fraude e no favor.

(*)aqui: https://www.facebook.com/vitor.lima.9678067/posts/10208567857460060?fref=nf