cultura

(Lisboa) Cruzeiro Seixas na apresentação da revista de cultura libertária “A Ideia” relativa a 2016


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Foi ontem apresentado em Lisboa o número quadruplo da revista de cultura libertária “A Ideia (nºos 77, 78, 79 e 80), referente a 2016, numa sessão muito concorrida e que juntou largas dezenas de pessoas no Museu do Aljube. Para apresentação deste número, o seu director António Cândido Franco promoveu um debate sobre as prisões portuguesas – não só pela acuidade e actualidade do tema, mas também pelo facto da sessão decorrer na antiga prisão do Aljube onde estiveram tantas centenas de presos libertários e de outras correntes políticas.
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Foi um debate interessante e participado com uma excelente intervenção e muito informada (com power point) do Manuel Almeida Santos sobre a degradação das condições no interior das prisões portuguesas e a arbitrariedade dos directores prisionais; comovente também o testemunho de Hipólito Santos (muito abatido e com quebra de saúde) sobre a vida dele no Aljube em 1962, depois do golpe de Beja, em cuja organização participou; também Filipe Nunes e Margarida Almeida (do jornal Mapa) intervieram com  informação preciosa sobre a actividade de António Dores, do Observatório das Prisões, que não pôde estar presente.
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Relevo ainda para a presença do pintor e poeta surrealista Cruzeiro Seixas que abriu e fechou a sessão. Embora esteja prestes a fazer 97 anos, e praticamente cego, este decano dos surrealistas portugueses (foi amigo e companheiro de António Maria Lisboa e de Mário Cesariny, entre outros) interveio no principio e no fim da sessão, tendo dito alguns poemas de Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro. Deste último declamou o poema QUASE:

Saudando este número da revista “A Ideia”, em que participou com material inédito, Cruzeiro Seixas disse ter já muita dificuldade em ler e desejou, como futuro, “um mundo de imaginação liberta em todos nós”.

Esta edição da revista “A Ideia”, com mais de 400 páginas,  está disponível em papel e os pedidos podem ser feitos para  Revista A IDEIA:  Rua Celestino David n.º 13-C, 7005-389 Évora, Portugal, mas pode ser também consultada na web. aqui (1ª parte) e aqui (2ª parte)

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(Lisboa) Edição de 2016 da revista ‘A Ideia’ vai ser apresentada no Museu do Aljube a 28 de Janeiro


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A próxima edição da revista “A Ideia” já tem data de lançamento. Este novo número com mais de 400 páginas (é obra!) corresponde a quatro edições da revista, mais precisamente aos nºs 77/78/79/80.

A revista será apresentada no próximo dia 28 de Janeiro no Museu do Aljube em Lisboa e a sessão contará com várias intervenções subordinadas ao tema Prisões, a cargo de Hipólito dos Santos (ex-preso libertário do Aljube), Manuel Almeida Santos (Obra Vicentina de Apoio aos Reclusos e Amnistia Internacional) e Filipe Nunes e Margarida Lima (Jornal MAPA).

(AIT/SP) Comunicado de solidariedade com os dois marionetistas espanhóis


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Contra o terrorismo do Estado Espanhol!

Dia 5 de Fevereiro dois actores de teatro de marionetas foram detidos em Madrid, onde representavam uma peça da companhia “Títeres desde Abajo” nas festas de Carnaval da cidade. Após dias na prisão Raúl e Alfonso ficarão finalmente em liberdade, mas enfrentando acusações de “enaltecimento do terrorismo” e de “delito contra as liberdades individuais” por na sua obra satírica encenarem uma montagem policial e ser exibido um cartaz com o trocadilho de palavras “Gora Alka-Eta”. Irão ainda ficar sem passaporte e com a obrigação de apresentações diárias às autoridades.

Em Espanha prendem-se pessoas por participarem em manifestações, piquetes de greve ou por simplesmente se expressarem através de uma obra teatral. Não podemos aceitar esta violência, sabemos bem que terroristas são todos os Estados com as suas leis que condenam os pobres e favorecem sempre os ricos e poderosos.

Juntamo-nos à onda de solidariedade internacional e exigimos que termine de imediato todo este espectáculo repressivo.

Fim da perseguição aos marionetistas!

Pela liberdade de expressão!

Núcleo de Lisboa da AIT-SP

15-02-2016

ait.lisboa@gmail.com

                                   

Marionetistas detidos em Madrid: “Pretendíamos reflectir sobre algumas situações, na nossa opinião injustas e imorais, que estão a acontecer na nossa sociedade”


Este domingo realizou-se uma concentração solidária na Praça Santa Ana de Madrid, convocada pela União de Actores e Actrizes a favor da liberdade de expressão e dos marionetistas detidos – agora libertados com acusações – no bairro de Tetuán. Manifestaram-se grandes personalidades da arte e da cultura. Javier Bardem leu o comunicado que Alfonso e Raúl (os dois marionetistas detidos) redigiram na sexta-feira à noite, e que publicamos já a seguir.

(mais…)

Marionetistas espanhóis em liberdade, mas ainda com acusações judiciais


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A solidariedade e o apoio-mútuo fizeram com que os órgãos repressivos do Estado Espanhol fossem obrigados a fazer marcha atrás e a libertar os dois marionetistas presos na semana passada em Madrid, embora recaiam sobre eles ainda as acusações de “enaltecimento do terrorismo” e de “delito contra as liberdades individuais”.
Raúl García e Alfonso Lázaro ficarão também sem passaporte e com a obrigação de se apresentarem diariamente às autoridades.
A solidariedade com os dois marionetistas (um dos quais é filiado na CNT de Granada) tem extravasado as fronteiras do Estado Espanhol e, por todo o mundo – Portugal incluído -, muitas têm sido as vozes que se levantaram contra esta flagrante violação do direito à liberdade de expressão e de criação cometida pelo Estado espanhol e pelos juízes da Audiência Nacional que, ao abrigo da “Lei Mordaça”, pretendem silenciar todas as vozes discordantes.

https://www.diagonalperiodico.net/libertades/29316-la-audiencia-nacional-deja-libertad-con-cargos-titiriteros.html

(Comunicado da CNT) Pela liberdade imediata dos marionetistas presos em Madrid


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Mas, senhora carmena, senhores da Audiência Nacional, não fiquem por aqui, não se limitem a deter e a acusar os artistas que hoje actuam na vossa cidade. Queimem as obras de Zola, destruam as páginas de (Jean) Grave, apaguem da face da terra a recordação das obras de Gorki, destruam os teatros que representam Brecht, peçam uma ordem internacional de busca e captura de Dario Fo, executem pelo garrote vil os seus editores, e não se esqueçam de perseguir os seus leitores. Iniciem a queima de livros e, nessa fogueira, invoquem o espírito do Generalissimo.

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Face à detenção dos integrantes de “Títeres desde Abajo”

Na sexta-feira, 5 de fevereiro, dois integrantes da companhia “Titeres desde Abajo” foram presos devido à sua última obra “La Bruja y Don Cristóbal”, sob a acusação de enaltecimento do terrorismo. Na actuação, que realizaram no dia 5 de Fevereiro em Madrid, parte da assistência sentiu-se incomodada com a obra e, longe de se limitarem a uma questão de estética ou de critérios, chamaram a polícia que procedeu à detenção dos integrantes de “Títeres desde Abajo”, que tinham tido que interromper a obra por acção dos descontentes. Imediatamente foram disparadas as armas do poder: não só eram artistas críticos, como também eram anarquistas. Num auto judicial, que podia passar aos anais do despropósito legal, a Audiência Nacional decide encarcerar as pessoas detidas “por enaltecimento do terrorismo”. O partido da senhora Manuela Carmena, alcaidesa de Madrid, não tarda em anunciar aos meios de comunicação, sem saber muito bem o que se passa, que “tomará medidas legais” contra os artistas que representam uma obra que reconhecem não ter visto. Num acto de hipocrisia monumental, pouco tempo depois, publicam um comunicado em que classificam de “irresponsáveis” os dois marionetistas, que já estão a caminho da cadeia depois de terem passado pelos juízes da Audiência Nacional, e onde anunciam que mantêm a sua denúncia por se terem cometido actos “ofensivos ou lesivos para a sensibilidade”, mas que – isso sim – esperam que mantenham as suas “garantias jurídicas”. Uma tentativa vergonhosa de nadar e ficar com a roupa, face a um acto repressivo que, sabem-no perfeitamente (leram o auto), não respeitou as mínimas garantias jurídicas e colaborando de forma consciente e directa na articulação da enésima montagem policial contra os movimentos sociais. Nem uma palavra a pedir a liberdade dos detidos. (mais…)