cultura

(Nº 75/76) Revista ‘A Ideia’ vai ser apresentada a 19 de Dezembro em Lisboa


A IDEIA (cartaz de 2015)

A apresentação pública da mais recente edição da “revista de cultura libertária” – “A IDEIA” (número duplo 75/76), relativa ao ano de 2015, vai ter lugar no Museu do Aljube (antiga cadeia do Aljube) em Lisboa, no próximo sábado, dia 19 de Dezembro, pelas 15 horas.

Do sumário desta edição sublinham-se vários destaques, desde os 40 anos de “A Ideia”, a Virgilio Martinho ou ao Satanismo poético e à Tradição Mágica e Anarquia,

Este número da revista, que se edita desde 1974 e que, nesta fase, tem direcção de António Cândido Franco, será apresentado por Jorge Leandro Rosa e contará com testemunhos de João Freire, Rui Martinho, José Maria Carvalho Ferreira e Manuela Parreira da Silva.

Morreu o editor e poeta Vitor Silva Tavares


vst e ap

Vitor Silva Tavares e Alberto Pimenta

Vão-se os melhores…

Morreu Vitor Silva Tavares, um editor de corpo e espírito libertários. A &etc tem no seu catálogo autores como Alberto Pimenta, João César Monteiro, Antonin Artaud, Adília Lopes, Henri Michaux, Marquês de Sade, Robert Walser, entre muitos outros. Poeta também, Vitor Silva Tavares deixou-nos um livro recente, que está esgotado nas livrarias e de que este poema é extraído:

Adeus pátria mal amada,
parto pra dentro de mim.
Tu pátria não dás por nada
e eu assim como assim

ainda caibo — e confio
não ficar pior a sós.
Quanto aos egrégios avós
vão prá puta que os pariu

já agora acompanhados
dos seus netos do futuro.
Cá por mim, pelo seguro,
sequer feitos ilustrados

para semente. Chega
de imposto sucessório:
tu pátria não queres casório
e eu dou-te em troca uma nega.

De candeias às avessas,
cada macaco em seu galho,
ó pátria nem peço meças,
vamos ambos pró galheiro.

Para que algo fique de pé
nesta triste conjuntura
sai esta rima quinté
merece moldura.

Púsias, Fevereiro de 2015, Edições 50 Kg.

aqui: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-vitor-silva-tavares-editor-da-etc-1708485

https://www.facebook.com/PORTAL.ANARQUISTA

http://bibliotecariodebabel.com/tag/vitor-silva-tavares/

Teatros municipais, teatros para todos


debate portofoto aqui

Realizou-se ontem no Porto, frente ao teatro Rivoli, um debate sobre “Teatros Municipais: Que serviço Público”. Participaram várias dezenas de pessoas e o Colectivo “CasaViva” vincou a sua posição libertária através de um comunicado em que defende a ocupação e a autogestão dos teatros municipais. Até que isso aconteça é preciso que seja garantido “o acesso aos espectáculos dos teatros municipais  por meio de um tarifário módico e único” e “a elaboração de uma carta de princípios gerais definindo os  objectivos dos teatros municipais e os seus compromissos como serviço público de cultura, devendo garantir impreterivelmente o princípio de não ter fins lucrativos, a liberdade artística, a variedade dos espectáculos, a diversidade artística e temática e a criação de instrumentos de retroacção popular”.

*

COMUNICADO da CasaViva para o debate público: Teatros Municipais: Que serviço Público?

Com Artaud ficamos a saber que «O corpo é o corpo /está sozinho /e não precisa de órgãos/o corpo nunca é um organismo/os organismos são os inimigos do corpo» Com Foucault, ficamos a saber que o teatro é uma/heterotopia/. É um espaço de contestação. Com Boal, ficamos a saber que «todo o teatro é necessariamente político». Posto isto, e dado o sistema político em que vivemos, o melhor será «morrer, dormir, dormir: talvez sonhar.» (Shakespeare).

Assim, a Casa Viva não se revendo ideologicamente nas configurações de uma terra com um estado a puxar os cordões do teatro do seu mundo (Calderón de la Barca); a Casa Viva não pactuando com as maquinações  desonestas encobertas por um falso princípio de transparência; a Casa Viva não se enquadrando nos pacotes predefinidos que pretendem configurar a sociedade; a Casa Viva não se conformando aos dispositivos (Foucault/Agamben) que capturam, determinam e controlam os gestos, as posturas, as opiniões e os discursos, afirma que o devir do teatro é: um /corpo sem órgãos/, um espaço de liberdade, um espaço de resistências. Não temos dúvidas de que o devir dos teatros municipais é a ocupação e a autogestão.

Apesar da Casa Viva não reconhecer como válida qualquer zona de intervenção do estado, nem se reconhecer ideologicamente com a noção da simples existência de qualquer estado, no contexto em que nos encontramos, por enquanto, o debate sobre os serviços públicos interessa no sentido de garantir o acesso de todas as pessoas a um serviço público de natureza cultural para um /empoderamento/ social por meio da partilha do sensível (Rancière).

Vamos pressupor que um teatro municipal é um serviço público, ainda que «algo esteja podre neste reino» estatal, neste contexto, consideramos que é urgente garantir dois pontos essenciais:

1º É urgente garantir o acesso aos espectáculos dos teatros municipais por meio de um tarifário módico e único.

2º É urgente a elaboração de uma carta de princípios gerais definindo os objectivos dos teatros municipais e os seus compromissos como serviço público de cultura, devendo garantir impreterivelmente o princípio de não ter fins lucrativos, a liberdade artística, a variedade dos espectáculos, a diversidade artística e temática e a criação de instrumentos de retroacção popular. Esta carta de princípios terá de ter um enquadramento legal e de ser vinculativa.

Queremos a profanação destes dispositivos (Foucault/Agamben), destes corpos que nos são impostos como modelo a seguir. Queremos teatro, queremos mundo, queremos tudo sem pacotes, sem rédeas, sem redes, nem véus!

Sim queremos um teatro que seja nosso!

aqui: http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/28486

(Hoje, Évora) Bonecos & Campaniça: um espectáculo sem palavras


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Hoje, em Évora, às 22 H, no Armazém 8. Um espectáculo inovador, colado às raízes e às velhas artes dos bonecos e da viola campaniça. Aqui, em conjunto, num bailado muito sério.

Um músico e um marionetista dão vida a duas mãos cheias de bonecos e contam as suas histórias. Histórias sem palavras, ao som da viola campaniça.
Trulé Manuel Dias a mão que conta: Marionetista/construtor e investigador em formas animadas
Tó Zé a mão que toca: Composição/Música original. Viola Campaniça

Fotografia: Telmo Rocha (Telmo Rocha – Deambulações)
Fotografia/Vídeo: Joana Dias
Produção: É neste país – Associação Cultural
Organização:Armazém 8 – Évora

Vão ver que vale a pena.