Curdistão

Solidariedade com Rojava: invasão turca representa “um potencial genocídio e limpeza étnica das populações locais”


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(Lisboa) Quarta-feira, dia 16 de outubro, às 17 horas – Concentração junto à Assembleia da República. 

(Lisboa) Sábado, dia 19 de outubro, às 15 horas – Manifestação entre o Príncipe Real e o Rossio.

Caros e Caras,

Durante a última semana assistimos a uma enorme ofensiva do exército turco no Nordeste da Síria. A operação “Nascente de Paz”, movida pelo segundo maior exército da NATO, com o apoio de milícias jihadistas, já provocou centenas de mortos e dezenas de milhares de deslocados.

Foi nesta mesma região que, há cinco anos, o mundo presenciou uma resistência sem precedentes contra as atrocidades do Daesh (o auto-proclamado Estado Islâmico). Foi também nesta região que assistimos a um projeto democrático revolucionário, pautado pela igualdade de género e pela tolerância étnica e religiosa, onde milhares de refugiados, no meio de uma das mais terríveis guerras, encontraram um porto seguro. É nesta região que milhões de Curdos, Árabes, Assírios, Yazidis, entre outros, coexistem pacificamente, construindo um projeto único de paz e democracia: em Rojava, também conhecida como Curdistão Sírio e como Federação Democrática do Norte da Síria.

A operação “Nascente de Paz”, sob pretexto de criar um corredor fronteiriço (em território sírio), representa um potencial genocídio e limpeza étnica das populações locais e levou já ao ressurgimento de células do Daesh em regiões previamente libertadas. Não podemos assistir impávidos a estes crimes contra a Humanidade. É necessária uma tomada de posição forte por parte de todos.

Por isso, na próxima quarta-feira (16 de Outubro às 17 horas: (www.facebook.com/events/536603667098892/) estaremos em frente à Assembleia da República, no dia de tomada de posse dos novos deputados eleitos, para exigir que enquanto representantes políticos se posicionem contra a invasão turca. Exigimos também um boicote total à Turquia. Não podemos ser cúmplices de um estado que assume uma agenda fascista! Não vamos abandonar Rojava!

No seguimento da chamada internacional de solidariedade com Rojava para acções a nível global, no próximo sábado (19 de Outubro às 15 horas: (https://www.facebook.com/events/1398798680285054/) voltamos à rua, numa manifestação que irá percorrer as ruas do Príncipe Real ao Rossio (Lisboa).

Urgimos a todos com sentido de responsabilidade social que se insurjam contra esta invasão e que façam a sua parte: organizem-se, consciencializem, divulguem, protestem! Juntem-se a nós!

Seguiremos em solidariedade com a resistência no Nordeste da Síria, até que todas as formas de fascismo se extingam!

Plataforma de Solidariedade com os Povos do Curdistão

Mais informações em: www.facebook.com/SolidariedadeCurdistao

Contactos para: solidariedadepovoscurdistao@riseup.net

#RiseUp4Rojava #WomenDefendRojava #BoycottTurkey

Lorenzo Orsetti: Agora e sempre, viva a Anarquia!


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“Vermelha pela quantidade de sangue derramado, preta pelo luto de milhões de mortos. Esta é a cor da bandeira dos anarquistas, que esteve sempre desfraldada, que agrupa todos os homens que amam a humanidade. Que lutam pela liberdade e combatem todas as injustiças sociais. E é por esses sentimentos nobres que os anarquistas sempre foram difamados, caluniados, torturados, perseguidos, encarcerados, assassinados de maneira ignóbil, vergonhosa, que repugna a consciência humana. Os anarquistas querem viver numa sociedade humana e fraterna, sem estado, soldados, dinheiro, patrões, sem polícia, sem prisões e sem exploradores. Onde todos trabalhem para produzir coisas úteis, e possam viver intensamente a nossa curta existência, sem ódio, medos ou preocupações com o amanhã.

Agora e sempre, viva a Anarquia. “

(Penúltimo post colocado na sua página no facebook pelo anarquista Lorenzo Orsetti,assassinado pelo Isis no Curdistão esta segunda-feira.)

Lorenzo Orsetti: mais um anarquista assassinado pelo Estado Islâmico no Curdistão


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Lorenzo Orsetti, italiano, natural de Florença, foi morto pelo ISIS na Síria, segundo anunciaram os fundamentalistas islâmicos nas últimas horas.

“Nós matámos um cruzado italiano”, anunciaram militantes do Estado Islâmico no Twitter, pondo a circular algumas fotos .

Orsetti, de 33 anos, e há cerca de ano e meio integrando as milicias curdas terá sido morto em combate em Baghuz, a última fortaleza do Estado Islâmico no leste da Síria.

Orsetti, que contou sua experiência na Síria no Facebook com o nome de Orso Dellatullo, estava na Síria há cerca de um ano e meio.

O último post remonta a 12 de março passado, onde ele escreveu: “Aparentemente, várias trincheiras permaneceram. Não preciso de dizer duas vezes que se tudo correr bem, amanhã vou-me embora!”.

Para Lorenzo “”meglio aggiungere vita ai giorni che giorni alla vita”, era “melhor juntar vida aos dias que dias à vida”.

Que a terra te seja leve companheiro!

https://www.facebook.com/orso.dellatullo.1

https://www.firenzetoday.it/cronaca/lorenzo-orsetti-isis-ucciso.html

https://www.facebook.com/anarquismoenpdf/

Povo Ka’apor: mensagem de solidariedade para com a luta popular curda


Guerreras y guerreros del pueblo kurdo: Mensagem de solidariedade internacional from Internationalist Commune on Vimeo.

Mensagem de solidariedade internacional da liderança do Conselho de Gestão Ka’apor, Itahu Ka’apor, em nome dessa etnia indígena no Brasil com a luta popular curda pela livre autogestão e determinação dos povos:

“Guerreiras e guerreiros do povo curdo,

nós, povo Ka’apor do Maranhão (Brasil) estamos convosco pela autonomia, autogestão e autodeterminação. O capitalismo, a intolerância e a violência contra nós não pode parar a resistência na defesa da nossa cultura, da nossa forma de viver e do nosso território étnico e cultural. Repudiamos todas as formas de agressão do imperialismo e os modelos políticos e culturais que nos querem impôr. Pela livre autogestão e determinação dos povos. Abraços de muita resistência. Conselho de Gestão Ka’apor”

Afrin: a guerra mudou para outra etapa


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A Administração Autónoma Democrática do Cantão de Afrin declarou que decidiram evacuar os civis da cidade para evitar massacres, e que a guerra mudou para uma nova etapa.

A Admistração Autonoma Democrática do Cantão de Afrin realizou uma conferência de imprensa em Shehba e anunciou a sua decisão de evacuar os civis da cidade de forma a evitar massacres e um grande desastre humanitário.
Funcionários da admistração do cantão e porta-vozes das YPG e YPJ estiveram presentes na conferência de imprensa onde uma declaração foi lida pelo co-presidente do Concelho Executivo, Osman Şêx İsa.

O texto completo da declaração é o seguinte:

“A heroica resistência de Afrin contra o exército Turco e os seus colaboradores (restos de membros do ISIS e também Jabhat Al-Nusra juntos sobre o mesmo nome de “Free Army”) já vai nos seus 58 dias.
Os ataques contra Afrin começaram a 20 de Janeiro com uma aliança com a Rússia e o silêncio dos poderes regionais. A Rússia deixou o espaço aéreo livre de maneira a que o estado Turco cometesse um massacre contra as nossas pessoas com todas as suas armas, e sacrificou as pessoas pelos seus interesses.

“IMPUSERAM-NOS UMA MIGRAÇÃO FORÇADA E COMETERAM UM MASSACRE”

Estes ataques foram realizados com o silêncio dos poderes internacionais, da aliança anti-ISIS e do Concelho de Segurança das Nações Unidas.
Massacres e migrações forçadas têm vindo a ser impostas em Afrin. Centenas de civis sofreram todo o tipo de ataques. Este facto demonstra que os poderes mencionados não cumpriram com as suas responsabilidades para com o nosso povo e combatentes contra o ISIS e Erdogan que espalham o terror por todo o mundo.
O estado Turco pro-ISIS está usando grupos jihadistas para mudar a demografia em Afrin e establecer estas forças reacionarias e as suas familias no lugar das pessoas. O AKP massacrou centenas de civis que tentavam fugir destes ataques. Estão aplicando políticas genocidas contra o povo.

“DECIDIMOS EVACUAR OS CIVIS DA CIDADE”

Durante 58 dias de ataques, o nosso povo e os nossos combatentes organizaram uma grande resistência contra o segundo maior exército da NATO. O mundo inteiro deveria saber que o nosso povo e combatentes resistiram a esta força selvagem com grande determinação. No entanto, o exército invasor Turco atacou continuamente civis e durante os últimos dois dias, muitas crianças e mulheres foram massacradas, e os edifícios, casas, padarias, escolas, hospitais de Afrin foram demolidos e atacados de maneira planificada. Para evitar um grande desastre humanitário, decidimos evacuar os civis da cidade.

“A GUERRA MUDOU-SE PARA OUTRA ETAPA”

A nossa luta contra a invasão estatal turca e as forças obscuras, utilizando o nome de “Exército Livre Sírio” continua. No entanto, a guerra passou a outra etapa com novas táticas para evitar o massacre de civis e dar um golpe aos gangues. As nossas forças implantam-se por todas as partes de Afrin e infligem um golpe ao exército invasor Turco e aos seus gangues na sua própria base. Uma declaração de vitória de Erdogan e seus sócios não tem nenhum valor aos olhos da Turquia nem da opinião pública mundial. Nossas forças farão em todas as partes um pesadelo para eles. A resistência de Afrin continuará até que cada centímetro se libere e a gente de Afrin volte para os seus lares.

“SAUDAMOS A TODOS OS QUE ABRAÇARAM A RESISTÊNCIA EM AFRIN”

Ademais do povo de Afrin, os povos de todo o norte da Síria e Curdistão defendem a região de Afrin. Além disso, as forças democráticas de todo o mundo não deixaram Afrin só. Em nome do nosso povo, saudamos a todos os que abraçaram a resistência de Afrin. Pedimos-lhes que continuem apoiando o nosso povo contra as políticas genocidas e pressionem para que o nosso povo regresse para casa e que as forças de invasão Turca saiam de Afrin.

“A ONU DEVE TERMINAR COM A SUA HIPOCRISIA”

Por último, pedimos ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que não permaneça em silêncio e que pressione o estado Turco para que termine a guerra de genocídio físico, cultural e político contra a nossa sociedade. A ONU deveria terminar com a sua hipocrisia e tomar as decisões necessárias com respeito ao derramamento de sangue em Afrin e Ghouta Oriental.

“500 CIVIS E 820 COMBATENTES FORAM ASSASSINADOS”

Desde o começo dos ataques, 500 civis, incluídos crianças, mulheres e idosos, foram assassinados pelo estado fascista Turco e mais de 1.030 resultaram feridos. Aparte disso, 820 combatentes das SDF [Forças Democráticas Sírias] caíram mártires.

Prometemos à nossa gente, aos nossos mártires e aos feridos que os vingaremos. A nossa causa é a causa da resistência e da luta baseada na lealdade aos nossos mártires, e o nosso objectivo é a vitória”.

aqui: http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/45801

original: https://anfenglish.com/rojava/afrin-administration-the-war-has-moved-to-another-stage-25570

Sobre Haukur Hilmarsson, o anarquista islandês morto em Afrin: “era um companheiro terno e sensível. Foi consequente até ao fim”


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O Batalhão Internacional da Liberdade (IFB) que combate em Rojava lado a lado com o YPG pela libertação do povo curdo e a implementação do municipalismo de base libertária anunciou recentemente a morte de mais um combatente internacionalista o anarquista islandês, Haukur Hilmarsson, de 32 anos. Segundo o comunicado do International Freedom Battalion:

“O nosso camarada Haukur Hilmarsson (nome de guerra Sahin Hosseini) tornou-se imortal. Era um militante anarquista dedicado,que respondeu ao apelo antifascista do YPG e do Batalhão Internacional da Liberdade e que viajou imediatamente para se juntar à luta em Manbij. Impossibilitado de alcançar Rojava e deportado do Iraque para a Islândia natal, ele não desistiu. Voltou rapidamente à região e ganhou honra e respeito nas sangrentas batalhas de Raqqa, integrando como comandante de equipe a IFB. Ele era popular e todos os camaradas confiavam nele, por isso foi escolhido como representante no comitê da unidade. Pronto para partir depois da derrota do ISIS em Raqqa, voltou mais uma vez à luta para enfrentar as forças fascistas coloniais invasoras daTurquia e dos seus aliados jihadistas. Foi nessa luta que ele se tornou um mártir, em Afrin. Ao morrer, dizemos que ele se tornou imortal, pois nunca esqueceremos o seu combate, o seu nome e o seu exemplo – e nunca vamos desistir da luta. Os mártires são imortais!” (aqui)

José Diogo, um companheiro português residente na Islândia privou de perto com Haukur Hilmarsson e sobre ele deixa-nos, a pedido do Portal Anarquista, este depoimento:

“Que posso dizer?… Acima de tudo era um homem combativo, anarquista, pela acção directa. Conheci-o depois do colapso financeiro islandês de 2008. Lembro-me bem do seu activismo, do seu enorme entusiasmo em defesa dos requerentes de asilo e ultimamente dos refugiados. Depois da curta euforia revolucionária de 2008, os nossos encontros foram rareando. Ele, como muitos de nós por aqui, estava extremamente desiludido com a política na Islânda. E começou a ausentar-se, a viajar. O nosso último encontro ocorreu há 7 ou 8 meses atrás. Disse-me que tinha estado na Grécia com os companheiros anarquistas mas que, por diversas razōes, esses encontros não o satisfizeram. Depois nada mais soube dele… até ao dia de ontem: o dia em que chegou a triste notícia da sua morte em defesa de Afrin. Era um sonhador que sonhava acordado. Viveu como sempre quis: juntando o pensamento à acção. Foi consequente até ao fim. Era um homem terno e sensível e deixou-me uma grande dor no coração… E mais não sei dizer, companheiros.”