debate

Apresentação de mais um número de “A Ideia” com uma evocação do diário operário “A Batalha” fundado há 100 anos


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É já este sábado, 26 de janeiro, no Museu do Aljube, em Lisboa, pelas 15 horas.

Apresentação pública de mais uma revista ” A Ideia, com uma evocação do centenário do jornal operário e anarco-sindicalista “A Batalha”, que se assinala no dia 23 de Fevereiro de 2019, a cargo do historiador António Ventura e de António Baião, um dos elementos do actual corpo redactorial do jornal.

” O volume da revista A Ideia relativo a 2018 está pronto, tem as mesmas características do anterior e será apresentado na tarde do dia 26 de Janeiro de 2019, numa sessão em que evocaremos a dimensão libertária de Agostinho da Silva e o centenário de nascimento do jornal operário A Batalha, com uma palestra do historiador António Ventura e uma intervenção dum dos actuais redactores da folha, António Baião.
Segue em anexo o programa da sessão, para o qual pedimos divulgação.
Gratas saudações de
A. Cândido Franco”.

As 8 horas de trabalho: a canalhice do PCP e o seu revisionismo histórico


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O movimento operário em Portugal começou por ser influenciado pelas ideias marxistas, logo a partir dos primeiros anos de 1870. Paul Lafargue, o genro de Marx, esteve em Portugal e o primitivo Partido Socialista português, assim como o movimento associativo da altura, teve uma forte influência das ideias marxistas.

No final do século XIX, no entanto, irrompem em Portugal, como alternativa ao reformismo e à politiquice socialistas, as ideias libertárias, onde predomina a influência de Kropotkin e de outros anarquistas. O movimento libertário nasce, em Portugal, no seio do operariado e rapidamente se criam jornais e estruturas associativas que lutam pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores, mas nunca esquecendo a transformação social que para todos é imperiosa e urgente.

A sua influência é determinante na fundação da União Operária Nacional, em 1914, e – mais ainda – na criação da Confederação Geral do Trabalho, em 1919, que agrupa a quase totalidade dos trabalhadores organizados, na altura, em Portugal.

A influência anarquista, anarco-sindicalista e sindicalista revolucionária na nova central sindical é quase total, embora os ecos da revolução russa – então ainda entendida como uma revolução dos sovietes e dos trabalhadores – já tivessem chegado a Portugal e ganhado adeptos no meio dos trabalhadores.

Essa influência, no entanto, sempre foi minoritária e, mesmo em 1934, quando o movimento sindical autónomo é ilegalizado e grande parte dos seus activistas presos e deportados, na sequência da greve insurreccional de 18 de janeiro, o peso do PCP (constituído em 1921) é muito pequeno.

A influência do PCP só cresce depois da segunda guerra mundial quando, decapitado o movimento anarquista e destruída a revolução espanhola, os comunistas ganham um novo ânimo e renovados apoios a partir da União Soviética – também uma das vencedoras da II Guerra -, que vê o seu império e o seu poder de influência alargarem-se substancialmente.

Mas isto só acontece a partir de finais dos anos 40/inicio dos anos 50, quando a militância anarquista fica reduzida ao mínimo, sem apoios e encurralada entre a propaganda fascista e a propaganda comunista.

Antes, a força do movimento operário era claramente inspirada no modelo libertário e é aos anarquistas em Portugal, como em Espanha, por exemplo, que se deve a instauração das 8 horas de trabalho na indústria e no comércio. Em Portugal, a partir de 1919, teoricamente, as 8 horas passam a vigorar nestes sectores. Mas foram precisas greves e provas de força para ganhar este objectivo.

Nos campos, essa conquista só se efectivou nos anos 60, quando já tinha começado a sangria da emigração. Nesta altura, a intervenção do PCP, foi relevante, num momento em que o movimento libertário estava já exangue de mais de duas décadas de repressão salazarista.

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(Julho de 2019) Chamada à apresentação de trabalhos sobre anarquismo para o 30º Simpósio Nacional da Associação de História do Brasil



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Anarquismo em questão: conceitos, práticas, circulação e trajetórias.

De 15 a 19 de julho de 2019, em Recife – Pernambuco, ocorrerá o 30º Simpósio Nacional da Associação Nacional de História (Brasil) e convidamos à inscrição de trabalhos no Simpósio 013. Anarquismo em Questão: conceitos, práticas, circulação e trajetórias.

013. Anarquismo em questão: conceitos, práticas, circulação e trajetórias.
Coordenadores:
Angela Maria Roberti Martins (UERJ / UNIGRANRIO), José Damiro de Moraes (UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO / UNIRIO)

Resumo: Este Simpósio Temático (ST) pretende reunir estudiosos e pesquisadores de diferentes áreas, níveis e perspectivas, cujas pesquisas, trabalhos e demais formas de produção estejam concentradas nas discussões de ordem teórico-conceitual, metodológica e política do anarquismo. Em nossa compreensão, referendada por extensa bibliografia, o anarquismo influenciou o movimento operário brasileiro no século XX, mas não cessa de acontecer, comprovando sua relevância para a atualidade. Nessa perspectiva, o ST é uma oportunidade acadêmica para a socialização e interação de projetos individuais e/ou coletivos que se desenvolvam em torno do Anarquismo em suas mais variadas dimensões, compreensões e recortes espaço-temporais.

Mais informações no site do evento:

https://www.snh2019.anpuh.org/apresentacao

Novo grupo anarquista nasce em Coimbra


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Quem somos?

O Grupo de Estudos Anarquistas Bernardina Neves, GEABN, é um espaço vivo criado para a análise e discussão crítica conjunta de textos, documentos e situações históricas associadas ao movimento e pensamento anarquista, reunindo-se em Coimbra.

foptoQuem foi Bernardina Neves?

Do que sabemos, Bernardina Neves, “Dryada”, foi uma costureira, militante anarquista, e a primeira mulher presa política da cidade de Coimbra durante a ditadura salazarista. Detida com Alfredo Neves a 28 de agosto de 1934 por “atividades antifascistas de influência anarco-sindicalista” e sendo entregue à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (antecessora da PIDE), morrendo mais tarde em prisão hospitalar.

Escolhemos o nome desta vida para nome deste Grupo de Estudos com o objetivo de lhe dar visibilidade como símbolo de resistência feminina no séc. XX em Portugal não só ao regime fascista português mas também contra o Estado e contra o Capital, numa época onde o meio militante e sindical era hegemonicamente masculino e as vozes e vivências das mulheres eram ainda mais marginalizadas que atualmente.

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1ª sessão do GEABN:  “Anarquismo e Organização da Luta de Classes”

O Grupo de Estudos Anarquistas Bernardina Neves (GEABN) terá a sua 1ª sessão de discussão e análise em Coimbra no dia 10 de Novembro, acolhida pela República Ninho da Matulónia (Rua Infanta Dona Tereza 29B, 4º andar).

Esta sessão irá incidir sobretudo nas distinções, contornos e papéis propostos para as organizações da classe trabalhadora consideradas por Bakunin e mais tarde pela Dielo Truda (publicação anarquista dinamizada por participantes da Revolução Ucraniana de 1919) como necessárias para o triunfo da revolução social, introduzindo a conceção de dualismo organizacional.

Textos propostos:
BAKUNIN, Mikhail, A Política da Internacional, 1869
Dielo Truda, Plataforma Organizacional da União Geral dos Anarquistas, 1926 —— (Apresentação + Secção Geral)

Acesso aos textos:

https://drive.google.com/…/1m5LdQ3GVtWVyBF0VStzCxQaogdoJhYM…

A leitura prévia dos textos é aconselhada para a sua discussão, mas nenhum conhecimento anterior é requerido.


Fontes:
https://goo.gl/dNixAj
https://goo.gl/gfcruK
https://goo.gl/9E38W7
https://goo.gl/1x9N3d

João Freire: a rendição de um ex-anarquista


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sociologo__investigador_joao_freire-33400948João Freire, sociólogo e antigo anarquista, editou há meses um livro a que chamou Um projecto libertário, sereno e racional (Lisboa, Colibri, 2018).   João Freire desempenhou um papel importante na divulgação do movimento anarquista logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, esteve na origem da revista A Ideia, fez parte de diversos colectivos de índole libertária (mas no seu seio também conviveu de perto com figuras como a ex-ministra da educação Lurdes Rodrigues, de triste memória), mas ao longo dos anos foi abandonando a perspectiva anarquista ganha em França após ter desertado da guerra colonial e enveredou pelos caminhos de uma social-democracia serôdia, que assenta no capitalismo como gerador de riqueza e no Estado como regulador dos antagonismos sociais – temas que o afastam diametralmente dos pilares fundamentais daquilo que é o pensamento libertário.

João Freire está no seu pleno direito de ter mudado de opinião e, no campo libertário, não condenamos quem muda de ideias. O que condenamos é que, quem muda de ideias, continue a falar em nome de projectos que já não são os seus. E o projecto libertário deixou, claramente, de ser o projecto de João Freire. Há muito que este antigo militante anarquista já não faz parte do espaço cultural, social e político dos que querem transformar a sociedade com base num projecto libertário. Por isso o título do livro cheira a engodo – mas isso não seria grave ou não fosse o saber-se, como se sabe, que há quem esteja a convocar um encontro para o dia 25 de setembro, no auditório da Biblioteca Nacional, em Lisboa, para debater este livro, sob a hipótese de constituição “dum partido libertário”.

Tudo isto é triste. Mas tudo isto é fado, pelos vistos.

Introduzindo algumas achas nesta fogueira, mas duma forma assertiva, vem agora José Rodrigues dos Santos, também ele professor universitário e amigo de décadas de João Freire dizer o que todos sabíamos: João Freire não traiu, não se despediu, está arrependido das ideias que foram as suas, e está totalmente rendido à realidade vigente.

José Rodrigues dos Santos não é anarquista, nem nunca o foi, mas disseca duma forma certeira o testamento político de João Freire, ex-anarquista, hoje rendido ao politicamente correcto e à social-democracia mais corriqueira.

Escreve José Rodrigues dos Santos:

“Arrependimento”, conforme disse de início: respeito. Voltar atrás e reconhecer erros (ou o que agora lhe parecem ter sido tais), é um exercício que goza de plena legitimidade. Mas confesso que, deixando agora de lado os termos com que o JF indexa o livro, me ocorre uma palavra bem mais cruel: rendição. Não posso escondê-lo. Desagradável mas verdadeiro, o sentimento que o JF abdica do fundamento mesmo das principais teses que perfilhou (e não só desta ou daquela modalidade prática). O JF rende-se à cartilha liberal(ista), no corpo central da análise e não apenas em opções concretas. O capitalismo, o mercado (o tal auto-regulado, etc.), são para o JF, no final de contas, inultrapassáveis. Não há horizonte fora e para além deles. Curiosa atitude para quem, com tanto trabalho histórico para trás, deveria saber que capitalismo, mercado, etc., são formas culturais (instituições) produtos da história que passarão com a história. Talvez, meu caro JF, em vez de nos entregarmos à vã esperança dum “milagre”, como dizes, o nosso dever seja verdadeiramente explorar as aberturas através das quais, no presente, começa a ser visível (pelo menos um) outro futuro. A rendição que me entristece, não é rendição “à realidade”, mas sim à doxa que nos diz o que se quer que acreditemos que essa realidade é. Desistir da crítica dos fundamentos do sistema actual, nunca.”

ler aqui o artigo completo de José Rodrigues dos Santos

(Porto) Este sábado vai-se falar de decrescimento


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CONVITE

O DECRESCIMENTO VEM AO PORTO

7 de Julho, duas sessões: Espaço Gazua e Gato Vadio

Descobrimos, nas últimas semanas de preparação deste encontro, que o decrescimento é um tema que já vinha interpelando muitos de nós. Esse interesse contrasta com a religião laica do crescimento diariamente praticada pelo Estado e pelos meios de comunicação. Embora aparentemente incontestada, essa crença expõe hoje a sua falência nos planos ecológico, sócio-económico e simbólico.

Ao longo dos anos, disseram-nos que vivíamos numa sociedade miraculosa, onde o crescimento tudo assegurava: o bem-estar e a igualdade de oportunidades, a democracia e a sociedade de consumo para todos. A nenhum de nós escapa que tudo isso está na iminência de se perder, embora os sacerdotes do «Crescimento» continuem a invocar os mesmos deuses. E como acontece com as divindades que já não parecem capazes de operar prodígios, estas começam a pedir-nos sacrifícios, enquanto tudo se torna mais caótico, mais imprevisível e presa de novos «homens fortes».

Podemos contrariar o enlouquecimento geral trazido pelo fim iminente da «sociedade de crescimento» que as fontes energéticas fósseis instalaram e agora já não podem assegurar. Podemos ainda travar a destruição, hoje extrema, dos ecossistemas de que os humanos dependem. Podemos criar alternativas à entrada da sociedade na desigualdade nunca antes vista, nos autoritarismo e nacionalismo crescentes, na xenofobia, na guerra e no fascismo tecnológico. E, mudando de rumo, podemos construir vidas felizes mesmo sabendo que os recursos disponíveis serão menos abundantes a breve prazo.

Ao contrário da globalização, o decrescimento viceja na pequena e na média escala: nas bio-regiões, nas comunidades locais, nos circuitos de proximidade, na resiliência dos espaços locais e regionais. Por isso convidámos os nossos amigos da «Rede Decrecemento Eo-Navia, Galiza, O Bierzo». São nossos próximos no ecossistema, na língua, nos problemas partilhados. Queremos conhecer a origem, o percurso e os objectivos dessa rede de decrescimento. Queremos, também aqui, construir redes de decrescimento.

Eis o programa:

Sábado, 7 de Julho, às 16h, no Espaço Gazua (Rua João das Regras, 151):
Apresentação da Rede de decrecemento Eo-navia, Galiza i O Bierzo e do 1º Congresso do Decrescimento.
Debate sobre bio-regiões, redes de resiliência e organização de iniciativas de decrescimento, com Álvaro Fonseca, Iolanda Teijeiro Rey e Miguel Anxo Abraira.


7 de Julho, às 21h30, no Gato Vadio (
Rua do Rosário, 281):
O decrescimento: escolha colectiva ou inevitabilidade? Um debate com Jorge Leandro Rosa, Miguel Anxo Abraira e Iolanda Teijeiro Rey.

(Participantes: Álvaro Fonseca, activista eco-social,  ex-docente universitário na área das ciências da vida, Portugal; Jorge Leandro Rosa, ensaísta e tradutor, membro da direcção da Campo Aberto, Portugal; Miguel Anxo Abraira, activista do decrescimento, Associação Véspera de Nada, Galiza; Iolanda Teijeiro Rey, activista do decrescimento, Galiza)

Página do evento (em constante actualização):         

https://www.facebook.com/events/217635588847920

(Lisboa) Jornadas de saúde mental antiautoritária começam esta sexta-feira na Disgraça


Na Disgraça (Rua da Penha de França 217 a/b, Lisboa)

Entre as tantas formas de domínio às quais os nossos corpos estão sujeitos, o esgotamento físico e emocional das nossas mentes é o mais alarmante e, sobretudo, é aquele que parece estar mais longe de ser solucionado, devido à sua complexidade e aos aspetos da esfera social com que ele está relacionado. As pressões que sofremos para que os nossos corpos se encaixem num modelo de vida “normal e normativo” têm repercussões no estado das nossas saúdes mentais, cujas falhas são-nos premeditadamente apresentadas, cada dia mais, como algo de demasiado complexo para serem solucionadas com as práticas da saúde autogestionada. Em realidade, a saúde da mente não é algo de muito diferente da saúde inerente a outras partes do corpo, sendo que é possível desenvolver estratégias de fortalecimento e defesa já a partir de nós proprixs, sem devermos recorrer aos ditames das ciências autoritárias do sistema de saúde dominante. O Grupo de Saúde Antiautoritária (GO.S.A.)organiza dois fins de semana  para repensarmos as práticas para cuidar da nossa saúde mental, a partir de uma perspetiva autogestionada e antiautoritária!

As Jornadas decorrerão no espaço Disgraça (Rua da Penha de França 217 a/b, Lisboa)

Programa 29 de junho – 1 de julho

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