educação

(Universidade de Coimbra) Comunicado do Conselho das Repúblicas sobre o comunicado do Reitor


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No seguimento do email “Estragos na Universidade” do Reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, dirigido a toda a comunidade universitária, dando conta do sucedido no dia 20 de Fevereiro de 2017 no Edifício da Reitoria, o Conselho das Repúblicas, reunido ao 25º dia do mesmo mês, vem por este meio divulgar o seguinte comunicado:

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Carta do Brasil: “A situação aqui é crítica. Tenho medo até de um novo golpe militar.”


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Publicamos este texto de Francisco Castillo, que foi inserido na caixa de comentários na página do facebook do Portal Anarquista em que dávamos destaque à intervenção da estudante Ana Júlia, na  assembleia legislativa do Paraná. O texto sintetiza as razões de luta dos estudantes brasileiros e as suas apreensões face à resposta autoritária do governo e das autoridades.

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Não só contra essa proposta de censura que nós estamos nos organizando. Nós também estamos lutando contra diversos abusos do governo de legitimidade duvidosa (apesar de eu achar que qualquer tipo de regime onde não haja democracia direta é ilegítimo) que quer fazer cumprir a todo custo e com medidas autoritárias uma agenda liberal que começa com uma emenda constitucional (a PEC 241) que corta por 20 anos investimentos em saúde, educação, programas sociais, previdência e em outras áreas vitais para a população brasileira. O mais revoltante que isso acontece ao mesmo tempo que todos os políticos estão aumentando os próprios salários (prática extremamente comum no Brasil) (os salários devem estar girando em torno de R$ 40.000 em media, o que da mais de 10.000 euros, e isso sem as dezenas de benefícios).

Alem dessa emenda constitucional, eles estão querendo censurar o direito de liberdade de expressão dos professores em sala de aula (como vcs ja sabem) e absurdos ainda maiores, como cortar sociologia e filosofia do currículo. Mas, como se não bastasse, este governo ainda promete fazer uma grande reforma trabalhista e previdenciária no próximo ano, que reduzira em muito os direitos dos trabalhadores e dos aposentados. Contratos de terciarização poderão prevalecer sobre a legislação trabalhista. Alem disso tudo, existe um plano a longo prazo da base aliada deste governo de terciarizar todos os serviços públicos e de privatizar a saúde e a educação do país, medida que é apoiada pela nossa desprezível direita que se embaseia na escola austríaca, nos ditadores militares que governaram o pais e no desprezível ditador chileno Pinochet.

Apesar de estarmos ocupando as escolas e lutando com todas as nossas forças, não estamos conseguindo mobilizar a população do pais em favor a nossa causa, já que ela se encontra alienada por uma midia neoliberal e enfurecida contra a demagogia e a corrupção do ultimo governo q se dizia de esquerda que acabou de cair devido a uma politicagem mafiosa executada no congresso.

Acho que estou aqui em um pedido de socorro para vocês, já que vejo que aí na europa vocês conseguem fazer uma oposição muito mais forte a esse tipo de coisa. Nós no Brasil já sofremos com as oligarquias nacionais e com o imperialismo internacional durante os últimos 200 anos. A situação aqui é crítica. Tenho medo até de um novo golpe militar.

Francisco Castillo

(Brasil) “Vocês são o Estado e têm as mãos sujas de sangue!”


Mais de mil escolas ocupadas no Brasil! A “escola sem partido” que a direita pretende impôr no Brasil é a escola sem política, sem opinião. A escola castrada e castradora, normalizadora e acrítica.Contra isto se levantam os estudantes brasileiros.

Ana Júlia, de 16 anos, do Colégio Estadual Manuel Alencar Guimarães, na Assembleia Legislativa do Paraná usou da palavra representando as cerca de mais de mil escolas e institutos federais ocupados no estado, na tarde desta quarta-feira.

“A nossa única bandeira é a educação. Somos um movimento apartidário, dos estudantes pelos estudantes” disse Ana Júlia, acrescentando que as mudanças no ensino pretendem “formar uma exército de não pensantes”. Dirigindo-se aos deputados disse: “vocês são o Estado e têm as mãos sujas de sangue”, numa alusão à morte, na tarde de segunda-feira, do estudante Lucas Eduardo Araújo Mota, assassinado por um colega.

aqui: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/27/politica/1477567372_486778.html

Sobre a PEC 241 – http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/10/politica/1476125574_221053.html

O conceito de «escola sem muros»


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O conceito de «escola sem muros» parte de uma tomada de consciência, de que nós estamos todos (con-)centrados numa ideia de «escola», vista como uma espécie de fábrica de «futuros trabalhadores e cidadãos», coisa que correspondeu à era taylorista e fordista do século XX.

Porém, a escola como aparelho ideológico do Estado (sem dúvida permanece assim, mesmo em escolas privadas ou cooperativas) é uma realidade que esmaga o indivíduo, que o marca a ferrete como sendo «escolarizado» (ou não), «detentor de diplomas» (ou não), ou seja como explorável, como «útil-utensílio» na forma última de alienação no trabalho e pelo trabalho. A questão do trabalho mercadoria, não poderia ficar assim «limitada» ao que se passa no local de trabalho: Como Marx viu e muito bem, a alienação do trabalhador implica que este esteja completamente destituído de poder, escravo à mercê de uma máquina impiedosa que se destina a «fabricar» lucro somente.

O homem é portanto reduzido a uma «variável ajustável» às conveniências da «empresa», do capital. O capital é que rege o nosso ser e devir de nos todos, produtores/consumidores que somos.

 Apenas teremos uma hipótese de nos emanciparmos: a de nos apossarmos de nosso ser, nossa inteligência, vontade, querer e «coração», para construir (ou reconstruir) um mundo onde o humano esteja no centro. O mundo social é um mundo sempre construído por nós, mas o nosso «input» é variável.

Podemos ter um input de «formigas» ou seja, de meros AGENTES ANÓNIMOS, intercambiáveis, exploráveis, recicláveis ou deitados fora, como lixo! Ou sermos PROTAGONISTAS, da nossa própria vida, da nossa construção interior, da nossa educação, dos laços diversos que constituem a teia única de cada ser no seio da sociedade.

Podemos fazer isso, sem necessidade de grandes teatros e proclamações, de grandes manifestos e marchas, que são encenações do capital, ou seja, formas dele nos ludibriar e nos convencer de que somos nós próprios a fazer algo: autoconvencidos de que exercemos vontade própria, de que estamos a mexer com algo, de que estamos a ser «agentes ativos» de mudança. Porém, estamos a ser auto intoxicados com o nosso ego imaginário, com o fantasma ideológico plantado dentro dos nossos cérebros e nosso ser VERDADEIRO, AUTÊNTICO, está escravizado, silenciado.

A estratégia do capital é muito subtil e eficaz, senão seria de todo impossível fazer com que a imensa maioria se submetesse «voluntariamente» aos desejos de uma ínfima minoria.

A nossa tomada de consciência significa reconhecer e compreender os mecanismos próprios da sujeição, sedução, conformidade, frustração, negação, dissociação

Esta tarefa faz parte integrante do projeto e tem de contar necessariamente com as contribuições de muitas pessoas e ser objeto de discussões coletivas… É pois necessário suscitar o desejo e o espaço, virtual ou presencial dessa prática.

Manuel Baptista (por email)

Estudantes de Belas Artes de Lisboa solidários com estudantes brasileiros


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#altPt #Portugal #Lisboa Estudantes da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL) solidárixs com a luta dxs estudantes de São Paulo!

Amanhã concentração na Praça Luís de Camões, às 18h30, frente ao Consulado Geral do Brasil! A luta estudantil é internacional! Solidariedade já!

aqui: https://www.facebook.com/colestlib/photos/a.966188940072393.1073741828.951731221518165/1094004047290881/?type=1&theater

(José Oiticica) Anarquista e filólogo brasileiro sobre as relações entre o português do Brasil e o português de Portugal


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Tem estado acesa a discussão sobre o Acordo Ortográfico. As opiniões dividem-se. Sem queremos tomar qualquer posição neste debate trazemos à colação uma entrevista publicada a 11 de Fevereiro de 1942, no “Diário de Notícias” do Rio de Janeiro, com o filólogo anarquista brasileiro José Oiticica, quando se debatia o Formulário Ortográfico de 1943. Alguns temas deste debate (como o desaparecimento das consoantes surdas) ainda hoje estão bem actuais.

José Oiticica foi um anarquista, professor e escritor brasileiro muito conceituado na sua época, tendo deixado uma grande obra, seja em termos de ficção, seja no campo da militância libertária. Esteve também profundamente ligado à insurreição operária de 1918 no Rio de Janeiro. Detido nessa altura, esteve preso durante 11 anos, até 1929.

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Fala-nos sobre a questão ortográfica o prof. José Oiticica

O conhecido filólogo é favorável à adoção integral do Vocabulário português

Responde hoje ao nosso inquérito sobre a questão da reforma ortográfica, o Prof. José Oiticica, catedrático do Colégio Pedro II, e um dos mais conhecidos e acatados cultores da filologia, autor de numerosos livros sobre a matéria, além de escritor de renome nacional.

UM ASSUNTO ENJOADO

Assim começou sua exposição sobre a questão ortográfica o prof. José Oiticica:

“ – Meu caro senhor, se há na terra assunto enjoado, para mim, é esse da ortografia. Enjoado, sim, porque pisam e repisam argumentos, sempre os mesmos, sempre sem nenhum valor. Toda discussão, conselho, apaziguamento têm sido inúteis porque temos procedido como criancinhas de colégio. Com efeito. Que tínhamos nós? O caus, simplesmente o caus (caus, no original). Houve, ao fazer em Portugal a reforma de 1911, verdadeiro levante de malocas. Toda a indiada nacionalista avermelhou as caras, turgesceu as jugulares, esbravejou contra o desrespeito à sagrada etimologia. Lembra-me bem que um dos mais acesos adversários foi o prof. Julio Nogueira, o mesmo que opôs agora, em sua entrevista recente, embargos à adoção do Vocabulário da Academia de Ciências Portuguesas. O prof. Nogueira, meu muito querido amigo, em tempo converteu-se e acabou adotando a escrita simplificada. Aquilo que parecia impossível aos tradicionalistas fez-se. Um decreto do governo aceitando a reforma venceu as oposições e o Brasil inteiro aceitou com prazer a medida benéfica; e aceitou a tal ponto que se revoltará se lhe quiserem impor um dia os ll, os ph, os th, etc.

INTEGRALMENTE FAVORÁVEL AO VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO PORTUGUÊS

– Agora – prossegue o prof. Oiticica, o próprio ministro pede à Academia que tome por base o Vocabulário Ortográfico português. Pois já se manifestam contrários alguns, só porque, em pontos mínimos, em coisas secundárias, como as distinções de timbres, há dificuldadezinhas. Mas, essas discordanciazinhas deixam-se de lado, que não valem a tinta gasta com elas. Sou dos que pensam que nada se pode fazer melhor. Deve-se aceitar, quanto antes, o sistema gráfico português. Só a prática e o tempo dirão se há o que melhorar e onde. O indispensável, o urgente é que haja unidade. Eu também discordo em certos pontos do sistema português, mas acho que não se lhe deve tocar, senão recairemos nas mesmas infantilidades e, peor ainda, em desvios horrendos. Quer um exemplo? O sistema português escreve o c de objectivo, objectivar, etc., embora impronunciado, como o p de adoptar, adoptivo, etc., para assinalar a abertura do c e do o. No Brasil era inútil isso, porque não temos essas diferenças sensíveis de timbre. E, assim, a Academia Brasileira, no acordo, mandou suprimir indistintamente todas as consoantes impronunciadas. Que sucedeu? Por este Brasil sem fim, foram suprimindo as consoantes em grupo, quer pronunciadas quer não. E apareceram em romances, cartazes, anúncios, por toda a parte, coisas destas: espetadores (por espectadores), pato (por pacto), adatar (por adaptar), eu oto (por eu opto), oção (por opção), adeto (por adepto), e assim por diante. Nós, professores, ficámos na impossibilidade de ensinar, porque tudo dependia da pronuncia de cada qual. Como as autoridades se esqueceram de fixar a pronuncia erro em  elisóide, elítico, defetivo, ato, atínia, etc., etc. (por elipsóide, elíptico, defectivo, apto, actínia)  visto que se generalizou a regra para quaisquer grupos e os alunos entenderam rapidamente, sem ninguém lhes ensinar e por mais que lhes ensinássemos o contrário, que deixariam de ser pronunciadas e que portanto não se escreveriam as consoantes dos grupos cc, ct, pc, pt, gd, gn, indistintamente. Saímos de um caus para cair noutro.

Conservando-se a grafia portuguesa põe-se cobro a tais disparates, embora paguemos um impostozinho de escrever muitas consoantes para nós inúteis. Inúteis na pronuncia, aqui, mas agora utilissimas, visto nos haver mostrado a experiência que o brasileiro é azougado e, sem cabresto, quer ir logo às do cabo.

O VOCABULÁRIO É BASTANTE ELÁSTICO

“ – Demais disso – esclarece ainda o nosso entrevistado – o Vocabulário é bastante elástico, pois permite formas duplas onde o brasileiro não puder seguir o português. Assim, admite quer, dando-nos a faculdade de refugar o para nós impossível quere, coisa que nunca houve em português e adotada não sei porque cargas dagua (sic). O quere-o, que nós também usaremos, não é razão para o quere, inventado agora. Adote-se, pois, quanto antes o Vocabulário, embora muito incompleto, mesmo na parte exclusivamente portuguesa, segundo deduzo de perfunctório exame.

E o prof. Oiticica, apanhando um livro, faz a prova de suas observações:

“ – É um livro português, do sr. Sousa Costa, Heróis, Santos e pecadores. Ainda não o li todo. Estou na página 106. Já assinalei sete (?) palavras que não figuram no Vocabulário: geresiano (pg. 21), anti-hitleriano (pg. 45) embora consigne anti-fascista, veranego (pg. 51), razia (pg.53), (?) (pg. 67), huguesco (pg.88), reptilinio (pg. 90), coprovinciano e comprovinciano (p. 104 e 106), etc., etc. Não há, no Vocabulário, nem huguesco, nem tão pouco hugeno (?) ou hugeanismo. Ora, como se vê, noto as falhas, tomando, ao acaso, um livro português, de autor incorreto e limitado léxico. Calcule o que seria se comparássemos o vocabulário de um Aquilino Ribeiro!

A ACENTUAÇÃO

Aludimos à versão segundo a qual uma das modificações sugeridas é o corte impiedoso nos acentos. O sr. José Oiticica opina:

“ – Seria grave erro. A falta de acentuação rigorosa é terrível óbice ao aprendizado das línguas. Veja o italiano. Que atrapalhação até para nós, da língua irmã. Veja, ao contrário, que facilidade nos depara o espanhol! Nossa língua é muito pouco sabida lá fora. Deveremos facilitar, o mais possível, sua aquisição. Um sistema diacrítico rigoroso é uma das chaves para isso. Para os próprios indivíduos de fala portuguesa é remédio às numerosas dúvidas e contínuos erros. Espero que a comissão revisora, se houver, não ampare tão nefasta medida e aceite a acentuação portuguesa tal qual se acha. O que houver de excessivo, para nós, alijaremos na prática, desde que o Vocabulário atende a formas concomitantes se assim o exigirem as circunstâncias.”.

relacionado: http://www.filologia.org.br/revista/artigo/5(15)58-67.html

ler notícia aqui: dn rio de janeiro

(Lisboa) Uma grande notícia: nasceu o Colectivo Estudantil Libertário


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Nasce no aniversário da Comuna de Paris, a 18 de Março de 2015, um colectivo de estudantes que recusam aceitar serem esquecidos no que toca à organização dos seus locais de aprendizagem, no planeamento do seu percurso escolar, de estarem inseridos num sistema onde os bancos são prioridade ao invés da educação.
Fartos de juventudes partidárias que tentam saciar o sentimento de participação dos estudantes, onde o principal foco é não só contribuir para maiores resultados do respectivo partido em eleições, mas também controlar as associações de estudantes, e formar os próximos burocratas, os próximos políticos profissionais onde seremos incentivados a depositar o nosso poder cegamente, num genuíno gesto de esperança.
Contestamos o conformismo fatalista, fruto de uma cultura de submissão e normatividade falida, compreendendo que tal apenas contribui para a manutenção necessária de um mundo de injustiça, desigualdade, e opressão, onde se responsabiliza a vítima pelo emaranhado criado pelo agressor.
Sem hierarquias e sem centralização, recusamos reproduzir o sistema que faz da educação factor de lucro e uma mera ferramenta de formatação. Recusamos o capitalismo e o estado, abraçamos a auto-gestão.

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