efeméride

“O ódio que Mário Botas tinha contra a burguesia era de uma imensidão inaudita”


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O pintor Mário Botas nasceu a 23 de Dezembro de 1952 na Nazaré. Em Lisboa, a seguir ao 25 de Abril de 1974, foi uma presença constante nos meios libertários, nomeadamente como frequentador da sede de “A Batalha”, na rua Angelina Vidal.  A poucos dias de mais um aniversário do nascimento de Mário Botas recuperamos este artigo de José Maria Carvalho Ferreira, que com ele manteve estreitas relações de amizade até à sua morte, a 29 de Setembro de 1983, em Lisboa, publicado na revista “A Ideia”, de Novembro de 2013.

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(efeméride) Os livros anarquistas sobre a Revolução Russa sublinham a transformação da esperança em pesadelo para os trabalhadores


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Marinheiros de Kronstadt

Tudo está já, provavelmente, dito sobre a revolução russa. Por isso, deixamos aqui apenas a referência a alguns dos livros mais interessantes para analisar a deriva da revolução russa e a sua transformação num regime totalitário, de capitalismo de estado, sob o comando do partido bolchevique, de raiz marxista-leninista.

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A Revolução Russa nasceu “ da impossibilidade, para o povo, de continuar a guerra e de arrastar uma existência de fome (…) e da obstinação cega do czarismo”. (VOLIN, “A revolução desconhecida”).

No próximo mês de Março assinalam-se os 100 anos do início da revolução russa, cujo primeiro acto ficou assinalado pela queda do czar. Por estes dias há também uma efeméride – os 99 anos do levantamento popular contra o governo provisório, que juntou bolcheviques, socialistas revolucionários e anarquistas – e que tanta expectativa criou junto das classes trabalhadoras de todo o mundo, mas também que posteriormente tanta desilusão trouxe, acabando por associar as palavras socialismo e comunismo a um dos períodos de maior barbárie da humanidade.

A sociedade russa, depois da queda do czar em Março de 1917, estava preparada para a revolução, sobretudo os sectores operários das grandes cidades, bem como os soldados e marinheiros, todos agrupados em sovietes. A palavra de ordem de “Todo o poder aos sovietes” levou a que muitos anarquistas acompanhassem o partido bolchevique nestes primeiros momentos de transformação social. Mas a tomada do poder pelos bolcheviques e o controlo que o partido começou a exercer desde logo sobre os sovietes mostraram bem cedo qual o rumo que os acontecimentos estavam a tomar e que levaram ao restabelecimento autocrático do poder de Estado, agora nas mãos de Lenin e dos seus correlegionários.

Conquista do poder feita à custa de muito sangue operário e camponês e de uma imensa repressão em todos os sectores da sociedade, cuja organização, centrada única e exclusivamente no Partido Comunista e no seu comité dirigente foi, desde logo, criticada por vários sectores do próprio campo marxista, nomeadamente pela comunista alemã Rosa Luxemburgo, que no seu livro “A Revolução Russa” escreveu:

“Algumas dezenas de chefes de uma energia infatigável e de um idealismo sem limites dirigem o governo e, entre eles, quem governa de facto é uma dezena de cabeças eminentes, enquanto uma elite da classe operária é convocada de tempos em tempos para reuniões com o fim de aplaudir os discursos dos chefes e de votar por unanimidade as resoluções que lhe são apresentadas.”

E mais à frente: “O erro fundamental da teoria Lenine e Trotsky está justamente em que, tal como Kautsky, eles opõem democracia e ditadura. “Ditadura ou democracia”, assim se coloca a questão tanto para os bolcheviques como para Kautsky. Este pronuncia-se pela democracia burguesa, contrapondo-a à transformação socialista. Lenine e Trotsky, ao contrário, pronunciam-se pela ditadura de um punhado de pessoas, quer dizer, pela ditadura segundo o modelo burguês jacobino. Estes dois pólos opostos estão ambos muito distantes da verdadeira política socialista.”

A resistência anarquista à ditadura bolchevique, assente numa violenta repressão e na tentativa de tudo controlar, depressa se fez sentir levando a que muitos libertários, que tinham tentado colaborar com as autoridades soviéticas – sem terem percebido, de início, as palavras proféticas de Bakunin de que “liberdade sem socialismo é privilégio, injustiça; socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade” – entrassem em ruptura com os bolcheviques e assumissem movimentos insurreccionais como foram o dos camponeses, liderados por Makhno, logo em 1918 na Ucrânia e a a revolta dos marinheiros e soldados de Kronstadt, em 1921. Inúmeros livros foram publicados sobre a deriva autoritária da revolução russa, a maioria por parte de anarquistas que estiveram no terreno e viveram a repressão contra-revolucionária bolchevique.

Como se aproxima o centenário da revolução russa de Fevereiro (em Março) e as “galinhas cacarejantes” dos “amanhãs que cantam” já devem estar a planear entoar, por essa altura, loas à ditadura que os seus correlegionários de ontem e de sempre implantaram na Rússia e noutros países da sua área de influência, deixamos em baixo a indicação de algumas obras, sempre que possível em português, essenciais para compreender a natureza e a posterior deriva da revolução russa e o carácter contra-revolucionário do socialismo autoritário de raiz marxista-leninista que em vez de – como refere a letra da “Internacional” – significar a “libertação do género humano”, representou a morte, tortura e opressão de milhões de seres humanos. Em nome – pasme-se! – da liberdade, da igualdade e do socialismo.

Alguns livros digitais.

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Alexander Berkman

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a tragédia russa (uma revisão e uma perspectiva – ou panorama)

Alexander Berkman e Emma Goldman

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Kronstadt

Emma Goldman

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Dois anos na Rússia

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Minha outra desilusão na Rússia

G. P: Maximoff

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Sindicalistas na Revolução Russa

Ida Mett

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A comuna de Kronstadt (castelhano)

Juan Ferrario

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As matanças de Anarquistas na Rússia

Rudolf Rocker

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Os sovietes traídos pelos bolcheviques

Volin

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A revolucão desconhecida (volume I) em português

Em francês

Em inglês

(Efeméride) A participação anarquista no governo durante a guerra civil espanhola


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Há 80 anos tomavam posse em Espanha quatro anarquistas como ministros. Estava-se em plena Guerra Civil, Madrid sitiada, e o movimento libertário espanhol, quase sem excepções, decidiu que destacados membros da CNT e da FAI integrassem o governo de Largo Caballero, dirigente da UGT. A experiência durou poucos meses – até Maio de 1937, quando os membros do Partido Comunista na Catalunha tomaram os anarquistas como alvo, desencadeando violentos confrontos em Barcelona contra o movimento sindical e operário -, embora largas dezenas de militantes anarquistas tenham integrado, nesse período, por exemplo, também o governo catalão e fossem presidentes e vereadores em diversos municípios. O debate provocado por esta situação, excepcional no movimento libertário (embora com precedentes), ainda hoje se mantém – e com uma profunda actualidade, dadas as experiências recentes de confederalismo libertário em Rojava, pela mão do movimento revolucionário curdo, algumas experiências de auto-governo zapatistas ou mesmo certas posições recentes de alguns sectores do movimento libertário chileno.

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Os ministros Jaume Aiguadé i Miró, sem pasta (ERC), Federica Montseny, Saúde (CNT), Juan García Oliver, Justiça (CNT) e Anastasio de Gracia, Trabalho (PSOE), em Outubro de 1936.

Renunciar a tudo menos à vitória

Julián Vadillo, historiador(*)

A 4 de Novembro de 1936 aconteceu um facto extraordinário na história. Nesse dia, numa Madrid sitiada pelas tropas que se tinham sublevado contra a República a 18 de Julho de 1936, o governo de Largo Caballero foi remodelado.

E, pela primeira vez na história, esse governo teve ministros anarquistas. Juan García Oliver como ministro da Justiça, Federica Montseny como ministra da Saúde e Assuntos Sociais, Juan Peiró como ministro da Indústria e Juan López como ministro do Comércio.

Os eternos inimigos do Estado e do governo, o movimento operário que tinha protagonizado lutas contra qualquer espécie de autoridade, aceitavam ter cargos de responsabilidade no governo republicano devido àqueles tempos de Guerra Civil.

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(CCL) Recordando José Correia Pires nos 40 anos da sua morte


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José Correia Pires (1907-1976) foi uma das figuras relevantes do movimento libertário durante grande parte do século XX. Algarvio, participou no 18 de Janeiro de 1934 e, depois de anos de prisão, exílio e clandestinidade, colaborou activamente na tentativa de reafirmação do anarquismo depois do 25 de Abril de 1974, participando nos diversos comícios e movimentações, sobretudo na Margem Sul, onde vivia. Fica aqui a homenagem do Centro de Cultura Libertária de Cacilhas (que ajudou a fundar) e também a transcrição de uma nota biográfica da autoria da historiadora Maria João Raminhos Duarte (link no final)

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Nos 60 anos da Revolução Húngara: um sopro de liberdade esmagado pelos tanques soviéticos


Se a queda do muro de Berlim constituiu a 9 de Novembro de 1989, simbolicamente e na prática, o fim do bloco soviético e de mais de 70 anos de terror em nome do “socialismo” e do “comunismo” autoritários, como tinha sido antecipado por Bakunin (1), já há muitos anos que os regimes de tipo marxista-leninista, ditatoriais e de capitalismo de estado, eram contestados por largos estratos da população nos mais diversos países do chamado “Pacto de Varsóvia”.

Sem considerar os levantamentos protagonizados por grandes movimentos de trabalhadores logo no início da ditadura dita soviética, como Kronstadt ou a luta dos camponeses ucranianos, com Makhno, a revolução Húngara, em 1956, com a formação de conselhos operários (2) e o levantamento popular nalgumas das principais cidades do país, é um marco importante na história da dissidência e do combate pela liberdade desses povos.

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(no aniversário da morte de Francisco Ferrer) Viva a Escola Moderna!


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Barcelona, 13 October 1909. (Flavio Costantini, 1965. Tempera, 50 x 64 cm)

As ideias de Ferrer Guardia, fuzilado em 1909, foram o início do desenvolvimento de uma pedagogia do livre pensamento.

Julián Vadillo , historiador

A 13 de Outubro de 1909 era fuzilado nos fossos do castelo de Montjuic, o pedagogo libertário Francisco Ferrer Guardia. Tinha sido acusado, julgado e condenado como sendo o instigador dos acontecimentos ocorridos em Barcelona entre 26 de Julho e  2 de Agosto desse mesmo ano, no que ficou conhecido como a Semana Trágica de Barcelona. Não era a primeira vez que Ferrer enfrentava um tribunal, acusado de algo que não tinha cometido. A diferença com as ocasiões anteriores foi que, em Outubro de 1909, o objectivo cumpriu-se: fuzilar Ferrer.

Mas quem era esse Ferrer Guardia que alguns sectores da sociedade espanhola tanto odiavam? Que tinha feito Ferrer para que o seu destino fossem os fossos do temido castelo de Montjuic?

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(Setúbal) C.O.S.A.: a resistir há 16 anos!


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A Okupa mais antiga de Portugal

A Casa Okupada Setúbal Autogestionada (C.O.S.A.) comemora este fim de semana o seu 16º aniversário. Situada no centro da cidade de Setúbal tem sido um espaço aberto às mais diversas iniciativas. Constantemente ameaçada de despejo pelos proprietários e pela actuação repressiva da Câmara de Setúbal, tem sabido resistir a todas as ameaças, sendo neste momento o espaço ocupado mais antigo em Portugal ainda em funcionamento. Para esta sexta-feira (14) e sábado (15) está previsto um programa intenso, com comidas, música, conversas e filme. Parabéns e longa vida, cheia de actividade, à C.O.S.A.!

Como os próprios contam na primeira pessoa, a história da COSA tem sido assim:

“A 13 de Outubro do ano 2000, um grupo de jovens setubalenses decidiu tomar nas suas mãos a gestão de um espaço comunitário e político, aberto à expressão e accção livre, sem controlo externo, sem lucro, sem autoridade…Okuparam um espaço abandonado transformando a apatia e o vazio em sonhos e experiências de liberdade, autonomia e auto-gestão.

Passaram 16 anos com largas dezenas de concertos, ateliers, debates, exposições, todo o convívio, partilhas de conhecimentos e auto-aprendizagem, a intervenção política e social…Passaram os vários políticos, comandantes das forças policiais, governadores civis, os processos judiciais, a repressão policial e as difamações nos jornais, passou tudo isto e a Casa Okupada resiste.

Passaram 16 anos e nem a polícia, nem os tribunais poderão apagar este capítulo da história insubmissa e rebelde setubalense.

São diversos os exemplos de Lutas daquelxs que deixaram de esperar milagres e tomaram o controlo das suas vidas nas suas próprias mãos, inspirando-nos mutuamente, e reinventando a capacidade de imaginarmos e criarmos colectivamente uma terra livre, solidária e combativa.

ESTES 16 ANOS JÁ NINGUÉM NOS TIRA!!”

http://cosa2015blog.wordpress.com/

aqui: http://pt.indymedia.org/conteudo/agenda/33039

11 de Setembro: entre muitas efemérides assinalam-se hoje 18 anos do assassinato da anarquista chilena Claudia López


claudia

O 11 de Setembro é rico de efemérides. Há 15 anos, aconteceu o atentado contra as Torres Gémeas e o Pentágono, nos Estados Unidos e, em 1973, o golpe militar de Pinochet derrubava o governo de Unidade Popular no Chile. Uma e outra, duas datas, que por razões diferentes, são hoje recordadas por milhões de pessoas. Para nós, anarquistas, esta data assinala outra efeméride trágica: a da morte da anarquista chilena, Claudia Lopez Benaiges (1969-1998), uma estudante de Dança, assassinada no dia 11 de Setembro de 1998 pelo Estado repressor com uma bala disparada pela polícia quando, com outros companheiros, se manifestava contra o golpe fascista no 25º aniversário da tomada do poder pelos generais.

Foi há 18 anos, mas a sua memória permanece viva entre todos os que lutam.

também aqui: http://www.aurorafundacion.org/?CLAUDIA-LOPEZ-BENAIGES-UNA-GRAN

(Lisboa) 1º aniversário da ‘Disgraça’ este fim-de-semana


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Aniversário #1 da Disgraça

A Disgraça é um centro DIY anticultural cujo objectivo é criar um espaço horizontal livre de racismo, especismo, homofobia e sexismo.

Tem uma cantina autónoma aberta de segunda a sexta, espaço de concertos e oficinas.

Disgraça Birthday Weekend #1 – dia 9, 10 e 11 de Setembro.

Programação (em actualização):

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(Agosto de 1936) ‘A matança de Badajoz’ foi o maior massacre da Guerra Civil Espanhola


 

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No dia 14 de Agosto de 1936  e nas duas semanas seguintes foram mortas milhares de pessoas (segundo algumas estimativas cerca de 10 mil), a maioria fuziladas na antiga Praça de Touros.

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