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(7 de Novembro) Emma Goldman, os anarquistas e a Revolução Russa


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“Durante um breve período da revolução de Outubro, os
trabalhadores rurais e urbanos, soldados e marinheiros foram
de verdade os donos da situação. Mas de pronto a invisível
mão de ferro do bolchevismo começou a manejar os assuntos
do Estado e separou a revolução do povo; e o povo separou-se
da Revolução. Naquele momento começou o Estado Bolchevique.
Os Bolcheviques formaram a Ordem dos Jesuítas de Marx.
Não quero dizer com isto que os bolcheviques não sejam
sinceros. Foi o seu marxismo que determinou sua actuação. Os
diversos métodos empregues destruíram a realização dos seus
objectivos. Comunismo, Socialismo, Liberdade, Igualdade, tudo
o que o povo russo suportou de sofrimento e porque fez a revolução,
caíram no descrédito pelos meios empregados, pela jesuística
desculpa de que o fim justifica os meios.
O cinismo mais desenfreado tomou o lugar do Idealismo
que distinguiu a revolução de Outubro. A inspiração caiu
paralisada, o interesse popular desapareceu; a apatia e a
indiferença suprimiram o entusiasmo e a energia criadora.
Não foi nem a intervenção, nem o bloqueio. Pelo contrário: a
politica interna do Estado Bolchevique é a única responsável
pelo fracasso da revolução e a única responsável também pelo
ódio que o povo russo sente por tudo o que dela emana.”

Emma Goldman

No dia em que passam 100 anos sobre o início da Revolução Russa, que tanta esperança semeou entre os trabalhadores de todo o mundo, convém recordar esta série de artigos* de Emma Goldman, ela própria de naturalidade russa,  e que viveu intensamente durante dois anos a esperança, mas também a desilusão provocada pela barbárie bolchevique sobre o conjunto dos trabalhadores e do povo russo.

Também neste outro longo artigo Emma Goldman dá conta da violenta repressão aos anarquistas russos pelo governo bolchevista logo nos primeiros tempos da Revolução.

(*Há que assinalar a péssima tradução de algumas partes desta brochura, mas é a única disponível em português.)

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(1917-2017) Nos 100 anos da Revolução Russa


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Os anarquistas e anarcosindicalistas russos estiveram entre os militantes mais activos em todo o processo revolucionário russo, mas também foram aqueles que mais depressa denunciaram e combateram o controlo exercido pelo partido bolchevique sobre os sovietes, a militarização da economia e o despotismo de um pequeno núcleo de dirigentes sobre a imensa maioria do povo, gerando, logo desde o início, práticas ditatoriais e não democráticas que transformaram a União Soviética na tumba do socialismo autoritário. As críticas a estes métodos autoritários, próprios do marxismo e acentuados pelo leninismo e pelo partido único, já tinham sido feitas por vários anarquistas, entre os quais Bakunine, e foram retomados no terreno por muitos outros. Entre estes, desde logo, Emma Goldman, de origem lituana, mas que tendo emigrado muito jovem para os Estados Unidos voltou à Rússia depois da revolução. Serviu de intermediária entre o governo do Partido Bolchevique e os marinheiros insurrectos de Kronstadt e foram dela as primeiras críticas e denúncias face ao terror bolchevique sobre os trabalhadores e à deriva da Revolução que tantos sonhos tinha gerado. Nas próximas semanas iremos publicando – aqui no Portal Anarquista – textos sobre a Revolução Russa e a sua degenerescência, de forma a provocar o debate em torno deste acontecimento que, 100 anos depois, permanece ainda submerso na mitologia e na mentira construída por aqueles que em nome da “ditadura do proletariado” ergueram sobre os trabalhadores russos e dos países limítrofes uma das mais ferozes ditaduras do século XX.

revolucao-russa

As causas do fracasso da revolução russa

Emma Goldman

Ficam agora bem claros os motivos que fizeram com que a Revolução Russa, tal como foi conduzida pelo Partido Comunista, fosse um fracasso. O poder político do partido, organizado e centralizado no Estado, procurou manter-se utilizando todos os meios de que dispunha. As autoridades centrais tentaram fazer com que o povo agisse de acordo com modelos que correspondiam aos propósitos do Partido, cujo único objetivo era fortalecer o Estado e monopolizar todas as atividades econômicas, políticas e sociais e até mesmo as manifestações culturais. A Revolução tinha objetivos totalmente diferentes pelas suas próprias características, era a negação do princípio da Autoridade e da centralização. Ela lutava para alargar ainda mais os meios de expressão do proletariado e multiplicar as fases do esforço individual e coletivo. Os objetivos e as tendências da Revolução eram diametralmente opostos àqueles do Partido Governante.

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