fascismo

29 de Outubro de 1936: entra em funcionamento o campo de concentração do Tarrafal


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Precisamente há 80 anos, no dia 29 de Outubro de 1936, chegava ao Tarrafal, em Cabo Verde, a primeira leva de 152 presos, inaugurando assim este campo de concentração do fascismo português que iria ter duas fases: até 1954 para os anti-fascistas portugueses e entre 1961 e 1974 para os nacionalistas africanos.

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(antifascismo)Ribeiro dos Santos: a morte de um antifascista às mãos da PIDE


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Foi há 44 anos que a PIDE matou Ribeiro dos Santos no Instituto de Economia, ao Quelhas, em Lisboa. Ribeiro dos Santos era um jovem estudante de Direito, antifascista e militante do MRPP. Aurora Rodrigues, alentejana de Castro Verde, ex-militante do mesmo partido, actualmente procuradora do Ministério Público em Évora e amiga de Ribeiro dos Santos, estava presente e relata de forma viva estes acontecimentos trágicos que mobilizaram nos dias seguintes milhares de estudantes que saíram para as ruas, em confronto directo e violento com as forças repressivas do fascismo, a Policia de Intervenção e a PIDE. Fiquemos com as palavras de Aurora Rodrigues:

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(livro) A solidariedade transfronteiriça no apoio aos refugiados espanhóis durante a Guerra Civil


Foi apresentado publicamente no passado sábado em Barrancos o livro da investigadora Dulce Simões “A Guerra de Espanha na Raia Luso-Espanhola” onde se relata a fuga para Portugal de grupos de refugiados, no início da guerra civil espanhola, para escaparem aos pelotões de fuzilamento dos generais golpistas espanhóis.

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Casas Viejas (Andaluzia). Peniche (Portugal). Dois espaços de morte. Dois espaços de memória


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Um povo sem memória é um povo sem futuro, transformado numa simples marioneta que outros manipulam em seu proveito. Seja deixando que caiam em ruínas os espaços da história ou transformados em hotéis, cujos quartos numa passarão de alcovas de alterne onde a memória é vendida a troco de algumas dezenas ou centenas de euros.

Escreve a antropóloga Paula Godinho:

Os negócios da memória

Casas Viejas é um local emblemático das movimentações anarquistas em Espanha. Em 1933, durante o consulado Azañista, um levantamento popular seria violentamente reprimido, com mais de duas dezenas de mortos. Na choça de um carvoeiro, Seidedos, oito pessoas foram mortas a tiro e/ou calcinadas pelo fogo. A força de assalto seguiu então pelas casas da aldeia, em busca de sangue e de vidas, em révanche pela ousadia anarquista. As descrições recolhidas pelo antropólogo Jerome Mintz, muitos anos depois, foram aterradoras, reveladoras do martírio anarquista andaluz.
Em 2006, seria construído um hotel de charme num local coincidente com a casa do carvoeiro Seisdedos. Chamaram-lhe mesmo «Utopía» e tiveram o arrojo de publicitar que evocavam os anos ’30. Visitei esse hotel há uma dezena de anos. À entrada, uma exposição «evocava» os anos trinta: automóveis de corrida, gente em traje de passeio, a elegância dos momentos na praia, as festas com glamour. Também ali, como agora em Peniche, o município considerou que era uma boa aposta: zona de beira-mar, Benelup-Casas Viejas sufocou uma memória tremenda, a que se acrescentariam os mortos que se seguiram ao Alzamiento, em 1936. Em Casas Viejas, como agora quanto ao forte de Peniche, embora os videirinhos insistam em fazer negócio com tudo, é importante continuar a ressaltar que a memória resistente, matriz das sociedades democráticas, é inalienável, mesmo quando estes negociantes de pacotilha a querem adornar com a “beleza do morto”.”

aqui:https://www.facebook.com/paula.godinho.1884

Hotel “Utopia” construído sobre o sangue dos anarquistas mortos em Casas Viejas. O capitalismo destrói a memória e transforma tudo em espectáculo e em mercadoria.

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Petição Pública para o Forte de Peniche ser transformado num Museu da Resistência ao fascismo: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT83199

Agosto de 1944: os anarquistas que libertaram Paris


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Nesta imagem podemos ver um soldado espanhol fazendo a saudação da CNT (simbolizando a solidariedade operária e o apoio mútuo) no momento da libertação de Paris, a 24 de Agosto de 1944. Os primeiros soldados a entrarem em Paris eram espanhóis e, na sua maioria, anarquistas e anarcosindicalistas. A história não os refere por isso mesmo: eram anarquistas, espanhóis, e lutaram durante décadas contra o fascismo. Em França e na Península Ibérica.

No dia 24 de Agosto de 1944, um grupo de veículos blindados e três tanques entram inesperadamente na capital francesa. Os parisienses julgam, de início, que fazem parte das tropas alemãs instaladas na cidade; depois reparam que não, que vestem uniformes do exército dos Estados Unidos e que são a vanguarda das tropas que devolverão a liberdade a Paris e, por conseguinte, a toda a França.

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(memória libertária) Em Julho de 1937 o atentado anarquista contra Salazar podia ter ferido de morte o fascismo


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A 4 de Julho de 1937 o rumo do Portugal fascista e salazarista poderia ter mudado. Um atentado, protagonizado sobretudo por anarquistas (a que se haviam associado elementos republicanos e comunistas), à figura de Salazar que, quase por milagre escapou ileso, poderia ter poupado Portugal a mais quase 4 décadas de fascismo. Durante meses este grupo revolucionário – que já antes tinha colocado bombas nos ministérios e no Rádio Clube Português, em solidariedade com a revolução espanhola e contra o apoio que o governo e o RCP davam aos falangistas de Franco – estudou a melhor hipótese de atentar contra a vida de Salazar – o homem forte do regime fascista. Dadas as características do regime, personalizado em Salazar, a sua morte teria alterado significativamente o curso da história.

O PCP sempre se demarcou desde episódio – e fez bem! Nunca estaria à altura, enquanto organização, de um feito destes. Houve militantes republicanos e comunistas que participaram a título individual – do mesmo modo que a 1 de Janeiro de 1962 militantes de diversas origens  (democratas, anarquistas, comunistas, socialistas e outros antifascistas) também participaram no famoso assalto ao Quartel de Beja.

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(Diário de Lisboa. de 4 de Julho de 1937)

A grande referência histórica para este atentado é Emídio Santana, que esteve preso durante 16 anos. Anarco-sindicalista, militante da CGT, um dos impulsionadores do movimento libertário no pós 25 de Abril e director de “A Batalha” após 1974, publicou um livro – História de um atentado: o atentado a Salazar – que é ainda uma das grandes fontes de informação sobre a preparação e execução deste atentado.