França

(Desde o Brasil) ENTREVISTAS COM ANARQUISTAS E COLETES AMARELOS EM FRANÇA


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Do Brasil

DE OLHO NA REVOLTA SOCIAL DO OUTRO LADO DO OCEANO:
COLETES AMARELOS: GUERRA CIVIL OU GUERRA SOCIAL?

Introdução

Desde novembro do ano passado, a França toda está sacudida pelo maior movimento social vivido no país desde 1968. Estamos frente a um movimento heterogêneo e anárquico por essência já que nenhuma representação oficial do movimento é aceita por parte do corpo do movimento. O que está acontecendo na França? Que posição tomam xs anarquistas? Podemos falar de Insurreição? De Revolução Social?

Intrigadxs, alguns anarquistas realizaram um par de entrevistas com companheirxs que moram na França e que de alguma ou outra maneira, decidiram se envolver com o movimento. Uma parte dessas entrevistas foi já publicada no número 3 da revista anarquista “Crônica Subversiva” de Porto Alegre. Entretanto como o debate nos parece urgente enviamos uma parte das entrevistas pela internet.

A nossa intenção ao realizar essas entrevistas é antes de tudo entender quais são as posições dxs anarquistas em relação ao movimento, quais são suas formas de ação e como elas se comunicam com o movimento social. Para isso, buscamos provocar o debate trazendo aqui diferentes posicionamentos em relação à ação anarquista nos movimentos sociais, tudo isso no intuito de nos provocar, desde o lugar onde estamos para (re)pensar nossos meios e métodos de ação.

Das 4 respostas recebidas até agora, encontramos companheiros que se identificam como “Indivíduos Anarquistas que moram em Paris” que chamamos aqui de “IA”, outro companheiro “T” que chamou-se de: “um anarquista de uns 40 anos, desempregado de longa data que mora na periferia de Paris.” Mais um companheiro anarquista da região
metropolitana chamado aqui de “A” e por fim, umas/uns companheirxs anarquistas de Toulouse que chamaremos aqui de “AT”.

(mais…)

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Comunicado da Federação Anarquista Francófona sobre os Coletes Amarelos



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Um movimento de cólera como já há muito tempo não se via em França surgiu  há várias semanas, desorientando completamente o poder do Estado. É um movimento compreensível e legítimo face à violência social que existe; a diversidade dos seus actores é o sintoma do grau de frustração causado pelas políticas sucessivas de austeridade mais ou menos maquilhada. Esta revolta, mesmo que seja espectacular, junta-se aos mais recentes movimentos sociais que ocorrem em vários locais: hospitais, caminhos de ferro, faculdades, escolas secundárias, etc.

A principal característica deste movimento é a sua rejeição da representação política e ainda mais de quaisquer líderes auto-proclamados. Nas rotundas ocupadas inventam-se novos modos de socialização.

Os anarquistas não podem senão aprovar uma atitude que tem sido a sua desde sempre. No entanto, a revolta é inútil se não for acompanhada por propostas. Estas existem, como por exemplo em Saint-Nazaire ou Commercy e, mesmo se não satisfazem totalmente os anarquistas, merecem ser apoiadas desde que vão no sentido  da emancipação.

Denunciamos e condenamos também os muitos actos de violência repressiva do Estado (detenções arbitrárias, prisões imediatas, ferimentos devido a disparos de flashball e outras armas ofensivas da polícia, etc.) como as únicas respostas às reivindicações.

A vitória deste movimento não será a dissolução da Assembleia Nacional (sobretudo se for para aí instalar demagogos/populistas e/ou nacionalistas que nem sequer tolerariam tais manifestações), mas o seu fim para não pôr em causa a instauração da autogestão e do federalismo libertário.

Federação Anarquista

http://www.federation-anarchiste.org/
ifa@federation-anarchiste.org
09/12/2018

aqui: https://www.monde-libertaire.fr/?article=Gilets_jaunes_Communique_de_la_Federation_anarchiste

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Frank Mintz sobre os coletes amarelos


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Maio/junho de 1968 – novembro/dezembro de 2018

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Frank Mintz, um anarco-sindicalista francês, expressa a sua solidariedade para com a luta dos coletes amarelos

Estamos a viver em França um movimento social de um novo tipo que está a sacudir os cimentos do neoliberalismo e da democracia burguesa: os coletes amarelos.

Viu-se como Maio e Junho de 1968 começaram por uma repressão policial impensável de estudantes e manifestantes durante a noite de 10 de Maio de 1968 no Quatier Latin de Paris.

Agora, desde 17 de Novembro, através de convocatórias colocadas por gente desconhecida na internet, generalizou-se o protesto de milhares de utilizadores de automóveis afectados pelo aumento do preço do gasóleo. Aparentemente uns 200.000.

Vivem em capitais, em cidades pequenas e médias, em zonas rurais e todos têm que percorrer diariamente dezenas de quilómetros uma vez que os locais de trabalho estão longe, tal como as zonas comerciais e os centros médicos; faltam também comboios de proximidade, há poucas linhas de autocarros. Vão rareando os hospitais e as clínicas, as escolas, o comércio em concelhos com populações reduzidas.

A isto juntam-se os problemas dos salários mínimos insuficientes, das reformas exíguas, da diminuição dos subsídios aos deficientes, dos impostos que estão a aumentar para toda a população ao contrário do imposto sobre as grandes fortunas que foi suprimido pelo actual presidente e das ajudas estatais às grandes empresas concedidas pelo mesmo presidente.

E também se questiona o atraso nas medidas anunciadas pelo actual presidente para erradicar a extrema pobreza dos SDF (Sem Domicilio Fixo, ou seja, não só os mendigos, mas também alguns assalariados que dormem em carros); a quase nula política de luta contra a contaminação, o nuclear.

Que classes sociais, níveis etários, géneros? Pois bem, todos, empregados e desempregados, pequenos comerciantes e reformados, velhos, jovens, homens, mulheres, etc..

Inimaginável antes de 17 de Novembro de 2018 há agora o repúdio generalizado por parte dos coletes amarelos de qualquer espécie de classe política seja de direita, centro ou de esquerda e dos grupúsculos de activistas de uns e de outros.

«Não nos representam!», «Há 40 anos que não prestam!», «Não queremos representantes que não possamos controlar!»

Obviamente que os coletes amarelos exigem a demissão do presidente da República, mas vão mais além:«Deve-se reformar a Constituição!»

Mais especificamente a fonte de inspiração ideológica dos coletes amarelos são os cadernos de propostas («Cahiers de doléances») de 1789 antes da queda da monarquia dos Borbones.

Ninguém cita ou parece conhecer Marx, Lenin, a Direcção revolucionária do Partido Proletário ou Bakunin,  1917 dos sovietes ou a Espanha anarcosindicalista de 1936.

Um detalhe importante é que 80 por cento dos franceses nas sondagens oficiais aprova a luta dos coletes amarelos: no entanto, a televisão estatal mais popular apresenta-os como gente violenta, quase terrorista.

Outro detalhe: é graças à incrível teimosia e incapacidade de resposta do Presidente da República que o movimento dos coletes amarelos se pôde expandir  e continuar a crescer com a participação e o apoio diário de novos sectores laborais: bombeiros, maqueiros, ferroviários…

Como é que tudo isto vai acabar? Ou levam o Presidente ao manicómio, ou vem outro, mas os coletes amarelos saíram à rua para vencerem: espancados pela polícia desde há dois sábados, no terceiro (esta semana) qualquer tragédia pode acontecer.

Os coletes amarelos não querem representantes mas apresentam 42 reivindicações no âmbito da precariedade, reformas, fiscalidade e banca, transição ecológica, instituições, emprego e salário, emigração, saúde e outras áreas.

Selecciono algumas:

  • Fim à subida do preço dos carburantes
  • Salário mínimo de 1.300 euros (livres de encargos sociais)
  • Salário máximo de 15.000 euros
  • Reforma mínima de 1.200 euros
  • Reforma aos 60 anos e para toda a gente que tenha trabalhado em profissões de desgaste físico (por exemplo pedreiros ou talhantes) o direito à reforma a partir dos 55 anos
  • Reformas solidárias, ou seja reguladas a nível nacional.
  • Favorecer o transporte de mercadorias por caminho-de-ferro.
  • Acabar com as indemnizações presidenciais vitalícias.
  • Isolamento térmico dos prédios
  • Incentivar o pequeno comércio nas aldeias e outros centros urbanos.
  • O mesmo sistema de segurança social para todos
  • Apoios maiores para a Justiça, a Polícia, e o Exército.
  • Protecção para os emigrantes estrangeiros.
  • Salas de aula com um máximo de 25 alunos/estudantes desde o jardim-de-infância até ao último ano do bacharelato.

Frank Mintz 03.12.18

aqui: http://alasbarricadas.org/noticias/node/41070

Coletes amarelos : Quem semeia miséria, colhe cólera


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Um pouco por toda a França, a mesma cólera, a mesma determinação e o mesmo desejo de não se deixar enganar. Em toda a parte, manifestações selvagens que desafiam a vigilância policial. Por toda a parte, manifestantes que expressam a sua raiva pela repressão.

Em Puy-en-Velay (43), a violência policial enfureceu uma multidão de vários milhares de pessoas que acabaram a atacar a prefeitura.

Em Paris, a polícia isolou os Champs-Élysées e causou a dispersão dos coletes amarelos por todos os bairros burgueses da capital que foram literalmente tomados de assalto.

As forças de repressão acharam por bem utilizar os grandes meios  (barreiras de gás lacrimogéneo, canhões de água, granadas), enquanto os trabalhadores  e trabalhadoras em cólera mostraram que a rua lhes pertencia: no boulevard Haussmann, nas Tuileries, na Rua do Rivoli, na Praça Vendôme, os coletes amarelos invadiam as ruas, provocavam a polícia e às vezes atacavam símbolos de poder e riqueza. Assim, as montras das grandes lojas de luxo foram partidas enquanto alguns grupos tentavam atacar a Bolsa.

Em Martigues (13) e em Vichy (03), coletes amarelos e sindicalistas desfilaram  juntos numa agradável solidariedade de classe, mas em muitas cidades, é lamentável que os sindicatos combativos ainda não tenham sido visíveis e não tenham, sobretudo, estendido a mão aos coletes amarelos.

No entanto, este é uma das etapas essenciais para a vitória: é necessário que os sindicatos combativos, que organizam verdadeiramente a resistência face aos patrões nas empresas, se juntem aos coletes amarelos e façam frente a um governo desprezível, que multiplica as benesses para os mais ricos e deixa o resto da população afundar-se na miséria. É preciso que os sábados de cólera se transformem em segundas-feiras de greve, terças-feiras de greve, quartas-feiras de greve.

Face a um governo que continua  surdo, face a  patrões que lucram cada vez maisdos empregados/as, devemos continuar a pressionar e isso passa por uma paragem completa da produção.

O governo e os patrões apenas percebem a lei do dinheiro? Por isso, vamos mexer-lhes na carteira: bloquear os transportes, bloquear as empresas, bloquear os serviços públicos. Nós somos quem faz a economia funcionar, eles não são nada sem nós.

Retomar o que os capitalistas nos roubaram

A cólera existe. É preciso agora que nos organizemos para permitir que ela dure e para construir uma relação de forças que nos permita ganhar. Mas ganhar o quê? O principal slogan que foi  repetido de Paris a Marselha e de Rennes a Toulouse é  ” Macron demission”. Porque Macron simboliza todo o desprezo da burguesia em relação aos trabalhadores, porque é ele quem dirige os ataques contra os assalariados/as. Mas não é fazendo saltar Macron ou o governo que se fará realmente mudar as coisas.

O que é preciso meter à cabeça são reivindicações concretas, que tornem possível sair da espiral infernal (em que nos encontramos) para retomar tudo o que os capitalistas nos roubaram e conquistar novos direitos.

Para isso, devemo-nos organizar na base, construir assembleias que nos permitam discutir as nossas  reivindicações, não deixando que outros as apresentem em nosso nome. Não  iremos encontrar as soluções que pretendemos nas promessas de políticos e de políticas que já estão a querer recuperar a mobilização. Nós só encontraremos as soluções que queremos através do intercâmbio, do debate e da coordenação para todos juntos sermos mais fortes.

Macron está com medo e tem razão para ter medo. Cinquenta anos depois de maio de 68, sopra uma aragem vermelha.

Alternative libertaire, le 3 décembre 2018

França, 1 de Dezembro: a luta saiu à rua


Sábado, 1 de Dezembro, o dia foi de ferro e fogo em muitas cidades de França, sobretudo em Paris.

Confrontos violentos opuseram manifestantes do movimento dos coletes amarelos com a polícia. Houve mais de uma centena de feridos e cerca de 400 detidos só em Paris.

O movimento, de origem popular, reúne gente muito díspar, notando-se em muitos casos a presença de elementos de extrema-direita, anti-Macron, nas manifestações.

No entanto, o fundo popular deste movimento tem feito que muitos sectores do movimento anarquista o acompanhem e tentem radicalizá-lo dirigindo-o para uma luta não apenas anti-governamental, mas sobretudo antisistema. Os ataques a bancos foram um exemplo dessa mudança de perspectiva.

Ainda que muito em cima do acontecimento, um grupo de anarquistas que esteve nas manifestações de sábado elaborou, a quente, um testemunho do que aconteceu no sábado em Paris e em que participaram activamente. A reportagem pode ser lida aqui (francês) e aqui (espanhol).

A conclusão que estes companheiros tiram, para já, é a seguinte:

“É difícil fazer o balanço de um dia tão louco, especialmente porque apenas presenciámos uma pequena parte do que aconteceu. No entanto, vários elementos podem guiar-nos para os próximos dias: 

  • O clima é verdadeiramente insurreccional. As pessoas querem realmente a pele do governo e não têm medo de a verem cair. Obviamente não é uma insurreição no sentido comunista e revolucionário do termo, mas as pessoas não têm medo de saltarem para o vazio… Para ver o que nos pode trazer o vazio.
  • A polícia não controla os tumultos. Não pode. As forças são demasiado díspares, dispersas e decididas.
  • A presença da esquerda e especialmente da esquerda revolucionária transformou a frente da manifestação. Os ataques contra os bancos são, por exemplo, o fruto do trabalho político realizado num sentido ascendente. Os nossos lemas foram parcialmente assumidos e a iniciativa do colectivo Adama foi muito efectiva. Em resumo, agora existimos politicamente no movimento.
  • Apesar disto devemos permanecer cautelosos sobre as perspectivas emancipadoras deste movimento em que a extrema-direita está realmente presente. Este elemento deve ser tomado sempre em linha de conta e devemos lutar contra esta presença.
  • Os distúrbios e os actos de revolta não se concentraram apenas em Paris. Houve distúrbios em toda a França, tanto em cidades grandes como em outras mais pequenas, como por exemplo a prefeitura que foi incendiada em Puy-en-Velay ou atacada em Dijon, distúrbios em Charleville-Mezieres ou em Toulouse. A repressão também foi muito feroz, com muitas lesões graves, a maioria provocadas por granadas GLI-F4 (como em Tours) e muitas detenções.

Uns anarquistas”

(França) Reeditada brochura de Carlos da Fonseca sobre o Movimento Libertário em Portugal


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https://www.mediafire.com/file/3197cye5p3aw3lv/CARLOS+DA+FONSECA+Introduction+%C3%A0+l%26%2339%3Bhistoire+du+MOUVEMENT+LIBERTAIRE+AU+PORTUGAL_LECTURE_ECRAN.pdf

Acaba de ser reeditada em França  a “Introduction à l’histoire du MOUVEMENT LIBERTAIRE AU PORTUGAL”, seguida de “Caractéristiques de l’activité fouriériste dans la Péninsule ibérique,” da autoria de CARLOS DA FONSECA, recentemente desaparecido.

A primeira edição desta brochura tinha sido editada pelo  CIRA [Centre International de Recherches sur l’Anarchisme] em 1973.

Esta edição é da responsabilidade de Editions ArqOperaria / Vosstanie 2017 

Moção do 75º Congresso da Federação Anarquista (francófona) reunida em Laon e Merlieux nos dias 3, 4 e 5 de Junho


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A Federação Anarquista esteve reunida no seu 75º Congresso, nos dias 3, 4 e 5 de Junho de 2017 em Laon e Merlieux (Aisne) para abordar a situação mundial e actualizar o seu projecto anarquista.

O capitalismo globalizado e os seus apoios estatistas e religiosos acentuam as pressões sobre a humanidade e o ambiente de forma a garantirem, através de modos de regulação e de produção cada vez mais brutais, o triunfo da lógica do lucro.

A tese da crise permanente do capitalismo que justifica as políticas de austeridade e de regressão social serve para camuflar a realidade: os ricos são cada vez mais ricos enquanto os pobres são cada vez mais numerosos e sobrevivem na miséria. Nisto, o capitalismo cumpre perfeitamente o seu papel.

A arrogância dos capitalistas encorajada por uma verdadeira colonização dos espíritos põe hoje em causa o pacto saído da segunda guerra mundial que instituiu a protecção social e o sistema de reformas pela repartição e pela redistribuição limitada das riquezas, a fim de afastar o espectro revolucionário e fazer crescer uma nova classe dita média e a sociedade industrial e de consumo massificadas.

O sistema capitalista procura sem cessar novas fontes de lucro incarnadas hoje pelo capitalismo verde, a digitalização e a robotização da economia e mesmo o fim do salariato ao individualizar a relação entre o trabalhador e o patrão pela uberização e pelo empreendedorismo.

O capitalismo pauperiza a classe média, cujo primeira utilidade era neutralizar o perigo revolucionário, o que torna a luta de classes mais clara e mais directa.

Em contrapartida, o aparelho repressivo do Estado e o poder das religiões sobre as consciências reforçam-se para imporem o medo e a resignação. O estado de emergência que era uma excepção tona-se a norma, a presença militar nas ruas, a vigilância generalizada e as restrições às liberdades públicas banalizam-se, a polícia militariza-se e radicaliza-se, torna-se facciosa e multiplica as violências e as provocações.

As eleições presidências passadas e as legislativas que aí vêm demonstram uma progressão das tendências soberanista e populista e, ao mesmo tempo, uma vontade evidente de eliminar a consciência de classe ao querer-se suprimir a clivagem esquerda-direita como sublinharam os dois finalistas da última corrida ao Eliseu. O poder colocou no cargo o candidato que era melhor para defender os interesses do patronato e da finança. A sua missão é um programa de demolição social na mesma linha dos presidentes e governos precedentes em marcha pelo desfazer do Código do Trabalho, uma fiscalidade anti-social, a supressão dos regimes especiais e o pôr em prática um sistema de reforma por pontos…

A Frente Nacional ultrapassa os 10 milhões de votos jogando com o medo do outro e erigindo em defensora de fachada dos ganhos sociais. No entanto, o Capital já não tem necessidade da FN para atingir os seus fins: o MEDEF apelou ao voto em Macron.

O projecto de Mélenchon é um impasse. O modelo do líder carismático, novo salvador supremo, messias dos tempos modernos, incarnação do “povo” desviou a questão social do terreno da luta de classes para o da luta pelos lugares. A impostura dos partidos Syriza e Podemos na Europa ou os regimes de Chavez e Maduro na Venezuela testemunham a sua submissão aos diktats capitalistas: o Poder continua maldito.

Se os anarquistas estão voluntariamente ausentes das urnas e do espectáculo mediático, continuam presentes e activos nas lutas e nas alternativas. O nosso anti-eleitoralismo está em linha com a rejeição crescente da classe política e com o interesse, também crescente, pelos mandatos imperativos, a rotação e a revogabilidade dos mandatos e o federalismo libertário.

O papel dos revolucionários é o de desenharem as perspectivas que permitam credibilizar e encarar a transformação social. Nisso o movimento anarquista não capitulou e resta fiel ao seu projecto revolucionário: o socialismo libertário sem fronteiras.

Para isso, a difusão das nossas ideias e das nossas práticas deve ser o nosso objectivo essencial, aprendendo com as diversas lutas e fazendo o que for necessário para questionarmos e reactualizarmos as nossas propostas e as nossas práticas.

Os tempos mais próximos necessitam a mobilização de todas as forças ligadas à emancipação. A Federação Anarquista reunida no seu 75º Congresso tomará o lugar que é o seu neste combate e apela aos indivíduos e aos grupos que partilham o nosso projecto comum para se lhe juntarem e a reforçarem.

Tradução: Portal Anarquista

aqui: https://www.federation-anarchiste.org/