greve geral

(Alentejo) Três meses depois da greve geral de 18 de novembro de 1918, “A Batalha” escreve que “as violências atribuídas aos rurais não podem ser comparadas com as violências praticadas pelos lavradores”


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No dia 23 de Fevereiro de 1919 – está quase a fazer cem anos! – é publicado o primeiro número do jornal “A Batalha”, diário, órgão da União Operária Nacional e, depois, da Confederação Geral do Trabalho. Logo nesse primeiro número há uma referência à greve geral de 18 de Novembro de 1918 no Alentejo.  Para o jornal sindicalista revolucionário as violências atribuídas aos rurais não podem ser comparadas com as violências praticadas pelos lavradores.

“No Alentejo

As violências atribuídas aos rurais – As violências praticadas pelos lavradores

Têm sido inúmeras as acusações formuladas, quer na imprensa quer fora dela, contra a organização rural do Alentejo, acusando-a, aquando do movimento de Novembro, de promover violências inúteis e afirmando que os trabalhadores saquearam várias propriedades, retirando de ali muitos valores, além de muitas outras violências, cuja enumeração seria fastidiosa. Conseguiu-se, assim, criar um ambiente de hostilidade contra os agrupamentos corporativos e contra o organizamos que os representava: a U.O.N. Prenderam-se algumas centenas de trabalhadores rurais e muitos deles foram deportados, sem julgamento, para África, não obstante não terem, na maioria, cadastro e ser a primeira vez que eram detidos. Alguns que se encontravam em Monsanto foram postos em liberdade, juntamente com os restantes presos políticos e por questões sociais, contra o que insurgiu um lavrador que, em carta publicada no Diário de Notícias, pedia ao titular da pasta do interior que ordenasse a sua recaptura, assim como não acedesse a repatriar os rurais tão iniquamente deportados, por, em seu entender, eles deverem ser considerados presos de delito comum em virtude das violências que dizia terem sido praticadas por eles.

Sempre duvidámos da veracidade dos relatos que sobre eles se fizeram e sobre a nossa mesa estão algumas cartas que confirmam este nosso modo de ver, pois, segundo se lê nelas, não só os rurais não cometeram os actos violentos de que são acusados, como a verdade é que se eles foram cometidos a sua autoria deve ser atribuída aos bandos armados que, capitaneados pelos lavradores e, um deles, por José Júlio da Costa, um dos assassinos de Sidónio Pais, exerceram toda a espécie de depredações em Vale de Santiago, Odemira e Panoias.

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A greve geral de 18 de novembro de 1918 na imprensa burguesa


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Apesar de ter sido rapidamente controlada e os seus objectivos não terem sido atingidos, a greve geral de 18 de novembro de 1918, convocada pela União Operária Nacional em pleno auge do sidonismo, e poucos dias depois de ter sido assinado o armísticio que pôs fim à I Guerra a 11 de novembro e em plena epidemia da “pneumónica”, teve uma profunda repercussão em termos repressivos e também na imprensa burguesa, uma vez que dada a ditadura de Sidónio Pais muita imprensa anarquista e operária tinha sido impedida de circular.

Só três meses depois, em Fevereiro de 1919 apareceria o diário operário “A Batalha” que iria romper o gheto informativo com que, quase sempre, as lutas operárias se debatem. A Capital, diário republicano da noite, apenas sai para as bancas no dia 20 de novembro, dois dias depois da greve geral, devido à paralisação dos tipógrafos, segundo uma curta nota inserida nessa mesma edição.

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(Nov. 1918- Nov. 2018) Cem anos da greve geral contra a guerra, o sidonismo e a carestia de vida que teve um dos seus epicentros em Vale de Santiago (Odemira)


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aqui

Em 1918, a União Operária Nacional convoca uma greve geral para o dia 18 de Novembro. A guerra, a carestia de vida e a escassez alimentar tornavam a vida dos trabalhadores num inferno. De forma a reagir contra esta situação de agravamento do dia-a-dia dos trabalhadores portugueses a central sindical, em que predominavam os sindicatos e associações de classe anarquistas e sindicalistas revolucionários, decide juntar as diversas reivindicações sectoriais e avançar para uma greve geral que, no entanto, resultou num fracasso, ainda que com resultados diferentes conforme as regiões do país.

As causas para este fracasso prendem-se essencialmente, segundo os historiadores, com o anúncio do armistício que pôs fim à I Guerra Mundial, assinado a 11 de Novembro, poucos dias antes do início da greve; à pneumónica, que grassava por todo o país; e à forte repressão que os sindicalistas da UON sofriam na pele por parte das leis celeradas e anti-operárias do governo de Sidónio Pais e que conduziu até ao assassinato de trabalhadores em Montemor-o-Novo e Alpiarça quando participavam em comícios de protesto.(1)

O movimento grevista teve, entre outros sectores de todo o país, especial impacto entre os rurais do Alentejo e os ferroviários de Sul e Sueste. Em Évora a greve durou 8 dias. Em Odemira e no Vale de Santiago a repressão foi especialmente dura, com deportações de rurais para a África. Foram fuzilados trabalhadores na Moita e em Portimão. (2)

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(Protesto internacional) Contra o Estado policial espanhol e pela liberdade de Alfon


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Para esta tarde está marcada para Madrid e para diversas cidades de todo o mundo uma jornada de solidariedade internacional contra o aumento da repressão e da criminalização dos protestos sociais no Estado Espanhol e pela liberdade de Alfon, um jovem madrileno que a justiça quer condenar a cinco anos e meio de prisão, depois de ter sido preso aquando da greve geral internacional de 14 de Novembro de 2012. A CNT, a CGT e a generalidade do movimento libertário e anarco-sindicalista espanhol apoiam e participam nesta jornada de luta em defesa das liberdades e pela manutenção de Alfon em liberdade. Publicamos em seguida a convocatória desta jornada de protesto assinada pela Plataforma pela Liberdade de Alfon.

QUEREMOS QUE ALFON CONTINUE EM LIBERDADE

Desde a Plataforma pela Liberdade de Alfon fazemos este apelo para vos pedir que se juntem à campanha que estamos a fazer, exigindo a sua liberdade.

No próximo dia 18 de Setembro vai realizar-se o julgamento contra o nosso familiar, vizinho, amigo e companheiro Alfon em que se pedem cinco anos e meio de prisão

Alfon é um jovem de 22 anos, morador no bairro operário de Vallecas, situado em Madrid, que foi detido ao sair de casa quando se dirigia para o piquete unitário do seu bairro por ocasião da greve geral europeia de 14 de Novembro de 2012 convocada para reivindicar: não mais desemprego, não à reforma laboral, não aos cortes sociais, não à privatização da saúde, do ensino…

Graças à vossa solidariedade e mobilizações internacionais no dia 28 de Dezembro de 2012 fomos capazes de romper o silêncio informativo que pretendia mantê-lo no ostracismo e tirá-lo da cadeia após 56 dias de prisão, ou seja, a 9 de Janeiro de 2013.

A repressão em Espanha tem aumentado de forma escandalosa até chegar a uns limites inesperados de falta de liberdades. Somos várias dezenas de milhar com multas, mais de mil pessoas imputadas e muitissimas centenas com ameaças de prisão por participarem nas lutas sociais, políticas e sindicais.

Por isso organizámos uma série de mobilizações, tanto no seu bairro e na sua cidade, como no resto do Estado Espanhol e convocámos de novo uma jornada solidária internacional para o próximo dia 16 de Setembro às 19h e para isso necessitamos da vossa solidariedade activa como já aconteceu anteriormente.

LIBERDADE PARA ALFON!

PELA LIBERDADE E PELA RETIRADA DE ACUSAÇÕES A TODAS AS PESSOAS ACUSADAS E/OU PRESAS QUE LUTAM!

VIVA A LUTA DA CLASSE OPERÁRIA!

Web: http://www.alfonlibertad.wordpress.com

Mensagem desde Atenas: Somos compañeras y compañeros de la iniciativa de solidaridad con Alfon en Atenas. Estamos frente de la embajada del Estado Español. Queremos expresar nuestra indignación por la represión estatal y los montajes policiales y también nuestra solidaridad con la gente que está luchando y con todas las personas encausadas en las luchas sociales, en España, en Grecia, en todo el mundo. Para nosotras y nosotros, las y los de abajo, no hay fronteras, si tocan a uno, nos tocan a todos.
Alfon, desde Atenas, fuerza y solidaridad.

18 de Janeiro de 1934: muito mais do que a Marinha Grande


embarquePresos  do 18 de Janeiro, a caminho da prisão em Angra do Heroísmo (a bordo do Carvalho Araújo).

CarvAraujoEmbarque dos insurrectos do 18 de Janeiro (entre os quais muitos anarquistas e anarco-sindicalistas, nomeadamente o coordenador da CGT e director da “Batalha”, Mário Castelhano) com  destino aos Açores (Angra do Heroísmo)

familiaFamilias dos presos da Marinha Grande numa manifestação junto ao Governo Civil de Leiria, em 1935, pedindo a sua libertação

Comemoram-se este sábado os 80 anos do 18 de Janeiro de 1934, um movimento grevista, de carácter insurreccional, convocado pelo movimento sindical para protestar contra a fascização dos sindicatos e tendo em vista o derrube do regime fascista. O movimento fracassou e não teve a adesão esperada, apesar de em diversas localidades os trabalhadores terem feito ouvir a sua voz e o seu protesto. Marinha Grande, Almada, Silves… foram alguns desses locais que ficaram simbolicamente no imaginário revolucionário português.

Com o fascismo já implantado em Portugal, a publicação do “Estatuto do Trabalho Nacional e Organização dos Sindicatos Nacionais, em Setembro de 1933 (com efeitos a partir de Janeiro de 1934) foi a gota que fez transbordar o movimento sindical.

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