imprensa

“A Batalha”, nº 276, digitalizada e partilhada na web


(2017) Revista ‘A Ideia’, nºs 81-83, já disponível na web


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Para ler e download “A Ideia”, nºs 81-83 (2017)

Nºs. anteriores:

Número 77/78/79/80 (1ª parte – 2016)

Número 77/78/79/80 (2ª parte – 2016)

Número 75/76 (2015)

Número 73/74 (2014)

Número 71/72 (2013)

“A Batalha”: um jornal com história, constantemente renovado


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Acaba de sair a edição nº 276 do Jornal “A Batalha”, que já vai na VI Série de publicação, totalmente remodelada, em termos gráficos e de conteúdo. A equipa que tem estado a relançar “A Batalha” desde há alguns meses apresenta agora um jornal renovado, mais jovem e inserido na actualidade.

Ao longo das suas 16 páginas destaque para  a entrevista a João Santiago, director de “A Batalha” e um dos históricos do anarquismo em Portugal, uma nota sobre a morte de Manuel Vieira, antigo colaborador do jornal, um artigo de M. Ricardo Sousa sobre “Os anarquistas e a esquerda” e vários textos sobre a “Catalunha Insurgente”. Notas de última página sobre a actualidade anarquista, a recuperação de um texto de Gonçalves Correia “Carta a um caçador” e um artigo sobre o grupo anticarcelário francês “Os Cangaceiros” de Mário Rui Pinto enriquecem ainda esta edição.

O jornal “A Batalha”  foi fundado em 23 de Fevereiro de 1919, no mesmo ano em que surgiu a Confederação Geral do Trabalho (CGT) portuguesa, de tendência anarcosindicalista, de que seria porta-voz.  Como jornal diário alcançou a terceira maior tiragem em Portugal, embora permanentemente alvo de censura e com edições apreendidas. Cessou a sua publicação regular a 26 de maio de 1927 – praticamente um ano depois do golpe militar de 28 de Maio de 1926 -, data em que as suas instalações foram destruídas pela polícia, tendo posteriormente tido várias edições clandestinas ao longo da ditadura salazarista. Recomeçou a publicar-se regularmente, enquanto jornal sindicalista revolucionário, após o 25 de Abril de 1974, tendo a sua primeira edição desta série visto a luz do dia em Setembro desse mesmo ano.

Assumindo agora sua vertente de expressão anarquista – e não já anarcosindicalista – “A Batalha” renovada é um projecto que merece o apoio de todos os libertários, enquanto instrumento indispensável para a divulgação e debate das ideias anarquistas.

Está de parabéns a equipa de jovens e menos jovens que decidiu renovar e relançar o jornal.

(Brasil) Revista Verve, nº 32, já disponível na web


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ler e download: http://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2017/11/verve32.pdf

sumário

A Greve Geral de São Paulo, 1917 –Edson Passetti & Acácio Augusto
Contra o confusionismo, pela lógica — pela organização anarquista — falsa e perigosa
ilusão – Florentino de Carvalho
A Revolução Russa e o Partido Comunista – Alexander Berkman
Manifesto da liga da não conscrição – Emma Goldman & Alexander Berkman
… e 9 meses depois – Edson Passetti
Sobre pluralismo, tolerância e monitoramentos: em marcha a perseguição aos anarquistas no Rio Grande do Sul, Brasil –Nu-Sol
Não se distraia – Nu-Sol
Roberto Feire e o erotismo anarquista – Gustavo Simões
Um libertário. Erotismo Libertário – Roberto Freire
Anarquismo e gastronomia: a utopia intensa de unir fogões,
barricadas, prazer e liberdade – Nelson Méndez
Com a garganta seca – Nu-Sol
resenhas
John Cage, os ruídos desta hora! – Gustavo Simões
Não colonizar-se: os anarquismos na Bolívia – Luíza Uehara

Da apresentação

verve a partir deste trigésimo segundo número estará em formato eletrônico (PDF e ePub). isso acontece após exatos 15 anos de circulação impressa semestral, ininterrupta, registrando a anarquia e abolicionismo penal libertário. a mudança não se dá por convenção, mas para a revista se manter autogestionária. este número traz um registro da greve geral de 1917, em são paulo e os efeitos da revolução russa. são acontecimentos centenários ainda presentes na história das lutas. a revista abre com a aula-teatro 22, por edson passetti e acácio augusto, relembrando a greve geral de 1917, ocorrida em são paulo, quando mulheres, homens e crianças explicitaram o início da revolução social contra a propriedade, repressões e violências com as quais a oligarquia paulista submetia os operários e lavradores. trazemos um curto texto de florentino de carvalho comentando repercussões da revolução russa e alertando para a diferença vital entre comunismo libertário e comunismo de estado ou marxista. alexander berkman em análise acurada expõe, em 1921, os rumos da revolução russa, desvelando a impostura bolchevista no interior do partido comunista. somada à reflexão minuciosa acerca do partido, o anarquista situa o esmagamento da revolução social por meio do controle político efetivado pela ditadura do proletariado, máquina burocrática policial e punitiva. do mesmo ano de 1917, ao norte da américa, verve 32 publica o manifesto de emma goldman e alexander berkman contra a conscrição militar nos EUA. a revolução se faz todo dia por cada um para mudar o mundo todo dia. verve 32 registra, em página única, as atuais perseguições aos anarquistas, com a operação ébero, no rio grande do sul; alerta para não nos distrairmos diante das investidas de forças conservadoras, como a ocorrida no impedimento de seminário sobre a revolução russa na uerj; escancara a continuidade do massacre de jovens nas prisões. atiça para as transformações anarquistas no presente e republica dois registros sobre o erotismo libertário por roberto freire, anarquista caloroso que completaria 90 anos em 2017, e o delicioso ensaio de nelson mendez, sobre uma história gastronômica da anarquia. cada um a seu modo, freire e mendez mostram que para os anarquistas não há dissociação entre prazeres e luta. verve 32 fecha com duas resenhas que lidam com a anarquia hoje e sua atualidade descentralizada: gustavo simões, a partir das correspondências trocadas pelo artista anarquista john cage, nos convida a ouvir os ruídos da anarquia; luíza uehara mapeia a história e a contemporaneidade dos anarquismos na bolívia, alertando para o risco de capturas empreendedoras e resilientes. verve 32 atravessa os fluxos eletrônicos como revista de atitudes, labareda que lambe corpos explodindo as mediações da tela e dos protocolos, dos softwares aos indexadores.

Recordando o primeiro número de “A Batalha”pós 25 de Abril de 1974


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“A Batalha”, nº1, Setembro de 1974 – Para ler e download em PDF 

A Unesp – Universidade Estadual Paulista, do Brasil, no âmbito de seu Programa Memória Social, deu início ao processo de disponibilização digital de acervos pertencentes ao seu sistema de bibliotecas e centros de documentação que reúne documentos de naturezas diversas, tais como livros e periódicos, possibilitando à sociedade acessibilidade ao conhecimento.

Entre os periódicos digitalizados estão algumas edições de jornais anarquistas e anarco-sindicalistas portugueses como “A Batalha” e “Voz Anarquista” (apenas o nº 3), brasileiros, espanhóis e de outras países.

Segundo a UNESP “ao dar acesso irrestrito a esse rico material, a universidade cumpre com sua responsabilidade social, democratizando o acesso à informação e contribuindo com o ensino, a pesquisa e a difusão do conhecimento”.

Bom seria que este exemplo fosse seguido pelas diversas instituições em Portugal, começando pela Biblioteca Nacional que, embora tendo digitalizadas as colecções dos diversos jornais libertários, nomeadamente toda a colecção de “A Batalha”, não as torna de acesso público e irrestrito através da internet.

(Fotos & texto) Apresentação da revista de cultura libertária “A Ideia” na antiga prisão do Aljube


Com um público muito próximo daquilo que tem sido habitual nos últimos anos, decorreu no Museu do Aljube na tarde de sábado de 16 de Dezembro a apresentação do número triplo da revista A Ideia respeitante ao ano de 2017, cuja pasta central versa os acontecimentos político-sociais que tiveram lugar na Rússia há cem anos.

O volume publica textos clássicos de duas testemunhas presenciais dos eventos, Emma Goldman e Ida Mett, e ainda um vasto acervo de textos da imprensa operária portuguesa da época (jornal A Batalha, jornal Avante de Évora e revistas A Sementeira e Renovação), dando conta da recepção que os eventos então tiveram, logo a partir de Dezembro de 1917, no meio operário português. Apresenta-se ainda uma entrevista com Carlos Taibo, autor dum importante estudo sobre a Revolução Russa saído este ano, e outra com Ana da Palma, tradutora portuguesa do conhecido livro de John Reed, Dez dias que abalaram o mundo.

A apresentação do tema central da revista esteve a cargo de Mário Rui Pinto e de Paulo Eduardo Guimarães. O primeiro falou das manifestações libertárias na Rússia de há cem anos, com destaque para a gesta de Nestor Makno e para a sublevação de Cronstadt em Março de 1921, e da atenção internacional que o movimento tem dedicado este ano ao acontecimento um pouco por todo o mundo, enquanto o segundo centrou a sua atenção nas apreciações que o evento mereceu por parte da organização sindical portuguesa da época, com enfoque particular na Confederação Geral do Trabalho, fundada em Fevereiro de 1919.

O evento contou também com a apresentação dum livro antológico, Anarquismo moderno mas não pós-moderno (Colibri, 2017), colectânea de textos publicados na revista A Ideia na década de 80 e onde estão representados autores tão marcantes para a renovação do pensamento libertário na segunda metade do século XX como Colin Ward, Murray Bookchin, George Woodcock, Amedeo Bertolo, Nico Berti, Tomás Ibañez e Thom Holterman. A apresentação desta colectânea esteve a cargo de José Bragança de Miranda, tradutor e estudioso da obra e do pensamento de Max Stirner.

O encontro teve ainda no final a presença do Teatro Independente de Loures, activo desde 1968, que, com interpretação de Luís Paniágua e Pedro Pina, representou duas curtas peças (“A paragem de autocarro” e “O escadote”) do dramaturgo e poeta português Jaime Salazar Sampaio (1925-2010), um dos autores em destaque neste número triplo da revista A Ideia, a par das homenagens poético-pictóricas a Cruzeiro Seixas, Cesariny, Virgílio Martinho, Fernando Alves dos Santos, Luiz Pacheco, António Maria Lisboa, Baptista-Bastos e Maria Natália Duarte Silva.

[Fotografias e vídeos da responsabilidade de Luís de Barreiros Tavares]

(memória libertária) Jornal anarquista madeirense de 1902 evoca os ‘mártires de Chicago”


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aqui: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=digitallibrary/digitalcontent&id=1407

“Irá chegar a altura em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que vocês enforcam hoje” – Adolph Fischer

15 anos depois dos “mártires de Chicago” terem sido executados, sob a acusação falaciosa de terem sido os autores materiais de um atentado à bomba alguns meses antes, o jornal madeirense anarquista “A Ideia” dedicava a primeira página do seu nº 1 inteiramente a este caso. O assassinato dos anarquistas de Chicago teve um grande impacto em todo o mundo e em Portugal, onde o movimento anarquista, que estava a nascer, se solidarizou desde logo com os seus companheiros dos Estados Unidos que lutavam pelas 8 horas de trabalho.

Aliás, seria o movimento anarquista e a CGT anarco-sindicalista que em Portugal, anos mais tarde, conseguiriam as 8 horas de trabalho diárias na maior parte dos sectores profissionais (à excepção do trabalho nos campos e no trabalho doméstico).

Uma luta – hoje pelas 30 horas semanais – que urge retomar!