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(Cova da Piedade) Morreu Manuel Vieira


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Recebemos a informação que morreu o companheiro Manuel Vieira, residente na Cova da Piedade e colaborador do jornal “A Batalha”. Manuel Vieira faleceu a 14 de Agosto, tendo o funeral sido realizado no dia seguinte para o cemitério do Feijó.

Manuel Vieira esteve também ligado à alteração da designação de algumas ruas de Almada, fazendo com que nelas figurasse a presença libertária.

As nossas condolências à família, aos amigos e à redacção do jornal “A Batalha”. Que a terra te seja leve, companheiro!

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2015/01/28/rua-francisco-ferrer-na-cova-da-piedade/

http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/index.php?option=com_jumi&fileid=12&id=1598

Morreu o historiador Carlos da Fonseca


Carlos da Fonseca (1940-2017)

O historiador Carlos da Fonseca faleceu em Paris, no dia 9 de Maio, na sequência de uma doença com que se debatia, quase secretamente, há muitos anos, e que a partir de certa altura muito debilitou a sua actividade de autor.

Historiador do movimento operário e do anarquismo em Portugal, lega-nos, em particular neste domínio, uma obra considerável, das reedições comentadas de «textos esquecidos» aos quatro volumes, essenciais, da sua História do Movimento Operário e das Ideias Socialistas em Portugal(Europa-América), passando por volumes como Integração e Ruptura Operária (Estampa). Os seus últimos livros conhecidos, Para uma Análise do Movimento Libertário em Portugal e O 1º de Maio em Portugal, foram publicados pela Antígona.

Carlos da Fonseca nasceu em Peniche, onde começou a trabalhar aos 11 anos de idade, passando por diversos e provisórios ofícios. Nos anos 60, refractário ao exército colonial, exilou-se em França, onde fez longos estudos universitários, primeiro na Universidade de Paris VIII (Vincennes), depois na École Pratique des Hautes Études, onde se acentuou a sua vocação investigativa. Foi professor de história e cultura portuguesa na Universidade de Paris VIII e, posteriormente, na Sorbonne.

Personalidade de uma obstinada discrição, pode aplicar-se-lhe o verso programático de Luiza Neto Jorge «Não me quero com o tempo nem com a moda». Mas a sua veia satírica, embora pouco exposta, surgiu por vezes em textos não assinados como «Desratização», publicado na revistaPravda, em que investe contra os «fabricantes de opinião»: «Subindo pelos canos de esgoto do vedetariado servil, invadiram a imprensa, instalando-se nas redacções, para daí contagiarem, com visível perigo sanitário, as crédulas populações, através de doses de informação mercenária».

A sua obra de historiador rigoroso e influente está a necessitar de uma atenção redobrada. Nestas toscas linhas, daqui saudamos a sua memória de homem inteiro.

Júlio Henriques   

(via Letra Livre)

(Grécia) Alexis Grigoropoulos foi assassinado pela polícia há 8 anos


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Na noite de sábado, 6 de Dezembro de 2008, Alexis Grigoropoulos, de 15 anos, estava no bairro de Exarchia, perto do centro de Atenas, um local habitual de encontro de companheiros e companheiras anarquistas. A presença destes activistas gera sempre uma tensão permanente com as forças da policia e dessa vez não foi uma excepção.

Nessa noite, a policia especial agrediu um grupo de adolescentes e, apesar de terem recebido ordens para se retirarem, alguns policias não cumpriram essa ordem. Entre esses polícias estava Epaminondas Korkoneas, que disparou à queima roupa e assassinou o jovem anarquista de quinze anos.

O assassinato de  Alexandros “Alexis” Grigoropoulos provocou um dos maiores protestos populares das últimas décadas em todo o país. A sua morte é anualmente assinalada com manifestações em Atenas e noutros locais da Grécia. Ontem não foi excepção.

aqui: http://kaosenlared.net/videos-8o-aniversario-del-asesinato-del-companero-anarquista-alexis-grigoropoulos-a-manos-de-la-policia-griega/#.WEbXd0Me6GE.twitter

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(Síria) Mataram o penúltimo palhaço de Aleppo (porque haverá sempre um último palhaço na cidade)


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Anas al-Basha, o penúltimo palhaço de Aleppo (porque haverá sempre um último palhaço na cidade devastada) foi morto, conjuntamente com vários compatriotas seus, durante um ataque da aviação russa no passado dia 30 de Novembro. A organização “Palhaços em Rebeldia”, que já conta dezenas de intervenções em defesa da paz e dos povos oprimidos, emitiu um comunicado em que saúda a memória e o exemplo do palhaço sírio, que sempre se recusou a deixar a cidade.

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Continuaremos circocombatendo, Anas

Mataram um palhaço, mataram um companheiro, mataram um lutador. Anas al-Basha, o último palhaço de Aleppo foi morto hoje (30 de Novembro) conjuntamente com um grupo de civis. Tinha 24 anos. Apesar da escalada incessante da violência, Anas negara-se reiteradamente em abandonar a cidade: queria continuar a trabalhar, continuar a abrir um resquício de esperança no meio da barbárie, da desolação, da infâmia.

A sua peruca cor de laranja era um alvo fácil. Com o seu disfarce e o seu sorriso passeava pelas ruas, levando prendas às crianças, ajudando as vítimas e tentando dar sentido ao absurdo da guerra, levando algo de humanidade, algo de vida no meio de tanta morte.

O que era previsível confirmou-se. A aviação da aliança russa e do exército de Al Assad massacraram hoje mais um grupo de civis, pressionaram o botão para limpar do radar outro montão de pequenos pontos que procuravam refúgio. Entes eles, um pequeno ponto laranja, a peruca de Anas.

Desde Palhaços em Rebeldia queremos expressar a nossa solidariedade com a família de Anas al-Basha, Clown de Aleppo, RIP e fazermo-nos eco das palavras do seu irmão, que são extensíveis a tod@s @s palhaç@s rebeldes do mundo: “Anas não era um terrorista, era um membro activo da sociedade que trabalhava dia e noite para levar um sorriso às crianças sírias”.

Anas recusou-se a ir com o circo para outra parte, a sua tenda era a sua casa e a sua casa era o lugar mais perigoso do mundo. Todavia a sua gargalhada ressoa por entre as ruínas daquela cidade devastada, daquele escaparate da sem-razão humana, da loucura do capital. Mas o terror, a guerra, a destruição, não conseguirão apagar a tua gargalhada, que é também a nossa. A felicidade, a esperança, a vida em definitivo, são armas de construção massiva. Enquanto perdurar a destruição continuaremos a ser necessários, Anas. Indispensáveis. Os nossos pequenos pontos laranjas, vermelhos, amarelos… são tão grandes como o mundo, como o coração que os pinta.

Fazemos nossas as lágrimas do teu irmão, Anas: “Estamos orgulhosos de ti. Talvez estejas a descansar já em paz, longe deste mundo cruel”. Em teu nome, e no de todos os povos oprimidos, os Palhaços em Rebeldia continuaremos a meter os narizes onde quisermos, continuaremos circocombatendo.

Obrigado Anas Al-Basha. O penúltimo palhaço de Aleppo

Palhaços em Rebeldia

aqui: https://www.facebook.com/notes/pallasos-en-rebeld%C3%ADa/seguiremos-circombatiendo-anas/1295154973880702

http://www.foxnews.com/world/2016/11/30/syria-aleppo-loses-clown-who-warmed-war-torn-hearts.html

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-38167190

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(Rojava) Mais um anarquista, membro das Brigadas Internacionais, morto em combate


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O voluntário das YPG, natural dos Estados Unidos, que morreu a lutar contra o ISIS, Michael Israel (nascido em 1989), era um anarquista, membro dos IWW. Relatos iniciais indicavam que tinha morrido lado a lado com um voluntário alemão, vitimados por um ataque aéreo turco a norte de Raqqa. Até ao momento não foram revelados mais detalhes que possam esclarecer as circunstância em que foi morto. Já em Agosto tinha sido morto em combate, em Rojava, um outro voluntário anarquista norte-americano,  Jordan Mactaggart.

Um amigo escreveu na sua página de facebook: “é com o coração pesado que soube hoje que o heval (amigo, companheiro, em curdo) Michael Israel morreu a lutar contra o ISIS enquanto voluntário das YPG em Rojava: Michael era um homem cheio de fortes convicções; um lutador inspirado e idealista que combateu como nenhum outro por um mundo melhor, não só para um Curdistão melhor ou para uma América melhor. Ele passou toda a sua vida a lutar contra sistemas injustos que recusavam a paz, e percorreu os Estados Unidos consciencializando as populações contra a guerra do Iraque. Ele partilhava com todos as experiências e lições que viveu na Síria e nos Estados Unidos. Morreu como viveu, e o seu legado é um exemplo de como um verdadeiro revolucionário deve ser. A história vai glorificá-lo, entre muitos outros, como um dos maiores da nossa geração. Ele ensinou-me muito e nunca me vou esquecer dele. Rest in power heval.”

No dia 13 de Agosto, logo após voltar para Rojava, Mike tinha colocado o seguinte post: “com a libertação de Manbîc, as YPG e YPJ estão mais perto de cortarem ao ISIS a sua capacidade de transporte de materiais e pessoas através da fronteira turca. Uma vez que esta fonte de abastecimentos lhes for cortada, o ISIS ficará completamente isolado. Para vocês que estão no Ocidente, isto significa que eles não poderão continuar a passar o seu pessoal com a mesma facilidade para os estados europeus. Rojava assumiu querer tornar mais seguras as vidas daqueles que estão muito além das suas fronteiras face a estes fascistas. Por favor, não esqueçam os sacrifícios que Rojava tem feito ao lutar e a conter os grupos do ISIS. Façam o que puderem para apoiar a luta e a revolução em Rojava, contribuindo com o que possam. A Solidariedade Internacional. para quem tanto se tem sacrificado para livrar o mundo destes fascistas. é uma obrigação ”.

aqui: https://www.facebook.com/WorkersSolidarityMovement/posts/1621869404505533:0

https://insurrectionnewsworldwide.com/2016/11/30/rest-in-power-anarchist-comrade-michael-israel-killed-fighting-islamic-state-fascists-in-rojava/

https://www.facebook.com/michael.israel.92

https://www.facebook.com/YPGInternational/photos/a.1698056920479737.1073741829.1698006960484733/1948901635395263/?type=3&theater

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(Itália) Morreu Amedeo Bertolo, um dos mais activos anarquistas dos nossos dias


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É com muita tristeza que vos informo que anteontem, 22 de Novembro de 2016, morreu em Milão, com 75 anos, Amedeo Bertolo, uma das figuras mais importantes do anarquismo contemporâneo. Nele, pensamento e acção estiveram sempre ligados.

Para além de autor de textos fundamentais, traduzidos em várias línguas, foi um dos fundadores, ainda na década de 60, das Juventudes Libertárias de Milão, do Grupo Anarquista Ponte della Ghisolfa e da Croce Nera, juntamente com Pinelli.

Participou em algumas acções em Espanha, integrado na estrutura anarquista clandestina Defesa Interior, e fez parte do grupo italiano que raptou o vice-cônsul espanhol em Milão, para tentar evitar a pena de morte a que tinham sido condenados alguns anarquistas espanhóis e chamar a atenção da imprensa europeia para o franquismo. Face à pressão internacional, Franco comutou as penas dos companheiros espanhóis em prisão perpétua e, passados alguns anos, foram libertados. Todos os membros do grupo de “raptores” foram presos pela polícia italiana e Amedeo Bertolo, que tinha fugido para França, voltou no dia do julgamento, entrou no tribunal disfarçado de ajudante do advogado e a sessão foi transformada num ataque cerrado ao estado e ao franquismo. No fim, saíram todos em liberdade com penas simbólicas.

Fundou e participou nas revistas Interrogations, Volontà, Antistato e A. Dedicou grande parte da sua vida a denunciar o assassinato de Pinelli pelo estado italiano e a provar que os atentados de 1969 tiveram origem na extrema-direita e nos serviços secretos. Foi um dos organizadores do célebre Encontro Anarquista Internacional realizado em Veneza em 1984. Fundador também do Centro de Estudos e Arquivo Pinelli em 1976 e em 1986 da editora Eleuthèra. Toda uma vida dedicada à acção e à divulgação do anarquismo.

Nos últimos anos, o pessimismo em relação ao futuro do anarquismo e da humanidade apoderara-se dele. Desistiu da escrita (“não tenho mais nada para dizer”), começou a sofrer da doença de Parkinson e, desgostoso, reduziu a a sua actividade à editora Eleuthèra.

Perdi um amigo muito querido e o Anarquismo perdeu um grande pensador e activista. Que a terra te seja leve, companheiro!

Mário Rui Pinto (aqui)

Morreu Dario Fo: um companheiro não “acidental”


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Morreu hoje o dramaturgo italiano, Dario Fo, aos 90 anos. Em finais dos anos 60 foi um dos fundadores da companhia de teatro autogestionada Nuova Scena , que nasceu com o objectivo de fazer um teatro verdadeiramente popular, crítico e social que fosse politicamente eficaz. Nos anos 70 a companhia transformou-se no Colectivo Teatral La Comune, mais uma vez independente e autogestionada, que chegou a ser alvo de um atentado fascista em 1978.

Radical, muitas vezes companheiro das posições libertárias, Dario Fo trouxe para o palco o drama vivido pelo ferroviário anarquista Giuseppe Pinelli – um antigo membro da resistência contra o fascismo e membro da Cruz Negra Anarquista, falsamente acusado pela polícia (conforme se provou depois) de ser o autor de um atentado à bomba numa praça de Milão, que matou 13 pessoas, ferindo outras 88.

Pinelli apareceu morto, atirado pela janela da esquadra da polícia quando estava a ser interrogado. Segundo as autoridades terá morrido de “causas naturais”. Sobre a morte de Pinelli, Dario Fo escreveu a peça “Morte Acidental de um Anarquista”, que foi traduzida e representada um pouco por todo o mundo.

Dario Fo tornou-se conhecido internacionalmente em 1969 quando publicou a peça de teatro “Mistério Bufo”, uma epopeia dos oprimidos inspirada na cultura medieval e cujo  herói apela à revolta através do riso.

Entre as muitas peças de carácter social escritas por Dario Fo, salienta-se também “Aqui ninguém paga”, sobre uma família operária, sem recursos para suportar o aumento do custo de vida, e o texto de  “Pum Pum Chi é? La polizia! (Pum Pum, quem é? A polícia! ) em que põe em relevo o papel sujo da polícia e as técnicas desprezíveis usadas pelo Ministério do Interior e pelos Serviços Secretos italianos.

Dario Fo recebeu o prémio nobel da Literatura em 1997.

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