organização libertária

Declaração da I Reunião Regional do Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa


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Dia 22 de Dezembro de 2016, reuniu-se no espaço Disgraça o Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa para a sua I Reunião Regional. Esta contou com a presença dos membros da própria organização, assim como observadores externos convidados para participar na mesma.

No decorrer da reunião debateram-se intensivamente assuntos relacionados com a estrutura organizativa do Coletivo, as nossas estratégias e linhas de ação, e a aprovação de novos núcleos e grupos de trabalho.

Foram aprovadas alterações aos estatutos que asseguram e reforçam a nossa forma de funcionamento federalista, e também o novo estatuto de Amigos do CEL, para qualquer pessoa, incluindo não-estudantes, que se queiram envolver com a nossa organização porém não como membros.

Para além disto, foram criados 3 comités:
– Antirepressivo: campanhas contra a repressão, assessoria jurídica do Coletivo, esclarecimento de qualquer questão jurídica que possa surgir;
– Comunicação e Propaganda: gestão comunicativa e informativa do Coletivo;
– Formação: campanhas de formação para militantes, difusão cultural, e gestão de todo o material formativo gerado;

Os resultados desta reunião constituem um avanço para uma presença mais forte e enraizada nas instituições de ensino da nossa área de atuação, mas também a abertura para a expansão noutros munícipios que não Lisboa. Incentivamos assim todos os estudantes interessados na luta por uma educação livre e uma sociedade sem classes a contactar-nos e a juntarem-se a nós.

Desejamos a todos os outros grupos libertários sucesso nas suas lutas, e agradecemos ao Disgraça a possibilidade de realizar a reunião no seu espaço.

Adotado pela Reunião Regional, 22 de Dezembro, 2016

CEL-Lisboa

aqui: https://www.facebook.com/colestlib/photos/a.966188940072393.1073741828.951731221518165/1386767081347908

(Portugal) Programa libertário para a construção de uma nova organização social após a II Guerra Mundial


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Ler (em PDF) Os problemas actuais do anarquismo e do sindicalismo

também aqui: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/index.php?option=com_jumi&fileid=12&id=1317

“Opomos ao critério centralista da unidade o princípio libertário da união” escreviam os libertários portugueses em 1945

Com o desenrolar da II Guerra Mundial e a previsível vitória dos Aliados, os antifascistas portugueses, incluindo os anarquistas, estavam, em geral, convencidos de que o regime fascista de Salazar tinha os dias contados. Não foi isso que aconteceu, Salazar – tal como Franco – conseguiu sobreviver à queda de Hitler e Mussolini, mas os sectores oposicionistas festejaram a queda do nazi-fascismo como a antecâmara do fim da ditadura em Portugal.

Preso na Penitenciária de Coimbra e a cumprir uma pena de 16 anos de cárcere por ter sido um dos organizadores e um dos autores do atentado a Salazar, em Julho de 1937, Emídio Santana elaborou um documento onde analisa a situação que se vive em Portugal, o posicionamento dos diversos sectores oposicionistas, a necessidade do reforço da presença anarquista e esboça um programa futuro para a concretização de uma sociedade de características libertárias assente numa Confederação Sindical (a CGT) e numa Confederação de Municípios que cobrisse todo o território, numa aproximação às teses proudhonianas, mais tarde retomadas por Murray Bookchin.

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(AIT) Carta aberta de convite para a Conferência Internacional de organizacões anarco-sindicalistas e sindicalistas revolucionarias a realizar em Bilbao, nos dias 26 e 27 de Novembro


Terminou o XI Congresso da CNT: “uma ferramenta de luta eficaz em cada vez mais empresas e sectores”


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Terminou hoje o XI Congresso da central sindical CNT, que teve lugar entre os dias 4 e 8 de Dezembro em Zaragoza. Para o secretário-geral, Martín Paradelo, “partimos do princípio de que a classe operária deixou de ser reconhecida como sujeito. É fundamental reconstruir e reformular os laços comunitários para podermos ter a capacidade de transformar a sociedade. Com este Congresso conseguimos polir as nossas tácticas e estratégias, o que nos permitirá ser uma ferramenta de luta eficaz em cada vez mais empresas e sectores”.

Depois de intensos debates, tanto nas comissões de redacção como no plenário, abordaram-se e alcançaram-se acordos por amplas maiorias.

No domingo aprovou-se a reformulação dos Princípios, Tácticas e Finalidades, que reafirmam a CNT como organização anarco-sindicalista, revolucionária e também feminista, para além de recusar explicitamente as novas e velhas superstições.

Na jornada de segunda-feira discutiu-se e foi aprovado o grosso das reformulações desenvolvidas pelas comissões: acção social, acção sindical, comunicação, património, internacionalismo e, já de madrugada, a normativa orgânica.

Os acordos alcançados destacam-se por preparar a organização face a problemas laborais e sociais mais complexos como os despedimentos colectivos, a situação dos trabalhadores independentes e falsos independentes ou a recuperação e cooperativização de empresas, com especial incidência para aqueles sectores que não têm a atenção do sindicalismo de concertação e de representação unitária. São criados órgãos específicos de análise económica e de autogestão da sociedade a partir da perspectiva do comunismo libertário.

Dá-se particular enfase às questões de género, fomentando a eliminação de discriminações directas e indirectas e articulando cadernos reivindicativos orientados para a correlatividade de tarefas. Por outro lado, o Gabinete Técnico Confederal reforça as áreas jurídica e económica e estende-as ao social e à saúde laboral. Nos despedimentos colectivos e EREs articulam-se estratégias para que a empresa assuma os prejuízos causados e não possa alijar as suas responsabilidades. A CNT potenciará o emprego impulsionando assembleias de desempregados e bolsas de trabalho nos sindicatos.

A CNT propõe uma comunicação integral adaptada às novas tecnologias, que optimize a divulgação da sua mensagem na classe trabalhadora. Em matéria internacional serão reforçadas as relações com as organizações anarcosindicalistas com que já está a realizar um trabalho conjunto em matérias laborais e sociais.

Aqui: http://xicongreso.cnt.es/2015/12/08/finaliza-el-xi-congreso-de-cnt/

(Grécia) Encontro Anarquista do Mediterrâneo de 9 a 18 deste mês


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A Campanha Anarquista de Solidariedade Internacionalista “Três Pontes”, em cooperação com a IFA-IAF (Internacional de Federações Anarquistas), organiza um Encontro Anarquista do Mediterrâneo, de 9 até 18 de outubro de 2015, na Grécia. Este encontro terá o caráter de um evento de dez dias com atividades, debates e ações abertas, os quais se realizarão nas cidades onde colaborações de grupos locais, grupos individuais ou iniciativas locais participam na campanha (Atenas, Tessalônica, Patras, Larissa, Canea, Heraklion, Réthymno). Ao mesmo tempo serão organizados debates temáticos com a participação de companheiros e companheiras que são membros de federações anarquistas regionais ou nacionais, grupos anarquistas individuais, regionais e/ou companheiros, formas de organização anarcossindicalistas, espaços ocupados anarquistas ou libertários, etc.

O momento mais alto do Encontro Anarquista do Mediterrâneo será o dos eventos e debates temáticos de três dias, que se celebrarão em Creta de 16 a 18 de outubro.

O objetivo do Encontro Anarquista do Mediterrâneo é a comunicação direta e o intercâmbio de opiniões e experiências entre os anarquistas que vivem e atuam ao redor da bacia do mar Mediterrâneo. A questão dos imigrantes e os refugiados, a ameaça do fundamentalismo religioso, a luta pelo confederalismo democrático nas regiões curdas, a crise econômica, o desemprego e a pobreza, o auge do nacionalismo nos Balcãs e, em geral, os conflitos militares na zona da Crimeia, as lutas contra a destruição ecológica de vastas zonas, o surgimento de comunidades auto-organizadas de luta, a repressão estatal e a luta dos anarquistas em cada país, são algumas das questões que temos a intenção de tratar no Encontro Anarquista do Mediterrâneo.

Neste rincão do planeta as questões apresentadas são numerosas e implacáveis. Exatamente por isso somos chamados a estudar os modos de como respondemos ou devemos responder estas questões. O que é seguro é que a base destas respostas só pode ter como parâmetro principal a solidariedade internacional dos que lutam desde baixo. Esta solidariedade deve expressar-se através da criação na prática de pontes de cooperação e solidariedade de caráter internacionalista, demolindo qualquer restrição ou muro levantado pela dominação estatal e capitalista, e o totalitarismo imposto pela predominância do racismo, do nacionalismo e do fundamentalismo religioso.

Três Pontes, Campanha Anarquista de Solidariedade Internacional

Contato: 3gefires@espiv.net ou info@3gefires.org.

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.(com ligeiras alterações)

O texto em grego, inglês, italiano, castelhano.

(texto) A necessidade da organização e a crítica ao “anarcofofismo”


“E com o bucho mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Que eu me organizando posso desorganizar
Da lama ao caos, Nação Zumbi.

Todos conhecem a máxima “anarquia é ordem”, mas nem todos os anarquistas se propõem a vivenciá-la. Uma necessidade básica de sobrevivência e resistência é a organização; foi a partir da tentativa de auxiliarem-se mutuamente que surgiram os primeiros agrupamentos humanos; é pela organização que os animais evoluíram, e foi visando a organização que se desenvolveram as trade-unions e sindicatos.

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(Do Brasil) Para aqueles que cultivam revoluções em estufa


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O papel central do anarquismo é a luta e a transformação da sociedade, objetivos a serem perseguidos pelos que se intitulam libertários. A ideologia não serve para salvar os indivíduos da monotonia de suas existências, ou mesmo dar sentido às mesmas, ela é antes uma orientação geral para a superação de um estado de coisas em favor de algo substancialmente melhor para todos e todas.

Desde 2013 para cá, com as jornadas de manifestações que se sucederam em todo o país, a militância anarquista foi alcançada por seus efeitos e desdobramentos. Alvo de criminalizações de todas as ordens, também obteve maior visibilidade, dada a força da proposta e da crítica que essa tradição ainda oferece aos problemas dos tempos que correm. Um outro resultado entretanto que merece especial atenção de todas as anarquistas preocupadas com a implementação e desenvolvimento da ideologia, é o surgimento de um protagonismo de sujeitos, acompanhado de um (nem sempre) sutil apartamento de organizações anarquistas do bojo das lutas sociais. Atentas e preocupadas em reafirmar a importância da crítica ao vanguardismo,  compartilhamos aqui algumas breves reflexões, como contribuição para o debate e sobretudo para a prática anarquista.

O anarquismo surge no século XIX como ideologia do campo socialista e resultado, em um primeiro momento, das experiências operárias mutualistas e coletivistas. Portanto, o anarquismo nasce como parte integrante de um todo no qual a substância social permanece difusa sem seu correspondente teórico e este menos pertinente sem as suas realizações concretas. Assim a ideologia passa a servir ao conjunto de uma determinada classe, sendo por ela simultaneamente enriquecida e, inclusive, reavaliada em parte de seus pressupostos.

Com efeito, o papel central do anarquismo é a luta e a transformação da sociedade, objetivos a serem perseguidos pelos que se intitulam libertários. A ideologia não serve para salvar os indivíduos da monotonia de suas existências, ou mesmo dar sentido às mesmas, ela é antes uma orientação geral para a superação de um estado de coisas em favor de algo substancialmente melhor para todos e todas.

No atual contexto algumas correntes estão trocando a disposição para a luta, pela luta para a disposição. Uma disposição que visa menos ao foco no projeto classista e mais à projeção de certas personalidades. De eminências que contribuem cada vez menos para o classismo anarquista e cada vez mais para as suas reputações. Encontra-se em marcha um projeto de anarquismo a se esgotar nas biografias privadas, no voluntarismo interpessoal, nas sagas midiáticas. Um que nada tem de emancipador e que por isso não precisa pactuar com os produtores das riquezas qualquer tática ou estratégia. Um que se esgote no espaço de uma geração, para homenagear seus “próceres”, ainda que a custa da tradição anarquista que impede a existência da ideologia sem a sua inserção em bases sociais sólidas.

O risco de uma ideologia sem ossatura ou de um movimento social descarnado é imenso nos dias que correm. Não menos perigosa é a ideia, subsidiária à perspectiva anterior, segundo a qual a forma mais adequada de se deflagrar a revolução passa antes pela vontade particular de um grupo ou indivíduo. Nada mais desmobilizador que esperar de apenas uma parte a mudança do todo, nada mais paralisante e cristalizador que inferir de um episódio apenas o princípio de uma cadeia irreversível de eventos revolucionários. Nada mais anti-libertário que anunciar a revolução por profecias.

GAMA – Grupo de Afinidades de Movimentação Anarquista

https://daslutas.wordpress.com/2015/07/17/para-aqueles-que-cultivam-revolucoes-em-estufa/