outro mundo

(França) Segunda volta das presidenciais este domingo: mudar o mundo não passa pela mudança dos dirigentes


Ingouvernables

Mais de 8 milhões de eleitores exprimiram-se a favor duma politica liberal fluída e demagógica; mais de 7 milhões plebiscitaram um programa baseado na xenofobia e na mentira; 7 milhões deram a sua confiança a um ladrão reaccionário; perto de 7 milhões optaram pela aventura de um populismo de esquerda e muito ficaram contentes por serem fiéis às suas velhas concepções…

A Federação Anarquista não espera qualquer progresso social da segunda volta das presidenciais, qualquer que seja o vencedor, ainda que seja também possível prever que o resultado das eleições não será totalmente equivalente no que diz respeito às liberdades individuais e colectivas, numa época em que cada vez mais ditadores são eleitos.

Contudo, nós sabemos que não haverá emancipação senão graças às lutas sociais e ambientais e à construção de alternativas.

Os anos que aí vêm serão anos ainda de luta contra a xenofobia, contra os recuos sociais por todo o lado onde o patronato, com a ajuda do próximo governo, tentará sempre impor a sua vontade, e contra as medidas liberticidas que se acumulam já há muito tempo.

Mudar o mundo não passa pela mudança dos dirigentes.

Federação Anarquista

(27 de Abril de 2017)

aqui: https://www.federation-anarchiste.org/

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Morreu Belchior, cantor brasileiro, libertário e inconformista


Não quero regra nem nada
Tudo tá como o diabo gosta, tá,
Já tenho este peso, que me fere as costas,
e não vou, eu mesmo, atar minha mão.

O que transforma o velho no novo
bendito fruto do povo será.
E a única forma que pode ser norma
é nenhuma regra ter;
é nunca fazer nada que o mestre mandar.
Sempre desobedecer.
Nunca reverenciar.

Belchior, o cantor inconformista, de canções com letras cuidadas e “de constante denúncia da alienação e da mercantilização do mundo” morreu este domingo em Santa Cruz do Sul.

Nos últimos anos, o movimento libertário brasileiro revia-se na letra das suas canções e na revolta e na denúncia do capitalismo de que elas se faziam eco, como muito certeiramente aponta este artigo publicado há menos de um ano no site brasileiro “Outras Palavras”.

(solidariedade anarquista) Caravana de apoio aos projectos autogeridos na Grécia chega a Atenas


aqui: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10206561859324167&set=pcb.10206561874764553&type=3&theater

Chegada a Atenas da coluna de carrinhas com apoio solidário do movimento libertário internacional aos projectos autogeridos. Fica o testemunho emocionado de Eloise Lebourg, uma das participantes nesta caravana de 26 carrinhas desde França, Suíça, Espanha e Bélgica, no momento da chegada a Exarchia, o bairro anarquista de Atenas:

“É um dos momentos inesquecíveis da nossa existência… aquilo que acabamos de viver permanecerá como um dos mais emocionantes da minha vida… Nós (os 62 transportadores solidários) chegámos ao destino… Depois de voltas à praça a agitar as nossas bandeiras, encontrámos pessoas extraordinárias! Eu chorava através da minha câmara… os camaradas também … há alguns dias não nos conhecíamos mas, eis que acabamos de viver um momento de solidariedade e fraternidade tão intenso que acabávamos nos braços uns dos outros….

Este momento fará perdurar em todos nós a esperança que temos na humanidade… nós os utópicos, os anarquistas, os insubmissos, os zadistas, os okupas… juntos, vamos conseguir.

As crianças são impressionantes, têm já imensos amigos… e pouco importa a língua, pouco importa o percurso… eles já se apoiam e partilham os jogos…

Hoje nós choramos de alegria e recuperámos todas as nossas forças…

Venceremos… disso não há qualquer dúvida…”

Zeca Afonso: ‘Sua canção abriu estradas/ cantou nos campos, cidades,/ nunca nos paços de el-rei’


antitese

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José Afonso (1929 – 1987) foi um cantor de intervenção que sempre suscitou admiração em diversos meios libertários. Sem nunca se ter assumido enquanto tal, os temas escolhidos e a textura da sua poesia, aliados ao facto de nunca ter estado partidariamente alinhado (a não ser temporariamente na LUAR, uma organização que agrupava um grande número de libertários) fizeram com que muitos anarquistas tivessem uma grande simpatia por Zeca Afonso (para além da qualidade da sua música e poesia), reforçada por afirmações deste quando referia ser o seu “próprio comité central” ou o que era necessário era “provocar desassossego”.

Canções como “Utopia”, “Vejam Bem”, “Menino do Bairro Negro”, “Os Vampiros”, “Como se Faz um Canalha”, ou “Os Índios da Meia Praia”, entre tantas outras, foram também hinos muitas vezes cantados e adoptados por libertários – embora o movimento anarquista organizado, nesses anos conturbados do pós 25 de Abril de 1974, tivesse pouca expressão pública e mal se conseguisse distinguir da profusão de seitas m-l que apareceram um pouco por todo o lado.

A solidariedade, a liberdade, a igualdade, a utopia foram palavras e conceitos usados habitualmente por José Afonso e que constituíram sempre palavras importantes no vocabulário anarquista, tornando a identificação das canções do Zeca com o ideário libertário uma constante.

Exemplo desta ligação entre o Zeca e muitos libertários foi o destaque dado pela revista anarquista Antítese, no nº 8 de Fevereiro de 1988 (um ano depois da sua morte), com uma evocação de José Afonso na capa e um poema no interior assinado por Rui (Rui Vaz de Carvalho o editor da revista?), a assinalar a relação fraterna com a obra e a figura do Zeca.

23-2-87
Morreu José Afonso.
Morreu de solidão
24-2-87

Colheu palavras nos prados,
bebeu água em suas fontes,
andou pela chuva dos montes
em busca de um arco-íris.

Do amarelo fez um sol
no meu caderno de infância,
vermelha  a rosa pintou
e espalhou a sua fragância,
do roxo nasceram lírios
nos campos da nossa dor.

Na terra onde nasceu
chamaram-lhe o trovador.

De jogral não se vestiu
nem tampouco usou gravata,
inventou meninos d’oiro
em cada bairro de lata.

Rio acima eis a fragata
de que foi timoneiro
rasgando as águas paradas,
as águas turvas da lei.

Sua canção abriu estradas,
cantou nos campos, cidades,
nunca nos paços de el-rei.

Das ondas duma seara
colheu ele a melodia
e seus versos foram rios
nos campos do Alentejo,
foram lágrimas de raiva
nos olhos da poesia.

Ervas daninhas cresceram
nas terras que ele plantou
e os ventos de toda a sorte
moveram os cataventos,

mas o que mais lhe custou
foi ver o seu povo rendido
às vozes do parlamento.

Viu muita vela enfunada
em busca de novas Índias,
viu poetas e cantores
correrem atrás da fama,

mas o que mais lhe custou
foi ver o povo sem chama
seguindo novos senhores.

E a lua em quarto minguante
descia sobre Azeitão
onde o trovador vivia
distante da sua terra,
em sua terra emigrante.

Rio acima eis a fragata
de que foi o timoneiro
rasgando as águas paradas,
as águas turvas da lei.

Sua canção abriu estradas
cantou nos campos, cidades,
nunca nos paços de el-rei.

Rui

relacionado: http://www.jornalmapa.pt/2017/02/11/panegirico-jose-afonso/

zeca

comit

(para memória futura) Almada, 18 de Janeiro de 1934


ccl

«O concelho de Almada tem então cerca de 23 000 habitantes e a vila pouco mais de 8000, sendo uma parte população flutuante, como nos dias de hoje. A população operária é mais heterogénea em termos sócio-profissionais do que a da Marinha Grande, centro essencialmente vidreiro, ou do que a de Silves, exclusivamente formada por corticeiros.

Em Almada a eclosão do movimento é marcada, na madrugada de 18, pelo corte da linha telefónica e pela sabotagem do cabo submarino entre a Trafaria e Porto Brandão, únicos actos violentos dignos de registo.

Com muitas ou poucas acções espectaculares — menos, em todo o caso, do que as verificadas na vizinha Lisboa, para já não falar da Marinha Grande ou de Coimbra —, os trabalhadores, esses, aderem à greve, ainda que surjam dois comportamentos diferentes.

Trabalhadores há que se apresentam ao serviço, iniciam normalmente a sua actividade às 8.30 e a instâncias de grupos de grevistas que percorrem os locais de trabalho apelando à greve acabam por abandoná-lo e recolher a suas casas. Estão neste caso os operários fabris de Cacilhas, os chauffeurs de táxis que fazem serviço no Largo Costa Pinto, os motoristas das empresas de camionagem que servem todo o concelho e ainda os operários dos estaleiros da Parry & Son.

Outros — o operariado da vila de Almada e o do restante concelho — nem sequer comparecem nos locais de trabalho. Estão neste caso os corticeiros da vila, designadamente os das fábricas Harry Bucknall & Sons, Rankin & Sons, Armstrong & Cork, bem como os que trabalham no Caramujo, Cova da Piedade, Ginjal, Margueira, Banática, Mutela e arredores, ou seja, todos os corticeiros do concelho. E também os operários das fábricas de moagem Aliança e dos Moinhos Reunidos, ambas situadas na Cova da Piedade, os operários dos estaleiros de barcos de madeira da Mutela, os operários de algumas fábricas de conservas, todos os operários da construção civil com obras na Mutela, Cova da Piedade, Porto Brandão, Trafaria, Caparica e Almada, com destaque para os 500 operários que nesta última localidade trabalham então na construção do Arsenal do Alfeite. E o mesmo se passa com os operários de serviços metalúrgicos do concelho e com os operários dos depósitos da Shell, situados na Banática, com os da fábrica de gelo da Companhia Portuguesa de Pesca, no Olho de Boi, e, enfim, com os estivadores e descarregadores de cais.

De uma maneira ou de outra, toda a população industrial do concelho adere à greve. E nem as forças da polícia locais, nem a chegada de 30 praças da GNR, nem a de 40 marinheiros e 2 sargentos da Armada, com os respectivos tenentes, nem as operações de policiamento e de demonstração de força que a sua permanência nas ruas representa — a que se juntará ainda no próprio dia 18 a suspensão do jornal local O Almadense —, levarão a maior parte dos grevistas a apresentarem-se ou a retomarem o trabalho. Apenas os motoristas de camionagem, após terem sido requisitados pelo administrador do concelho, rompem a greve ao fim do dia 18.

Mesmo a 19, se a maioria do operariado retoma o trabalho, alguns impenitentes se mantêm. Os operários corticeiros — com excepção dos da Margueira — e os operários das fábricas de moagem vão permanecer em greve, o que levará à prisão de 24 dos principais dirigentes sindicais do concelho de Almada, e só regressam ao trabalho a 20.»

Maria de Fátima Patriarca, “O «18 de Janeiro»: uma proposta de releitura”, Análise Social, vol. XXVII (123-124), 1993, pp. 1137-1152

aqui: https://www.facebook.com/CentroDeCulturaLibertaria/photos/a.353169281424818.82816.353165078091905/1321681247906945/?type=3&theater

(Portugal) Programa libertário para a construção de uma nova organização social após a II Guerra Mundial


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Ler (em PDF) Os problemas actuais do anarquismo e do sindicalismo

também aqui: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/index.php?option=com_jumi&fileid=12&id=1317

“Opomos ao critério centralista da unidade o princípio libertário da união” escreviam os libertários portugueses em 1945

Com o desenrolar da II Guerra Mundial e a previsível vitória dos Aliados, os antifascistas portugueses, incluindo os anarquistas, estavam, em geral, convencidos de que o regime fascista de Salazar tinha os dias contados. Não foi isso que aconteceu, Salazar – tal como Franco – conseguiu sobreviver à queda de Hitler e Mussolini, mas os sectores oposicionistas festejaram a queda do nazi-fascismo como a antecâmara do fim da ditadura em Portugal.

Preso na Penitenciária de Coimbra e a cumprir uma pena de 16 anos de cárcere por ter sido um dos organizadores e um dos autores do atentado a Salazar, em Julho de 1937, Emídio Santana elaborou um documento onde analisa a situação que se vive em Portugal, o posicionamento dos diversos sectores oposicionistas, a necessidade do reforço da presença anarquista e esboça um programa futuro para a concretização de uma sociedade de características libertárias assente numa Confederação Sindical (a CGT) e numa Confederação de Municípios que cobrisse todo o território, numa aproximação às teses proudhonianas, mais tarde retomadas por Murray Bookchin.

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(5-Nov.) MANIFESTAÇÃO ANTI-ESPECISTA LISBOA & MADRID: MANIFESTO


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(LISBOA) SÁBADO, 5  NOVEMBRO – 15H – ROSSIO

No próximo dia 5 de Novembro, sairemos à rua para visibilizar e denunciar a exploração e o enclausuramento a que milhões de animais não-humanxs estão submetidxs. Não podemos continuar a ignorar o sofrimento que a nossa sociedade lhes provoca como se não fossem seres merecedorxs de respeito e liberdade.

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