Porto

(Porto) Este sábado vai-se falar de decrescimento


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CONVITE

O DECRESCIMENTO VEM AO PORTO

7 de Julho, duas sessões: Espaço Gazua e Gato Vadio

Descobrimos, nas últimas semanas de preparação deste encontro, que o decrescimento é um tema que já vinha interpelando muitos de nós. Esse interesse contrasta com a religião laica do crescimento diariamente praticada pelo Estado e pelos meios de comunicação. Embora aparentemente incontestada, essa crença expõe hoje a sua falência nos planos ecológico, sócio-económico e simbólico.

Ao longo dos anos, disseram-nos que vivíamos numa sociedade miraculosa, onde o crescimento tudo assegurava: o bem-estar e a igualdade de oportunidades, a democracia e a sociedade de consumo para todos. A nenhum de nós escapa que tudo isso está na iminência de se perder, embora os sacerdotes do «Crescimento» continuem a invocar os mesmos deuses. E como acontece com as divindades que já não parecem capazes de operar prodígios, estas começam a pedir-nos sacrifícios, enquanto tudo se torna mais caótico, mais imprevisível e presa de novos «homens fortes».

Podemos contrariar o enlouquecimento geral trazido pelo fim iminente da «sociedade de crescimento» que as fontes energéticas fósseis instalaram e agora já não podem assegurar. Podemos ainda travar a destruição, hoje extrema, dos ecossistemas de que os humanos dependem. Podemos criar alternativas à entrada da sociedade na desigualdade nunca antes vista, nos autoritarismo e nacionalismo crescentes, na xenofobia, na guerra e no fascismo tecnológico. E, mudando de rumo, podemos construir vidas felizes mesmo sabendo que os recursos disponíveis serão menos abundantes a breve prazo.

Ao contrário da globalização, o decrescimento viceja na pequena e na média escala: nas bio-regiões, nas comunidades locais, nos circuitos de proximidade, na resiliência dos espaços locais e regionais. Por isso convidámos os nossos amigos da «Rede Decrecemento Eo-Navia, Galiza, O Bierzo». São nossos próximos no ecossistema, na língua, nos problemas partilhados. Queremos conhecer a origem, o percurso e os objectivos dessa rede de decrescimento. Queremos, também aqui, construir redes de decrescimento.

Eis o programa:

Sábado, 7 de Julho, às 16h, no Espaço Gazua (Rua João das Regras, 151):
Apresentação da Rede de decrecemento Eo-navia, Galiza i O Bierzo e do 1º Congresso do Decrescimento.
Debate sobre bio-regiões, redes de resiliência e organização de iniciativas de decrescimento, com Álvaro Fonseca, Iolanda Teijeiro Rey e Miguel Anxo Abraira.


7 de Julho, às 21h30, no Gato Vadio (
Rua do Rosário, 281):
O decrescimento: escolha colectiva ou inevitabilidade? Um debate com Jorge Leandro Rosa, Miguel Anxo Abraira e Iolanda Teijeiro Rey.

(Participantes: Álvaro Fonseca, activista eco-social,  ex-docente universitário na área das ciências da vida, Portugal; Jorge Leandro Rosa, ensaísta e tradutor, membro da direcção da Campo Aberto, Portugal; Miguel Anxo Abraira, activista do decrescimento, Associação Véspera de Nada, Galiza; Iolanda Teijeiro Rey, activista do decrescimento, Galiza)

Página do evento (em constante actualização):         

https://www.facebook.com/events/217635588847920

Novo espaço okupado no Porto: o que retomamos é apenas uma parte do que nos pertence!


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Decidimos ocupar um espaço abandonado há anos, onde nos possamos auto-gerir, sem hierarquias nem delegações, sem pedir autorização às instituições e sem negociarmos com elas, recusando assim qualquer tipo de autoridade por ser um obstáculo à livre expressão individual e colectiva e às livres relações sociais.

Num momento em que o Porto é devorado por obras faraónicas de limpeza social, é fundamental afirmar que não queremos portuenses elegantes e servis, cuja única função seja fazer parte do menu a ser devorado por imobiliárias, empresas e agências turísticas em ambiente limpo e pitoresco, desprovido de qualquer conflito social. Por isso, resolvemos organizar-nos a partir das contradições que nascem das profundas transformações quotidianas da nossa cidade.

Através da prática da ocupação queremos expressar uma maneira diferente de ver a vida e os relacionamentos humanos, rompendo com a lógica do lucro que as grandes corporações, abutres nacionais e internacionais guiados e aconselhados por hienas locais que os legitimam, conseguiram impor a todos os recantos da existência. Queremos auto-gerir as nossas vidas, os nossos espaços, as nossas necessidades, de forma diferente dos cânones impostos pelo sistema atual.

E queremos retomar os bairros cujas gentes são, a cada dia, brutalmente expulsas e varridas nesta verdadeira fábrica de turismo. Que esta ocupação seja também uma resposta que produza um conflito criativo contra a homologação dominante da cidade-montra, falsa, feita para o entretenimento rápido e temporário.

Queremos ter um espaço onde nos possamos confrontar com debates e projeções sobre os temas que nos são mais queridos, para prosseguirmos com questões como a crítica anti-capitalista, anti-racista, anti-machista e anti-autoritária, organizando lutas fora de partidos, sindicatos, ou outro tipo de organizações institucionais, cuja existência serve mais para branquear o saque legal do que para lutar pelas suas vítimas.

Queremos experimentar colectivamente através dos valores da solidariedade e da partilha, lendo livros numa biblioteca à disposição de toda a gente, praticando desporto ou assistindo a um filme sem o custo de um bilhete, festejando e partilhando ideias e práticas em assembleias horizontais… momentos que neste mundo capitalista não conseguem encontrar espaço. Um laboratório onde qualquer pessoa possa realizar os seus projectos e ideias de maneira livre.

Com essas atividades queremos envolver o bairro e a cidade, através da solidariedade e do apoio mútuo, mas sem qualquer propósito de caridade. Para que este espaço seja, portanto, um local restituído à colectividade, libertado da inutilização e do abandono, um local onde não se faz lucro.

À cidade “European Best Destination”, com um centro embelezado que esconde a miséria em que vive todos os dias as suas gentes, queremos contrapor outra cidade, feita de solidariedade, conflito social e iniciativas culturais, fora das lógicas capitalistas que este sistema nos quer impor.

Cada nota saída de uma coluna num concerto, cada palavra pronunciada numa assembleia, cada bocado de energia gasto na construção de um espaço ocupado tem como objetivo apoiar as lutas de quem imagina uma sociedade livre de prisões, sejam elas materiais ou mentais. Nesse sentido, esta ocupação não podia deixar de aproveitar para enviar uma abraço solidário à C.O.SA. (Casa Ocupada de Setúbal Autogestionada) neste momento em que faz 17 anos de existência e vê apertar-se o cerco do despejo. Como não poderia deixar de desejar felicidades e um futuro fértil à À da Maxada e à Assembleia de Ocupação de Lisboa.

Um espaço ocupado e auto-gestionado não vende sonhos de liberdade — tenta materializá-los e expandi-los.

O QUE RETOMAMOS É APENAS UMA PARTE DO QUE NOS PERTENCE!

https://atravessaokupada.noblogs.org/

Por uma Rede de Solidariedade Popular: a miséria ainda mata na zona histórica do Porto.


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Já são vários os casos de morte de pessoas sem-abrigo na área do Porto. À fome, à miséria, alia-se a morte. Para evitar que mais casos aconteçam, a Associação Terra Viva lança um apelo para a constituição de uma Rede de Solidariedade Popular, que através do voluntariado e do apoio-mútuo possam ajudar todos os que necessitam. Fica o apelo às gentes do Porto e de todo o país. Para vencer a miséria e encontrar perspectivas revolucionárias de transformação da vida e do mundo – o apoio-mútuo e a solidariedade são essenciais.
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O caso do “Toni”
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Janeiro de 2017 Antero Pina, conhecido como “Toni”, cabo-verdiano de 71 anos, ex-mineiro no Pejão e na Panasqueira, sem-abrigo (a não ser precário), andava desaparecido. desde o princípio do ano, dos locais habituais onde parava. Albergado temporariamente numa dependência da Terra Viva (associação de ecologia social ) na rua da Vitória, de que tinha a chave e onde tinha uma cama, roupa e um pequeno fogão camping-gás, esperava agora que alguns problemas se resolvessem, nomeadamente o seu possível acesso a uma pensão de reforma (já que tinha trabalhado em Portugal desde 1973 ) e a possível instalação num quarto de uma pensão na proximidade – já que o seu estado de saúde já não lhe permitia grandes caminhadas. Ultimamente só conseguia andar com a ajuda de uma “canadiana”.
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Quando no início de janeiro tentámos falar com ele na Terra Viva, já que tínhamos recebido a informação da técnica da instituição que também o apoiava (SAOM) de que finalmente tinham conseguido arranjar-lhe um quarto numa pensão, percebemos que já há alguns dias não dormia no sítio habitual e resolvemos lançar um apelo num folheto (em cima) que distribuímos para que nos pudessem informar do seu paradeiro. Também contactámos na altura as urgências dos hospitais do Porto mas não havia registada qualquer entrada em seu nome.
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Tínhamos conseguido obter-lhe o passaporte no Consulado de Cabo-Verde no Porto, tínhamos guardado o original para que não o perdesse e tínhamos-lhe passado uma fotocópia do mesmo, além de termos contactado com Cabo-Verde para que lhe enviassem um atestado de registo criminal ( o que conseguimos) sem o qual ele não poderia ter acesso aqui a medidas de apoio social a que teria direito.
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Depois de várias tentativas para o encontrar, finalmente veio a má notícia: o Antero fora entretanto encontrado caído na rua, desacordado, ferido na cabeça, e levado para a urgência do Hospital de Santo António, faleceria alguns dias depois… Como não tinha consigo na altura qualquer identificação, não nos deram qualquer informação quando lá a tentámos obter…
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Inicialmente abrigado num edifício vazio na Rua dos Caldeireiros de onde acabaria por ser despejado pelo proprietário, o Antero durante dois anos andou a deambular por aí, chegando a ter sido albergado numa pensão na Rua 31 de Janeiro – de onde foi mandado embora por ter tentado cozinhar no quarto – e não chegou a ir para a pensão do Carregal (que tinha sido contactada por nós e pelo SAOM ) porque lá “não admitiam a entrada a pretos”(…!) facto que denunciámos publicamente na altura. Neste caso a MISÉRIA teve também os nomes de RACISMO a somar ao da usual BUROCRACIA institucional…
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18 de Março 2016: O caso do Manuel Coelho
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O Manuel Coelho, antigo mineiro nas lousas em Valongo, um dos cerca de 40 “sem-abrigo” que em 2010 tinham ocupado o então abandonado e semi- arruinado “Mercado do Anjo” (onde é agora o centro comercial dos Clérigos) tinha regressado há pouco de Espanha por onde tinha tentado arranjar algum trabalho. Não o tendo conseguido, voltou ao Porto e em meados de Janeiro de 2016 abrigou-se inicialmente com outros amigos numa antiga “ilha” da Rua dos Caldeireiros, de onde acabou por sair para uma casa abandonada perto do jardim da Cordoaria. Uma noite de Março, ao passar pela garagem do centro comercial dos Clérigos teve uma discussão com um dos seguranças da “Líder” que o atacou violentamente. Em resultado disto foi parar à urgência do Hospital de Santo António onde veio a morrer das pancadas que recebera na cabeça…
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Outros casos anteriores
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De entre os “sem-abrigo” que tinham participado em 2010 na “ocupação” das ruínas do antigo Mercado do Anjo, pelo menos 3 acabaram por morrer na rua (um deles abandonado no que restava daquelas ruínas, antes das obras de renovação do local), já que os apoios sociais a que teoricamente teriam direito nunca chegaram a funcionar verdadeiramente ou a ser-lhes acessíveis. Não deveremos esquecer que grande parte destas pessoas são atingidas por hábitos de alcoolismo e de consumo de drogas- único escape que conseguem à miséria da vida que têm – e que na maioria dos casos, as instituições ditas de “solidariedade social” aqui existentes na zona histórica e central do Porto não têm pessoal profissional suficiente, preparado e à altura de lidar com este tipo de população carenciada – que necessita mais de relações de fraternidade, apoio mútuo e de compreensão do que de “bitaites”e sentenças muito “técnicas” atiradas do alto do cavalo…
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POSSÍVEIS SOLUÇÕES?…
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Para que não mais pessoas morram ao abandono pelas ruas como o “Toni”, o Manuel e tantos outros, a solução não será certamente contar apenas com VOLUNTÁRIOS… Mas TAMBÉM! Há em muitos locais, instituições, associações, grupos informais, entre os vizinhos, pessoas mais sensíveis às dores das restantes, que organizando-se, relacionando-se, como uma REDE LOCAL DE SOLIDARIEDADE POPULAR , poderão ser muito mais eficientes no apoio às demais do que algumas estruturas e organizações cujo principal objetivo parece ser mais mascarar a realidade, esconder a pobreza e servir-se dela do que servir verdadeiramente a causa dos mais pobres e necessitados.
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DAÍ ESTE COMUNICADO TRAZIDO ATÉ VÓS PARA QUE NOS POSSAM CONTACTAR E POSSAMOS EM CONJUNTO LEVAR À PRÁTICA ESTA IDEIA.
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Grupo de Trabalho Solidariedade Social da TERRA VIVA!/Terra Vivente- Associação de Ecologia Social
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Porto, 16 de Janeiro 2017
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Telem.: 961449268 / 938896091
Telef.:223324001

Quando a política [a]condimenta as iguarias: Avillez no Round Tables 2016 em Telavive.


Na sexta-feira, no Porto, um restaurante de José Avillez foi atacado em resposta à participação do chef no Round Tables, um festival gastronómico em Tel Aviv. Para além da tinta vermelha espalhada na fachada, foram colados nas portas e janelas vários papéis em que se podia ler “Liberdade para a Palestina”, “Avillez colabora com a ocupação sionista” e “Entrada: uma dose de fósforo branco”.

(mais…)

(Porto) Concentração em solidariedade com Maria de Lurdes


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Este sábado, no Porto!

Fotos de Mar Velez

sobre este caso: https://wordpress.com/post/colectivolibertarioevora.wordpress.com/17059

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2016/10/23/algumas-fotos-da-vigilia-pela-liberdade-de-maria-de-lurdes-esta-sexta-feira-2110-em-lisboa/

https://www.facebook.com/groups/1126506747443601https://www.facebook.com/groups/1126506747443601

(Porto) Solidariedade com a ZAD de Notre-Dame-des-Landes (pt/fr)


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(texto que nos foi enviado por email fazendo-se eco duma acção de solidariedade com a ZAD de Notre-Dame-des-Landes efectuada esta madrugada contra a representação, no Porto, da empresa VINCI,  envolvida na tentativa de construção do aeroporto que os membros da ZAD contestam. A foto é duma acção antiga em França.)

versão em português

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(memória libertária) O Movimento Libertário Portuense à Luz do periódico – A Aurora (1910-1919)


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Um trabalho universitário de Manuel Carvalho Ferreira Cruz, já de 2012, mas com muito interesse para se conhecer o movimento libertário e operário da cidade do Porto entre 1910-1919.

Abre com uma citação de Elisèe Reclus:

“A historia, por mais longe que remontemos na sucessão das edades, por mais diligentemente que estudemos em volta de nós as sociedades e os povos, civilizados ou barbaros, policiados ou primitivos, a historia diz-nos que toda a obediencia é uma abdicação, que toda a servidão é uma morte antecipada; ella diz-nos tambem que todo o progresso se effeetuou em proporção da liberdade dos individuos, da egualdade e do expontaneo accordo dos cidadãos; que todo o seculo d’invenções e descobrimentos foi um seculo, durante o qual se achava engraquecido pelas rivalidades o poder politico e religioso, e a iniciativa humana pudéra encontrar uma brecha para insinuar-se, como uma tufo d’hervas crescendo atravez das pedras desunidas d’um palacio. As grandes epocas do pensamento e da arte que se seguem com longos intervallos durante o curso dos seculos, a epoca atheniense, as da Renascença e do mundo moderno, tomaram sempre a sua seiva originaria em tempos de lutas incessantemente renovadas e de continua “anarchia”, offerecendo pelo menos aos homens energicos o ensejo de combater pela sua liberdade”. Elisèe Reclus, O que nos diz a História.

Aqui: https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/66256