povos indigenas

Povo Ka’apor: mensagem de solidariedade para com a luta popular curda


Guerreras y guerreros del pueblo kurdo: Mensagem de solidariedade internacional from Internationalist Commune on Vimeo.

Mensagem de solidariedade internacional da liderança do Conselho de Gestão Ka’apor, Itahu Ka’apor, em nome dessa etnia indígena no Brasil com a luta popular curda pela livre autogestão e determinação dos povos:

“Guerreiras e guerreiros do povo curdo,

nós, povo Ka’apor do Maranhão (Brasil) estamos convosco pela autonomia, autogestão e autodeterminação. O capitalismo, a intolerância e a violência contra nós não pode parar a resistência na defesa da nossa cultura, da nossa forma de viver e do nosso território étnico e cultural. Repudiamos todas as formas de agressão do imperialismo e os modelos políticos e culturais que nos querem impôr. Pela livre autogestão e determinação dos povos. Abraços de muita resistência. Conselho de Gestão Ka’apor”

(Equador) Apelo à solidariedade com o Povo Shuar na luta contra a indústria extractivista 


ecuador_sin_mineria

A carta que publicamos em seguida foi enviada ao meios libertários e alternativos de todo o mundo por uma companheira que vive numa comunidade indígena na selva amazónica equatoriana e em que apela à solidariedade urgente contra o extractivismo que continua a ser a actividade dominante de vários regimes da América Latina, ocupando as terras das comunidades indígenas e reduzindo-as à aculturação e à miséria.  Esta nossa companheira – que prefere não ser identificada devido à possibilidade de represálias – é socióloga, antropóloga e libertária. Em várias ocasiões já serviu de negociadora entre os povos Shuar e Huaurani e o governo equatoriano de Rafael Correa.  Hoje, como sempre, o anarquismo é o grande aliado dos povos indígenas e o movimento libertário internacional a quase única garantia de que a sua voz é ouvida. Partilhamos esta carta, solidarizando-nos com o Povo Shuar e exigindo que a sua identidade e as suas terras sejam integralmente respeitadas e convidamos todos os libertários a somarem a sua voz à nossa na denúncia dos novos (?) regimes latino-americanos cujo programa parece não ser mais do que o extermínio dos povos indígenas que se oponham ao modelo extractivista.

Versão em Castelhano (aqui)

(mais…)

(nota de leitura) O Homem Verde


homemlivre

Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.

Manoel de Barros, Beco da Marinha, beira do rio Cuiabá

*

Filipe Verde, um antropólogo português, escreveu O Homem Livre (Ed. Angelus Novus, 2008) sobre os Bororo e a sua filosofia de vida. Sobre o que resta da sua cultura, sobre as suas ruínas, porque, em se falando de sociedades ameríndias, é disso que se trata. Mas aprendemos sobretudo neste livro sobre “naturalismo ético”, sobre como se pôde renunciar à violência perscrutando a natureza. Diz Verde: “a compreensão da natureza é aquilo a que nós chamamos “moral”. Uma moral que está presente, e como!, de uma forma que permite conciliar o inconciliável: enorme liberdade individual com uma ordem e paz social que roça a nossa ideia de utopia, mas uma moral que nunca se formula como tal. É uma moral do mesmo tipo que encontramos na Grécia de Homero, antes de Sócrates e Platão a terem tornado uma coisa prescritiva, e de a moral se ter casado com a religião e com a filosofia, que a ergueram contra a natureza e nos tornaram muito inautênticos, cada vez menos livres. E muito neuróticos.”  (Entrevista ao Jornal Público, 09-09-2009)

A fotografia da capa é de Claude Lévy-Strauss, retirada dos seus famosos Tristes Trópicos (por vezes parece-me um dos livros mais inteligentes e comoventes escritos no século XX), que tem um capítulo dedicado aos Bororo.

Luís Serra, Évora