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Quando as paredes falam: Árgea, 1975


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Árgea (Torres Nova), 1975 – foto inserida no livro “Crescem Flores Onde Estiveres” (sobre a vida de Joaquim Alberto, cooperativista, fundador da Comunal de Árgea, ex-seminarista e ex-militante da LUAR,  contada por ele próprio), recentemente editado pelo jornal “O Riachense”

Sobre a Comunal de Árgea:

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2016/05/24/comunal-de-argea-nao-viemos-para-um-convento-isto-e-uma-militancia/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2015/02/07/a-outra-reforma-agraria-unir-terras-unir-pessoas/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2017/02/03/comunal-de-argea-uma-experiencia-cooperativa-do-tempo-do-prec-revisitada-pela-arte/

Relacionado:

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/04/12/um-texto-anarquista-produzido-de-dentro-da-reforma-agraria-em-portugal-1976/

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Comunal de Árgea, uma experiência cooperativa do tempo do PREC revisitada pela arte


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A Comunal de Árgea (1975-1977) foi uma Cooperativa de Produção Agrícola constituída numa pequena localidade do concelho de Torres Novas por um conjunto de jovens, oriundos de diversas experiências, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974. A ideia era associar terras e associar gentes, de forma cooperativa e autogestionária onde, apesar de haver militantes da LUAR, do PRP e de outras organizações, o espírito que se vivia era intensamente libertário e experimentalista.

Agora Árgea e a sua experiência saltaram para o campo da arte e tornaram-se espaço de perfomance. De quarta-feira até este sábado, Nova Árgea, de André Guedes, toma o palco do Maria Matos, em Lisboa, no ciclo “Utopias”. Sábado, às 19,30 horas, entre duas apresentações do espectáculo, haverá um debate entre o artista e alguns dos antigos membros da cooperativa, Carlos Clara, Pedro Fazenda e Manuela Fazenda.

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Numa reportagem de Alexandra Lucas Coelho, o “Público” falou com Manuela Fazenda e reconstituiu uma parte do imaginário vivido por aquele grupo de jovens, intervenientes políticos, que partilharam as experiências vividas em Árgea.

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“O Intervalo”, de Ferreira de Castro, relata insurreição anarquista de 1933 em Espanha  e o massacre de Casas Viejas


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A Humanidade está vivendo um intervalo entre o velho mundo que apodreceu e o novo mundo que nós desejamos e há-de vir. É um intervalo terrível, com grandes sofrimentos para muitos. (Os Fragmentos, p. 194)

O livro “Os Fragmentos” de Ferreira de Castro foi publicado já depois do 25 de Abril de 1974, algum tempo depois da morte do autor, reunindo alguns textos escritos muitos anos antes e que foram censurados (um texto baseado nos apontamentos de reportagem para o Século sobre a Mina de São Domingos, nos finais dos anos 20 e uma crónica de Natal para o mesmo jornal que não chegaram a ser publicados) e uma novela, “O Intervalo”, escrita em 1936, ano do início da guerra civil em Espanha e que, devido à censura, também nunca fora publicada.

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ÉVORA: QUANDO AS PAREDES FALAM (5)


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Desde sempre uma das palavras de ordem dos anarquistas tem sido ” A terra a quem a trabalha”. Na revolução mexicana, depois na revolução russa, sobretudo nos campos da Ucrânia, sob a influência da guerrilha de Nestor Makhno, depois na revolução espanhola, em que a vontade revolucionária do povo colectivizou terras e fábricas, sempre os anarquistas estiveram na linha da frente para acabar com a propriedade privada ou estatal da terra, o salariato ou a submissão dos trabalhadores do campo aos de outros sectores produtivos.

Em Portugal, grande parte das ocupações de terras em 1975 foi feita à margem das estruturas partidárias, embora o PCP, com o oportunismo que sempre o caracterizou, tenha feito toda a propaganda possível para passar a ideia de que a ocupação de terras em Portugal terá sido, apenas e só, obra sua. Não é verdade. Houve em todo esse movimento que envolveu dezenas de milhar de operários agrícolas muita gente sem partido, muitos trabalhadores sérios e empenhados em mudar a vida e o mundo, outros militantes de outros partidos, gente do PCP também, claro, mas reduzir esse vasto movimento, como os comunistas pretenderam fazê-lo, a uma obra apenas sua, para além de ridículo é uma mentira pegada.

Esta evocação dos 40 anos da Reforma Agrária (foto) apareceu recentemente escrita junto à rotunda que vai para Alcáçovas, em Évora, assinada com o A dos libertários e é mais uma homenagem aos homens e às mulheres que, à margem dos partidos, souberam sonhar e pôr no terreno, entre muitas traições e muitos compromissos político-partidários, esse velho sonho libertário de que a terra deve pertencer a quem a trabalha!

A questão da terra


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Filipe Nunes,  Castro Verde (*)

Dois acontecimentos em 2014 justificariam um olhar sobre aquela que foi a grande bandeira de Abril no Sul: a Reforma Agrária. Ou numa denominação mais neutra sobre a Questão da Terra. Refiro-me ao caso dos rendeiros da Herdade dos Machados (Moura) e às últimas empreitadas do regadio do Alqueva.

A expressão mais conhecida da contrarreforma agrária de Sá Carneiro fora precisamente a “entrega de terras” em 1980 nos Machados, tirando benefício do fosso aprofundado desde o início entre pequenos e médios agricultores e os trabalhadores agrícolas já então acantonados nas Unidades Colectivas de Produção (UCP).

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A ‘outra’ Reforma Agrária: unir terras, unir pessoas


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Jornal “Combate” de 16/5/1975

As primeiras ocupações de terras deram-se no Alentejo em finais de 1974. Terá sido o início da Reforma Agrária, surgida como reacção ao abandono das terras pelos latifundiários, muitos deles ligados ao regime fascista, que após o 25 de Abril de 1974 fugiram para o Brasil, Espanha ou outros países. A ocupação de terras, no Alentejo e no Ribatejo, surgiu quase sempre como uma reacção à falta de trabalho e ao desemprego. Teve o apoio dos Sindicatos Agrícolas criados nessa altura por iniciativa do PCP, partido que depois reivindicou e instrumentalizou como sua a Reforma Agrária e a ocupação de terras – na maior parte dos casos estas ocupações foram feitas com o apoio das forças armadas -, estando Álvaro Cunhal sempre presente nas chamadas conferências da Reforma Agrária realizadas em Évora a partir de 1976, em que fazia o discurso de encerramento,. Este é o cenário geral, construído e divulgado na altura, mas que, embora correspondendo ao quadro geral, não abarca a totalidade daquilo a que se pode chamar o movimento da Reforma Agrária, uma vez que houve muitas cooperativas no Alentejo e Ribatejo identificadas com outras visões e espaços políticos (PS, UDP, etc.) ou mesmo sem alinhamentos político-partidários.

Houve também outras cooperativas, com maior expressão a norte do Tejo – Torrebela, Árgea, Barcouço, entre outras -, que se definiram por posicionamentos diferentes, geralmente ligados a sectores autogestionários  e – diríamos hoje, assembleários e de democracia directa – com uma grande carga de motivação transformadora da vida, herdeira de Maio de 1968 e de outros movimentos alternativos, em que para além do trabalho em comum se perspectivava uma vida comunitária – muito em linha daquilo que hoje são as Cooperativas Integrais.

Sobre a Cooperativa da Torrebela há filmes e uma literatura razoavelmente abundante, mas sobre a Comunal de Árgea (Torres Novas) e sobre a Cooperativa de Barcouço (Coimbra) existe muito menos documentação. No entanto, o extinto jornal “Combate” publicou dois artigos interessantes sobre estas cooperativas, em que a já dissolvida organização política LUAR teve alguma presença, mas em que dominava o pensamento libertário e antiautoritário, mesmo que não assumido exactamente nesses termos. Mas em várias delas participaram e foram activos elementos que, já na altura, se afirmavam como libertários ou anarquistas. Eram cooperativas que não se reviam na estrutura e no movimento dominado pelo PCP e que chegaram a criar canais de distribuição comuns – mercados próprios em Setúbal e Lisboa – e formas estreitas de relacionamento.

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artigo no ‘Combate’ sobre a Comunal de Árgea: http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=07961.023

um testemunho: Comunal de Árgea: uma cooperativa do pós-25 de Abril inspirada no Maio francês de 1968

artigo no ‘Combate’ sobre a Cooperativa de Barcouço: http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=07961.041

relacionado: A sementeira 1 (1977) – Algumas notas acerca das cooperativas agrícolas

 

sobre a Torrebela: