Revolução Espanhola

(20 de Janeiro de 1937) Em solidariedade com a revolução espanhola: anarquistas portugueses sabotam ministérios e empresas colaboracionistas com Franco


 

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Foi há 80 anos. Em solidariedade com a Revolução Espanhola e contra o governo e os grupos que em Portugal colaboravam com o fascismo espanhol, uma vaga de actos de sabotagem, realizada por grupos anarquistas, na noite de 20 e na madrugada de 21 de Janeiro de 1937, mostrou que era possível ir além das meras palavras de circunstância.

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(Efeméride) A participação anarquista no governo durante a guerra civil espanhola


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Há 80 anos tomavam posse em Espanha quatro anarquistas como ministros. Estava-se em plena Guerra Civil, Madrid sitiada, e o movimento libertário espanhol, quase sem excepções, decidiu que destacados membros da CNT e da FAI integrassem o governo de Largo Caballero, dirigente da UGT. A experiência durou poucos meses – até Maio de 1937, quando os membros do Partido Comunista na Catalunha tomaram os anarquistas como alvo, desencadeando violentos confrontos em Barcelona contra o movimento sindical e operário -, embora largas dezenas de militantes anarquistas tenham integrado, nesse período, por exemplo, também o governo catalão e fossem presidentes e vereadores em diversos municípios. O debate provocado por esta situação, excepcional no movimento libertário (embora com precedentes), ainda hoje se mantém – e com uma profunda actualidade, dadas as experiências recentes de confederalismo libertário em Rojava, pela mão do movimento revolucionário curdo, algumas experiências de auto-governo zapatistas ou mesmo certas posições recentes de alguns sectores do movimento libertário chileno.

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Os ministros Jaume Aiguadé i Miró, sem pasta (ERC), Federica Montseny, Saúde (CNT), Juan García Oliver, Justiça (CNT) e Anastasio de Gracia, Trabalho (PSOE), em Outubro de 1936.

Renunciar a tudo menos à vitória

Julián Vadillo, historiador(*)

A 4 de Novembro de 1936 aconteceu um facto extraordinário na história. Nesse dia, numa Madrid sitiada pelas tropas que se tinham sublevado contra a República a 18 de Julho de 1936, o governo de Largo Caballero foi remodelado.

E, pela primeira vez na história, esse governo teve ministros anarquistas. Juan García Oliver como ministro da Justiça, Federica Montseny como ministra da Saúde e Assuntos Sociais, Juan Peiró como ministro da Indústria e Juan López como ministro do Comércio.

Os eternos inimigos do Estado e do governo, o movimento operário que tinha protagonizado lutas contra qualquer espécie de autoridade, aceitavam ter cargos de responsabilidade no governo republicano devido àqueles tempos de Guerra Civil.

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(livro) A solidariedade transfronteiriça no apoio aos refugiados espanhóis durante a Guerra Civil


Foi apresentado publicamente no passado sábado em Barrancos o livro da investigadora Dulce Simões “A Guerra de Espanha na Raia Luso-Espanhola” onde se relata a fuga para Portugal de grupos de refugiados, no início da guerra civil espanhola, para escaparem aos pelotões de fuzilamento dos generais golpistas espanhóis.

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(Agosto de 1936) ‘A matança de Badajoz’ foi o maior massacre da Guerra Civil Espanhola


 

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No dia 14 de Agosto de 1936  e nas duas semanas seguintes foram mortas milhares de pessoas (segundo algumas estimativas cerca de 10 mil), a maioria fuziladas na antiga Praça de Touros.

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Ontem como hoje, a CNT reivindica a luta pela Revolução Social


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Num acto público realizado esta terça-feira frente ao monumento “la Huella”*, em Bilbao, no País Basco, a CNT** recordou todas as mulheres e homens que enfrentaram a ditadura franquista “desde o primeiro dia até ao último”. “Elas e eles mostraram-nos que a Revolução Social, a partir dos de baixo e contra os de cima, era tão possível como necessária. Só fazia falta coragem, dignidade e compromisso”, destacou a central anarcosindicalista.

Nesse sentido, a CNT reivindicou a luta de todas e de todos os seus militantes “a favor de uma sociedade radicalmente livre e justa. Dito de outra maneira, de uma sociedade construída com os pilares do comunismo libertário”. “O vosso caminho continua a ser o nosso”, precisou.

Ainda assim, a organização anarcosindicalista recordou que os vários governos surgidos depois da morte do ditador Franco “foram garantes da impunidade para os criminosos franquistas”. “Também o foram os partidos que se diziam de esquerda e que na mal chamada transição optaram por trair os seus companheiros e companheiras, em troca de uma falsa paz social que não foi outra coisa senão esquecimento e impunidade”, sublinhou.

Por último, a CNT reafirmou o seu compromisso com a luta por outro modelo social. “Hoje, como ontem e amanhã, estamos nas ruas e nos locais de trabalho, defendendo os direitos da classe trabalhadora, sempre com uma meta e um objectivo muito claros: construir uma sociedade livre, sem escravos nem exploradores”, apontou.

* Monumento no Monte Artxanda, de homenagem aos gudari (combatente, guerrilheiro, em basco).

** Confederação Nacional do trabalho (CNT) – Central sindical anarcosindicalista presente há mais de 100 anos no território espanhol e um dos grandes protagonistas da Revolução Espanhola iniciada em 1936.

aqui: http://www.alasbarricadas.org/noticias/node/36715

“A las barricadas” em curdo para homenagear as revoluções espanhola e de Rojava


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Para assinalar o 80º aniversário da Revolução espanhola e também o 4º aniversário da Revolução em Rojava foi gravada recentemente uma versão em curdo do hino “Às barricadas” e hoje colocada na internet.

Esta versão curda foi gravada em Qamislo, Rojava, por elementos do Centro de Arte e Cultura Mohamed Sêxo. Os participantes na gravação do hino da CNT em curdo referem que “o que aconteceu em Barcelona a 19 de julho de 1936 repetiu-se 76 anos depois. A nossa revolução começou em Kobane e tivemos que colocar a nossa mais forte resistência na sua defesa. Inúmeros camaradas morreram para defenderem a cidade dos fascistas, tal como inúmeros camaradas deram a vida na Catalunha e em Espanha. O espírito da Barcelona revolucionária vive nas ruas das cidades e vilas de Rojava”.

A principal mudança nesta nova versão torna a letra explicitamente feminista associando-lhe o verso:

“Freedom, autonomy and women’s liberation
Must be defended as the most precious values

através de https://www.facebook.com/WorkersSolidarityMovement/

(memória libertária) E a 18 de Julho estalou a revolução em Espanha


cartaz revolução espanhola

Assinala-se por estes dias o 80º aniversário do levantamento popular contra o golpe de Estado que pretendia substituir, em Espanha, a República por um regime fascista. Face à sublevação das tropas, os trabalhadores, organizados, sobretudo na CNT anarco-sindicalista (mas também na socialista UGT), e com uma forte presença dos grupos anarquistas da FAI, opuseram-se ao golpe, assaltando os quartéis e os postos da polícia, detendo os militares sublevados e transferindo o poder para os sindicatos. Começou assim a Guerra Civil em Espanha, que depressa – também muito por acção dos anarquistas – se transformou numa autêntica Revolução Social. Embora numericamente numerosos, os libertários depressa ficaram encurralados: tinham de um lado as tropas fascistas, lideradas por Franco, e do outro a tenaz comunista, a soldo de Moscovo e de Stalin que a última coisa que queriam era uma vitória dos ideais libertários em Espanha. Logo em Maio de 1937, os comunistas viram as suas armas contra os anarquistas, em Barcelona (episódio descrito magistralmente por George Orwell no seu livro “Homenagem à Catalunha”), tentando destruir a influência libertária na região catalã. Apesar destes confrontos, que enfraqueceram a capacidade de resposta às tropas fascistas, nos campos e nas cidades mantém-se a força colectivizadora do operariado e dos camponeses espanhóis que durará até ao fim da guerra, em 1939. A repressão franquista sobre o movimento operário e anarquista é cruel e marca o fim da influência do movimento libertário, durante muitos anos dominante no sul da Europa. Um movimento que tem vindo a renascer nas últimas décadas, a recompôr as suas fileiras e a integrar novos desafios. Por isso, ao celebrarmos os 80 anos da revolução espanhola estamos a falar do futuro, da construção de um mundo novo que continua a habitar os nossos corações, como dizia – há 80 anos atrás –Buenaventura Durruti. Uma necessidade tão premente hoje como nessa altura. Ou talvez mais.

Para assinalar esta data traduzimos o artigo abaixo da autoria do historiador Julián Vadillo Muñoz e publicado no Diagonal Periódico (versão online)

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80º ANIVERSÁRIO DO GOLPE DE ESTADO CONTRA A REPÚBLICA

E a 18 de Julho estalou a revolução em Espanha

Julián Vadillo Muñoz, historiador

 “(…) a crença de que as causas que triunfam seriam as únicas a ter interesse para os historiadores conduz, como James Joll observou recentemente, ao desprezo por muitos aspectos do passado que são importantes e que têm interesse, e reduz a nossa visão do mundo”.

Esta é uma das frases com que Paul Avrich nos deleita na introdução do seu livro clássico “os Anarquistas Russos” publicado nos Estados Unidos em 1967 e editado em Espanha pela Alianza em 1974. E este exemplo que Avrich evidenciava para a história do anarquismo russo pode também ser aplicado relativamente ao que aconteceu em Espanha em Julho de 1936.

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