Revolução russa

Solidariedade internacionalista com o anarquista russo Piotr Riabov, preso e em greve de fome


Petr-Ryabov-800x445

Capturar

Informação relacionada: Ataque policial
https://pramen.io/ru/2017/10/militsiya-atakovala-lektsiyu-petra-ryabova-v-grodno-obnovlyaetsya/
Julgamento
https://pramen.io/ru/2017/10/petra-ryabova-sudyat-v-baranovichah/
Preso pela policia
https://pramen.io/ru/2017/10/petra-ryabova-osudili-na-6-sutok/
Conferências do historiador
https://pramen.io/ru/2017/10/lektsii-petra-ryabova-v-grodno/
página do historiador
http://mpgu.su/staff/ryabov-petr-vladimirovich/

Anúncios

O ANARQUISMO NA REVOLUÇÃO RUSSA, POR DANIEL GUÉRIN


08

O anarquismo, depois de haver descoberto uma segunda fonte de inspiração no sindicalismo revolucionário, encontrou uma terceira na Revolução russa. Esta afirmação pode, à primeira vista, surpreender o leitor habituado a considerar a grande mutação revolucionária de Outubro de 1917 como obra e apanágio exclusivo dos bolchevistas. Na realidade, a Revolução russa iniciou-se por um vasto movimento de massas, uma onda de base popular que submergiu as formações ideológicas. Não pertenceu a ninguém, senão ao povo. Na medida em que esta revolução foi autêntica, impulsionada de baixo para cima, produzindo espontaneamente órgãos de democracia direta, apresentou todas as características de uma revolução social de tendências libertárias. Todavia, a relativa fraqueza dos socialistas libertários russos impediu-os de explorar as condições excepcionalmente favoráveis à vitória das suas ideias.

A Revolução foi, por fim, confiscada e desnaturada pela maestria, dirão uns, astúcia, dirão outros, da equipe de revolucionários profissionais agrupados à volta de Lenin. Mas esta derrota para o anarquismo e para a autêntica revolução popular não foi inteiramente estéril para as ideias libertárias. Para começar, a apropriação coletiva dos meios de produção foi realizada, o que permitirá, um dia, que o socialismo de baixo para cima venha a prevalecer sobre o capitalismo de Estado; depois, a experiência da URSS proporcionou aos anarquistas russos e de outros países a possibilidade de extrair lições complexas de um temporário fracasso — lições das quais o próprio Lenin parecia ter tomado consciência pouco antes de falecer — e a possibilidade de reformular os problemas da revolução e do anarquismo no seu conjunto. Segundo a expressão de Kropotkin, retomada por Volin, a Revolução ter-lhes-ia ensinado, se necessário fosse, como não se deve fazer uma revolução. Longe de provar a impraticabilidade do socialismo libertário, a experiência soviética, em larga medida, confirmou o contrário, a precisão profética dos pontos de vista expressos pelos fundadores do anarquismo e, nomeadamente, da sua crítica ao socialismo “autoritário”.

1 – UMA REVOLUÇÃO LIBERTÁRIA

2 – UMA REVOLUÇÃO “AUTORITÁRIA”

3 – O PAPEL DOS ANARQUISTAS

4 – A “MAKHNOVITCHINA”

5 – KRONSTADT

6 – O ANARQUISMO MORTO E RESSUSCITADO

aqui: https://bibliotecaterralivre.noblogs.org/o-anarquismo-na-revolucao-russa-por-daniel-guerin/

e aqui (partes 1 e 2): https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2017/02/10/o-anarquismo-na-revolucao-russa-por-daniel-guerin/

(debate) Os anarquistas e a organização


luta_rojonegra

Há pouco menos de um ano, na sessão final do Encontro Libertário de Évora, um companheiro italiano, residente em Portugal há vários anos, interveio a dizer que durante as discussões tinha-se falado de tudo, mas o mais importante, o que estava subjacente a todas as intervenções, embora nunca fosse aflorado, era a questão da organização anarquista. Essa era a grande questão, sempre central, no anarquismo há décadas e que nunca era debatida nem abordada de frente. E perguntava ele: sem uma organização específica como vão concretizar as conclusões saídas desse encontro?

Desde aí esta frase nunca mais me deixou de ecoar na cabeça. O busílis, de facto, da questão é a organização, a que permite unir pessoas num projecto, dar-lhes continuidade, preservar a memória e a história, mobilizando para a acção. Este é um velho tema: como anarquistas, trata-se sobretudo de unir para a acção e organizar as tarefas e as actividades, mais do que as pessoas; outros dirão que não, que a existência de uma organização permanente fomenta as lutas e é ela própria uma dinamizadora da consciencialização dos militantes. Este é um debate antigo, tão antigo quanto o anarquismo e que apenas conseguiu ser superado na fase em que o anarco-sindicalismo e as suas organizações operárias, de base sindical, foram pujantes. Hoje, os movimentos libertários, regra geral, vivem atomizados, em lutas parcelares.

Retomamos, por serem actuais e terem influenciado grandemente o anarquismo europeu face às propostas anarquistas oriundas de militantes que viveram e lutaram na Revolução Russa (onde a falta de uma organização anarquista forte foi muitas vezes apontada como a causa para a vitória bolchevique contra os trabalhadores), um artigo escrito na altura por Errico Malatesta onde refuta tais teses. Publicamos também o link para a “Plataforma de organização da União geral dos Anarquistas (Projeto)” a que Malatesta se refere.

Hoje os cenários são diferentes e talvez seja possível fazer uma síntese destas duas posições. A necessidade de um espaço de partilha, coordenação, luta e memória, que não viole a identidade nem os princípios acratas, é cada vez mais urgente.

luís bernardes

(mais…)

(100 anos da Revolução russa)  “Para os anarquistas russos, o bolchevismo tinha-se convertido na contra-revolução”


pan

Acaba de ser apresentado em Espanha o livro “Por el pan, la tierra y la libertad: El anarquismo en la Revolución rusa”, do historiador Julián Vadillo Muñoz, que destaca o papel – sempre tão caluniado e esquecido – dos anarquistas na Revolução russa e a sua defesa intransigente da independência dos sovietes, que tinha sido a grande palavra de ordem, mobilizadora, dos primeiros dias da revolução. A elucidativa entrevista, que traduzimos, foi publicada ontem (28/3/2017) na edição online do jornal alternativo espanhol “La Marea”.

(mais…)

O ANARQUISMO NA REVOLUÇÃO RUSSA, por Daniel Guérin


russian-revolution-copy

Na continuação da divulgação de artigos e textos sobre a revolução russa, que agora comemora 100 anos, iniciamos a publicação deste texto de Daniel Guérin (Capitulo II do livro “l’anarchisme”) que destaca o impulso libertário que esteve na base da revolução dos sovietes, mas cedo esmagada e controlada pelo partido bolchevique. As greves e o controlo de fábricas pelos trabalhadores, a insurreição de Kronstadt, o amplo movimento de camponeses da Ucrânia e a luta levada a cabo por Makhno foram alguns dos momentos altos desse espírito libertário que atravessou a revolução russa. A tradução é da companheira VTS para o Portal Anarquista.

(mais…)

(1917-2017) Nos 100 anos da Revolução Russa


20

Os anarquistas e anarcosindicalistas russos estiveram entre os militantes mais activos em todo o processo revolucionário russo, mas também foram aqueles que mais depressa denunciaram e combateram o controlo exercido pelo partido bolchevique sobre os sovietes, a militarização da economia e o despotismo de um pequeno núcleo de dirigentes sobre a imensa maioria do povo, gerando, logo desde o início, práticas ditatoriais e não democráticas que transformaram a União Soviética na tumba do socialismo autoritário. As críticas a estes métodos autoritários, próprios do marxismo e acentuados pelo leninismo e pelo partido único, já tinham sido feitas por vários anarquistas, entre os quais Bakunine, e foram retomados no terreno por muitos outros. Entre estes, desde logo, Emma Goldman, de origem lituana, mas que tendo emigrado muito jovem para os Estados Unidos voltou à Rússia depois da revolução. Serviu de intermediária entre o governo do Partido Bolchevique e os marinheiros insurrectos de Kronstadt e foram dela as primeiras críticas e denúncias face ao terror bolchevique sobre os trabalhadores e à deriva da Revolução que tantos sonhos tinha gerado. Nas próximas semanas iremos publicando – aqui no Portal Anarquista – textos sobre a Revolução Russa e a sua degenerescência, de forma a provocar o debate em torno deste acontecimento que, 100 anos depois, permanece ainda submerso na mitologia e na mentira construída por aqueles que em nome da “ditadura do proletariado” ergueram sobre os trabalhadores russos e dos países limítrofes uma das mais ferozes ditaduras do século XX.

revolucao-russa

As causas do fracasso da revolução russa

Emma Goldman

Ficam agora bem claros os motivos que fizeram com que a Revolução Russa, tal como foi conduzida pelo Partido Comunista, fosse um fracasso. O poder político do partido, organizado e centralizado no Estado, procurou manter-se utilizando todos os meios de que dispunha. As autoridades centrais tentaram fazer com que o povo agisse de acordo com modelos que correspondiam aos propósitos do Partido, cujo único objetivo era fortalecer o Estado e monopolizar todas as atividades econômicas, políticas e sociais e até mesmo as manifestações culturais. A Revolução tinha objetivos totalmente diferentes pelas suas próprias características, era a negação do princípio da Autoridade e da centralização. Ela lutava para alargar ainda mais os meios de expressão do proletariado e multiplicar as fases do esforço individual e coletivo. Os objetivos e as tendências da Revolução eram diametralmente opostos àqueles do Partido Governante.

(mais…)

“Abaixo a polícia”, uma canção anarquista da Revolução Russa


*

“Abaixo a polícia” é uma canção revolucionária, escrita por anarquistas judeus e muito popular durante o processo revolucionário russo .

“Em todas as ruas
Ouve-se falar de greves
Os rapazes, as raparigas e toda a família
Discutem as greves

Irmãos, basta de sofrer,
Basta de nos endividarmos
Façamos greve
Irmãos, libertemo-nos

Irmãos e irmãs
Demo-nos as mãos
Derrubemos os muros
Do pequeno Micolas
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Irmãos e irmãs
Deixemo-nos de formalismos
E encurtemos os dias
Do pequeno Nicolas
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Ontem ele puxava
Uma pequena carroça de sucata
Hoje tornou-se
Um capitalista
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Irmãos e irmãs
Juntemo-nos
E enterremos o pequeno Nicolas
Com a sua mãe
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Cossacos e guardas
Desçam do cavalo
O czar russo está morto e enterrado
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia”

(aqui)