sindicalismo

Nos cem anos de “A Batalha” há quem se proponha dar nova vida ao seu hino


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João Gouveia deixou no Grupo de Debate UAP, no facebook, a seguinte mensagem, que reproduzimos com o intuito de lhe dar maior visibilidade.

“Partilho aqui o instrumental d’A Batalha por Del Negro que reescrevi em formato digital.

Existem partes que foram ligeiramente modificadas que (admito que possa ser erro meu) não consegui ler ou interpretar corretamente, por isso gostava de pedir ajuda a alguém que também estivesse ligado à música para diminuir os erros nesta versão digital.

Por isso mesmo além de apenas partilhar o ficheiro .mp3, também partilho a minha versão da partitura original.”

Recorda-se que não existe qualquer gravação do “Hino de A Batalha”, cantado em muitas sessões, festas e comícios anarcosindicalistas, sobretudo da CGT , de que “A Batalha” foi o jornal diário oficial.

“A Batalha” foi fundada a 23 de Fevereiro de 1919, tendo-se publicado diariamente até ao dia 26 de maio de 1927, quando a sua tipografia foi destruída e a sua publicação proibida pelo regime saído do golpe militar de 28 de Maio de 1926.

No entanto, “A Batalha” sobreviveu publicando-se na clandestinidade durante várias décadas (até finais da década de 40) e vendo, de novo, a luz do dia, de forma legal, após o 25 de Abril de 1974

“A Batalha” comemora os seus cem anos a 23 de Fevereiro do próximo ano. Seria bonito dar, de novo, vida àquele que foi o seu hino!

hino original: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2018/01/22/recordando-o-hino-revolucionario-de-a-batalha/

 

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(Alentejo) Três meses depois da greve geral de 18 de novembro de 1918, “A Batalha” escreve que “as violências atribuídas aos rurais não podem ser comparadas com as violências praticadas pelos lavradores”


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No dia 23 de Fevereiro de 1919 – está quase a fazer cem anos! – é publicado o primeiro número do jornal “A Batalha”, diário, órgão da União Operária Nacional e, depois, da Confederação Geral do Trabalho. Logo nesse primeiro número há uma referência à greve geral de 18 de Novembro de 1918 no Alentejo.  Para o jornal sindicalista revolucionário as violências atribuídas aos rurais não podem ser comparadas com as violências praticadas pelos lavradores.

“No Alentejo

As violências atribuídas aos rurais – As violências praticadas pelos lavradores

Têm sido inúmeras as acusações formuladas, quer na imprensa quer fora dela, contra a organização rural do Alentejo, acusando-a, aquando do movimento de Novembro, de promover violências inúteis e afirmando que os trabalhadores saquearam várias propriedades, retirando de ali muitos valores, além de muitas outras violências, cuja enumeração seria fastidiosa. Conseguiu-se, assim, criar um ambiente de hostilidade contra os agrupamentos corporativos e contra o organizamos que os representava: a U.O.N. Prenderam-se algumas centenas de trabalhadores rurais e muitos deles foram deportados, sem julgamento, para África, não obstante não terem, na maioria, cadastro e ser a primeira vez que eram detidos. Alguns que se encontravam em Monsanto foram postos em liberdade, juntamente com os restantes presos políticos e por questões sociais, contra o que insurgiu um lavrador que, em carta publicada no Diário de Notícias, pedia ao titular da pasta do interior que ordenasse a sua recaptura, assim como não acedesse a repatriar os rurais tão iniquamente deportados, por, em seu entender, eles deverem ser considerados presos de delito comum em virtude das violências que dizia terem sido praticadas por eles.

Sempre duvidámos da veracidade dos relatos que sobre eles se fizeram e sobre a nossa mesa estão algumas cartas que confirmam este nosso modo de ver, pois, segundo se lê nelas, não só os rurais não cometeram os actos violentos de que são acusados, como a verdade é que se eles foram cometidos a sua autoria deve ser atribuída aos bandos armados que, capitaneados pelos lavradores e, um deles, por José Júlio da Costa, um dos assassinos de Sidónio Pais, exerceram toda a espécie de depredações em Vale de Santiago, Odemira e Panoias.

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A greve geral de 18 de novembro de 1918 na imprensa burguesa


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Apesar de ter sido rapidamente controlada e os seus objectivos não terem sido atingidos, a greve geral de 18 de novembro de 1918, convocada pela União Operária Nacional em pleno auge do sidonismo, e poucos dias depois de ter sido assinado o armísticio que pôs fim à I Guerra a 11 de novembro e em plena epidemia da “pneumónica”, teve uma profunda repercussão em termos repressivos e também na imprensa burguesa, uma vez que dada a ditadura de Sidónio Pais muita imprensa anarquista e operária tinha sido impedida de circular.

Só três meses depois, em Fevereiro de 1919 apareceria o diário operário “A Batalha” que iria romper o gheto informativo com que, quase sempre, as lutas operárias se debatem. A Capital, diário republicano da noite, apenas sai para as bancas no dia 20 de novembro, dois dias depois da greve geral, devido à paralisação dos tipógrafos, segundo uma curta nota inserida nessa mesma edição.

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(anarcosindicalismo) Nasce a Confederação Internacional do Trabalho


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No passado fim de semana de 11 a 13 de Maio reuniu-se em Parma, Itália, o Congresso Fundador de uma nova Internacional Anarcosindicalista, que agrupa algumas das maiores organizações anarcosindicalistas da actualidade. Portugal não tem qualquer representação nesta nova associação internacional.

Finalizado o Congresso e aprovados os estatutos, ficou fundada a Confederação Internacional do Trabalho (CIT), associação internacional que englobará o anarcosindicalismo e o sindicalismo revolucionário, composta por USI (Itália), FAU (Alemanha), CNT (Espanha), IWW (América do Norte), ESE (Grécia) e IP (Polônia).

A CNT ficará com a secretaria da internacional durante o primeiro biénio, posteriormente a FAU, e em terceiro lugar a IWW. Durante os primeiros cinco anos da internacional a USI encarrega-se da tesouraria. As cotas serão de acordo com o poder aquisitivo de cada país, reconhecendo-se 3 níveis de poder aquisitivo. O terceiro nível, mais baixo, será dirigido a países em desenvolvimento da América Latina, Ásia ou África.

Durante os próximos anos, os eixos de trabalho serão a formação, a ação sindical e a expansão. No âmbito formativo, se trocará informação laboral a nível internacional, se realizarão escolas de verão e se realizarão traduções de materiais para compartilhar. Por outro lado, na ação sindical se reforçará e estabelecerá o 8 de março como dia de luta de direitos das trabalhadoras e se compartilharão conhecimentos de diversos setores industriais.

Por último, a expansão se baseará em compartilhar contatos de organizações afins, tradução de propaganda e especial atenção ao trabalho com trabalhadores migrantes, sem direitos, transfronteiriços, etc. Outros objetivos a médio prazo serão o transporte, gênero, setor de restauração, trabalhadores encarcerados e migrantes, educação e saúde. Se acordou sediar o próximo congresso na Alemanha, a pedido da FAU,

Este Congresso internacional terminou entre aplausos e sinergias do sindicalismo combativo, após vários dias de intenso trabalho, com a sensação geral de se haver iniciado um projecto emocionante e que poderá  converter-se num marco histórico.

Fonte: http://cnt.es/noticias/fundaci%C3%B3n-de-la-confederaci%C3%B3n-internacional-del-trabalho-cit-en-parma

aqui (com ligeiras alterações):  https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/05/14/italia-fundacao-da-confederacao-internacional-do-trabalho-cit-em-parma/

(Itália) Congresso fundacional de nova Internacional Anarcosindicalista reúne-se este fim de semana em Parma


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Nova organização sindical anarcosindicalista, de âmbito mundial, vai nascer este fim de semana em Itália, depois da decisão da CNT espanhola e de outros sindicatos de abandonarem a AIT.

No próximo fim de semana de 11 a 13 de Maio reúne-se em Parma o Congresso fundacional da nova Internacional do Trabalho que pretende juntar todos os trabalhadores e trabalhadoras anarcosindicalistas e revolucionários de todo o mundo. O Copngresso será apresentado numa conferência de imprensa, na quinta-feira, 10 de Maio, às 11 horas, na sede da USI-AIT em Parma, na Via Testi, 2, lugar da realização do Congresso. Para o mesmo dia está programada uma apresentação pública às 9 horas no Círculo Municipal de Empregados, na Via Mentana, 31-A.

Esta importante iniciativa é o culminar de uma fase prévia de reuniões internacionais destinadas a dar continuidade aos ideais da internacional fundada em Berlim, em 1922. Ontem, como hoje, e mais ainda amanhã, é necessária uma organização libertária, assembleária e combativa, com o objectivo de defender os trabalhadores e as trabalhadoras de forma efectiva na actualidade e, ao mesmo tempo, estabelecer os pilares para construir uma nova sociedade em liberdade e igualdade, sem relação com os mecanismo do poder político e económico.

Na fundação participarão sindicatos históricos como a CNT (Confederación Nacional del Trabajo), fundada en Espanha em 1910, a FAU (Freie Arbeiter-Union), implantada na Alemanha em 1977, a IWW (Internacional Workers of the World), activa na América do Norte desde 1905, a FORA (Federación Obrera Regional Argentina), criada em 1901, a ESE grega ou a IP polaca. À USI-AIT ((Unión Sindical Italiana), criada em 1912 coube albergar o Congresso.

aqui: http://cnt.es/noticias/se-ultiman-los-preparativos-para-la-celebraci%C3%B3n-este-fin-de-semana-del-congreso-fundacional

Relacionado: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2016/11/25/anarcosindicalismo-comeca-amanha-no-pais-basco-um-encontro-para-refundar-a-ait-com-a-participacao-de-sindicatos-de-9-paises/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2016/10/03/ait-carta-aberta-de-convite-para-a-conferencia-internacional-de-organizacoes-anarco-sindicalistas-e-sindicalistas-revolucionarias-a-realizar-em-bilbao-nos-dias-26-e-27-de-novembro/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2016/12/07/polemica-ait-desfilia-a-cnt-fau-e-usi-da-organizacao/

“A Batalha” 277-278 em PDF


a batalha

Aqui: Nº 277 278

99 anos de A Batalha
 
A 23 de Janeiro de 1919 surgia o primeiro número do diário
A Batalha. Inicialmente, o jornal era propriedade da União
Operária Nacional, mas, poucos meses mais tarde, com a
formação da Confederação Geral do Trabalho, passaria
para a égide deste nova organismo sindical. O porta-voz
da organização operária portuguesa teve uma vida
atribulada: foi proibido de se publicar em 1927, aquando do
assalto policial à antiga redacção na Calçada do Combro;
teve um regresso efémero como semanário em 1930;
publicou-se na clandestinidade, perante o olhar saloio do
salazarismo; regressou a 21 de Setembro de 1974 como
quinzenário. Quase um século depois, A Batalha deixou
cair o epíteto de jornal sindicalista revolucionário e
tornou-se um bimestral de expressão anarquista, que se
publica devido à vontade de um grupo de associados do
Centro de Estudos Libertários e de inúmeros colaboradores
que, graciosamente, lhe oferecem a sua pena. Assim,
da actualidade política ao espaço público, da cultura à
reflexão ideológica, da sátira à poesia e ao conto, da
cidade ao indivíduo, A Batalha prepara-se para festejar os
seus 100 anos criticando e ridicularizando a dominação
quotidiana.
Rede de colaboradores
 
É desejo da redacção de A Batalha e dos associados do
Centro de Estudos Libertários evitar que este jornal se
mantenha centralizado em Lisboa e arredores. Com a
renovação da rede de distribuição de jornais, do norte ao
sul e nas ilhas, com as assinaturas a percorrerem todo o
país, é importante que A Batalha espelhe essa diversidade
nas suas páginas e se descentralize. Assim, convidam-se
os leitores e assinantes do jornal a entrarem em contacto
com a redacção, caso desejem colaborar regular ou
ocasionalmente com artigos, reportagens ou entrevistas
sobre as suas lutas locais ou no âmbito das criações
culturais de margem, que tanto nos movem na feitura de A
Batalha.
Novo apartado do CEL / A Batalha e novas condições de
assinatura
 
Notificam-se todos os interessados em corresponder-se
ou em enviar publicações para o Centro de Estudos
Libertários / A Batalha que devem fazê-lo para o nosso
novo apartado: CEL/A BATALHA, APARTADO 4037, 1501-
001 LISBOA, PORTUGAL. A Batalha deixa de disponibilizar
a opção de envio do jornal com cinta que, daqui em diante,
será sempre enviado em envelope.
Apoia A Batalha com uma assinatura
 
CONDIÇÕES DE ASSINATURA
Continente | 6 nºs: 6,98€ / 12 nºs: 12,97€
Ilhas, via aérea | 6 nºs: 7,98€ / 12 nºs: 15,46€
Ilhas, via económica | 6 nºs: 6,98€ / 12 nºs: 12,97€
Europa | 6 nºs: 11,97€ / 12 nºs: 22,45€
Extra-Europa, via aérea | 6 nºs: 15,56€ / 12 nºs: 27,93€
Extra-Europa, via económica | 6 nºs: 11,97€ / 12 nºs: 22,45€
O pagamento poderá ser efectuado para o NIB do CEL: 0033
0000 0001 0595 5845 9.
Saudações libertárias,

CEL (Centro de Estudos Libertários) / Jornal ‘A Batalha

(memória libertária) “Greves e lutas insurgentes: a história da AIT e as origens do sindicalismo revolucionário”


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aqui: http://www.historia.uff.br/stricto/td/1735.pdf

Acaba de ser disponibilizada na internet a tese académica “”Greves e lutas insurgentes: a história da AIT e as origens do sindicalismo revolucionário”, de Selmo Nascimento. Mais um contributo para as origens do associativismo internacionalista proletário e do sindicalismo revolucionário.