sindicalismo

(Lisboa) Centenário do jornal A Batalha. Inauguração 9 de outubro, 17 horas, na Biblioteca Nacional.


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Centenário do jornal A Batalha

EXPOSIÇÃO | 9 out. ’19 | 17h00 | Mezanine | Entrada livre / até 27 dez. ’19
LANÇAMENTO do livro “Surgindo vem ao longe a Nova Aurora…” | 9 out. ’19 | 18h00 | Auditório | Entrada livre

Exposição comemorativa dos cem anos da fundação de A Batalha (1919-1927), com curadoria de António Baião (CEPS), António Cândido Franco (UE) e João Freire (ISCTE-IUL).

No dia da inauguração António Ventura apresenta a reedição do livro de Jacinto Baptista “Surgindo vem ao longe a nova Aurora…”, da editora Letra Livre.
Aos 23 de fevereiro de 1919 aparecia em Lisboa este diário, «Porta-voz da organização operária portuguesa», tendo como redator principal o tipógrafo Alexandre Vieira. Chegou a ser considerado como a terceira maior tiragem nacional. Ilegalizado em 1927, teve várias fases de clandestinidade e ressurgiu em 1974, sob a direção de Emídio Santana. Mas foi sobretudo uma obra coletiva de vontades livres.

O jornal e a Confederação Geral do Trabalho (CGT) foram duas das melhores expressões da ideologia operária sindicalista-revolucionária, muito ativa no início do século XX.

Ocorre também este ano a efeméride dos 45 anos de criação da revista A Ideia, recordando-se aqui igualmente a sua trajetória, desde Paris, em abril de 1974, até ao atual n.º 84/85/86 como «revista de cultura libertária».

Próximos eventos no âmbito dos cem anos da fundação de A Batalha:

Quatro itinerários anarquistas: Botelho, Quintal, Santana e Aquino
LANÇAMENTO | 12 nov. ´19 | 18h00 | Auditório | Entrada livre
Lançamento da obra de João Freire, numa edição A Batalha, apresentada por José Pacheco Pereira.

A Batalha: 100 anos
COLÓQUIO | 10 dez. ’19 | 15h00 | Auditório | Entrada livre
Colóquio organizado pelo jornal A Batalha, pelo IHC – Instituto de História Contemporânea, pólo de Évora, e pelo CEPS – Centro de Ética, Política e Sociedade, da Universidade do Minho.

aqui:http://www.bnportugal.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1492%3Aexposicao-centenario-do-jornal-a-batalha-9-out-27-dez-19&ca

René Berthier: “Os anarquistas não podem privar-se de uma organização estruturada”


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Em Março passado publicámos um texto de René Berthier (*), na tradução de asl, intitulado “O anarquismo e a noção de partido”.  Dias depois, Manuel Baptista num comentário ao mesmo artigo referia ser “favorável à construção de sindicatos de base, não sindicatos anarquistas”. E acrescentava que era “difícil compreender como se situa René em relação a este ponto fulcral”. Agora, em novo comentário enviado há dia (24 de setembro) Réné Berthier desenvolve os seus pontos de vista e considera que esta questão “é central para a estratégia do movimento libertário”. Fica aqui este novo “acrescento” de René Berthier precisando e desenvolvendo os seus pontos de vista sobre a questão da organização libertária e da organização sindical. Fizémos apenas algumas pequenas alterações de forma (uma vez que René Berthier nos enviou este artigo já em português).

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Companheiro,

Você levanta a questão que me parece central para a “estratégia” do movimento libertário desde o início: a relação entre a organização de classes (que reúne os trabalhadores em função de seu papel no processo de produção, seja chamada de “sindicato” ou não) e a chamada organização “específica” que reúne as pessoas independentemente de seu papel no processo de produção, sejam eles trabalhadores assalariados ou não, em função de um programa. (Gostaria de salientar que o conceito de uma organização específica não foi inventado de todo por grupos, especialmente grupos latino-americanos, que reivindicam ser “especifistas”).

Este problema já está presente no tempo de Bakunin com a questão da relação entre as seções e federações da AIT e a Aliança Internacional para a Democracia Social.
A Aliança era uma estrutura informal, na qual havia muito barulho e faz muito fluxo de tinta. A Aliança tinha como objetivo coordenar a atividade dos ativistas federalistas na Internacional. Alguns ativistas de hoje, que aderem às teses da Plataforma de Arshinov, estão tentando provar que a Aliança Bakuniniana era uma organização do tipo “plataformista”, mas estão errados: em minha opinião, este é um ponto de vista completamente abusivo e anacrônico.

O problema é que muitos anarquistas que não são sindicalistas, aqueles que defendem uma organização específica, parecem ter grande dificuldade em definir como se organizar e o que fazer com esta organização.

A Plataforma de Arshinov foi uma tentativa de encontrar uma solução para a improvável confusão doutrinária e organizacional em que o movimento anarquista foi então encontrado (estou me referindo acima de tudo ao movimento anarquista francês, que eu conheço melhor), e o clamor que ele gerou foi acima de tudo um sintoma do estado de decadência do movimento anarquista da época. Como notoriamente eu próprio não sou um plataformista, não tenho vergonha de aderir ao princípio de que, quando uma decisão é tomada, ela é aplicada. Eu escrevi em algum lugar que a plataforma de Arshinov não era mais “autoritária” do que os estatutos de um clube de futebol, com suas assembléias gerais, sua tomada de decisão e seu comitê eleito.

Precisamente no mesmo ano em que a Plataforma Archinov foi publicada (1926), foi criada em França a “CGT-Syndicaliste révolutionnaire”, cujos membros variavam entre 15.000 e 5.000 membros, e cujos estatutos eram tanto, se não mais “autoritários” do que os da Plataforma

Apesar da sua pequena dimensão, a CGT-SR foi uma verdadeira organização sindical, liderando as lutas dos trabalhadores, mas, de certa forma, também desempenhou o papel de uma organização específica.

Penso também que uma organização sindical não deve pretender ser anarquista. Mas o anarco-sindicalismo (como o sindicalismo revolucionário) é outra coisa: não é uma doutrina, é um conjunto de práticas destinadas a conduzir a um objetivo. Este objectivo está claramente definido na Carta de Amiens, adoptada em 1906 pela CGT francesa.

Este documento afirma, por um lado, que

“A CGT agrupa, fora de toda escola política, todos os trabalhadores conscientes da luta dirigida pela desaparição do assalariado e do patronato.”

Como tal,

“Por obra da reivindicação cotidiana, o sindicalismo procura a coordenação dos esforços obreiros, o aumento do bem-estar dos trabalhadores através da realização de melhorias imediatas, tais como a diminuição das horas de trabalho, o aumento dos salários, etc. »

Mas a Carta acrescenta:

“Mas esta tarefa não é mais do que um aspecto da prática do sindicalismo; ela se prepara para a plena emancipação; ela só pode ser alcançada através da expropriação capitalista; ela defende uma greve geral como meio de ação e considera que o sindicato, agora um grupo de resistência, será no futuro o grupo de produção e distribuição, a base da organização social.”

Ou seja, os trabalhadores que aderiram à CGT em 1906 sabiam que o objetivo da organização era abolir o trabalho assalariado e assumir o controle da produção e da distribuição. Penso que os estatutos da CGT portuguesa não devem ser diferentes e que os trabalhadores portugueses que a ela aderiram também devem saber qual foi a situação.

O problema com uma organização de massa de trabalhadores é que ela opera em uma base eletiva: Os mandatos são eleitos em cada congresso por trabalhadores que, precisamente, não são todos necessariamente anarquistas.

Mesmo que aceitemos que uma organização sindical não deve “ser anarquista”, mas que deve funcionar de forma libertária, ela é constantemente ameaçada pela chegada de militantes que não compartilham todas essas opções libertárias. Isto é chamado “nucleação”. Isto é o que aconteceu com a CGT francesa. Gradualmente, antes da Grande Guerra, os militantes revolucionários que detinham mandatos em todos os níveis da organização foram gradualmente substituídos durante as eleições por militantes reformistas. Depois da revolução russa, ela foi “afogada” pelos comunistas que eventualmente assumiram o controle dela, e os sindicalistas revolucionários, muitos dos quais eram anarquistas, foram incapazes de enfrentá-la.

Foi o que aconteceu em quase todas as organizações sindicais revolucionárias, exceto a CNT espanhola, porque havia um núcleo anarquista muito forte, e porque dois delegados enviados pela CNT à Rússia (Angel Pestana e Gaston Leval) fizeram relatórios desfavoráveis que convenceram a CNT, no Congresso de Saragoça de 1922, a não aderir à International Sindical Vermelha. Além deste caso, os anarquistas foram incapazes de enfrentar a emergência de núcleos comunistas nas organizações sindicais onde tinham uma posição dominante. Uma vez constatado este fracasso, a situação tornou-se imparável.

As coisas correram exactamente da mesma forma na América Latina. A literatura de muitos grupos latino-americanos específicos evoca esse fracasso, atribuindo-o, mais ou menos explicitamente, à incapacidade dos anarquistas dos anos 1920 de se organizarem para contrariar a penetração comunista no movimento sindical, e eles têm razão. Eles mencionam a necessidade de implementar uma estratégia para recuperar o “vector social”, de acordo com sua linguagem. Em princípio, têm toda a razão, mas permanece a questão de saber que tipo de relação deve ser estabelecido entre uma organização anarquista e um “vector social”: “A crise do sindicalismo revolucionário tiraria dos anarquistas seu vetor social”, escreve Alexandre Samis (“Pavilhão Negro sobre Pátria Oliva: sindicalismo e anarquismo no Brasil”. In: História do Movimento Operário Revolucionário. São Paulo: Imaginário, 2004, p. 181.).

A impossibilidade de imaginar uma relação efectiva entre a corrente “sindicalista” e a corrente “específica” do movimento libertário levou o movimento anarco-sindicalista francês a uma situação dramática. Após a última guerra, uma CNT francesa foi formada nas ruínas da CGT-SR. Naquela época, muitos sindicatos franceses ficaram exasperados com o domínio comunista sobre a CGT e pediram para aderir à CNT francesa, que era então dominada por membros da FAI espanhola no exílio e que exigiam que os sindicatos afirmassem ser anarquistas. Naturalmente, recusaram e a CNT francesa permaneceu no estado de microgrupo. Hoje, a CNT francesa, que mais tarde conheceu um desenvolvimento real, está dividida em 3 ou 4 organizações, uma divisão baseada em diferenças complexas relacionadas à sua referência ou rejeição do anarquismo.

Em conclusão, tem razão quando diz que é “a favor da criação de sindicatos de base, não de sindicatos anarquistas”. Mas nesses sindicatos de base, inevitavelmente haverá diferentes correntes políticas competindo para, na melhor das hipóteses, influenciar os trabalhadores, na pior das hipóteses, assumir o controle da organização. Como os anarquistas devem se organizar para enfrentar tal situação?

Diz que é difícil entender a minha posição sobre este ponto-chave.

Não tenho solução, porque depois de 50 anos de militância anarquista não vejo o movimento avançar, ou tão pouco. O único elemento positivo que vejo é a CGT espanhola, mas que também se formou após um confronto entre, por um lado, o que percebo como uma corrente ligada aos valores tradicionais do movimento e uma corrente modernista que quer ter em conta as especificidades do período actual.

De um modo geral, tenho a impressão de que tudo o que o movimento tem feito é baseado em deficientes fundamentos táticos, estratégicos e até doutrinários.

Então, quem sou eu para dizer: “Eis o que fazer”?

No entanto, há uma série de coisas que eu sei.

• Nenhuma revolução será capaz de transformar fundamentalmente o sistema se os trabalhadores que constituem a força viva da sociedade não estiverem anteriormente agrupados em uma organização de massa.

• Nenhuma organização de massas poderá escolher uma orientação libertária se os anarquistas não atuarem em massa nesta organização de forma coordenada, assumindo mandatos eletivos, estando constantemente presentes nas lutas.

• Os anarquistas não podem privar-se de uma organização estruturada, seu modo de intervenção, público ou não, sendo variável de acordo com as circunstâncias.

Abraço fraterno
René Berthier

(*) René Berthier nasceu em 1946 e milita no movimento anarquista desde os seus tempos de estudante. No principio dos anos 70 participa em Paris no Centro de Sociologia Libertária animado por Gaston Leval, junto de quem adquire uma sólida formação teórica. Em 1972 adere à CGT do Livro, integrando o sindicato dos revisores, e trabalha numa grande tipografia, com 1800 trabalhadores.

Em 1984 adere ao grupo Pierre Besnard da Federação Anarquista Francófona e anima emissões da Radio Libertaire.

Publica dezenas de textos na imprensa libertária, tendo publicado também vários livros teóricos sobre o anarquismo e o pensamento de Bakunine.

Milita actualmente no Grupo Gaston Leval da Federação Anarquista e consagra o seu tempo à escrita no domínio teórico e histórico e ao trabalho organizativo no plano internacional.

(1905-1937) O estivador anarquista Pedro Matos Filipe foi o primeiro antifascista a morrer no Tarrafal


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Pedro de Matos Filipe, o primeiro preso a morrer no Tarrafal

Anarco-Sindicalista, estivador, foi a primeira vítima do Campo de Concentração do Tarrafal, falecendo aos 32 anos, um ano após a sua chegada. Vítima de biliose, sem qualquer assistência médica.

Pedro de Matos Filipe, filho de Margarida Rosa e de José de Matos Filipe, nasceu em Almada em 19 de Junho de 1905. Era carregador/estivador de porto e sindicalista. Presidia à assembleia geral da Associação “Terra e Mar”, de Almada. Residia, então, na Quinta da Regaleira, Cova da Piedade.

Participou no movimento de 18 de Janeiro de 1934, em Almada, tendo promovido a greve na fábrica Parry & Son.

Preso em 30 de Janeiro de 1934, acusado de posse de explosivos e bombas, que não chegou a utilizar, foi condenado pelo Tribunal Militar Especial a 12 anos de degredo e multa de 20.000$00.

Enviado, em 8 de Setembro de 1934, para a fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo.

Seguiu para o Tarrafal em 23 de Outubro de 1936, vindo a falecer em 20 de Setembro de 1937, de biliosa, sem qualquer assistência médica ou farmacêutica (1).

Segundo Acácio Tomás de Aquino (2), Pedro de Matos Filipe, que “era um dos rapazes mais fortes do Acampamento”, quando morreu “estava reduzido a pele e osso”. No último encontro com o amigo, este disse que estava “com uma diarreia de sangue há bastante tempo, e o médico nada me fez até à data!” [O Segredo das Prisões Atlânticas, A Regra do Jogo, 1978, p. 94].

O seu nome está assinalado numa rua da Cova da Piedade, Almada.

Notas:

(1) No mesmo dia, também morreu o marinheiro Francisco José Pereira, de 28 anos. Foram as duas primeiras vítimas do Campo de Concentração do Tarrafal.

(2) Acácio Tomás de Aquino (1899 — 1998) foi um militante destacado da Confederação Geral do Trabalho, anarco-sindicalista, organizador da greve geral de 18 de Janeiro de 1934 e então condenado a 12 anos de degredo em prisão. Com Pedro de Matos Filipe (e outros antifascistas), seguiu para Angra do Heroísmo a 8 de Setembro, sendo transferidos para o Tarrafal, a 23 de Outubro de 1936. Regressou a Portugal a 10 de Novembro de 1949. Todavia, só alcançou a liberdade total, a 22 de Novembro de 1952.

Biografia de João Esteves com colaboração de Helena Pato

Ficha da Policia / Registo Geral de Presos (RGP)

aqui: https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/posts/1008979245878121/

também aqui:

https://mindelosempre.blogspot.com/2016/07/2270-um-anarquista-o-campo-de-morte-do.html

http://www.estelnegre.org/documents/matos/matos.html

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Placa toponímica na parte mais alta da rua

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Placa toponímica na parte mais baixa da rua

(Última Barricada) Ainda os 100 anos de ‘A Batalha’


[Evento Histórico – Centenário 🎂]
No dia 23 de fevereiro celebramos o centenário da publicação do primeiro número do jornal A Batalha  órgão da União Operária Nacional (UON) 🤝 e, posteriormente, órgão da Confederação Geral do Trabalho.

Um marco na história da classe trabalhadora portuguesa que não deve ser esquecido.

Longa vida a quem luta! 🚩🏴🚩🏴

Fontes:
Jacinto, Batista, “Surgindo Vem ao Longe a Nova Aurora”, 1977.
Pereira, Joana Dias, “Sindicalismo Revolucionário: A história de uma idéa”, 2009.
Sousa, Manuel Joaquim, “Últimos Tempos de Acção Sindical Livre e do Anarquismo Militante”, 1989.
Arquivo Municipal de Lisboa
Projecto MOSCA

Música:
Carlos Paredes – “Danças portuguesas nº 2”.

Autor: Colectivo Última Barricada

Hino de ” A Batalha”

Se estiverem interessados em ouvir o hino deste jornal, o camarada JG tratou de reescrever a música para formato digital (in Última Barricada)

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https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2018/01/22/recordando-o-hino-revolucionario-de-a-batalha/comment-page-1/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2019/02/22/a-batalha-100-anos-de-luta-por-um-mundo-novo-sem-explorados-nem-exploradores-sem-oprimidos-nem-opressores/#more-22902

Video sobre A Batalha e o anarcosindicalismo em Portugal (1886-1975):

https://archive.org/details/MemriaSubversivaAnarquismoESindicalismoEmPortugal1886-1975

Sessões com René Berthier hoje e amanhã em Lisboa


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O libertário, anarco-sindicalista e activista social René Berthier está este fim de semana em Lisboa onde realizará duas sessões/conferências sobre o movimento social em França e a sua própria experiência enquanto militante anarco-sindicalista.

Já hoje, sexta-feira, René Berthier vai estar na Sirigaita (Rua dos Anjos, 12-F), às 19 horas, para um debate sobre o movimento dos Coletes Amarelos.

Amanhã, sábado, dia 4, estará pelas 14:30, no CEL (Centro de Estudos Libertários) / Sede do jornal A Batalha, nos Olivais, num encontro com a militância libertária.

Convidamos todos a estarem presentes numa e noutra sessão.

*

Dadas as relações que o companheiro Berthier tem com o anarco-sindicalismo, o qual fez parte da sua formação e trajecto, o CEL / A Batalha tem o prazer de o receber na sua sede.
O encontro com Berthier andará à volta dos seguintes temas:
• O itinerário biográfico de Berthier na sua formação com Gaston Leval (anarco-sindicalismo, humanismo, socialismo libertário, pacifismo);
• O itinerário biográfico de Berthier com Portugal e o movimento libertário em Portugal.

Alguns dados biográficos de René Berthier:

A sua formação libertária deve-se principalmente a Gaston Leval, à influência do movimento anarco-sindicalista espanhol, e à experiência no campo sindical, mais concretamente na CGT francesa.
É membro do grupo Gaston Leval, da Federação Anarquista Francesa, e militante sindical. Dedica-se também a escrever trabalhos téoricos e históricos. No campo da teoria tenta mostrar que o movimento libertário deve parar de se apegar a conceitos ultrapassados, estratégias de outros tempos, caso contrário permanecerá indefinidamente como um movimento confidencial.
Palestrante e autor de numerosos textos, Berthier é um dos especialistas contemporâneos da obra de Bakunin, a qual aborda a partir de uma prática militante.
Segundo Hugues Lenoir no Dicionário dos Anarquistas: “René Berthier não se define como anarquista, mas como anarco-sindicalista. O anarquismo francês não teve influência decisiva sobre ele. A sua proximidade com Gaston Leval faz com que uma das suas grandes influências seja o movimento anarco-sindicalista espanhol. O teórico do movimento libertário, no qual ele mais se reconhece, é Bakunin. Foi a influência de Gaston Leval que o levou à consciência da necessidade de os militantes terem uma boa formação histórica e teórica.”
O CEL (Centro de Estudos Libertários) fica localizado nos Olivais, na Azinhaga da Alagueza, Lt. X – Cv. Esq.

*

Sobre o movimento dos coletes amarelos

O movimento dos Coletes Amarelos desceu pela primeira vez às ruas de França a 17 de Novembro de 2018, manifestando-se contra o aumento dos preços dos carburantes. Em Portugal, foi encarado no início com uma certa desconfiança por causa de uma eventual participação da extrema-direita. No entanto, rapidamente se tornou num fenómeno de participação popular alheio a partidos políticos e que escapa às análises tradicionais de jornalistas e analistas, mais habituadxs a modelos de protesto formatados e hierarquizados.

Após cinco meses de mobilização, milhares de “coletes amarelos” continuam a sair às ruas todos os sábados, em protestos que há muito ultrapassaram a mera reivindicação pela descida dos preços dos carburantes, protestos estes marcados por confrontos com as forças policiais de que já resultaram mais de 200 prisões e inúmeros feridos graves. A polícia tem atacado sistematicamente os manifestantes com granadas de dispersão, gás lacrimogéneo e balas de borracha, exprimindo toda a sua tradicional violência.

Mas, na realidade o que esteve na origem deste movimento? E, sobretudo, que futuro terá? Como irá acabar? Um novo Maio 68 ou uma deriva reformista de mais um movimento político candidato a eleições?

René Berthier, activista social, responderá a estas e a outras perguntas durante a apresentação / debate sobre este movimento que se realizará na Sirigaita, no dia 3 de Maio, às 19h.

https://www.facebook.com/events/1315525748603447/

Textos de René Berthier em português: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/tag/rene-berthier/

Nos 100 anos de “A Batalha”, um documento a recordar: ‘Às armas, portanto!’


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PROCLAMAÇÃO AO OPERARIADO DE LISBOA

     Mais uma vez no desenrolar dos acontecimentos políticos para os quais em nada contribuímos, se põem em jogo macabro a sorte dos operários, das vítimas seculares de todas as suas tranquibérnias.

     Apesar, porém, da situação especial e do alheamento que devemos manter ante o escabujar da demência burgueza, neste agonizar de lutas sangrentas provocadas pela sêde de mando, não podemos, contudo, na presente emergência, conservarmo-nos impassíveis, em apertada obediência aos princípios por que nos norteamos. É que a fatalidade dos acontecimentos adregados no meio em que sômos forçados a viver, arrastam-nos para o fragôr da contenda, se não quizermos perder as débeis liberdades que fruímos.

     Já não se trata só de defender políticos: é preciso defender camaradas nossos, é preciso manifestarmos a todos os dominantes que a classe trabalhadora existe como uma força organizada, com quem se deve contar, e que, apesar de tudo, ainda mais uma vez está disposta a combater pela República, não pelas garantias que lhe têm dado, mas pelo princípio de liberdade que ela encarna e que os trabalhadores antevêem no horizonte amplo das suas aspirações.

     É certo, indubitável e tristemente certo, que a acção dos operários por significativa e valiosa que seja, é esquecida ao outro dia da vitória quando as corujas se começam a apropinquar da célebre lâmpada de azeite; mas há um princípio sagrado a defender, princípio a que todo o operário consciente imola os seus justificados ressentimentos: é o princípio da liberdade.

     Ele está prestes a sossobrar. Os próceres de Ditadura sufocaram a voz da Imprensa, derrogaram o princípio da greve, restringiram e burocratizaram o direito de reunião e avolumaram, pelos seus incongruentes actos de administração, a crise do trabalho.

     Amanhã, quando vencedores, senhores absolutos dos destinos deste pobre povo, repetenados na sua empáfia, agindo descricionariamente, não terão pêjo em reduzir todos os trabalhadores à deprimente condição de sudras e deportar para as plagas africanas os que não se prosternem ante os seus suzeranos caprichos.

     CAMARADA:

     Chegou o momento de te decidires ! Estão em perigo as tuas poucas liberdades e o teu pão. Dum lado, a tôrva reacção, com todo o cortejo de expoliações e velharias, empunhando o ceptro e a corôa ; do outro, ainda que mal representada, a liberdade na efígie da República. Contudo, é preferível decidirmo-nos por esta. Então, ÀS ARMAS !

     Que o sacrifício do nosso sangue em revolta sagre as ideias que nos animam e faça arripiar caminho àqueles que dele se têm servido em conjunturas idênticas.

     A nossa liberdade tem que ser conquistada com o nosso esforço. Reivindiquemos com a nossa acção uma parte dessa liberdade !

     Que nenhum operário deixe de cumprir o seu dever !

     ÀS ARMAS, POIS !

     O encerramento do nosso órgão, A Batalha, as prisões em massa levadas a efeito por um governo despótico, devem ser incentivo suficiente para que todos os operários abandonem o trabalho e acorram aos pontos que oportunamente lhes serão indicados para agirem em defesa da liberdade.

     A partir de hoje, a Câmara Sindical de Trabalho e o Comité Pró-Unidade declaram a greve geral revolucionária.

     Cumprindo com esta deliberação o seu dever, esperam que todos os operários saibam cumprir o seu.

     ÀS ARMAS, PORTANTO !

A Câmara Sindical de Trabalho

O “Comité” Pró-Unidade

     Em virtude de se encontrarem seladas as sedes das centrais operárias de Lisboa, esta proclamação, não pode, por este facto, levar o respectivo label confederal.

__________________________________

Este apelo das centrais operárias de Lisboa à greve geral revolucionária e à insurreição armada contra a ditadura fascista não está datado, mas é seguramente de 5 ou 6 de Fevereiro de 1927, pois A Batalha e a CGT foram assaltadas pela polícia na noite de 5, sendo presos todos quantos lá se encontravam, e, em Lisboa, a tentativa revolucionária deu-se no dia 7.

Sobre a revolta de Fevereiro de 1927 veja-se nomeadamente:

http://www.jornalmapa.pt/2014/02/28/a-revolta-de-fevereiro-de-1927/

por: angelo barreto

Antiga sede d’”A Batalha” vai ter lápide alusiva ao centenário do jornal anarco-sindicalista e da CGT


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Há muito que, a partir destas páginas ou de outros foruns, preconizamos que a presença anarquista e anarco-sindicalista, seja ao nível de memória ou das actividades nos dias de hoje, reivindicada de forma contínua para que não caia no esquecimento ou para que se faça ouvir alto e bom som.

Desde sempre o anarquismo viveu nos locais de trabalho, mas também no centro das cidades, onde se localizavam os teatros, as salas, os espaços públicos onde eram realizados os seus comícios e actividades, tal como era aí que se situavam grande parte das sedes dos seus sindicatos.

Temos reivindicado que nos edificios mais carismáticos dessa actividade devem ser colocadas placas assinalando de forma correcta esta história passada cheia de ensinamentos para o futuro.

Agora, no centenário de A Batalha, a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou uma resolução em que se prevê a colocação de uma lápide no edificio da Calçada do Combro onde funcionou a redacção de A Batalha, até ao seu encerramento pelo regime fascista em 1927.

É uma decisão que saudamos, embora provinda de um organismo de carácter político/administrativo, e que esperamos que seja posto rapidamente em pratica.

Mas, e tendo em vista a necessidade de dar centralidade à acção anarquista, teríamos visto ainda com melhores olhos a cedência, em simultâneo, por parte da Câmara (como tem feito a muitas entidades e associações) de instalações condignas para “A Batalha” no centro da cidade e não numa cave dos Olivais, onde actualmente está instalada.

Mas fiquemos com a decisão tomada na reunião da AML de 12 de Fevereiro, aprovada por todos os grupos parlamentares, à excepção dos do CDS e MPT, que se abstiveram:

“Ao

Jornal “A Batalha”

A Assembleia Municipal de Lisboa, na sua sessão realizada no dia 12 de fevereiro de 2019, deliberou e aprovou o documento que abaixo se indica.

Para que o mesmo possa ser consultado na íntegra deverá aceder ao sitio da AML, no endereço abaixo indicado.

Proposta nº 003/DM IND Rui Costa – “Evocação dos 100 anos do jornal “A Batalha” e os 100 anos da Confederação Geral do Trabalho”(DM IND Rui Costa)

Aprovada por Maioria

(Ausência de um Deputado (a) Municipal Independente da Sala do Plenário)

Teor da Deliberação:

A Assembleia deliberou:

“1 – Evocar a memória da resistência anarco-sindicalista à Ditadura Militar e ao Estado Novo e de todos os que a integraram.

2 – Saudar o jornal “A Batalha” pelo seu centenário.

3 – Recomendar à Câmara Municipal de Lisboa a colocação de uma placa evocativa na fachada do Palácio Marim-Olhão, gravada em aço e com o texto a vermelho e negro (cores do anarco-sindicalismo) com a seguinte inscrição:

“É n’A Batalha onde se pode ter a noção das duas grandes coisas que eu amo na vida, o Futuro e a Liberdade.”

Ferreira de Castro

Neste edifício funcionou durante a I República o diário operário A Batalha, a Confederação Geral do Trabalho e as Juventudes Sindicalistas sendo as suas instalações assaltadas pelos esbirros da ditadura em 1927.

1919-2019, centenário de fundação do jornal anarco-sindicalista A Batalha e da Confederação Geral do Trabalho.”

aqui: https://www.am-lisboa.pt/301000/1/011415,000568/index.htm