Timor-Leste

(memória libertária) História do Anarquismo em Timor-Leste


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(aqui)

Timor, a colónia mais distante de Portugal, serviu como um lugar de deportação para prisioneiros desde o início do século XVIII. A partir do final do século XIX, os presos políticos também foram enviados para a ilha.

Por Vadim Damier e Kirill Limanov

Entre 1892 – 1896, os anarquistas portugueses realizaram uma série de atentados. Em 1892, colocaram uma bomba no consulado espanhol em Lisboa em protesto contra as prisões de companheiros anarquistas em Jerez (Andaluzia, Espanha). Mais tarde, uma bomba explodiu na casa do Conde de Folgosa, quando este dava uma recepção em homenagem ao casal real. Em 1893, teve lugar um atentado para assassinar o rei e em 26 de janeiro de 1896, um trabalhador esfomeado atingiu com uma pedra a carruagem real (1). Uma bomba foi colocada na casa do ministro, Dr. Joyce.

Em resposta às acções dos anarquistas e de outros sectores, as autoridades aprovaram em 1892 uma lei segundo a qual os acusados desses actos poderiam ser deportados para os territórios portugueses no exterior depois de cumprirem a pena(2). A 13 de fevereiro de 1896, o governo português aprovou uma nova lei que permitia a prisão com posterior deportação para uma colónia penal por um período de até três anos, com a possibilidade de a alargar àqueles que “por declarações e palavras, expressas em público, pela escrita, de qualquer forma, ou com a ajuda de outros meios de publicação, protejam, aprovem, recomendam ou provoquem actos subversivos contra a ordem pública, mesmo que esses actos não tenham efeito, e que ameacem a segurança de pessoas ou da propriedade, bem como professem a doutrina do anarquismo, levando à concretização de tais actos “. Como salienta o advogado português José António Barreiros, qualquer acto de oposição poderia ser colocado na categoria de crime (3).

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