Turquia

Anarquistas turcos solidários com os resistentes curdos de Afrin


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Comunicado da organização anarquista turca DAF em solidariedade com Afrin, um território curdo na Síria, que está a ser atacado pela Turquia com o beneplácito da maior parte dos países ocidentais e da Rússia. Os companheiros da DAF, apesar de violentamente perseguidos, expressam a sua repulsa pelo nacionalismo e pela estratégia turca de, através da guerra, ganhar peso negocial a nível internacional e, internamente, preparar o clima para as próximas eleições.

Os Estados em guerra contra os povos perderão

Afrin pertence às pessoas de Afrin. As pessoas que vivem em Afrin nasceram nessas terras e vão morrer nessas terras. A vida não tem a ver com planos ou programas. Elas não estão em Afrin fazendo parte de uma estratégia. Afrin, para eles é a água, o  pão, os alimentos, o jogo, as histórias, os amigos, os companheiro, os amantes, a  rua, a casa, os vizinhos. Mas para o estado, é apenas uma estratégia. Uma estratégia que não se preocupa com Afrin ou com os povos de Afrin.

É uma estratégia da Guerra da Energia que já teve como resultado a destruição da Síria e que irá destruir muitos outros países da região, embora o ataque a  Afrin crie a ilusão de que estas guerras estão a ser feitas “para os seus cidadãos”. Fazem propaganda nacionalista e conservadora para convencerem os seus cidadãos desta mentira. É uma necessidade imperiosa seja dentro ou fora (da Turquia). Embora seja necessário para as eleições no interior do país, é também válido para as negociações no exterior. Os que mandam, e que estão totalmente envolvidos num processo apenas comercial, como sejam  a extracção, o transporte e a venda de recursos energéticos, utilizam todos os seus recursos para aumentarem os lucros. Nessas negociações em que o número de armas, tanques, aviões são importantes, o número de soldados é o mais importante. Um soldado não é diferente de um qualquer outro recurso. E é por isso que é criada esta falácia conservadora e nacionalista.

Quem se quer associar a uma guerra para que alguns lucrem mais? Quem é que lutaria para que a gasolina, que é sempre vendida por estados ou por empresas em todo o mundo, possa custar mais do que o pão? Nós, os que vivemos com a realidade que é a de que todos os preços aumentam quando o preço de um litro de gasolina aumenta, nós que sempre perdemos, por que é deveríamos lutar por aqueles que ganham sempre? Na verdade, ninguém lutaria por eles. Eles sabem disso e é por isso que precisam do nacionalismo e do conservadorismo.

Agora eles estão clamando nos jornais e nas televisões os slogans da mentira “nacional, nacional, nacional!”, “Vontade nacional, unidade nacional”. Eles nunca podem dizer de forma clara o que pretendem:  “Estamos a lucrar”, “Combate ou lute, vamos vender-lhe  a gasolina e tudo o resto. Vamos fazer você produzir, faremos que consuma e vamos explorá-lo”. Este é o plano, o programa, a estratégia da guerra dos estados. Mas os nossos povos – aqueles que são cidadãos por obrigação dos estados – podem mudar tudo isto. Hoje, as pessoas de Afrin vivem de forma livre porque mudaram estas regras. Como o fizeram em Kobanê, Cizére, Chipas. E esta é a diferença crítica entre a guerra do povo e a guerra dos estados. Nas  guerras que provoca, o Estado ataca e ataca sem regras, de maneira a que o sistema lucre mais. Com bombas, tanques e aviões. Fere, mata, assassina e quer toda a vida sob o seu controlo. Enquanto na guerra dos povos, o objectivo é a liberdade.

Nos últimos dois dias, cada bomba e cada bala que caiu em Afrin é uma bala contra a liberdade. O estado turco, que quer aumentar o seu poder nas mesas de negociação, iniciou o ataque contra Afrin. É uma estratégia criada pelo nacionalismo e pelo conservadorismo que se baseia nesta mentira. É toda uma estratégia eleitoral, tal como é totalmente uma estratégia comercial. A guerra do estado visa a estratégia. Mas a guerra dos povos visa a liberdade. E nenhum Estado pode derrotar os povos que lutam pela liberdade.

O POVO DE AFRIN GANHARÁ

Acção anarquista revolucionária-DAF (Turquia)

Aqui: https://www.facebook.com/anarsistfaaliyetorg/posts/1996838190532061

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(solidariedade) Uma carta da escritora Aslı Erdoğan presa na Turquia


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Aslı Erdoğan é uma escritora e jornalista turca que está presa desde o passado mês de Agosto sob a acusação de apoiar “organizações terroristas”, nomeadamente pelo seu apoio ao povo curdo. Em 2014, para denunciar a tomada de Kobane pelo Estado Islâmico, Aslı Erdoğan organizou uma marcha de escritores à fronteira entre a Turquia e a Síria. A sua prisão tem tido eco em vários países, nomeadamente em França, onde estudou há alguns anos atrás. Esta solidariedade ganha maior expressão agora, quando se aproxima a data para o seu julgamento, marcado para 29 de Dezembro. A carta que agora publicamos foi enviada há alguns dias ao jornal libertário franco-turco Kedistan, que tem sido um dos grandes veículos na denúncia das arbitrariedades levadas a cabo pelas autoridades turcas, violando todos os direitos humanos, sejam eles individuais ou colectivos, desde a alegada tentativa de golpe de estado falhado, em Julho deste ano.

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(Turquia) Preso anarquista Şevket Aslan está em greve de fome há 43 dias


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Esta sexta-feira,  2 de Setembro, completaram-se 43 dias desde que o preso anarquista Şevket Aslan entrou em greve de fome na prisão de Yenişakran, em İzmir-Aliağa

Há uma semana, no dia 25 de Agosto, a secção da Associação de Direitos Humanos (IHD) de Istambul deu uma conferência de imprensa sobre a situação do prisioneiro anarquista, tendo o advogado de Aslan, Gökhan Soysal, referido que as suas condições de saúde estão piorando a cada dia que passa e que visitará Aslan na primeira oportunidade.

Mercan Doğan, do jornal anarquista turco Meydan, disse que Aslan entrou em greve de fome indefinida devido ao facto da sua identidade política não ser reconhecida e às suas reivindicações não estarem a ser atendidas. Doğan disse ainda que este (25 de Agosto) “é o 37° dia da indefinida e irreversível greve de fome. Do ponto de vista médico é certo que podem ocorrer problemas de saúde irrecuperáveis quando alguém entra em greve de fome por tanto tempo. A situação da saúde de Aslan tornar-se-à mais crítica em cada dia que se passa” , acrescentando que a administração da prisão que será responsável pelo que acontecer.

Frisando que está a haver um aumento da tortura e de maus tratos a Aslan desde a declaração do estado de emergência, Doğan disse que “a administração da prisão não reconhece a greve de fome indefinida e irreversível de Aslan. Nenhuma das suas reivindicações sobre este assunto foram atendidas. “

Fonte: http://www.ozgurgelecek1.net/guncel-haberler/21683-anarist-tutsak-37-guenduer-aclk-grevinde.html

através de (com alterações):  https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/09/01/turquia-prisioneiro-anarquista-sevket-aslan-em-greve-de-fome-ha-37-dias/