universidade

DA MISÉRIA NO MEIO ESTUDANTIL


alienação

(CONSIDERADA NOS SEUS ASPECTOS ECONÓMICO, POLÍTICO, SEXUAL E ESPECIALMENTE INTELECTUAL E DE ALGUNS MEIOS PARA A PREVENIR) (*)

NOTA DO TRADUTOR

Não é esta a primeira vez que o presente libelo é dado a público em Portugal. Muitos são os receios, porém, de ser esta, entre nós, a sua primeira edição legível.

Conceda-se: em países como Portugal, a critica de algo como a miséria estudantil – daquilo que esta é, e do que implica – encontra, sem dúvida, uma maior dificuldade de explicitação. Mesmo assim, o ridículo prestígio do sr. Doutor – como, satisfeito, se deixa chamar, entre nós, o feliz detentor de um diploma universitário, desta sorte partícipe duma estratificação cultural que já só é burlesca – não chega para ocultar a feroz banalização do mundo: aqui, tal como nas regiões onde tal apelação de casta não existe, a situação real do estudante, e daquilo que este virá a ser profissionalmente, é cada vez menos mistificável. Situação que tende, bem entendido, a desesperar todo o estudante de boa gema, isto é, que ainda se toma a sério, e a sério assume a imagem, grave e sedutora, de um mundo que perdeu, há muito, toda a seriedade e só seduz os reles.

Este seu papel consiste pois em interiorizar, antes de mais para uso próprio, a inevitabilidade, quão grata, de deter, na charlatanice geral, uma valia acima do comum. Porque, comumente, e isto em todas as paragens, a miséria do estudante começa pelo facto de dificilmente ser capaz de a reconhecer. Drama que constitui a sua desvantagem. É muito capaz de identificar a “miséria” dos outros (a dos “operários e camponeses”, ou a dos pobrezinhos) , mas fá-lo para confirmar, assim, que -sobretudo- não se trata de neles se confundir, mas apenas de cuidadosamente deles se demarcar, através daquilo que julga ser um prestigio e que não passa de um lastimável preconceito. É a célebre história dos estudantes ao lado do povo – que é todo um programa.

O estudante modelo não é propriamente um imbecil; o que lhe acontece é sofrer dessa doença a que Marx chamava a inteligência política, aqui oposta à inteligência social: capaz de vastos malabarismos de intelecto no domínio do fragmentário e do pormenor, é com um talentozinho todo ele pragmático, cuidadoso e rasteiro que se aplica a isso de ser estudante – quer dizer, a ignorar, teimosamente, no vasto concerto da servidão moderna, a sua própria submissão.

Júlio Henriques

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COMUNICADO CEL-Lisboa: Sobre o Cancelamento do Evento da ‘Nova Portugalidade’ na FCSH-UNL


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Dia 7 de março iria ter lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa um evento do proto-núcleo ‘Nova Portugalidade’, grupo que exalta o colonialismo e refere-se ao 25 de Abril como “trágico equívoco”, com o convidado Jaime Nogueira Pinto, “académico e politólogo” que não esconde a sua paixão por Salazar. Este combo para um debate sobre “Populismo ou democracia: Brexit, Trump, e Le Pen”, um debate de só uma visão, e a que mais convém a estas personagens.

Infelizmente vivemos em tempos em que a irresponsabilidade e a traição da esquerda eleitoral à classe trabalhadora que supostamente representavam, criaram um mar de curiosidade sobre os discursos da direita populista que atraem aqueles que se vêem mais desprezados e sem prioridade nas agendas políticas. O português comum estranha assim o desconhecido. Um desconhecido que ganhou mais importância na esfera pública que os seus também legítimos dilemas. Mas o português já foi grande, não foi? Quando se enviava jovens para a Guerra Colonial, quando a pobreza e o analfabetismo eram gritantes, quando o direito à greve era proibido e portanto tinham de contar com a boa vontade do patrão… malditos comunas. Ou talvez não tenha sido aí, lá mais atrás, quando havia reis e escravizávamos povos para enriquecer os cofres do Império, só se esquecem que o português comum dessa época também se via bem condenado. Assim se vê o tipo de narrativa lançado pelos organizadores deste evento, e pelos mesmos da sua linha política, que pretendem dar uma impressão falsa do passado como um tempo inteiramente positivo e melhor do que os dias de hoje.

Ao mesmo tempo que pregam falsidades históricas, inventam também falsidades políticas. Logo que a sala do evento lhes foi retirada, exclamaram ser um acto de horrível censura feito pelos malvados esquerdistas da AEFCSH, que odeiam a liberdade de expressão e desejam subjugar todos à sua ideologia… Pura mentira do mais alto nível. No entanto, não há-de ser surpreendente para aqueles que já conhecem estes grupos que eles tenham de recorrer a métodos desonestos para espalhar as suas ideias. Não ocorreu qualquer acto de censura. Apenas lhes foi negada uma sala, e nem sequer foi pela Direcção da AEFCSH, mas sim por uma RGA, que, já agora, para os esquecidos, é uma reunião aberta onde qualquer estudante pode participar. Ou talvez não estejam esquecidos, tendo em conta que o hábito da participação em reuniões de massas não faz parte da tradição destes patriotas; por muito que não gostem da Hillary Clinton, preferem os jantares de elite.

Enfim, os organizadores do evento podem realizá-lo onde melhor desejarem. Apenas não lhes foi concedida uma sala PELAS E PELOS PRÓPRIOS ESTUDANTES DA FACULDADE. Tamanha a hipocrisia destes indivíduos que apelam aos “democratas” para os apoiarem, e ao mesmo tempo são incapazes de respeitar o processo democrático! Desejam agora ir contra a vontade democrática, que se expressou contra eles, e tentar fazer o seu evento contra os desejos do resto das e dos estudantes da faculdade. Assim se vê o respeito que têm pelos seus colegas, e pela democracia em geral.

Ainda para mais, apelam à denúncia do “ambiente de medo e repressão”. Eis o seu pensamento acerca da liberdade de expressão que afirmam defender: quando vai a seu favor, é uma coisa fantástica, mas quando vai contra eles, é um “ambiente de medo e repressão”. Será claro para todos que estes indivíduos não possuem quaisquer princípios. Qualquer fala de “liberdade de expressão” vinda deles não passa de mera ferramenta propagandística. Tomara que eles fossem de facto defensores daquilo que afirmam. Caso assim fosse, não teriam problemas em aceitar que houvesse pessoas contra eles.

Para melhor se vitimizarem, espalham uma suposta ameaça de violência, da qual não há qualquer prova ou confirmação da sua iminência, e que ao contrário do que algumas almas reaccionárias andam para aí a murmurar, nunca se sugeriu em RGA, da qual existe ata e gravação.

No final do seu texto, a ‘Nova Portugalidade’ admite por fim a quem as suas acusações são dirigidas. Não é à Direcção da AEFCSH, mas sim a “parte da massa estudantil da FCSH”, ou seja “a parte que discorda connosco e expressa livremente as suas opiniões contra nós”, confirmando o seu desdém pela vontade democrática das e dos seus colegas, assim como todas as acusações que lhes foram aqui feitas.

Pensamos que houve uma clara falha estratégica no bloqueio deste evento que já tinha reserva de sala, e era previsível que a tentativa de a cancelar fosse apenas atiçar estes renegados que precisam tanto de se fazer de vítimas e deitar umas lágrimas de crocodilo para atrair a comunicação social. Parece até que estava planeado. Resta-nos zelar para que tal não volte a suceder, e sensibilizar aquelas e aqueles que ainda caem nestes choradinhos.

O Núcleo Universitário do Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa

aqui: https://www.facebook.com/colestlib/photos/a.966188940072393.1073741828.951731221518165/1458537440837538/?type=3&theater

(Universidade de Coimbra) Comunicado do Conselho das Repúblicas sobre o comunicado do Reitor


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No seguimento do email “Estragos na Universidade” do Reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, dirigido a toda a comunidade universitária, dando conta do sucedido no dia 20 de Fevereiro de 2017 no Edifício da Reitoria, o Conselho das Repúblicas, reunido ao 25º dia do mesmo mês, vem por este meio divulgar o seguinte comunicado:

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(Buenos Aires) I Congresso Internacional de Investigadores sobre o Anarquismo reúne-se nos dias 26, 27 e 28 de Outubro


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programa completo aqui

Já está disponível o programa completo do I Congresso Internacional de Investigadores sobre o Anarquismo que se vai realizar nos próximos dias 26, 27 e 28 de Outubro em Buenos Aires, na Argentina. Um programa muito completo que vai reunir dezenas de investigadores de vários países. Do Brasil vai estar presente um grupo alargado de investigadores.

https://www.facebook.com/ICongresoAnarquismo

(Coimbra) Já em 1928, estudantes denunciavam as praxes como “anacrónico ritual”


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Neste grupo de estudantes, entre outros, figura o anarquista Roberto das Neves, posteriormente emigrado no Brasil e um feroz combatente da ditadura de Salazar.

aqui: https://www.facebook.com/ArquivoEphemera/photos/a.1414878542088012.1073741828.1414780328764500/1777854819123714/?type=3&theater

Temas relacionados com o anarquismo cada vez mais estudados no meio universitário


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Para ler (PDF): Anarquismo e Relações de Género

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Para ler(PDF): LA AUTOGESTIÓN LIBERTARIA

O interesse por temáticas relacionadas com o anarquismo e as ideias libertárias não pára de crescer. Por todo o mundo, são inumeráveis as teses que abordam o anarquismo nas suas diversas vertentes (histórica, sociológica, económica, política, filosófica, etc.).

Recentemente chegaram-nos ao conhecimento duas teses recentes de investigadores portugueses. Uma sobre “Anarquismo e Relações de Género – o olhar anarquista do início do século XX”, de Olinda da Conceição de Jesus Gama (ISCTE). Outra, em castelhano, sobre a autogestão: “QUANDO LA UTOPÍA ERA AHORA. UNA TEORIZACIÓN SOCIOLÓGICA HOLÍSTICA SOBRE LA AUTOGESTIÓN LIBERTARIA”, de RUI MANUEL GRÁCIO DAS NEVES (Universidad Complutense de Madrid).

Teses deste género enriquecem o espaço libertário, questionando-o. Durante muitas décadas o anarquismo esteve afastado dos meios universitários – sendo essencialmente um movimento de trabalhadores, virado para a práxis social mais imediata. Hoje, o pensamento libertário, ao mesmo tempo que renasce nas ruas, nos locais de trabalho e de vida, assume-se também na sua vertente intelectual e universitária, dando origem a inúmeros trabalhos de investigação e de debate de ideias.