Mês: Janeiro 2020

(Brasil) Antinomia, um programa de rádio anarquista da responsabilidade da Biblioteca Terra Livre


No ano de 2019, a Biblioteca Terra Livre em parceria com a Rádio Antena Zero, iniciou o Antinomia, um programa de rádio que debate temas atuais a partir de uma perspectiva anarquista. Este projeto junta-se ao esforço de diferentes grupos e indivíduos em todo o Brasil que preocupados com o avanço do discurso neofascista em terras tupiniquins iniciaram a produção em áudio e audiovisual para combater o fascismo. Ao todo já foram emitidos 15 programas disponíveis através de vários formatos.

Aqui e aqui.

Antinomia #15: Unidade na esquerda e o MPL

2020 começou com mais um aumento da tarifa do transporte público na cidade de São Paulo, frente a isso o MPL chamou atos de rua. Parte da esquerda, principalmente aquela que gira na órbita do PT, a criticar o MPL na véspera do primeiro ato, rediscutindo o que foi junho de 2013 e levantando a bizarra hipótese de uma influência externa nas manifestações. Com isso cabe a pergunta: Onde está a unidade da esquerda?

Antinomia #14: Então é Natal!

Então é Natal… Quem não está cheio de ouvir a Simone todo fim de ano? No programa de hoje, comentamos o Natal, todo seu consumismo e a origem cristã (spoiler: a Igreja desvirtuou uma ótima festa que já existia). Mas também comentamos como os anarquistas leram o Natal (outro spoiler: tem Kropotkin se fantasiando de Papai Noel, com direito a enchimento na barriga). Dá play!

Antinomia #13: Desigualdade econômica e os “trabalhos de merda”

A crise econômica que vivemos não é para todos. Uma pequena minoria concentra cada vez mais a renda em todo o mundo. Esse fenômeno tem intensificado-se aqui no Brasil. A desigualdade crescente se baseia nas mudanças no mundo do trabalho, como por exemplo a criação dos “trabalhos de merda”, conceito criado pelo antropólogo anarquista David Graeber. Quer entender o que ele quis dizer com isso? Então dá play!

Antinomia #12: Aliança pelo Bolsonaro e antifascismo

Comentamos essa semana o programa do Aliança pelo Brasil, o novo partido da família Bolsonaro. Conversamos também sobre como acontecimentos do passado nos ajudam a entender o neofascismo para combatê-lo. Além disso, contamos com a fala de um companheiro italiano sobre as ações da IFA.
Nesse programa especial, entrevistamos Artur, que faz parte do Grupo de Estudos da Biblioteca Terra Livre sobre História do Anarquismo. Conversamos sobre modelos de autogestão pedagógica, no qual o grupo de estudos se inspira, além de debater os temas discutidos nas reuniões do grupo, que está estudando a participação anarquista na Revolução Russa.

Antinomia #10: Anarquismo Negro e comunidades quilombolas

A partir da notícia da aprovação do Senado do acordo entre Brasil e EUA para o uso da base de Alcântara, comentamos as consequências para as comunidades quilombolas da região. O fato de terem sido marginalizadas e relegadas ao segundo plano só mostra sua situação ao longo da história do Brasil. Relacionando a tal tema, discutimos os principais pontos do anarquismo negro. Ah, e no programa de hoje tem sorteio!

Antinomia #9: Bolívia e X Feira Anarquista de São Paulo

O que está acontecendo na Bolívia? Comentamos os eventos do golpe de Estado em curso e como o governo de Evo Morales foi na realidade um gestor do capital. Pensando nesses eventos, falamos sobre como Bakunin pensava a conciliação de classes. Na segunda parte do programa abordamos a X Feira Anarquista de São Paulo, organizada pela Biblioteca Terra Livre, Ativismo ABC, Centro de Cultura Social e Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri.

Antinomia #8: Chile

No programa dessa semana, comentamos sobre o que está rolando no Chile. Trouxemos um áudio de um companheiro chileno que abordou os recentes eventos no país andino. Trazemos também nossos quadros tradicionais, “Angelus Novus”, onde relembramos a fundação da CNT, a Patagônia Rebelde e o aniversário de Kurt Gustav Wilckens.

Antinomia #7: Rojava, confederalismo democrático e a invasão turca

Nesse episódio, comentamos sobre os recentes eventos que estão acontecendo em Rojava, o Curdistão Sírio. A região vive desde o início da década um experiência revolucionária, com a construção do poder desde baixo, pautando experiências de ecologia social e protagonismo feminino. Nas últimas semanas, o exército turco invadiu a região, colocando essa experiência em risco. Abordamos as notícias que vem de lá e contamos com áudios de duas militantes, Florencia Guarch e Anelise Csapo, que estão diretamente vinculadas com as redes de solidariedade a Rojava

Antinomia #6: Explosão Social no Equador e o protagonismo indígena na América Latina

No programa dessa semana, conversamos sobre a crise no Equador e o protagonismo indígena nas lutas sociais. Além disso, comentamos como o movimento anarquista surgiu e se desenvolveu no Peru e na Revolução Mexicana. Também comentamos como o movimento zapatista e o EZLN se organizam e desenvolvem sua organização nos chamados Caracoles. Vem com a gente!

Antinomia #05: Militarização do ensino, Ideologia nas escolas e Passe Livre escolar

No programa dessa semana, conversamos sobre o projeto do governo em criar escolas cívico-militares. Falamos sobre essas escolas em Goiás, o laboratório para o projeto do MEC. Além disso, comentamos como o anarquismo vê a questão da ideologia dentro das escolas e comentamos sobre a luta dos cursinhos populares pelo direito do passe livre escolar para seus estudantes.

Antinomia #04: Moradia, População de rua e Anarquismo

A temática deste quarto programa foi a questão da moradia, as violências do mundo do trabalho, o aumento dos moradores de rua e as perspectivas anarquistas para a questão habitacional.

Antinomia #03: Crise Ambiental, Discurso do Bolsonaro na ONU e Anarquismo

A temática deste terceiro programa foi a crise ambiental, o discurso de Bolsonaro na ONU, os ataques governamentais as populações indígenas e as perspectivas anarquistas sobre ecologia.

Antinomia #2: Crise na Educação, Greve da UFSC e Anarquismo

A temática deste segundo programa foi a crise na educação, os programas de reformas, as greves estudantis e os horizontes da educação numa perspectiva anarquista.

Antinomia #01: Anarquismo e Terrorismo de Estado

A Biblioteca Terra Livre em parceria com a rádio independente Antena Zero inicia hoje seu programa semanal “Antinomia” sobre política e anarquismo. A temática deste primeiro programa foi terrorismo de Estado e as múltiplas formas de violência na sociedade atual.

(Carlos Gordilho) “Não é com desastrosas subtilezas ou floreados académicos que irão branquear as centenas de prisões efectuadas por todo o país, bem como as cerca de 260 condenações sumárias ditadas pelo Tribunal Militar Especial”


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Grupos de deportados para o Tarrafal (Cabo Verde)

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Carta de Carlos Gordilho sobre o Museu Resistência e Liberdade (Peniche) enviada à Direcção-Geral do Património Cultural

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A Alternativa Libertaria-Federazione dei Comunisti Anarchici protesta contra o silenciamento da luta dos anarquistas portugueses contra o fascismo


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Solidariedade internacionalista!

A Alternativa Libertaria-Federazione dei Comunisti Anarchici, de Itália, acaba de manifestar o seu apoio à campanha contra o silêncio do Museu Nacional Resistência e Liberdade, de Peniche, relativamente ao papel da CGT anarco-sindicalista no combate ao fascismo. Um apoio que agradecemos e que esperamos que frutifique.

Em mensagem que nos foi enviada referem os companheiros libertários italianos que “a AL/FdCA adere ao protesto contra a grave omissão que o Museu Nacional Resistência e Liberdade, Forte de Peniche revela face ao papel da CGT e dos anarquistas na luta e resistência ao fascismo. Esta estigmatização da repressão histórica ofende não apenas anarquistas e anarco-sindicalistas, mas também aqueles que honram a verdade histórica e todos os sinceros antifascistas


Em solidariedade


AL/FdCA – Secretaria Internacional”

OS ANOS 20 DE STUART, um Anarco-Satírico silenciado.


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(texto  da intervenção do ilustrador Nuno Saraiva aquando da apresentação na Biblioteca Nacional do livro “Renda Barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n’A Batalha”, uma co-edição entre a Chili com Carne e A Batalha.

Nuno Saraiva*

Se não são conhecidas palavras ou depoimentos da parte de Stuart Carvalhais sobre a sua curta mas muito activa colaboração no A BATALHA e sua envolvencia com os anarco-sindicalistas, o seu silêncio deve-se muito provavelmente à enorme violência que se seguiu ao fecho e destruição das instalações do jornal A BATALHA.

Contextualizando, muitos militantes anarco-sindicalistas foram presos no Campo de Concentração do Tarrafal, entre os quais Mário Castelhano, o seu último redactor principal, que ali morreria, muitos foram deportados para África e posteriormente tratados como terroristas a abater (o atentado a Salazar de 1937 foi durante muitos anos anos atribuído aos anarco-sindicalistas, numa versão que omitia o papel do PCP). Todo este cenário amedrontava, aconselhava calar a veia critica e satírica de um cartunistas como Struart Carvalhais, opção absolutamente compreensível, sabendo o que sabemos hoje. A nova policia política vigiava e sabia bem que o boémio desenhador não apreciava policias.

Stuart foi um artista não-alinhado com o regime, em permanente conflito com o Estado Novo, mas cauteloso. 10 anos depois do fecho da Batalha, quando publica em 1939/40 as Aventuras do Quim e João Manuel no Semanário Humorístico Sempre Fixe, uma banda desenhada passada no cenário da Segunda Guerra Mundial, Stuart faz a resistência e crítica que pode, vigiado pela censura. Obrigado a alinhar com o salazarista alinhamento neutral, demonstra simpatia com os ingleses e faz troça com Mussolini e com Hitler mas essas vinhetas desaparecem nas páginas publicadas.

Stuart sofre aquilo que parece ser uma Pena, um Castigo por se ter descaradamente assumido como um colaborador dos anarco-sindicalistas dos anos 20. Apesar de publicar com frequência, a sua visibilidade enquanto artista é escassa, rebaixada. Prova-o a sua única exposição individual realizada na Casa da Imprensa, em 1932.

As páginas ilustradas apresentadas neste livro “Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n’A Batalha”, ajudam-nos a conhecer um Stuart reactivo, revolucionário e sem papas na língua. Mesmo apesar de não conseguir deixar de desenhar belas mulheres que se parecem todas sósias das actriz Louise Brooks, com as suas belas e eróticas pernas, Stuart desenha aqui a miséria, a pobreza, as injustiças sociais como raramente ou nunca mais um ilustrador português se atreverá a realizar, até aos dias de hoje.

Mas é, na minha modesta opinião, nas ilustrações críticas à Guerra que a vizinha Espanha infligia neste ano de 1925 em Marrocos, que Stuart se acusa políticamente. São vários os cartoons que focam este tema da Guerra de Marrocos, mas fixo-me naquele em que dois chefes militares (Rivera e Lyautey) tecem observações sobre uma batalha (uma batalha militar, bem-entendido). Tem como título “Selvagens…”.

A guerra era a Guerra do Rife também chamada de Segunda Guerra Marroquina, que já durava desde 1920 entre a potência colonial Espanhola, apoiada pela França, contras as tribos Berberes.Lyautey foi o primeiro governador do “Protetorado Francês em Marrocos” e considerado o construtor do império colonial francês.

E Rivera era Miguel Primo de Rivera (o pai do futuro fundador da falange espanhola), este Primo de Rivera, militar, nacionalista e autoritário, tinha encabeçado em 1923 um golpe de Estado, suspendendo a Constituição espanhola, dissolvendo o Parlamento e implantando uma ditadura com a conivência do rei Afonso XIII. Era o Ditador de Espanha à data da publicação deste cartoon.Ora, Stuart e a redação do A BATALHA tinham fortes razões para antipatizar com Rivera que durante os anos da sua Ditadura Militar (1923-1925), perseguiu de forma violenta todos os anarquistas espanhóis cujo sindicato , a CNT – Confederación Nacional del Trabajo, foi por ele declarado ilegal.

Por consequência da repressão do governo de Primo de Rivera, os anarquistas espanhóis (com os portugueses) criaram a Federação Anarquista Ibérica com sede transitória em Lisboa, por causa das condições adversas para os anarquistas em Espanha e tinham vontade em convocar – logo que possível – um Congresso Ibérico.

Mas pouco depois veio o golpe de estado militar do 28 de Maio de 1926 em Portugal – a porta aberta para a longa ditadura de Salazar.Nunca mais Stuart confrontará o sistema como fez nas páginas do A BATALHA, a denuncia das injustiças sociais, a ganância dos arrendatários, a violência policial, o racismo e o colonialismo. Mas simplicidade poética e humanista de Stuart resiste nas centenas de desenhos, páginas de banda desenhada, pinturas, fotografias e cenografias que realiza até morrer, no ano de 1961.Alguém disse um dia que a História nunca se repete.

“Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n’A Batalha” leva-me – enquanto cartunista e ilustrador dos dias de hoje – a suspeitar o contrário.——-Nuno Saraiva,

Na apresentação do livro “Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n’A Batalha”, Co-edição A BATALHA / CHILI COM CARNE, na Biblioteca Nacional de Portugal, 10 de Dezembro de 2019.(Um grande obrigado ao Marcos Farrajota, editor do arriscado e da subversão, pelo convite).

* aqui: https://www.facebook.com/nunosaraivailustrador/photos/pcb.1446461822184490/1446461508851188/?type=3&theater

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