Mês: Janeiro 2019

Nos 100 anos da morte de Rosa Luxemburgo, a antítese do comunismo autoritário



rosa

Hoje recordamos Rosa Luxemburgo, que foi violentada, humilhada e assassinada pelos freikorps (milícias civis) a 15 de Janeiro de 1919. Socialista revolucionária polaca, Rosa Luxemburgo foi a antítese do comunismo totalitário.

CAPI VIDAL

Lendo os textos de Rosa Luxemburgo percebe-se até que ponto se opõem ao espírito totalitário que caracteriza o comunismo nascido na Revolução Russa de 1917. Uma crítica lúcida ao desenvolvimento do socialismo de Estado não pode limitar-se a Stalin, sem começar com Lenin e Trotsky . Rosa Luxemburgo nasceu na Polónia em 1871, no seio de uma família judia rica, e aos 18 anos teve que abandonar o país devido à sua atividade revolucionária. A partir de 1896, a Alemanha torna-se no centro da sua militância; em 1905 participou no levantamento revolucionário russo daquele ano, e por isso esteve presa numa fortaleza em Varsóvia. Ainda que tenha militado algum tempo no Partido Social-Democrata alemão,  em 1914 abandonou-o pela traição cometida à causa dos trabalhadores e fundou o ‘Grupo Internacional’, que se transformaria na Liga Espartaquista e, mais tarde, no final de 1918, no Partido Comunista da Alemanha.

Muitos viram nela uma figura integra e isenta do autoritarismo de Lenin e de outros marxistas. No entanto, nos seus textos, demonstra uma certa ortodoxia marxista que redundava em sectarismo, o qual a levava a não reconhecer outro socialismo que não fosse o do seu mestre. Naquela época, a revolução proletária é entendida como uma necessidade que depende das condições económicas, como formulou Marx no “Capital”; se mais tarde reivindica, de maneira mais lúcida, a luta sindical e a espontaneidade operária, nesse momento para ela estas são questões menores.

A experiência revolucionária de 1905 vai fazê-la mudar de opinião e escreve um ano mais tarde o folheto “Greve de massas, partido e sindicatos” em que reconhece que a sua opinião sobre a greve geral se tinha tornado obsoleta (lembremos que já Engels tentara ridicularizar , num panfleto contra Bakunin de 1873, a greve geral como um método revolucionário). Agora reivindica o que o sindicalismo revolucionário de influência anarquista já estava a fazer em França e nos países latinos, desde o final do século XIX. Luxemburgo, numa fase de maturação do seu pensamento,  atribui à  massa trabalhadora uma grande capacidade criativa e revolucionária, e implicitamente nega algumas ideias de Marx e Engels em questões de estratégia, e critica , de forma antecipada, a visão leninista da revolução como uma férrea disciplina organizada no partido.

Já em 1904, Luxemburgo criticava o ultra-centralismo de Lenin, que considerava animado por um espírito policial, acusando-o de introduzir esquemas conspirativos; expressa a sua repugnância pela centralização excessiva e pela hegemonia de uma elite profissional de revolucionários. Com a revolução bolchevique, denunciará fortemente o cesarismo imposto por Lenin e Trotsky às massas russas; os três pontos básicos que criticou foram a supressão da democracia, a reforma agrária e o problema das nacionalidades, naturalmente a partir de uma perspectiva revolucionária. Segundo o programa da Liga Espartaquista, : ” O carácter da sociedade socialista consiste no facto de que a massa operária deixa de ser uma massa dirigida e converte-se no próprio protagonista da vida politico-económica, que ela própria passa a dirigir em consciente e livre autodeterminação”.Segundo este Programa, o Estado é substituído, a todos os níveis, pelos órgãos dos trabalhadores. Frente ao centralismo e à hierarquia bolcheviques, Luxemburgo defende um socialismo descentralizado, proletário e radicalmente horizontal; os pontos em comum com o anarquismo são inegáveis, apesar de existirem ainda certos conceitos marxistas discutíveis. Outro aspecto louvável do Luxemburgo é a sua rejeição pelo terror revolucionário, o seu desprezo absoluto pelo crime como meio de alcançar objetivos revolucionários.

Rosa Luxemburgo é talvez a primeira figura revolucionária, dentro do campo marxista, que questionou a tese do mestre a partir de posições claramente socialistas e com intenções científicas; assim acontece na obra “A acumulação de capital”, escrita em 1912. A ortodoxia marxista recebeu com hostilidade o livro que refutava alguns dos argumentos apresentados no “Capital”. Dois anos depois de ter sido escrita a obra de Luxemburgo, eclode a Primeira Guerra Mundial eclodiu e confirmavam-se algumas das suas teses, a luta de interesses das grandes potências europeias pelas colónias e pelos mercados.

aqui: http://reflexionesdesdeanarres.blogspot.com/2013/07/rosa-luxemburgo-la-antitesis-del.html

📖Rosa Luxemburg y la espontaneidad revolucionaria [1971] Daniel Guérin [Ed. Libros de Anarres. 2004]

📖Rosa Lusembug o el precio de la libertad – [Jörn Schütrumpf, historiador y director de la Editorial Karl Dietz Berlin. Ecuador. 2011]

Descarregar estas obras (em castelhano): https://goo.gl/zFPUv2

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Jornal “A Batalha” nº 282 já em distribuição


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Nº 282 – Novembro-Dezembro

  • Capa de Dois Vês
  • A abrir
    • Quem guarda as chaves da cidade?
    • Ajudar o Centro de Cultura Libertária!
    • O Espace Noir está em perigo!
    • Julgamento dos 14 do 15M
    • Novos Colectivos e Grupos de Estudo Libertários
  • Mixing & Jana [episódio nº 66]
  • A rasgar: A divina marquesa
    [Russo / Ilustração de João Carola]
  • A Legião Vermelha e a Acção Directa Sindicalista, parte 2
    [M. Ricardo de Sousa]
  • A Lanterna, um jornal anarquista da Ilha Terceira
    [Téofilo Braga]
  • Confusão e coletes amarelos
    [Pimprenelle]
  • Fardo tropical
    [Leonardo Brito & Alexandre Samis / Ilustração de André Pereira]
  • Soltem os justiceiros
    [Bakunino, o Felino / Ilustração de André Pereira]
  • O fascismo com pezinhos de lã e machados
    [J. Miguel]
  • Quantas vidas tem um Gato Vadio?
    [Conversa com César Figueiredo]
  • Um pedaço do céu
    [Nuno Martins]
  • Retratos à la minuta. Georges Braque, Homage to J. S. Bach
    [Emanuel Cameira]
  • Para o Rui Martiniano (1954-2018)
    [Emanuel Cameira]
  • Poesia de Francisco Cardo e Fernando Grade
  • De Cancer: Poems after Katerina Gogou
    [Sean Bonney / Ilustração de João Silvestre]
  • A prisão do estilo (e um plano de fuga)
    [Tommi Musturi]
  • À lupa
    [recensões a Crucial Change, Artifical Behaviour #1-2, BD PZL, El taco psicotrópico, Enciclopedia del Anarquismo Ibérico, Escritor Fracassado e outros contos, Gourbeyre Tòbiòtò Quimboiseurs (On Lewoz Pou Mala), Dragon du Poitou, Handbook of Tyranny, Idée, Le Livre errant, Machines for Don Quixote et Viva la muerte, Memphis Conrète Presents on Triangles: Sound in Geometry Series Vol. 1, Não penses nisso, Now #1-4, O dia do gafanhoto, Ordinária #3, Parzan et autres savuers, Pequeno Guia de Incríveis Artistas Mulheres: que foram consideradas menos importantes que os seus maridos, Rey Carbón, Sabrina, Todo por Hacer #93-95, Tongues #1, Tres cosas deve olvidar el anarquista, Vacaciones en Polonia #8]
  • Contrafacção
    [Walt Thisney]
  • Centro Anarquista Português de Artes Modestas
    [Marcos Farrajota]

A Batalha está à venda na Tortuga, Letra Livre, A Banca 31, Barata, Linha de Sombra, RDA69, Serigaita, Snob, Tigre de Papel, Zaratan – Arte Contemporânea, nos quiosques junto ao Largo do Rato, na Rua Alexandre Herculano, na Rua Camilo Castelo Branco e no Largo do Chiado (Lisboa), no Gato Vadio e na Utopia (Porto), na Uni Verso (Setúbal), na SMUP (Parede) e na Fonte de Letras (Évora).

Copntacto: jornalabatalha@gmail.com

As condições de assinatura de A Batalha são as seguintes: 

Continente | 6 nos: 6,98€ / 12 nos: 12,97€
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Europa | 6 nos: 11,97€ / 12 nos: 22,45€
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Extra-Europa, via económica | 6 nos: 11,97€ / 12 nos: 22,45€
O pagamento poderá ser efectuado para o NIB do CEL:
0033 0000 0001 0595 5845 9.

Quando as paredes falam: Árgea, 1975


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Árgea (Torres Nova), 1975 – foto inserida no livro “Crescem Flores Onde Estiveres” (sobre a vida de Joaquim Alberto, cooperativista, fundador da Comunal de Árgea, ex-seminarista e ex-militante da LUAR,  contada por ele próprio), recentemente editado pelo jornal “O Riachense”

Sobre a Comunal de Árgea:

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2016/05/24/comunal-de-argea-nao-viemos-para-um-convento-isto-e-uma-militancia/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2015/02/07/a-outra-reforma-agraria-unir-terras-unir-pessoas/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2017/02/03/comunal-de-argea-uma-experiencia-cooperativa-do-tempo-do-prec-revisitada-pela-arte/

Relacionado:

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/04/12/um-texto-anarquista-produzido-de-dentro-da-reforma-agraria-em-portugal-1976/

(Vídeo) Para a História do Anarquismo em Portugal


 

 

Vídeo gravado no dia 6 de Novembro de 2017, segunda-feira, quando tivemos o prazer de receber o companheiro português Mário Rui Pinto, na Biblioteca Carlo Aldegheri (Guarujá/SP).

Na ocasião, o companheiro Mário Rui Pinto nos falou sobre a história do Movimento Anarquista em Portugal, desde sua fase embrionária, chegando até os dias atuais.

Mário tem inúmeros serviços prestados ao anarquismo, entre eles, participou do coletivo editorial do histórico periódico anarco-sindicalista “A Batalha” & foi diretor da Revista Utopia, que entre 1995 e 2012, publicou 30 números e teve uma boa circulação no Brasil…

Atualmente participa da Editora Barricada de Livros & de outras iniciativas…

(através de https://indymedia.pt/conteudo/newswire/47974