Mês: Maio 2020

(video) Mario Rui Pinto sobre “Pandemia e anarquia: atualidade e futuro”


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Uma boa conversa em directo, ontem à noite, com um debate interessante depois. Para quem não viu fica aqui a gravação da conversa de Mário Rui Pinto a convite do centro de cultura social, do Brasil, com moderação da Jamila. Sobre o covid19, o anarquismo e as alternativas libertárias ao modelo totalitário e capitalista que hoje vigora em grande parte do planeta. Excetuam se alguns territórios e experiências que ensaiam outros modelos de vida em comum. E nesse campo estão alguns territórios e vivências indigenistas.

(IFA) Frente a uma crise global de saúde: o Estado e o capitalismo não funcionam, a solidariedade sim


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A Comissão de Relações da Internacional de Federações Anarquistas (IAF-IFA) continua a levar a cabo as suas actividades durante a actual pandemia mundial. Em todos os territórios, os delegados das nossas federações reuniram-se virtualmente para marcar o compromisso do anarquismo social e organizado nesta crise mundial

O saque e a destruição da natureza, a exploração e o empobrecimento de sociedades inteiras, as operações de guerra, a norte de milhares de pessoas por fome e privação, a exclusão e o confinamento de pessoas em campos de concentração e em prisões revelam a natureza criminosa do sistema de estado capitalista. A brutalidade deste modelo autoritário de organização social torna-se agora, na actual pandemia global, ainda mais flagrante.

Enquanto os nossos activistas tentam manter vivo o seu trabalho social e político através de diversas formas e, principalmente, apesar das regras generalizadas de confinamento, graças à tecnologia, partilharam algumas questões comuns, que se seguem:

  • Ainda que reconheçamos a necessidade da responsabilidade social na tomada de todas as precauções necessárias de saúde, que todas as pessoas devem adoptar para se protegerem a si próprias e aos outros, denunciamos o autoritarismo e o militarismo de todos os governos que abordam os problemas de saúde através da repressão militar e policial e da supressão das liberdades civis e a implementação de formas totalitárias de controlo social. Este é em especial o caso dos governos que se aproveitaram desta situação para imporem mudanças autoritárias.
  • Denunciamos a procura de lucro por parte dos capitalistas e da clase dominante, que estão a pressionar para que se retome a produção independentemente da segurança dos trabalhadores e a apoiamos as greves e manifestações espontâneas dos trabalhadores que aconteceram por todo o mundo para recusar a lógica do lucro e fomentar a prática da acção directa.
  • Denunciamos o aumento da violência machista e sexista fomentada pelas medidas de confinamento e estamos, como de costume, contra o patriarcado, o sexismo e a homo/transfobia.
  • Denunciamos a retórica nacionalista em marcha na maioria dos Estados e solidarizamo-nos com os migrantes que, com frequência, sofrem e arriscam mais do que outros devido às condições desumanas e vergonhosas dos campos de acolhimento/detenção.
  • Solidarizamo-nos com os presos e contra todas as prisões, acampamentos e instituições totalitárias, cuja natureza assassina é especialmente revelada por esta pandemia
  • Denunciamos as condições das pessoas pobres e de todos os trabalhadores desempregados e precários que carregam a carga da injustiça social em todo o mundo e correm o risco de morrer de fome nalguns países, enquanto parecem ser a última preocupação dos governos e dos governantes.
  • Solidarizamo-nos com todos os trabalhadores da saúde e com todos os trabalhadores que realizam tarefas essenciais para a vida de todos e que, frequentemente, trabalham sem as protecções e garantias necessárias, pagando muitas veces com a vida as ineficiências e erros dos aparelhos estatais e administrativos.
  • Solidarizamo-nos com todos os povos e comunidades que resistem à viol<~encia estatal e à repressão, desde Chiapas a Rojava, agravadas agora pelo Covid-19.
  • Por tudo isto, apelamos a que sejam incrementadas as experiências de apoio mútuo, solidariedade e intercâmbio emanadas desde a base e que estão a ser levadas a cabo em todo o mundo, com o fim de pôr em marcha a únicas práticas que fazem sentido e que podem ser efectivas para enfrentar os desafios globais actuais, ou seja, as que estão associadas à ajuda recíproca face aos mais débeis da sociedade, os pobres, os idosos, todos os grupos e indivíduos maltratados, explorados e discriminados. Com mais força do que nunca, devemos apoiar todas as experiências concretas que apontem para a transformação da nossa vida quotidiana, incluindo as cooperativas solidárias, as escolas alternativas e libertárias, os espaços ocupados, os espaços de solidariedade e o intercâmbio alternativo, assim como todas as iniciativas conhecidas de ajuda mútua e de transformação social libertária em todo o mundo.
  • Ainda que seja impossível resumir todas as experiências concretas que estão a ser apoiadas pelos nossos companheiros e federações em diferentes países e realidades, alguns exemplos parciais de experiências de apoio mútuo em curso podem incluir: criação de grupos de apoio mútuo que ajudem a comunidade/prédio/ bairro a fazer frente ao virus, por exemplo, com a distribuição de alimentos, equipamentos de protecção e medicamentos; abertura de novos espaços para viver e para realizar actividades culturais, incluído ocupações de espaços para pessoas sem tecto; circulação de livros, revistas e outros suportes e explicações para enfrentar a crise; promoção e implementação prática de alternativas anticapitalistas ao sistema económico existente, como os fundos partilhados de solidariedade; promoção do activismo para apoiar os grupos de pessoas maltratadas e vulneráveis, como os povos indígenas; e muito mais que não é possível enumerar aqui.

O sistema de estado capitalista que condena à morte milhões de pessoas de fome, doenças e guerra não está a lutar contra a evolução da pandemia, mas sim pela preservação dos privilégios e do poder das élites políticas e económicas.

A sofrermos a situação actual como todos os demais, os anarquistas da IAF-IFA confirmamos e continuamos a nossa luta mundial pela justiça e pela liberdade, avançando, dia a dia, na construção do mundo novo que trazemos nos nossos corações.

Comissão de Relações Internacionais da Internacional de Federações Anarquistas

3 de maio de 2020

em castelhano

 


THE EVACUATION SEASON BEGUN !!

If during the pandemic the evictions were interrupted, bureaucrats and justice officials worked hard so that, as soon as they were allowed, they could evict people from their homes. In Timisoara, Romania, two forced evictions threw dozens of people into the streets as soon as the restriction on evictions was lifted.

On May 15, immediately after the end of the state of emergency, 6 families were evacuated from a building located in the area of ​​Traian Square. Shortly after the purchase of the building, the new owners forced tenants to leave their homes within just one day, despite having lived there for 10 years. The evacuation was carried out by the local police, without a judicial decision. The evacuees had no alternative, even though amongst them there were children and the elderly.

And on June 12, at 6:00 am, in the Torontalului neighborhood, also in Timisoara, a community of about 10 people was violently evacuated. People were given no alternative or support; they were simply thrown out on the street. The 11 police cars were intimidating and threatening, destroying tenants’ shelters.
The Torontalului community has lived there for 4 years. After the land was privatized, their situation became fragile and they could have been thrown out at any time. During the pandemic, threats and insults were directed at them, people being put in a position to find an alternative on their own, at a time when it was impossible to go out on the streets.

Images before and after the destruction of the community neighborhood in Torontalului.

#StopEvacuations
#DOTimisoara
#solidarity

Gabriel Pombo da Silva foi extraditado para Espanha esta manhã


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O nosso companheiro foi entregue às autoridades espanholas esta manhã (13 de Maio) e encontra-se actualmente na prisão de Badajoz (Extremadura). Está bem e forte como sempre. Terá seguramente de ficar 14 dias em quarentena obrigatória para depois, como é suposto, ser transferido para outra prisão. Haverá mais informações sobre isso mesmo em breve.

Ainda que não haja garantia de que o correio funcione regularmente, é óbvio que um vírus não seria o responsável pela não entrega de cartas dos seus entes queridos e solidários! Seria melhor o envio de cartas certificadas (também por causa de alguns problemas que ocorreram na prisão da Polícia Judiciária do Porto, onde só a documentação dos envios certificados permitiu que Gabriel pudesse receber correspondência).

Gabriel Pombo Da Silva

Carretera de Olivenza, km 7.3

06001 Badajoz

España

GABRIEL LIVRE!

TODXS LIVRES!

VIVA A ANARQUIA!

(Última hora) Gabriel Pombo Da Silva poderá ser extraditado para Espanha em breve


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Desde o último comunicado relativo à situação jurídica e de detenção do nosso companheiro anarquista Gabriel Pombo Da Silva passou pouco mais de um mês. As últimas notícias publicadas falavam da emissão de uma sentença firme por parte do Tribunal Supremo de Lisboa, que confirmava a intenção de entregar o nosso companheiro às autoridades espanholas, não obstante a evidente ilegalidade da sua detenção (não tem que cumprir nenhuma pena remanescente!).

Depois, o seguinte passo deveria ter sido o recurso ao Tribunal Constitucional, mas durante estas semanas, aconteceram algumas coisas que confirmaram como a obediência submissa ao Tribunal n.° 2 de Girona pelxs fantoches do «Estado de Direito» português não alterar o rumo das coisas.

(mais…)

(video) A Internacional


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Dando continuidade aos trabalhos de divulgação da história do movimento operário e anarquista, a Biblioteca Terra Livre, em parceria com Giovanni Torelli, disponibilizam o filme A Internacional de Peter Miller legendado pela primeira vez em português.

A parceria é fruto do chamado de apoio feito pela Biblioteca a todas pessoas interessadas.

Se quiser saber como contribuir com o projeto de alguma forma acesse o link: Quero Apoiar 

Sinopse:

O documentário “A Internacional” apresenta a história da canção homônima, escrita por Eugène Pottier em 1871, que se tornou, a partir daquele momento, tema da classe trabalhadora. O filme aborda as diferentes apropriações históricas que ocorreram ao longo do tempo, destacando momentos como a Revolução Russa e a Revolução Espanhola, bem como sua importância nas lutas sociais em diferentes partes do mundo.

O filme foi dirigido por Peter Miller, que também realizou um documentário sobre a história dos anarquistas Sacco e Vanzetti (2006).

Legenda inéditas: @giovanni_torelli

Ou direto no YouTube: https://youtu.be/NmZvdRpuofU