Mês: Outubro 2015

(Lisboa) Apresentação hoje na Disgraça do nº 3 da revista “Flauta de Luz”


flauta
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Apresentação do Boletim de Topografia “Flauta de Luz”

pelo seu editor, Júlio Henriques
 
Dia 30 de Outubro (sexta-feira) pelas 20h na Disgraça
O fio condutor deste 3º boletim é o relacionamento crítico entre a tecnologia como configuração totalitária do capitalismo e a presença futurível das culturas ditas arcaicas de base comunizante.
Este número procede a abordagens dos progressos do capitalismo em vários âmbitos:
– sócio-histórico (movimento social revolucionário de 1974-75 e consequências da sua derrota, evolução do trabalho assalariado como expressão de submissão, sintoma de patologia e indicador de revolta), formas lúdicas da alienação contemporâneo no desporto;
– antropológico (a anarquia e o sagrado, negação do genocídio nos Estados Unidos, cosmogonia índia),
– ecologia radical (filosofia ambiental, direitos da natureza).
Inclui ainda uma pequena antologia de poesia ameríndia, outros poemas, textos sobre cinema e sobre livros, e um inédito de Albert Cossery.
A apresentação será precedida de um delicioso jantar vegano!
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Disgraça
Rua da Penha de França, 217 A/B, Lisboa (metro: Anjos)

(Prisões na Catalunha) O movimento libertário acusa o Estado espanhol de “actuar contra as ideias” anarquistas


sants

Os movimentos libertários denunciam uma “operação política” por detrás das prisões e buscas do caso Pandora, que esta quarta-feira viveu um novo episódio com a detenção de mais 9 pessoas acusadas de pertencerem a organizações “com fins terroristas”. Numa conferência de imprensa, esta tarde, os colectivos anarquistas e as entidades que os apoiam, acusaram os Mossos de actuarem “contra as ideias e contra um movimento político”, com o objectivo de destrui-los à força de os relacionarem, asseguram, com o conceito de “terrorismo” sem a imputação de factos concretos.

 “Só levaram material político”, disse o porta-voz do movimento libertário, de nome Llibert. Entre as apreensões estarão livros, revistas, computadores, sprays e bandeiras. “Há anos que a polícia se esforça por ligar o anarquismo à violência, mas não conseguem: somos espaços de construção e defesa do direito à habitação, dos direitos laborais ou contra a violência sexista”, declarou Llibert aos jornalistas, acompanhado de uma trintena de pessoas.

O caso Pandora , nas suas duas fases – ontem e no mês de Dezembro passado – acumula já 20 detenções. Os nove detidos de ontem – de colectivos como Acció Libertària (de Sants), Procés EMBAT ou Elissa – foram levados para a Audiência Nacional e está previsto que prestem amanhã declarações. No caso dos 11 presos de há quase um ano, sete deles estiveram em prisão preventiva durante mês e meio, mas já se encontram em liberdade. O processo, segundo os advogados, está parado há meses.

Os advogados de defesa consideram que “se ultrapassou uma linha vermelha” ao serem utilizadas ferramentas de “excepção penal”, em referência à legislação antiterrorista contra movimentos sociais críticos. Durante a conferência de imprensa, Andrès Garcia, advogado de três dos detidos, convidava o Colégio de Advogados, Juízes e Fiscais a fazer uma reflexão sobre “o uso extensivo” destas ferramentas penais e da palavra “terrorista”.

Nas detenções do mês de Dezembro a defesa já criticava o facto das decisões judiciais não serem capazes de relacionar os factos denunciados – como a colocação de um artefacto explosivo na Catedral de Almudena em 2013 ou atentados contra sucursais a bancos – com nenhum  dos detidos em concreto.

Aqui: http://www.eldiario.es/catalunyaplural/moviment-llibertari-politica-detencions-Pandora_0_446555565.html

https://directa.cat/actualitat/si-terrorisme-es-donar-suport-als-que-pateixen-problemes-dhabitatge-som-terrorisme

http://www.vilaweb.cat/noticies/les-entitats-anarquistes-si-terrorisme-vol-dir-fer-activitats-obertes-i-lluitar-per-a-lhabitatge-digne-som-terrorisme-2/

http://www.btv.cat/btvnoticies/2015/10/29/suport-anarquistes-operacio-ideologica/

(Curdistão) 1 de Novembro: Dia Mundial por Kobane!


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(foto do jornalista da Antena 1, José Manuel Rosendo)

A 1 de Novembro assinala-se o Dia Global para a Liberdade e a Reconstrução de Kobane. É o Dia Mundial por Kobane !! A nossa solidariedade serve também para demonstrar o quanto Kobane ajudou a fazer um mundo melhor para todos nós.

No ano passado, na mesma data, tiveram lugar em todo o mundo centenas de comícios, manifestações e iniciativas para demonstrar o apoio internacional para com Kobane e com o seu povo, numa altura em que os mais violentos países da região, incluindo a Turquia, o Iraque, o regime islâmico do Irão e outros ditadores, nada estavam a fazer para evitar a catástrofe causada pelo ISIS, pelos seus criadores e pelos seus apoiantes.

Vários meses depois do pior do cerco à cidade, a ajuda humanitária continua a estar impedida de entrar na cidade e as pessoas necessitam urgentemente de medicamentos básicos, alimentos e roupa.

A população do Curdistão sírio, a região curda libertada no norte da Síria, liderada pelos grupos revolucionários curdos tem conseguido manter o seu território apesar das sucessivas ofensivas do Estado Islâmico, incluindo vários ataques a Kobane.

Está na hora de ajudarmos Kobane e de demonstrarmos a nossa solidariedade com os que estão a lutar para que exista uma sociedade livre, democrática e pacífica.

Reconstruir Kobane significa reconstruir a cidade que celebra a nossa humanidade em comum.

Apoia a resistência de Kobane – contra o Estado Islâmico e pela Humanidade.

A nossa vingança será o sorriso das gerações futuras …

Viva a Revolução em Rojava!

aqui: https://www.facebook.com/AnarchismandRojava

(Catalunha) CNT solidária com os 9 anarquistas presos esta manhã em Barcelona e em Manresa


barcelona

Comunicado da CNT da Catalunha sobre o novo ataque ao movimento libertário

Esta manhã tivemos a notícia lamentável de que o Estado, por meio da audiência Nacional e dos Mossos d’Esquadra, voltou a perpetrar uma série de buscas a locais e apartamentos, bem como à detenção de activistas libertários em Barcelona e Manresa, um dos quais – pelo menos, de que temos provas até agora – é filiado nesta organização.

Uma actuação que não podemos qualificar de outra forma senão de repressão ao movimento libertário, dando continuidade a uma estratégia jurídica e policial que já resultou em várias prisões de anarquistas nos últimos meses. Estamos a falar da operação Pandora e da operação Piñata.

Do Secretariado Permanente do Comité Regional da Catalunha e Baleares da CNT-AIT, condenamos a actuação do aparelho repressivo do Estado e solidarizamo-nos com todos os presos, bem como com os seus familiares e amigos. Apelamos à participação de toda a população nas acções de apoio que venham a acontecer e a continuar a reforçar a luta social, através da solidariedade, da ajuda mútua e da auto-organização, porque essa é a melhor arma contra os inimigos do povo organizado.

Secretariado Permanente

Comité Regional da CNT Catalunya i Balears

aqui: https://www.facebook.com/lasolidaridad.obrera/photos/a.855680434545973.1073741828.854754614638555/867816633332353/?type=3&theater

(Lisboa) Colóquio e jantar em homenagem ao anarquista e professor universitário José Maria Carvalho Ferreira


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Na sequência da aposentação do Professor Doutor JOSÉ MARIA CARVALHO FERREIRA, um grupo de colegas e amigos decidiu organizar um evento em sua homenagem. É pois com enorme gosto que gostaríamos de o (a)convidar a participar no referido evento que se realizará no próximo dia 20 DE NOVEMBRO.

A homenagem inclui um colóquio subordinado ao tema_ Sociedade e Utopia_, no qual participarão alguns oradores convidados que irão refletir sobre os contributos científicos, a intervenção cívica e a dimensão humana de JOSÉ MARIA CARVALHO FERREIRA. Seguir-se-á um Porto de Honra de confraternização e um jantar comemorativo.

O colóquio terá início às 18h e terminará às 20h, sendo o Porto de Honra servido nos claustros do edifício do Quelhas do ISEG. O jantar terá lugar no Salão Nobre do mesmo edifício às 20.30h.

De modo a facilitar a organização das atividades, solicitamos a máxima atenção para a necessidade de manifestar a sua disponibilidade em participar no colóquio/Porto de Honra e/ou no jantar, enviando um e-mail confirmativo para socius@iseg.ulisboa.pt até ao dia 13 de Novembro. A presença no jantar implica a menção ao tipo de prato que prefere (carne, peixe ou vegetariano) e o pagamento de 25 euros, o qual poderá ser efetivado no SOCIUS (no ISEG, Edifício da Rua Miguel Lupi nº 20, Gabinete 203) ou no Departamento de Ciências Sociais (Gabinete 111 do mesmo edifício).

Na elevada expetativa da sua participação nesta singela mas sincera homenagem ao Catedrático e ao Homem JOSÉ MARIA CARVALHO FERREIRA que muito estimamos,

Somos, com as mais cordiais saudações académicas e pessoais,

A Comissão Organizadora

Helena Jerónimo
Idalina Dias Sardinha
Isabel Mendes
João Carlos Lopes
Manuel Coelho
Rafael Marques
Rita Raposo

José maria

José Maria Carvalho Ferreira, à esquerda, na Adega Acrata, situada em Bogarreus – Alenquer, sua terra natal. José Maria nasceu aqui em 1945, numa família de camponeses pobres com 7 filhos. Até deixar Portugal a caminho de França (em 1970), teve diversas ocupações, do trabalho no campo a várias outras actividades manuais. Militante antifascista, foi marxista, conselhista e situacionista antes de se afirmar como anarquista. Esteve ligado a vários colectivos libertários entre os quais a Associação Cultural “A Vida” ou ao colectivo da Revista “Utopia”.

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Entrevista autobiográfica de José Maria Carvalho Ferreira a Edsson Passeti no programaOs Insurgentes” da Tv Puc/SP em duas partes. Para assistir on line no arquivo de filmes anarquistas do site Christie Books procure por ordem alfabética “José Maria Carvalho Ferreira – Edsson Passeti (1 e 2)”  – AQUI

As ideias já não são o importante. O mais importante é o valor em euros do teu voto. 2,84 euros por ano. É isso que o teu voto vale.


partidos

A política à portuguesa é uma mina para os políticos, mas paga (e bem) por quem trabalha!

Para além de todas as benesses de que os agentes do sistema político usufruem (altos salários, capacidade de colocar os seus militantes nos mais diferentes cargos, acesso a fundos e a formas de financiamento diversos, corrupção, jogos de interesse, etc., etc.) existe uma lei de financiamento dos partidos políticos que faz com que sejamos todos nós, contribuintes, a financiá-los. Nós e não, como seria natural, os seus militantes. Segundo esta lei, a cada voto obtido pelos partidos nas eleições legislativas corresponde um subsídio anual de 2,84 euros (1). O que significa (se não alterarem a lei para conseguirem mais uns cobres para as máquinas partidárias),  com base nos resultados das eleições deste mês, que a coligação CDS/PSD, que obteve pouco menos de 2 milhões de votos, vai receber, anualmente, só para despesas de funcionamento, 5 milhões e 662 mil euros; o PS com 1.7478.685 votos recebe quase 5 milhões de euros; o BE com  550.892 recebe 1 milhão e 564 mil euros e o PCP/PEV com quase 446 mil votos recebe 1.266.583 euros; o PSD onde concorreu sozinho, com 81 mil votos recebe 210 mil euros; o PAN, com 75 mil votos recebe 213.397 euros; o PDR com 61.632 votos recebe 175.034 euros e o PCTP/MRPP, com perto de 60 mil votos recebe 170 mil euros.

É um fartar vilanagem: se a isto somarmos o pagamento dos gastos das campanhas eleitorais, dos altos salários que todos estes eleitos ganham (para além das despesas de representação, da corrupção instalada em todo o sistema político que faz com que as despesas do Estado derrapem a todo o momento, as golpadas que existem com base e em torno dos fundos comunitários, um sistema de impostos que apenas favorece os grandes negócios e as grandes empresas, nomeadamente as multinacionais e os bancos) é caso para dizer que Portugal – ao contrário do que se pensa –  tem que ser um país muito rico para que quem trabalha consiga aguentar a voragem e o saque a que toda esta gentinha tem levado o país.

Claro que a democracia tem os seus custos. Mas NÃO PODE ter estes custos tão violentos para quem trabalha:  a classe política, em nome de uma falsa representação, constitui hoje uma casta vampiresca que suga o suor de quem trabalha – e para quem estes subsídios e financiamentos representam apenas uma infíma parte do roubo diário exercido sobre a esmagadora maioria da população que, como se sabe, não está empregada nem faz parte da “entourage” no grande negócio da política.

Quem se quer organizar em partidos políticos que o faça – mas sem subsídios de todos nós.

Quem tem uma ideia para partilhar, que o faça – mas não temos que ser nós a pagar tal proselitismo.

Os partidos e a classe política estão a viver cada vez mais acima das nossas possibilidades.

Para nós, que não aceitamos que nos representem, só a autogestão e a gestão directa das nossas vidas, sem subsídios nem castas dirigentes, pode acabar com os intermediários da política a quem  – como a quaisquer intermediários – só interessa o lucro e o que recebem. Construíram este regime opressor, centrado no fisco (embora camuflado na mentira do “estado de bem-estar” ou “estado distributivo” – só se for entre eles -), onde recebem as mais-valias de quem trabalha para as distribuir entre os seus. Cada vez é mais visível este fosso entre os de baixo e os de cima – os de baixo, os que que produzem e financiam todos o sistema; os de cima, a classe rica e exploradora e os seus aliados da classe política, organizada em grupos de interesses e especialista no “agora exploro eu, amanhã mandas tu”, como se não houvesse alternativa.

Mas há. E essa alternativa só depende de cada um de nós recusar que o representem e chamar a si próprio a sua própria representação. A isso chama-se assemblearismo, democracia directa, autogestão. Sem termos intermediários a cobrarem fundos sem fim para nos representarem. Sem a corrupção de uma classe política, de braço dado com os patrões, hábil na compra e na venda de influências.

E pensa nisto: cada vez que votas, está também a financiar a máquina partidária em que votaste. Já não são, para eles, as ideias o importante. O mais importante é o valor em euros do teu voto. 2,84 euros por ano. É isso – apenas isso – que o teu voto vale.

Luís Mendes (por email)

(1) De acordo com a lei do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais, todos os partidos que obtenham mais de 50 mil votos nas eleições legislativas têm direito a receber uma subvenção que é calculada com base no salário mínimo nacional (SMN) de 2008. Cada voto vale 1/135 do valor do SMN 2008 (426 euros), ou seja, 3,155 euros. Mas, devido às medidas de austeridade do Governo de Pedro Passos Coelho, até Dezembro de 2016, o montante final sofre um corte de 10%. Assim, para efeitos de cálculo, cada voto vale actualmente, em termos líquidos, 2,84 euros.