(Carlos Gordilho) “Não é com desastrosas subtilezas ou floreados académicos que irão branquear as centenas de prisões efectuadas por todo o país, bem como as cerca de 260 condenações sumárias ditadas pelo Tribunal Militar Especial”


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Grupos de deportados para o Tarrafal (Cabo Verde)

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Carta de Carlos Gordilho sobre o Museu Resistência e Liberdade (Peniche) enviada à Direcção-Geral do Património Cultural

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A Alternativa Libertaria-Federazione dei Comunisti Anarchici protesta contra o silenciamento da luta dos anarquistas portugueses contra o fascismo


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Solidariedade internacionalista!

A Alternativa Libertaria-Federazione dei Comunisti Anarchici, de Itália, acaba de manifestar o seu apoio à campanha contra o silêncio do Museu Nacional Resistência e Liberdade, de Peniche, relativamente ao papel da CGT anarco-sindicalista no combate ao fascismo. Um apoio que agradecemos e que esperamos que frutifique.

Em mensagem que nos foi enviada referem os companheiros libertários italianos que “a AL/FdCA adere ao protesto contra a grave omissão que o Museu Nacional Resistência e Liberdade, Forte de Peniche revela face ao papel da CGT e dos anarquistas na luta e resistência ao fascismo. Esta estigmatização da repressão histórica ofende não apenas anarquistas e anarco-sindicalistas, mas também aqueles que honram a verdade histórica e todos os sinceros antifascistas


Em solidariedade


AL/FdCA – Secretaria Internacional”

OS ANOS 20 DE STUART, um Anarco-Satírico silenciado.


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(texto  da intervenção do ilustrador Nuno Saraiva aquando da apresentação na Biblioteca Nacional do livro “Renda Barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n’A Batalha”, uma co-edição entre a Chili com Carne e A Batalha.

Nuno Saraiva*

Se não são conhecidas palavras ou depoimentos da parte de Stuart Carvalhais sobre a sua curta mas muito activa colaboração no A BATALHA e sua envolvencia com os anarco-sindicalistas, o seu silêncio deve-se muito provavelmente à enorme violência que se seguiu ao fecho e destruição das instalações do jornal A BATALHA.

Contextualizando, muitos militantes anarco-sindicalistas foram presos no Campo de Concentração do Tarrafal, entre os quais Mário Castelhano, o seu último redactor principal, que ali morreria, muitos foram deportados para África e posteriormente tratados como terroristas a abater (o atentado a Salazar de 1937 foi durante muitos anos anos atribuído aos anarco-sindicalistas, numa versão que omitia o papel do PCP). Todo este cenário amedrontava, aconselhava calar a veia critica e satírica de um cartunistas como Struart Carvalhais, opção absolutamente compreensível, sabendo o que sabemos hoje. A nova policia política vigiava e sabia bem que o boémio desenhador não apreciava policias.

Stuart foi um artista não-alinhado com o regime, em permanente conflito com o Estado Novo, mas cauteloso. 10 anos depois do fecho da Batalha, quando publica em 1939/40 as Aventuras do Quim e João Manuel no Semanário Humorístico Sempre Fixe, uma banda desenhada passada no cenário da Segunda Guerra Mundial, Stuart faz a resistência e crítica que pode, vigiado pela censura. Obrigado a alinhar com o salazarista alinhamento neutral, demonstra simpatia com os ingleses e faz troça com Mussolini e com Hitler mas essas vinhetas desaparecem nas páginas publicadas.

Stuart sofre aquilo que parece ser uma Pena, um Castigo por se ter descaradamente assumido como um colaborador dos anarco-sindicalistas dos anos 20. Apesar de publicar com frequência, a sua visibilidade enquanto artista é escassa, rebaixada. Prova-o a sua única exposição individual realizada na Casa da Imprensa, em 1932.

As páginas ilustradas apresentadas neste livro “Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n’A Batalha”, ajudam-nos a conhecer um Stuart reactivo, revolucionário e sem papas na língua. Mesmo apesar de não conseguir deixar de desenhar belas mulheres que se parecem todas sósias das actriz Louise Brooks, com as suas belas e eróticas pernas, Stuart desenha aqui a miséria, a pobreza, as injustiças sociais como raramente ou nunca mais um ilustrador português se atreverá a realizar, até aos dias de hoje.

Mas é, na minha modesta opinião, nas ilustrações críticas à Guerra que a vizinha Espanha infligia neste ano de 1925 em Marrocos, que Stuart se acusa políticamente. São vários os cartoons que focam este tema da Guerra de Marrocos, mas fixo-me naquele em que dois chefes militares (Rivera e Lyautey) tecem observações sobre uma batalha (uma batalha militar, bem-entendido). Tem como título “Selvagens…”.

A guerra era a Guerra do Rife também chamada de Segunda Guerra Marroquina, que já durava desde 1920 entre a potência colonial Espanhola, apoiada pela França, contras as tribos Berberes.Lyautey foi o primeiro governador do “Protetorado Francês em Marrocos” e considerado o construtor do império colonial francês.

E Rivera era Miguel Primo de Rivera (o pai do futuro fundador da falange espanhola), este Primo de Rivera, militar, nacionalista e autoritário, tinha encabeçado em 1923 um golpe de Estado, suspendendo a Constituição espanhola, dissolvendo o Parlamento e implantando uma ditadura com a conivência do rei Afonso XIII. Era o Ditador de Espanha à data da publicação deste cartoon.Ora, Stuart e a redação do A BATALHA tinham fortes razões para antipatizar com Rivera que durante os anos da sua Ditadura Militar (1923-1925), perseguiu de forma violenta todos os anarquistas espanhóis cujo sindicato , a CNT – Confederación Nacional del Trabajo, foi por ele declarado ilegal.

Por consequência da repressão do governo de Primo de Rivera, os anarquistas espanhóis (com os portugueses) criaram a Federação Anarquista Ibérica com sede transitória em Lisboa, por causa das condições adversas para os anarquistas em Espanha e tinham vontade em convocar – logo que possível – um Congresso Ibérico.

Mas pouco depois veio o golpe de estado militar do 28 de Maio de 1926 em Portugal – a porta aberta para a longa ditadura de Salazar.Nunca mais Stuart confrontará o sistema como fez nas páginas do A BATALHA, a denuncia das injustiças sociais, a ganância dos arrendatários, a violência policial, o racismo e o colonialismo. Mas simplicidade poética e humanista de Stuart resiste nas centenas de desenhos, páginas de banda desenhada, pinturas, fotografias e cenografias que realiza até morrer, no ano de 1961.Alguém disse um dia que a História nunca se repete.

“Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n’A Batalha” leva-me – enquanto cartunista e ilustrador dos dias de hoje – a suspeitar o contrário.——-Nuno Saraiva,

Na apresentação do livro “Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n’A Batalha”, Co-edição A BATALHA / CHILI COM CARNE, na Biblioteca Nacional de Portugal, 10 de Dezembro de 2019.(Um grande obrigado ao Marcos Farrajota, editor do arriscado e da subversão, pelo convite).

* aqui: https://www.facebook.com/nunosaraivailustrador/photos/pcb.1446461822184490/1446461508851188/?type=3&theater

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(Lisboa) Contra as dragagens no Sado – Manifestação frente à Assembleia da República. Quinta-feira, 19 /12, às 15 horas.


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É URGENTE PARAR AS DRAGAGENS – 

TODOS EM DEFESA DO RIO SADO! 
MANIFESTAÇÃO QUINTA FEIRA 19, 15:00 – Frente à Assembleia da República – São Bento, Lisboa. 
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A dragagem de 6,5 milhões de metros cúbicos de areia do fundo do estuário do Rio Sado já começaram na passada noite de 12 para 13 de Dezembro.

As manchas de lodo criadas por estas obras foram visíveis desde as primeiras horas.

É mais urgente do que nunca não baixar os braços, e defender o Rio Sado em todas as frentes!

Quinta feira dia 19 de Dezembro o Sado vai ao Parlamento.

A SOS Sado, o Clube da Arrábida, a Associação Zero, a Ocean Alive e a Assembleia Popular em Defesa do Sado anunciam e convocam todos os interessados para se juntarem em protesto pelo arranque das obras e pela sua suspensão total e imediata, pelas 15:00 frente às escadarias do parlamento.

Nessa tarde serão discutidas em sede da Comissão de Ambiente, as propostas apresentadas por 4 partidos políticos e uma petição pública impulsionada pelo movimento SOS Sado assinada por várias centenas de pessoas.

Estas propostas, se votadas favoravelmente, no dia 20 Sexta-feira, produzem uma recomendação ao governo. Não têm só por si a capacidade de travar este crime ambiental, no entanto poderá ser um passo importante nesta nossa luta.

Por isto, e sabendo à partida que o dia e a hora poderão ser impeditivos para muitas pessoas, um grupo de cidadãos que têm participado nas actividades da Assembleia Popular em Defesa do Sado e movimento SOS Sado tomaram a iniciativa de organizar a proposta que nasceu da assembleia aberta que decorreu na última vigilia a 8 de Dezembro: Marcar presença numa manifestação ruidosa em frente ao parlamento durante a discussão.

Vamos fazer ouvir a nossa voz em Lisboa!

É urgente travar as obras que já começaram, e impedir que se continue a destruir este património único de todos nós!

Custe o que custar, e doa a quem doer, o Rio Sado é para defender!

Autocarros para Lisboa:

Foram organizados autocarros para transporte colectivo. Esta iniciativa é totalmente apartidária, os fundos foram recolhidos entre cidadãos setubalenses que desejaram contribuir para este efeito.

Aconteça o que acontecer com a discussão e votação em Lisboa, não vamos parar por aqui!

Mais protestos contra a omissão da resistência anarquista ao fascismo na exposição do Museu Nacional Resistência e Liberdade de Peniche


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Vários companheiros têm feito chegar ao Portal Anarquista mensagens de protesto enviadas ao Museu Nacional Resistência e Liberdade a propósito da denúncia aqui feita da omissão do papel dos anarquistas e anarcossindicalistas numa exposição em que se destaca a resistência ao fascismo em Portugal. De algumas delas fazemos eco (ou já fizemos) nestas páginas e apelamos a que mais vozes de protesto se juntem às nossas.

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“Adiro ao protesto contra a grave omissão que o Museu Nacional Resistência e Liberdade, Fortaleza de Peniche, faz do papel da CGT e dos anarquistas no combate e na resistência contra o fascismo. Estigmatizo a remoção da memória histórica que ofende não somente os anarquistas e os anarcossindicalistas, mas também todos os que honram a verdade histórica e todos os sinceros antifascistas. 

Virgilio Caletti – Arruda dos Vinhos”

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“Excelentíssimas Sras. e Srs. responsáveis pelo Museu Nacional Resistência e Liberdade (MNRL); e do catálogo da exposição – “Por Teu Livre Pensamento” – (PTLP).

Venho por este meio, como Libertário, protestar veemente contra a emissão que fizeram – voluntário ou involuntariamente sobre o papel da CGT-Anarco-Sindicalista. Estes militantes-trabalhadores e lutadores pela dignificação do trabalho; e contra a degradação social, vivida no “Estado-Novo” – não merecem ser branqueados décadas de luta, morte e sofrimento, que o ditador impôs!

Os ideais de quem luta pela liberdade e pelo bem comum do Género-Humano, jamais se apagarão! 

“A função do historiador é lembrar à sociedade daquilo que ela quer esquecer” – (Pétu Burke, historiador)

Com os melhores cumprimentos.

António Alvão Carvalho.”

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“O centenário da CGT e da Batalha, que se assinalou durante o corrente ano de 2019, coincidiu com a transformação da Fortaleza de Peniche em Museu Nacional e a abertura de uma exposição «Por Teu Livre Pensamento» que é uma autêntica elegia da história do PCP e onde a CGT, A Batalha e os anarquistas não contam.

Vários companheiros já protestaram junto da organização do Museu e da Exposição pelo total apagamento do papel dos anarquistas na luta contra o Estado Novo e o fascismo.

Anarquistas e anarco-sindicalistas que sofreram centenas de anos de prisão acumulados nas diversas prisões do fascismo, entre elas a fortaleza de Peniche, e onde muitos também foram vítimas de torturas atrozes e alguns perderam a vida.

Face a esta ignomínia, junto a eles a minha voz a denunciar a obscena omissão dos organizadores de tal exposição, considerando inaceitável tal manipulação dos factos da história social.

Luís Bernardes”

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“EMAIL ENVIADO AO DGPC :

Venho por este meio denunciar o papel ínfimo que o Museu Nacional de Resistência e Liberdade esta a dar aos anarquistas e anarcosindicalistas no contexto de resistência aos fascismo.

O PCP teve um papel importante na luta contra o fascismo, mas não foi só o PCP que resistiu ao fascismo.

Os anarquistas e anarcosindicalistas da extinta CGT – Confederação Geral do Trabalho organizaram uma greve geral em 18 de Janeiro de 1934 para derrubar o regime fascista do Estado Novo que não teve êxito, mas foi um marco de luta do trabalho contra a ditadura.

Também Emídio Santana organizou um atentado sem êxito ao ditador Salazar a caminho da missa numa rua de Lisboa em 4 de Julho de 1937. Agradecia que divulgassem estes dois aspectos.

Fernando Dias