Enciclopédia Histórica do Anarquismo Espanhol disponível na internet


Miguel Iñiguez - Enciclopedia historica del Anarquismo español. Asociacion Isaac Puente [2008]

Estão disponíveis na internet os três volumes da Enciclopédia Histórica do Anarquismo Espanhol, de Miguel Iñiguez. O download pode ser feito na totalidade ou volume a volume.

aqui: https://mega.nz/#F!8NgnECDR!_-CXx4fscr3y3s4qaAPz6w

 

SESSÃO DO MOVIMENTO ‘SOLUÇÕES PARA A PAZ’ (11-03-2017)


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A sessão, organizada pelos activistas do Movimento «Soluções para a Paz» nas instalações da «Fábrica de Alternativas» de Algés, no Sábado 11 de Março, contou com a presença de um público pouco numeroso, mas interessado.

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“Teses Sobre a Visita do Papa”, por António José Forte


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Numa altura em que faltam exactamente 2 meses para que o papa visite Portugal e o seu espectáculo maior que dá pelo nome de Fátima, com a lotação esgotada e os preços a fazerem corar de vergonha os administradores de outros espaços de culto e luxo, nada melhor do que trazer, de novo, para a ribalta este texto do poeta surrealista António José Forte, publicado no jornal “A Batalha” há 35 anos, aquando da visita de um outro papa ao mesmo espectáculo, em cena desde 1917 e que bons cobres e dividendos ideológicos tem proporcionado à troika formada pelo Estado, pelo Capital e pela Igreja, os três na sua santa missão de injectarem “esperança” entre os explorados.

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1. Ó Estado, mais uma vez podes limpar as mãos à parede do cu do papa, ficarás com as mãos mais brancas para os teus crimes. Ó partidos, da esquerda e da direita, mais uma vez podeis beijar os pés ao papa, ficareis com a boca abençoada para mentir melhor. Explorados, escolhei o crime, escolhei a mentira. Sois livres. Tu poeta, range os dentes e indigna-te.

2. Que o Estado venere a Deus na figura do papa, que os partidos venerem o Estado na figura do papa; que os explorados venerem a Deus, o Estado, o Partido – a trindade omnipresente. Enfim, o poder temporal subordinado ao poder sobrenatural. Nem Deus nem senhor? Maldita incurável doença infantil do comunismo. Explorado, escolhe o explorador.

3. O Estado que te submete é republicano e reverencia a Igreja, o Partido em que militas é marxista e felicita o papa, o Sindicato onde estás inscrito é revolucionário e saúda a reacção. A greve geral é uma arma que não deve ferir o papa. Nada contra o obscurantismo. Paz ao inimigo. Quem disse que a religião é o ópio do povo? Explorados, que escolheis?

4. Sobretudo, nada de escândalo. Uma pedra branca sobre o crime, uma pedra negra sobre a crítica. Ecrasez l’ infâme, dizia Voltaire. O silêncio dos ateus é o ouro do Vaticano. Explorado, escolhe a pedra para a tua cabeça.

5. Conquistar a liberdade de expressão para não usar a liberdade de expressão. Não denunciar o opressor, não ousar atirar-lhe à cara a revolta, sequer na forma de um cravo. Ver, ouvir, receber o papa com o medo do 24 de Abril. Explorado, porque não vomitas?

6. Explorado, sê manso e obedece. Pode ser que entres no reino dos céus, de camelo ou às costas de um rico. Obedece. Pode ser que vás para a cama com a pátria. Obedece. Pode ser que o teu cadáver ainda venha a ser estandarte glorioso do Partido. Nunca percas a esperança, explorado, jamais.

7. Abaixo a união livre. Viva a coexistência pacífica. O casamento do capital e do trabalho vai ser o grande casamento do século. Não haverá oposição dos pais nem da polícia. Sobretudo, tudo menos a erotização do proletariado. Felicidades, explorado.

8. Ouvi falar da luta de classes e da revolução e do mundo que o proletariado tem a ganhar e nada a perder. Ouvi falar das armas da crítica e da crítica pelas armas. Ouvi falar em transformar o mundo e mudar a vida. Ouvi falar de que enquanto um homem, um só que seja, e ainda que seja o último, existir desfigurado, não haverá figura humana sobre a terra. Nunca tinha ouvido uma sereia assim. Ouviste, explorado?

9. O diálogo? Que diálogo pode haver entre o condenado à morte e o carrasco que o conduz ao patíbulo? O diálogo é entre amantes, entre amigos, entre camaradas. Fora disso não há diálogo. Tens a palavra, explorado.

António José Forte 

In: jornal “A Batalha” – Lisboa. – Ano IX, VI série, Nº 90 (Dez. 1982)
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(Lisboa, 11.3.2017) Bloco Transfeminista Libertário na marcha ‘constroem muros, aprendemos a voar’


aqui: https://ephemerajpp.com/2017/03/11/marcha-constroem-muros-aprendemos-a-voar-lisboa-11-de-marco-de-2017/

relacionado: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2017/03/10/lisboa-bloco-transfeminista-libertario-amanha-na-marcha-que-assinala-o-dia-internacional-da-mulher/

DA MISÉRIA NO MEIO ESTUDANTIL


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(CONSIDERADA NOS SEUS ASPECTOS ECONÓMICO, POLÍTICO, SEXUAL E ESPECIALMENTE INTELECTUAL E DE ALGUNS MEIOS PARA A PREVENIR) (*)

NOTA DO TRADUTOR

Não é esta a primeira vez que o presente libelo é dado a público em Portugal. Muitos são os receios, porém, de ser esta, entre nós, a sua primeira edição legível.

Conceda-se: em países como Portugal, a critica de algo como a miséria estudantil – daquilo que esta é, e do que implica – encontra, sem dúvida, uma maior dificuldade de explicitação. Mesmo assim, o ridículo prestígio do sr. Doutor – como, satisfeito, se deixa chamar, entre nós, o feliz detentor de um diploma universitário, desta sorte partícipe duma estratificação cultural que já só é burlesca – não chega para ocultar a feroz banalização do mundo: aqui, tal como nas regiões onde tal apelação de casta não existe, a situação real do estudante, e daquilo que este virá a ser profissionalmente, é cada vez menos mistificável. Situação que tende, bem entendido, a desesperar todo o estudante de boa gema, isto é, que ainda se toma a sério, e a sério assume a imagem, grave e sedutora, de um mundo que perdeu, há muito, toda a seriedade e só seduz os reles.

Este seu papel consiste pois em interiorizar, antes de mais para uso próprio, a inevitabilidade, quão grata, de deter, na charlatanice geral, uma valia acima do comum. Porque, comumente, e isto em todas as paragens, a miséria do estudante começa pelo facto de dificilmente ser capaz de a reconhecer. Drama que constitui a sua desvantagem. É muito capaz de identificar a “miséria” dos outros (a dos “operários e camponeses”, ou a dos pobrezinhos) , mas fá-lo para confirmar, assim, que -sobretudo- não se trata de neles se confundir, mas apenas de cuidadosamente deles se demarcar, através daquilo que julga ser um prestigio e que não passa de um lastimável preconceito. É a célebre história dos estudantes ao lado do povo – que é todo um programa.

O estudante modelo não é propriamente um imbecil; o que lhe acontece é sofrer dessa doença a que Marx chamava a inteligência política, aqui oposta à inteligência social: capaz de vastos malabarismos de intelecto no domínio do fragmentário e do pormenor, é com um talentozinho todo ele pragmático, cuidadoso e rasteiro que se aplica a isso de ser estudante – quer dizer, a ignorar, teimosamente, no vasto concerto da servidão moderna, a sua própria submissão.

Júlio Henriques

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(Almada) Uma das primeiras sessões públicas do Movimento Libertário após o 25 de Abril


Capturar

aqui: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/movimento-libertario-portugues/

Almada (21/6/1974) uma das primeiras sessões públicas do Movimento Libertário a seguir ao 25 de Abril de 1974, na Incrível Almadense (*). Na mesa do comício vêem-se Francisco Quintal, Sebastião de Almeida e Emídio Santana, entre outros. Nas primeiras filas Custódio da Costa, Artur Modesto…Video disponível no arquivo da RTP, mas sem som.

(*) Confirmação feita por Carlos Gordilho. “Depois de observar o filme da RTP posso confirmar que se trata de imagens de um comício realizado na Sociedade Incrível Almadense, por iniciativa da delegação de Almada do Movimento Libertário Português. Na mesa encontram-se da esquerda para a direita as seguintes pessoas: Dr. Gladestone da Costa; Francisco Quintal; Domingues; Sebastião de Almeida; Dr. Alexandre Achando; Correia Pires e Emidio Santana.”