(Itália) Alfredo Cospito há 100 dias em greve de fome


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O preso anarquista italiano, que luta contra o regime de detenção de alta segurança, Alfredo Cospito completa hoje 100 dias em greve de fome e começam a existir sérias preocupações com a sua vida. A situação de Alfredo Cospito “está a piorar lentamente, a sua termorregulação está a enfraquecer, usa 4 ou camisas e três calças, mas está sempre com frio. Não pode sair e andar ao ar livre, sente-se muito fraco, tanto que se desloca numa cadeira de rodas, o que o deixa muito deprimido. Todos os indicadores estão em queda e há risco de edema cerebral”. Este é o quadro clínico observado pela doutora Angélica Milia, que examinou o anarquista na prisão e relatou ao advogado de defesa, Flavio Rossi Albertini: “Ontem (há dois dias), quando tomava banho por volta das 23h30, caiu e bateu com a cara no chão, partiu o nariz e foi levado rapidamente para o posto de socorros”, explicou o médico.

Contudo, há dois dias, a Direcção Geral de Presos, em documento enviado ao advogado Flavio Rossi Albertini, escrevia que “parece a esta direcção que as condições do preso Alfredo Cospito são atualmente estáveis ​​e que mostra bem-estar psicofísico”. Segundo este documento as condições de Cospito não seriam preocupantes. “O sujeito parece tranquilo”, diz o documento, que responde ao pedido da defesa para transferir Cospito para outra penitenciária com centro clínico anexo, que não existe em Sassari. “Ele mantém as suas atividades sociais e aproveita o tempo que passa na zona de passeio”. Periodicamente toma “suplementos dietéticos”. E ainda: “É acompanhado regularmente pelo seu cardiologista de confiança e pelo cardiologista da autoridade sanitária local de Sassari e as prescrições de ambos são escrupulosamente respeitadas. No caso de ser necessário, o pedido de transferência para outro instituto prisional, dotado de unidade de cuidados intensivos, pode ser feito pelo diretor de saúde competente do instituto”.

A partir daqui: https://luttercontrele41bis.noblogs.org/post/2023/01/26/mise-a-jour-de-letat-de-sante-dalfredo-cospito-au-99e-jour-de-la-greve-de-la-faim/

(Ucrânia) Um anarquista na guerra


Desde o início da guerra na Ucrânia que o Portal Anarquista defende o fim da guerra e considera que, num conflito deste género, nunca os trabalhadores e o povo em geral sairão como vencedores. No entanto, também percebemos que a ocupação da Ucrânia pela Rússia significará um aumento da violência sobre as populações, nomeadamente dos sectores mais activos e progressivos da sociedade ucraniana. Por isso, defendendo todos os que num ou noutro dos lados recusam a guerra, desertam ou fazem actos de sabotagem anti-guerra, o Portal Anarquista considera também que os anarquistas ucranianos que decidiram combater e defender as casas, as cidades, os territórios em que habitam e em que vivem, merecem todo o apoio dos libertários. Não foi a Ucrânia que invadiu a Rússia. Foi a Rússia que, unilateralmente, invadiu a Ucrânia. A guerra que os ucranianos estão a fazer é uma guerra de resistência contra um invasor externo. Por isso, em todos os casos em que os anarquistas ucranianos decidiram pegar em armas e defender-se, tiveram e têm o nosso apoio e solidariedade. Tal como aqueles que apelam à paz e à necessidade de uma saída negociada do conflito, sem que isso tenha que significar a total entrega do território ucraniano à Rússia, de forma a saciar a sua vontade imperialista.

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“Até ao meu último suspiro”, quase três meses de greve de fome do anarquista Alfredo Cospito contra o isolamento e a prisão perpétua nas cadeias italianas


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No momento em que escrevemos estas linhas (13/1), Alfredo Cospito está em greve de fome há 85 dias, iniciada em 20 de outubro de 2022, em protesto contra a situação em que se encontra na prisão.

Alfredo é um anarquista insurreccional de Torino (norte da Itália), com décadas de militância, o que o fez sofrer a repressão do Estado italiano desde muito jovem, sendo preso nos anos 80, por se declarar insubmisso ao militar de serviço.

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Convocatória para encontros anarquistas internacionais em St-Imier, Suíça, em julho de 2023


Por ocasião do 150º aniversário da primeira Internacional Antiautoritária, estão a ser preparados encontros internacionais nas montanhas do Jura suíço. Estes encontros vão acontecer de 19 a 23 de julho de 2023 – prolongando-se por alguns dias para dar tempo e espaço para encontros espontâneos.

Fazemos esta convocatória para divulgar as características destes encontros, ou seja, quais são as nossas motivações específicas, tal como como a forma como pretendemos organizá-los.

Num mundo que parece querer anestesiar cada vez mais o protesto radical – entre repressão, recuperação e controle – parece necessário que nos reunamos fisicamente, como anarquistas, para refletir coletivamente sobre as questões que nos interessam – em particular, sobre as evoluções políticas e sociais dos últimos anos – e continuar a aprofundar as críticas que nos emancipam; para saber mais sobre as lutas concretas que estão a ocorrer em todos os lugares, contadas por aqueles que as protagonizam; definir novas esperanças para o futuro; criar laços fortes entre diferentes grupos e indivíduos antiautoritários, reforçar a solidariedade entre as lutas além-fronteiras e fazer com que mais pessoas queiram juntar-se a elas.

Com efeito, queremos, antes de tudo, falar de lutas vivas. Não se trata de comemorar um acontecimento histórico sem mais, pois não teria sentido se não estivesse ligado ao quotidiano das pessoas de hoje, envolvidas numa postura combativa contra o Estado e contra outras formas de dominação.

Esses encontros serão, portanto, uma oportunidade para partilhar experiências, discutir estratégias e divulgar as lutas que estão a acontecer localmente, sejam elas feministas, ambientais, antitecnologia, antiprisões, antifronteiras, antifascistas, anticapitalistas, antirracistas e antimilitaristas..; o que nos une é a nossa visão antiautoritária.

Estes encontros serão que que quisermos fazermos deles. As atividades serão organizadas de forma horizontal e descentralizada; em particular, graças a um grande painel informativo que será preenchido à mão no local, e também graças a uma ferramenta participativa online que pode ser encontrada em organize.anarchy2023.org . Qualquer um poderá adicionar as suas propostas de atividades à agenda. A página continuará editável durante as reuniões. Haverá um grande espaço autogerido dedicado a atividades espontâneas.

Durante estes quatro dias, haverá encontros de grupo que partilham as mesmas prioridades (feminismo, saúde autónoma…, por exemplo), workshops práticos, debates e inúmeras e variadas apresentações. Como se pode ver, não haverá conferências oficiais, ou seja, organizadas pelo comité organizador.

Também haverá grupos que exibirão filmes, feira do livro e uma rádio anarquista.

Para as crianças, queremos destacar que haverá um grupo misto que organizará uma creche todos os dias.

Outro grupo montará uma área de camping com espaço separado para mulheres, transgéneros e pessoas não binárias.

Outros grupos organizarão exposições, concertos, danças, etc.

A propósito: vamos precisar de muitos voluntários no local, cada um pode-se inscrever para o voluntariado ou com antecedência ou quando chegar!

Mais informações em anarchy2023.org (o site é atualizado regularmente).

Por fim: sabemos que organizar uma iniciativa internacional deste tipo, na Suíça, no país mais caro do planeta, envolve dificuldades financeiras e de visto. Para facilitar o acesso, vamos lançar uma plataforma de car sharing. A maior parte das actividades será gratuita ou “pague quanto puder”, seja o campismo, as refeições organizadas por grupos de cozinha internacional ou os concertos. E não hesite em nos contatar por e-mail se tiver alguma dificuldade para obter o visto.

Viva a anarquia! Vemo-nos em breve!

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A Associação Internacional de Trabalhadores (AIT) comemora o 100º aniversário com um Congresso em Alcoy (Espanha) entre os dias  5 e 11 de dezembro


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A Associação Internacional de Trabalhadores é uma confederação internacional de sindicatos anarcossindicalistas e sindicalistas revolucionários – a que pertenceu a CGT portuguesa na década de 20 do século passado -, fundada em Berlim em 1922, que reivindica o legado das seções antiautoritárias da Primeira Internacional. Nos primeiros anos, a organização chegou a representar milhões de trabalhadores em todo o mundo. Para além da CGT portuguesa, estavam filiadas na AIT as maiores centrais sindicais de todo o mundo, como a  CNT espanhola, a USI italiana, a FORA argentina ou a FAU alemã. Teve um papel preponderante durante a Guerra Civil Espanhola e em muitos outros conflitos laborais em todo o mundo.

Posteriormente foi perdendo peso, com a irrupção das ditaduras portuguesa e espanhola e com o fim da segunda Guerra Mundial em que a internacional comunista se tornou praticamente hegemónica em muitos países.

Com a queda dos fascismo ibéricos e das ditaduras comunistas, a AIT reorganizou-se a partir de finais da década de 70 do século passado, integrando antigas e novas secções.

No entanto, devido a divergências quanto à representatividade interna de cada uma das secções, a AIT entrou em crise e foi vítima de uma cisão em 2016, em que vários dos sindicatos mais representativos, entre os quais a CNT espanhola e a USI italiana abandonaram a organização, criando dois anos depois, em 2018, a CIT – Confederação Internacional de Trabalhadores (que, neste momento, congrega, para além da CNT, da FAU e da USI, os IWW dos Estados Unidos e Canadá, a FORA argentina, a IP polaca e a EZE grega).

Quanto à AIT manteve-se com pequenas secções em vários países, nomeadamente em Espanha em que alguns sindicatos abandonaram a CNT por não concordarem com esta cisão, criando a CNT-AIT. Para além da CNT-AIT fazem parte da Associação 14 secções e 5 observadores que vão desde a Rússia ao Nepal e da Austrália às Filipinas.

No ano em que comemora o 100º aniversário a AIT vai realizar o seu 28º Congresso em Espanha, em Alcoy (Alicante), entre 5 e 11 de Dezembro, estando já marcados diversas iniciativas de carácter cultural que irão decorrer em paralelo, como exposições, lançamento de livros, espetáculos, etc.

Em Portugal durante alguns anos, no virar do século XX para o XXI, funcionou uma pequena secção da AIT, que acabou por desaparecer no decurso de 2017, pouco depois de ter tido lugar a cisão na AIT.

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Programa

A greve dos mineiros de Aljustrel de há 100 anos: o debate entre Paulo Guimarães e Carvalho da Silva


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Pode ser vista em Aljustrel até ao próximo domingo, dia 4 de dezembro, uma exposição evocativa da grande greve mineira de 1922, que durou cerca de três meses e que suscitou um grande apoio e solidariedade por parte do movimento operário protagonizado pela CGT anarco-sindicalista. A exposição, bem elaborada e que motivou elogios por parte de vários quadrantes políticos – já foi vista por cerca de dois mil visitantes – , evoca também, a partir desta greve, o movimento reivindicativo dos mineiros de Aljustrel até aos nossos dias:

No sábado passado, no âmbito da exposição, teve lugar um debate sobre “as lutas do mineiros, no passado, presente e futuro”, que juntou o investigador da Universidade de Évora, Paulo Guimarães, reconhecido como um dos especialistas neste período histórico (a sua tese de mestrado “Indústria e conflito no meio rural: os mineiros alentejanos (1858-1938)” aborda este tema) e que viveu 8 anos, na vila mineira, dando aulas, enquanto preparava a tese e Carvalho da Silva, antigo coordenador da CGTP-Intersindical Nacional.

Paulo Guimarães, antes do mais, considerou que a investigação em torno das formas organizativas e de luta do movimento mineiro alentejano tinha vindo desmentir alguns historiadores que consideravam este movimente como primitivo, mal organizado, próximo do banditismo rural, e daí tirarem a conclusão de que o anarquismo de que se reivindicavam tinha a ver com esse facto. Pelo contrário, disse Paulo Guimarães, os operários alentejanos, quer ao nível da organização, quer ao nível das reivindicações estavam a par do movimento organizado, de tipo sindical, existente em países muito mais desenvolvidos do que Portugal, nomeadamente com grandes semelhanças com a  luta dos IWW na América do Norte.

Para este investigador o sindicalismo, ao mesmo tempo que pode ser transformador, pode ser também um instrumento integrador na sociedade, anestesiando a combatividade dos trabalhadores – o que muitas vezes acontece em nome de um proclamado estado social que “não existe”.

Paulo Guimarães disse também que o sindicalismo, para ser transformador, não pode ser apenas economicista, mas preocupar-se com questões como as alterações climáticas, o extractivismo, o produtivismo, a duração dos horários de trabalhos – para este investigador é incompreensível que tendo a luta pelas 8 horas de trabalho decorrido há 100 anos, apesar de todos os ganhos de produtividade, ainda seja esse o horário mais comunmente estabelecido.

Por seu turno, Carvalho da Silva, no tom académico que tem caracterizado nos últimos anos as suas intervenções, defendeu o papel determinante dos sindicatos na defesa do trabalho, que disse ser “ontem, hoje e amanhã o elemento central” das sociedades humanas. Lamentou que o seu estudo esteja a ser afastado das universidades, revelando que o último curso de doutoramento em trabalho e sindicalismo, em Coimbra, está em risco de acabar.

O antigo líder sindical da CGTP contestou ainda a importância dos acordos na concertação social, dizendo que o que interessa são as dinâmicas de luta existentes no mundo laboral e não os acordos que ali sejam conseguidos, uma vez que os próprios parceiros não dominam muitos dos mecanismos económicos, muitos deles de carácter internacional, determinantes para a concertação.

Disse ainda que o sindicalismo tem perdido força e que não atrai muitos jovens, considerando que os sindicatos são também um reflexo do que se passa na sociedade em que se têm visto as forças de esquerda reduzirem a sua presença.

Recusou, no entanto, falar de casos particulares, sobre a organização atual da CGTP, mesmo quando desafiado por um antigo dirigente sindical dos mineiros de Aljustrel, que criticou o facto do Sindicato Mineiro, enquanto sector da base, da produção, estar há muito afastado dos órgãos de topo da CGTP.

Da (não) eficácia das ‘greves simbólicas’


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Sobre o pouco eco da greve da função pública de sexta-feira

Os anarquistas, por definição e historicamente, defendem as greves como um instrumento importante para  a classe trabalhadora se mobilizar e conseguir ganhos em termos de condições de trabalho, salários, etc. . As greves animadas pelo sindicatos anarcosindicalistas assentavam também na ideia de que as greves parcelares, reivindicativas de melhorias pontuais no dia a dia dos trabalhadores, eram ao mesmo tempo um exercício que iria conduzir à grande greve geral expropriadora que poria fim ao capitalismo e à sociedade de classes. Por isso, em cada greve, mesmo parcelar, esse objetivo final estava sempre presente.

Hoje as greves levadas a cabo pela CGTP (ou por outras organizações da mesma índole) são meramente simbólicas, com data para início e termo (geralmente um dia ) e apenas viradas para o sector público, por ser mais fácil enfrentar o Estado-patrão do que os patrões do sector privado.  Paralelamente a este pouco eco sindical, todos nós conhecemos, seja nos nossos locais de trabalho ou a partir dos nossos relacionamentos pessoais, dezenas e dezenas de trabalhadores que, ou, no dia da greve, gozam um dia de férias, para não perderem o salário e o subsídio de alimentação, ou, noutros casos, trabalham normalmente, nas suas tarefas habituais, embora assumam que estão em greve.

Apesar das escolas fechadas (aqui ao lado a criançada diverte-se no parque infantil porque não tiveram escola), das repartições públicas encerradas e de alguns centros de saúde e serviços hospitalares o efeito deste tipo de greve, de um dia à sexta-feira, praticamente sem piquetes de greves que mereçam esse qualitativo, é quase nulo e serve apenas para “picar o ponto” num momento em que se discute o orçamento de estado para 2023 e para que as burocracias sindicais apresentem “trabalho” (em geral enfeudadas ao PCP e, sobretudo agora, queiram mostrar que “o partido está na rua”, seja lá isso o que for).

Do nosso ponto de vista, é cada vez mais urgente pensar outras formas de luta e outras formas organizativas, menos orgânicas e mais criativas, sob risco do ato de “fazer greve” começar a ser tão inócuo que não valha a pena fazer – sobretudo, agora, em que é cada vez mais difícil conseguir que os salários mais baixos “estiquem” até ao fim do mês e em que cada tostão conta no bolso dos trabalhadores.

A. C. (recebido por email)

Nova versão atualizada de “O Anarquismo em Portugal (1796-2022)”, de Carlos Fontes


Clique aqui para abrir (PDF)

Carlos Fontes acaba de divulgar uma nova versão da sua investigação sobre o anarquismo em Portugal, datada de outubro de 2022. Segundo o próprio, “o texto ainda não está concluído, mas esta nova versão tem mais 40 páginas e corrige vários erros.” Substitui, portanto, as edições anteriores.

10 anos de Portal Anarquista


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O Colectivo Libertário de Évora, precursor do Portal Anarquista, surgiu há precisamente 10 anos.

No final de Outubro  de 2012 foi publicado na internet, no blogue com o mesmo nome, um apelo à participação anarquista na greve geral marcada para o dia 14 de novembro e, pouco depois, o Manifesto do Colectivo, que reunia habitualmente na Sociedade Harmonia Eborense. A apresentação pública do grupo aconteceu a 13 de Novembro, num encontro que juntou cerca de 40 pessoas, antecedida da passagem do filme “Terra e Liberdade”, na Associação “É Neste País”, em Évora.

Alguns meses depois o Colectivo decidiu dissolver-se, mantendo-se, no entanto ,a página na internet e no facebook com o nome de Portal Anarquista (embora a página ainda mantenha o endereço de https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/), pretendendo ser um veículo informativo e de memória libertária o mais abrangentes possível e juntando alguns outros companheiros e colaboradores.

Ao longo destes 10 anos a página no facebook cresceu exponencialmente tendo neste momento cerca de 11 mil “amigos”, enquanto que o blogue Portal Anarquista atinge já  quase um milhão e trezentas mil visitas (mais exactamente 1.297.246 visitas) e um total de mais de 2.100 artigos publicados. 

No último ano lançámos também o blogue “Memória Libertária”, no Sapo, para juntar num mesmo espaço todos os textos de carácter histórico e biográfico sobre o anarquismo português.

Liberdade para Kirill Ukraintsev, sindicalista, vítima do regime russo!


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Com mais de 20 anos à frente da Federação Russa, Putin tem travado uma verdadeira guerra contra o povo da Rússia, cuja situação económica e social continua a piorar. Para tentar esconder a situação, além do desenvolvimento de campanhas de intoxicação e propaganda, o regime silencia por todos os meios aqueles que ousam falar alto e lutar por mais liberdade e justiça. Sindicalistas, anarquistas e, em geral, defensores dos direitos humanos estão particularmente na sua mira… A guerra desencadeada após a invasão do território ucraniano aumentou a brutalidade da repressão por parte do Estado russo, que agora nem sequer finge respeitar a sua própria legalidade.

Kirill Ukraintsev é um simples trabalhador precário, um estafeta que faz entrega de refeições, e que com outros colegas, em 2020 teve a coragem de dizer “niet” ao seu patrão-oligarca e de criar um sindicato para exigir respeito pela sua dignidade. Desde 2020, eles já fizeram inúmeras greves, exigindo o pagamento de salários não pagos, a anulação de multas injustas e o fim do aumento de mais encargos sobre os trabalhadores. Reivindicam também contratos de trabalho para os estafetas.

Em abril passado, o chefe do Delivery Club decidiu unilateralmente reduzir os salários dos estafetas em 20%, num momento em que a Rússia está a ter um forte aumento da inflação! Em resposta a essa medida escandalosa, os estafetas iniciaram um movimento grevista. No dia 25 de abril, enquanto o sindicato “Correio” organizava uma manifestação em frente à empresa, a polícia invadiu a casa de do  secretário do sindicato, Kirill Ukraintsev. Foi detido sob custódia e acusado ao abrigo do artigo 212.1 do Código Penal da Federação Russa, que reconhece como delito  convocar ou participar em reuniões não autorizadas. O sindicalista é acusado de apelar a estafetas e a taxistas, através das redes sociais, para protestarem contra a violação de direitos laborais. Por isso, arrisca até 5 anos de prisão por “violação repetida do procedimento de organização de reuniões”.

O julgamento, inicialmente marcado para 25 de junho, foi adiado para o outono. Mas a 17 de outubro, o julgamento foi novamente adiado, desta vez para 7 de abril de 2023. Durante todo esse tempo, Kirill permanece preso e isso em total desrespeito pela lei russa que indica que a duração da prisão preventiva não deve exceder 6 meses! A juíza ignorou o pedido dos advogados para levar o caso ao Ministério Público e, para se afastar da responsabilidade por essa decisão, transferiu o caso para outro tribunal. A arbitrariedade do regime de Putin é agora totalmente assumida pelos seus lacaios e servos.

A seção russa da AIT apela à solidariedade para com o sindicato “Correio” e exige a liberdade incondicional de Kirill!

“O sindicato independente Correio, na Rússia, é uma organização de base que denuncia as negociatas das empresas. Cria e põe em prática novas táticas de luta no campo do trabalho precário. Duarante os últimos dois anos tem existido uma repressão violenta contra os seus militantes, utilizando tanto a tática do estrangulamento económico por meio de repetidos julgamentos, como a coerção física direta. Neste momento, Kirill Ukraintsev, presidente do sindicato Correio, está sob o controle do sistema implantado pelo Delivery Club, propriedade da holding de comunicação O2O. Ao eliminar Kirill, eles querem-nos obrigar a parar de lutar.

Pedimos, por isso,  a todos os camaradas que estão contra a opressão do homem pelo homem e a alienação do trabalho pelo capital, que apoiem a nossa organização de trabalhadores precários (…)

Apelamos aos nossos companheiros no estrangeiro que participem nas ações de solidariedade que vão ser implementadas:

Participem em piquetes e manifestações perto da Embaixada da Rússia no vosso país ou cidade. Podem ter como referência um vídeo com palavras de apoio a Kirill Ukraintsev, à sua família e ao sindicato Correio. Enviem todos os vídeos, fotos e links para o nosso canal do Telegram @CourierUnionFeedbackBot ou um e-mail para muharatgaijima@gmail.com

– Deem o máximo de publicidade a este caso. Publiquem comunicados, informem nos vosso sites, informem os estafetas dos vossos países …

– Produzam e publiquem vídeos,, fotos, autocolantes, cartazes, grafites, etc.

– Precisamos estabelecer contatos com movimento sindical internacional. Trocar experiências. Esta é talvez a melhor ajuda para o desenvolvimento de sindicatos independentes. »

Nas palavras de nossos companheiros: Os estafetas não são escravos! A solidariedade é a nossa arma!

Liberdade para Kirill Ukraintsev!

Companheiros do CNT-AIT (França)  

http://cnt-ait.info 

contact@cnt-ait.info

aqui: http://cnt-ait.info/2022/11/07/liberte-kirill/

Tradução em inglês: Liberdade para Kirill Ukraintsev, sindicalista vítima da arbitrariedade do regime russo! http://cnt-ait.info/2022/11/07/freedom-kirill/