Évora não pode ser coio de fascistas. Manifesta-te esta sexta-feira!


Um grupo de cidadãos convocou para a próxima sexta-feira, dia 18, uma concentração em Évora pela Liberdade.

Nesse dia, o partido xenófobo e fascista Chega convocou para Évora uma dita manifestação anti-racista, a anteceder uma reunião do partido marcada para um salão de festas nos arredores da cidade, onde é habitual as forças partidárias assinalarem os seus momentos políticos entre farta comezaina.

O que não é normal é um partido politico vir-se manifestar numa cidade onde não tem qualquer influência ou estrutura conhecida em nome de valores que não defende, nomeadamente o anti-racismo.

O grupo de cidadãos eborenses, gente sem partido, que convoca esta concentração pela liberdade sabe os riscos que corre e sabe que os fascistas do partido do Ventura vão procurar o confronto, ainda que seja apenas para fins mediáticos.

“Estamos cientes disso”, disse ao Portal Anarquista um dos organizadores da concentração, “mas não podíamos deixar que os fascistas do Chega desfilassem impunemente na nossa cidade”, acrescentando que “sabemos que se houver algum momento de confronto a polícia estará do lado deles e não do nosso. É a natureza das coisas”.

Por isso, a mensagem que querem passar é a de “se devem evitar confrontos e, pela positiva, reafirmarmos que as ruas de Évora são nossas, recriando uma Assembleia de Rua como as que aconteceram em Évora, há anos e durante meses”.

As Assembleias de Rua decorreram diariamente em Évora durante grande parte do ano de 2011 e tiveram expressão maior em manifestações como as do 15 de Outubro de 2011 e de15 de Setembro de 2012 (contra a Troika, na foto) e acções em defesa de Évora Património Mundial.

Juntaram dezenas de activistas de diferentes origens: anarquistas, sem partido, ligados a partidos, etc., mas nunca trazendo as suas bandeiras individuais para as lutas colectivas. Como esperamos que aconteça desta vez. As lutas colectivas não têm dono nem assinatura.

Este colectivo de cidadãos que ergue hoje este grito de BASTA! NÃO QUEREMOS FASCISTAS NA NOSSA CIDADE! é a continuidade deste movimento que a 15 de Setembro de 2012 juntou no centro da cidade milhares de antifascistas e de cidadãos inconformados com a pobreza e indignados com a miséria que a troika e o governo de Passos Coelho lançavam sobre as nossas vidas.

Naquela altura o Colectivo Libertário de Évora – que nasceu deste movimento – esteve presente em todas as iniciativas. Hoje, o Portal Anarquista não podia deixar de estar mais solidário!

Évora não é cidade para fascistas!

Obituário do The Guardian sobre David Graeber.


David Graeber, antropólogo e autor anarquista de livros de grande sucesso sobre burocracia e economia, incluindo “Empregos de Merda” e “Uma teoria da dívida: os primeiros 5.000 anos”, morreu aos 59 anos.

Na quinta-feira, a esposa de Graeber, a artista e escritora Nika Dubrovsky, anunciou no Twitter que Graeber havia morrido no hospital em Veneza no dia anterior. A causa da morte ainda não é conhecida.Conhecido pelos seus escritos mordazes e incisivos sobre burocracia, política e capitalismo, Graeber foi uma figura importante no movimento Occupy Wall Street e professor de antropologia na London School of Economics (LSE), onde lecionava no momento de sua morte.

O seu último livro “The Dawn of Everything: a New History of Humanity”, escrito com David Wengrow, será publicado no outono de 2021.O historiador Rutger Bregman considerou Graeber de “um dos maiores pensadores do nosso tempo e um escritor fenomenal”, enquanto o colunista do Guardian Owen Jones classificou-o como “um gigante intelectual, cheio de humanidade, alguém cujo trabalho inspirou, encorajou e educou muitos outros”. O parlamentar trabalhista John McDonnell escreveu: “Eu considerava David um amigo e aliado muito valioso. A sua investigação iconoclasta e os seus escritos abriram-nos a todos novos pensamentos e abordagens inovadoras no campo do ativismo político. Todos nós sentiremos muita falta dele.” Tom Penn, editor de Graeber na Penguin Random House, disse que a editora estava “devastada” e considerou Graeber como “um verdadeiro radical, um pioneiro em tudo o que fez”.“O trabalho inspirador de David mudou e moldou a forma como as pessoas entendem o mundo. Nos seus livros, a sua curiosidade constante, colocando tudo em questão, a sua atitude provocatória, irónica e perspicaz, face à ideias recebidas transparecem sempre. O mesmo acontece, acima de tudo, com sua capacidade única de imaginar um mundo melhor, nascida de sua própria humanidade profunda e duradoura ”, disse Penn. “Sentimo-nos profundamente honrados em ter sido seus editores e todos sentiremos a sua falta: a sua bondade, o seu calor, a sua sabedoria, a sua amizade. A sua perda é incalculável, mas o seu legado é imenso. O seu trabalho e o seu espírito permanecerão ”.

Nascido em Nova York em 1961, filho de pais politicamente ativos – o seu pai lutou na guerra civil espanhola com as Brigadas Internacionais, enquanto a sua mãe era membro do Sindicato Internacional de Trabalhadores (IWW) têxtil – Graeber atraiu primeiro a atenção ainda na academia pelo seu hobby de adolescente que consistia em traduzir hieróglifos maias. Depois de estudar antropologia na Universidade Estadual de Nova York, em Purchase, e na Universidade de Chicago, ganhou uma prestigiosa bolsa da Fulbright e passou dois anos fazendo trabalho de campo antropológico em Madagascar.

Em 2005, Yale decidiu não renovar o seu contrato um ano antes de terminar, por razões políticas. Mas depois de mais de 4.500 colegas e alunos terem assinado petições apoiando-o, a Universidade decidiu oferecer-lhe um ano sabático remunerado, que ele aceitou e mudou-se para o Reino Unido para trabalhar na Goldsmiths antes de ingressar na LSE. “Acho que tive dois tipos de ataques contra mim”, disse ele ao Guardian em 2015. “Um, porque parecia estar a gostar muito do meu trabalho. Além disso, sou da classe errada: a minha origem é na classe trabalhadora.

“O seu livro “Debt: The First 5,000 Years”, de 2011, tornou-o famoso. Nele, Graeber explorou a violência que está por trás de todas as relações sociais baseadas no dinheiro e defendeu a eliminação das dívidas soberanas e de consumo. Embora dividisse os críticos, atraiu fortes vendas e elogios de todos, de Thomas Piketty a Russell Brand.Graeber publicou em 2013 “The Democracy Project: A History, a Crisis, a Movement”, sobre a sua participação no Occupy Wall Street, e depois “The Utopia of Rules: On Technology, Stupidity and the Secret Joys of Bureaucracy”, em 2015, que foi inspirado no seu esforço para resolver os assuntos da sua mãe antes que ela morresse.

Um artigo de 2013, On the Phenomenon of Bullshit Jobs, levou a Bullshit Jobs: A Theory, um livro de 2018 no qual defendia que a maioria dos empregos de colarinho branco não fazem sentido e que os avanços tecnológicos levaram as pessoas a trabalhar mais, e não menos.“Um grande número de pessoas, na Europa e na América do Norte em particular, passam toda a sua vida profissional realizando tarefas que consideram desnecessárias. O dano moral e espiritual que advém desta situação é profundo. É uma cicatriz na nossa alma coletiva. Ainda assim, praticamente ninguém fala sobre isso”, disse ele ao Guardian em 2015 – mesmo admitindo que o seu próprio trabalho poderia não ter sentido: “Não pode haver medida objetiva de valor social”,

Anarquista desde a adolescência, Graeber apoiou o movimento de libertação curdo e a “notável experiência democrática” que ele pôde constatar em Rojava, uma região autônoma da Síria. Envolveu-se fortemente no campo do ativismo e da política no final dos anos 90. Foi uma figura central no movimento Ocupar Wall Street em 2011 – embora negue que tenha criado o slogan “Nós somos os 99%”, que lhe era frequentemente atribuído.“Eu sugeri num primeiro momento que nos chamássemos de 99%. Em seguida, dois indignados espanhóis e um anarquista grego adicionaram o “nós” e, mais tarde, um veterano do movimento “comida-bombas não!” colocou o “somos” entre eles. E ainda dizem que não se pode criar nada que valha a pena sem um comité! Eu divulgaria os seus nomes, mas considerando a forma como os serviços secretos tem vindo a perseguir os primeiros organizadores do OWS (Occupy Wall Street) , talvez seja melhor não o fazer”, escreveu.

https://www.theguardian.com/books/2020/sep/03/david-graeber-anthropologist-and-author-of-bullshit-jobs-dies-aged-59

refratários: um jornal anarco-individualista publicado no Porto (1921-1922)


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O jornal Refratários foi uma publicação quinzenal de tendência anarquista-individualista, surgida no porto em Novembro de 1921. Teve como colaboradores, entre outros, os portugueses José Franco (1), Cristiano de Carvalho, Luciano Silva, ou o francês Henri Zisly. Os conteúdos desta publicação incluíam a exposição de temas naturistas e neomalthusianos, bem como a crítica ao messianismo e ao dogma presente nas correntes mais comunistas do anarquismo. Foi pioneira em Portugal na divulgação no meio anarquista de filósofos como Max Stirner ou Friedrich Nietzsche.

(1) militante anarquista algarvio, activo desde 1904, participou em várias experiências organizativas e propagandísticas dos anarquistas após a República. Em 1918 publica em Setúbal “O Indivíduo Livre” e em 1919, em Lisboa, “A Anarquia”. Exercia a profissão de modelista de calçado, tendo sido preso em Setembro de 1920. Em 1921 funda os “Refratários” no Porto. Faleceu no dia 1 de Fevereiro de 1951.

aqui: https://oabutre.noblogs.org/refractarios-quinzenario-individualista-ecletico-porto-1921/

 

Jornal ‘A Questão Social’, de Gonçalves Correia


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A questão social : há mais luz nas 24 letras do alfabeto do que em todas as constelações do firmamento / red. Gonçalves Corrêa ; propr. António Gonçalves Corrêa. – A. 1, nº 1 (2 jan. 1916) – a. 1, nº 22 (28 jun. 1916). – Cuba : J. F. Borralho Lucas, 1916. – 38 cm (segundo o registo na BNP)

Nesta lista faltam os exemplares dos nºs. 1, 20, 21 e 22

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Sobre Gonçalves Correia: https://periodicos.ufsc.br/index.php/emdebate/article/view/1980-3532.2013n9p90

Saiu A Batalha Março/Junho (nº duplo 288-289)


 

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Acaba de sair A Batalha #288-289!

Este número duplo tem 48 páginas e, por isso, custa excepcionalmente 1.5€. Não se assustem, voltamos ao valor habitual depois do Verão.

Os assinantes vão começar a receber o jornal no início da próxima semana. Entretanto, A Batalha está já a circular por alguns dos pontos de venda do costume.

 

A BATALHA #288-289 – mar-jun 2020

  • Capa de Michael Fikaris
  • Luís Garcia e Silva (1933-2020) [Um sustentáculo d’A Batalha]
    [João Freire & António Cândido Franco]
  • Viver na normalidade
    [com ilustrações de Joana Pires, Gonçalo Duarte, João Carola, André Pereira, Michael Fikaris e Dois Vês]
  • Luís Amaro (1923-2018)
    [António Cândido Franco + retrato de Luis Manuel Gaspar]
  • Da Pandemia e do Estado
    [M. Ricardo de Sousa]
  • Sobreviver num tempo morto
    [Nuno Martins]
  • Manifesto anormal
    [Max / trad. Pedro Morais]
  • Diário Revolucionário de uma Anarquista
    [Kathy Acker / trad. António Albata]
  • A Paralaxe
    [Paul Goodman / trad. André Tavares Marçal]
  • Mixing & Jana [episódio 70]
  • Seara
    [Gonçalo Duarte]
  • Para o Inferno ou para a Utopia: a revolta de Minneapolis
    [Christopher Scott Thompson]
  • Entra na zona: um relato da Zona Autónoma de Capitol Hill, em Seattle
  • Que fazer com este Estado?
    [M. Ricardo de Sousa]
  • No Labirinto da Prisão de Gabriel Pombo da Silva
    [P. M.]
  • Na Puglia, a utopia chama-se Urupia
    [Mário Rui Pinto]
  • Perceber a escolha de Isabel Camarinha como novo rosto da CGTP
    [K. Molusco]
  • Anarco-indigenismo: O Anarquismo do Futuro?
    [Mário Rui Pinto]
  • Los Angeles, Califórnia, EUA (1992)
    [William T. Vollmann / trad. Manuel João Neto]
  • Retratos à la minuta. Juan Genovés, Silencio, Silencio: Despues, ahora, ahora, antes
    [Emanuel Cameira]
  • Do heróico absurdo à morte condensada: breves notas em torno de Yevgeny Yufit e Alan Clarke
    [Manuel Figueiredo]
  • À lupa
    [recensões a A Reconquista de Olivenza, Encantados e Arruinados ante os Restos do Banquete, O Fagote de Shatner e Outros Contos, Parícutin, The Princess of the Never-Ending Castle]
  • Tudo o que leres aqui é falso.
    [Walt Thisney]
  • Centro Anarquista Português de Artes Modestas
    [Marcos Farrajota]
A Batalha está à venda na Tortuga, Letra Livre, A Banca 31, Barata, Frenesi Livros, Distopia, Leituria, Linha de Sombra, Papelaria Sampaio, Papelaria da Estação do Rossio, RDA69, Sirigaita, Snob, Tigre de Papel, Zaratan – Arte Contemporânea, ZDB, nos quiosques junto ao Largo do Rato, na Rua Alexandre Herculano, na Calçada do Combro, na Rua Camilo Castelo Branco e no Largo do Chiado (Lisboa), no Centro de Cultura Libertária (Almada), no Gato Vadio, na Utopia e na UNICEPE (Porto), na Uni Verso (Setúbal), na Fonte de Letras (Évora), na Centésima Página (Braga), na Traga-Mundos (Vila Real) e no quiosque da Estação de Camionagem (Bragança).

As condições de assinatura de A Batalha são as seguintes: Portugal: 6 nºs: 9,00€ / 12 nºs: 17,00€
Europa: 6 nºs: 16,00€ / 12 nºs: 31,00€
Extra-Europa: 6 nºs: 17,00€ / 12 nºs: 33,00€

O pagamento poderá ser efectuado para o NIB do CEL:
0033 0000 0001 0595 5845 9.

Rojava – Comunicado e apelo sobre os recentes ataques do estado fascista turco


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Este comunicado é um seguimento do apelo anterior. O comunicado baseia-se em análises políticas e avaliações preparadas e publicadas pela rede RiseUp4Rojava (R4R), enfatizando a importância da conexão entre as montanhas livres do Curdistão e Rojava, tal como a importância de AGIR AGORA, de defender a revolução e de criar duas, três, várias Rojavas independentemente de onde estejamos!

“Enquanto a guerra e os ataques a Rojava e no Norte da Síria pela Turquia e os seus aliados jihadistas com o apoio das forças imperialistas mundiais continuarem diariamente, e enquanto a ameaça de uma outra ofensiva significativa aumenta, a guerra no norte e no sul do Curdistão continua a progredir.
A 15 de junho, na noite de domingo para segunda feira, o estado fascista turco anunciou a operação “Garra Águia” e conduziu bombardeamentos massivos em Qendîl o coração e o cérebro do movimento pela liberdade do Curdistão nas montanhas curdas –, no campo de refugiados autogerido Mexmûr e em Şengal, que é predominantemente populado por pessoas Yazidi.”

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aqui

Actualizações sobre o nosso companheiro anarquista Gabriel Pombo Da Silva


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Na passada quinta-feira, dia 11 de Junho, a Audiência Provincial, tribunal que está na base da pirâmide judicial no Estado espanhol, demonstrou o seu poder inquisitorial, rejeitando um pedido de anulação da OEDE (Ordem Europeia de Detenção e Entrega) que enviou o nosso companheiro mais uma vez para as masmorras do Estado, depois de três anos e meio de liberdade.

Depois de um ano e meio de clandestinidade, Gabriel foi detido no passado dia 25 de Janeiro em território português com base na supramencionada OEDE emitida pelo Tribunal n.º 2 de Girona (mais concretamente, pela juíza Mercedes Alcazár Navarro), para que cumprisse mais 16 anos de prisão calculados como pena remanescente (em resposta à queixa de prevaricação contra a juíza por ter escondido a ordem de libertação imediata de Gabriel em Junho de 2016, o que atrasou a sua libertação, essa juíza pôs em prática a sua própria vingança!).

Depois de três meses e meio de prisão preventiva (meses em que foi clara a submissão por parte das autoridades portuguesas às pressões do Tribunal n.º 2 de Girona e a descarada falta de aplicação das normas europeias que teriam permitido a libertação do nosso companheiro), no dia 12 de Maio, Gabriel foi entregue às autoridades espanholas e encontra-se actualmente na prisão de Badajoz (Estremadura, Espanha).

O pedido de anulação da OEDE foi legitimado pela ilegalidade da mesma, emitida em plena violação do «princípio de especialidade»: um dos princípios básicos do direito comunitário que estabelece a proibição de fazer cumprir uma sentença anterior àquela pela qual alguém está a ser extraditado (em virtude deste princípio, Gabriel foi posto em liberdade em 2016, não tendo que cumprir nenhuma sentença anterior). Politicamente significativo é o facto de a Audiência Provincial, que há dias deu razão à juíza Navarro, ser a mesma que há quatro anos deu razão ao nosso companheiro, confirmando a sua libertação (?!?!?).

Entretanto, a Gabriel foi atribuído o regime FIES, mais concretamente FIES 5, criado para presxs com «características especiais» (que têm que ver, para dar alguns exemplos, com delinquência internacional, violência de género ou com carácter racista ou xenófobo, crimes muito graves que causaram alarme social, terrorismo islâmico, fanatismo radical afim a uma ideologia terrorista… ?!?!?). Dentro do regime FIES, foi-lhe aplicado o segundo grau (já poderia obter benefícios penitenciários, desfrutar de saídas precárias e inclusive de liberdade condicional), com intervenção em todas as suas comunicações (cartas abertas, lidas e visitas gravadas).

Desde que está na prisão de Badajoz, com excepção de cinco postais que lhe entregaram poucos dias depois de ter chegado, não entregaram mais nenhum tipo de correspondência ao nosso companheiro, pese embora as muitas cartas e vários livros que lhe foram enviados… Nada que não seja normal dentro das instituições penitenciárias! Tudo isso representa uma contradição com o intuito de o provocar… a mensagem é: «já não és o inimigo público número um, mas és ainda bastante perigoso, sobretudo ideologicamente… se te portares bem, der-te-emos algumas oportunidades.»

Agora que foi «classificado» e o supracitado tribunal emitiu a sua sentença, sabemos que findaram os recursos legais para que Gabriel volte a saborear a liberdade em breve; dentro de pouco tempo será transferido para outra prisão. O advogado tomará todas as providências necessárias até ganhar esta longa batalha.

Gabriel encontra-se bem e está forte, como sempre… envia um grande abraço a todos os indivíduos afins e solidários.

A solidariedade é uma arma… usemo-la… de maneira séria e inteligente!

Liberdade para Gabriel! Não está só!

Todxs livres!

Viva a Anarquia!   

(recebido por email)

Para escrever a Gabriel:

Gabriel Pombo Da Silva

Centro Penitenciario Badajoz

Carretera de Olivenza, Km 7.3

06011 Badajoz

España

(Wallace de Moraes) A NECROFILÍA COLONIALISTA OUTROCIDA NO BRASIL


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Foto ASSOCIATED PRESS

A NECROFILÍA COLONIALISTA OUTROCIDA (NCO) NO BRASIL[1]

Wallace de Moraes

Professor de Ciência Política e dos Programas de Pós-Graduação em Filosofia (PPGF) e História Comparada (PPGHC) da UFRJ.
Pesquisador do INCT/PPED e líder do grupo de pesquisa OTAL/UFRJ.
Bolsista da FAPERJ.

Resumo: Diante do contexto da pandemia da Covid-19, procuro situar a postura do governo federal brasileiro, em contrário ao isolamento social horizontal, como parte da necropolítica. A partir da simbiose desse conceito com o de colonialismo, outremização e anarquismo proponho a categoria Necrofilia Colonialista Outrocida (NCO), cujo objetivo é expressar a indisfarçável simpatia pela morte de negros, indígenas, pobres e seus idosos. Necro-Estado e liberalismo econômico compõem o pior dos mundos para as novas senzalas e florestas brasileiras.

Palavras-chaves: Necrofilia Colonialista Outrocida; anarquismo indígena; anarquismo negro; Geronticídio; Necro-Estado

(mais…)

(Lá como cá…) Não ao despejo de comunidades ciganas (e outras) na Roménia


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Divulgamos um texto e fotos de despejos na Roménia a pedido de uma companheira nossa que agora vive lá e está envolvida em diferentes projetos solidários autogeridos, um deles diretamente com uma comunidade cigana que vivia num acampamento de barracas sem quaisquer condições. Para além da crise sanitária impera na Roménia a violência, a intimidação e o racismo numa altura em que aumentam os despedimentos e a pobreza. (S.P. – Almada)

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(Imagens antes e depois da destruição do bairro comunitário em Torontalului)

COMEÇOU A TEMPORADA DAS EVACUAÇÕES!!

Se durante a pandemia os despejos foram interrompidos, burocratas e oficiais da justiça trabalharam fortemente para que, assim que fosse permitido, pudessem despejar pessoas das suas casas. Em Timisoara, Roménia, dois despejos forçados jogaram dezenas de pessoas nas ruas assim que a restrição dos despejos foi levantada.

Dia 15 de maio, imediatamente após o fim do estado de emergência, 6 famílias foram evacuadas de um prédio localizado na zona da Praça Traian. Logo após a compra do prédio, os novos proprietários forçaram os inquilinos a deixar as suas casas dentro de apenas um dia, apesar de morarem ali há 10 anos. A evacuação foi realizada pela polícia local, sem decisão judicial. Os evacuados não tiveram alternativos, mesmo que dentro das pessoas evacuadas se trata de crianças e idosos.

E no dia 12 de junho, às 6:00 da manhã, no bairro de Torontalului, também em Timisoara, uma comunidade de cerca de 10 pessoas foi evacuada violentamente. As pessoas não receberam nenhuma alternativa ou apoio, foram simplesmente jogadas na rua. Os 11 carros da polícia foram intimidatórios e ameaçadores, destruindo os abrigos dos inquilinos.

A comunidade de Torontalului vive lá há 4 anos. Depois que a terra foi privatizada, a sua situação se tornou frágil e eles poderiam ter sido jogados na rua a qualquer momento. Durante a pandemia, ameaças e insultos foram dirigidos a eles, as pessoas sendo colocadas em posição de encontrar uma alternativa por conta própria, em um momento em que era impossível sair nas ruas.

#StopEvacuações
#DOTimisoara
#solidariedade

versão em inglês