(anarchist studies network) Envio de ‘abstracts’ para Conferência Internacional sobre Descolonização até 28 de Fevereiro


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Rede de Estudos Anarquistas (Anarchist Studies Network – ASN) // 5ª Conferência Internacional // 12-14 Setembro 2018 // Universidade de Loughborough, Reino Unido

Chamada para papers e painéis.

A luta contra a opressão e a destruição continua sob um céu carregado. A onda global de resistência tem-se feito sentir, à medida que as elites optam pelo nacionalismo, pelo racismo e pela misoginia. Para a maioria mundial, essa opressão não é surpreendente nem nova, devido ao ainda presente legado colonial e às novas formas de exploração neocolonial que têm surgido. Enquanto isto, os discursos hegemónicos mostram uma habilidade desarmante para cooptar e neutralizar: convertendo anti-capitalismo em bem-estar populista, resistência ecológica em consumo verde, e interseccionalidade militante em políticas de identidade liberal. A literatura e a organização anarquistas não estão completamente imunes a esses problemas; propor ideias e práticas que sejam radicalmente não-opressivas requer reflexão crítica sobre pressupostos e verdades, incluindo as nossas próprias. Apesar dos desafios, os anarquistas têm apoiado e criado múltiplos locais de resistência, bem como projetos construtivos, ao mesmo tempo que lideram a luta contra a extrema direita. Confiando que o vento voltará a mudar, a chama permanece acesa.

Nestes tempos de incerteza, a elaboração e a análise anarquistas, que juntam teoria e prática, o rigor académico e as percepções dos movimentos sociais, continuam a ser fundamentais.

A 5ª Conferência Internacional da Rede de Estudos Anarquistas realiza-se na Universidade de Loughborough entre 12 e 14 de setembro de 2018. São bem-vindas propostas para papers individuais, bem como propostas para painéis que juntem 3-4 trabalhos em torno de um tema comum.

Por favor, enviem abstracts até 250 palavras por paper para o endereço:

asn.conference.5@mail.com

Data-limite para abstracts: 28 de Fevereiro 2018

As conferências da ASN visam rasgar novas fronteiras no âmbito dos estudos anarquistas e encorajar o intercâmbio entre disciplinas. Aceitam-se contribuições de dentro e fora da esfera académica oficial, de todas as disciplinas académicas, e sobre qualquer assunto relevante para o estudo e prática do anarquismo como abordagem vital para a transformação social.

O tema central desta conferência é a DESCOLONIZAÇÃO que, esperamos, seja inspiradora de muitas apresentações e painéis. O objetivo é duplo: i. estimular a discussão sobre o colonialismo e o racismo como formas de opressão a que os anarquistas se opõem, mas que continuam a fazer-se sentir também no âmbito das organizações anarquistas; ii. receber pessoas, grupos e comunidades que não tenham participado em eventos anteriores da ASN.

Tendo em conta o legado do pensamento e da ação não-ocidentais e anticoloniais na tradição anarquista, queremos fortalecer os laços entre os anarquistas de hoje e essa teoria e prática em torno da descolonização, no âmbito da luta contra a opressão; pretendemos abrir o evento a grupos marginalizados, reconhecendo a existência de práticas e quadros mentais racistas e eurocêntricos.

Por essa razão, encorajamos particularmente propostas vindas do sul global e de pessoas de cor, bem como de mulheres, pessoas trans e não-binárias e de pessoas com deficiência. Desafiamos também os organizadores de painéis a ultrapassarem eventuais exclusões. Em relação ao tema central da conferência, são bem-vindas apresentações que abordem os seguintes temas:

–  Envolvimento anarquista na teoria da raça e da descolonização

–  Geografias anarquistas da descolonização

– Movimentos anarquistas em África, Ásia, América Latina, Pacífico, etc.

–  Filosofias não-ocidentais, religiões e tradições e as suas ressonâncias anarquistas

–  Anti-nacionalismo e antifascismo

–  A descolonização e as críticas anarquistas

–  A descolonização e as críticas ao Estado

–  Histórias sobre a resistência anarquista contra o colonialismo

–  Interseções entre raça/colonização, idade, classe, género, sexualidade, etc.

–  Anarco-feminismo, anarquismo verde, individualismo não-ocidentais

–   Modos de (anti-)representação não-ocidentais e ocidentais e o movimento entre ambos

Serão também bem-vindas propostas sobre QUALQUER OUTRO TEMA relacionado com o estudo e a prática do anarquismo.

Aceitaremos trabalhos que façam a ponte entre o meio “académico” e outras formas de conhecimento. Receberemos também propostas para a realização de oficinas, eventos de arte/performances e peças experimentais. Estamos ainda abertos a discutir outras ideias que possam surgir.

Acolheremos propostas de papers e painéis noutras línguas (por exemplo, português), mas, por favor, enviem também um abstract em inglês. A tradução será auto-organizada durante a conferência de forma ad hoc e voluntária.

As instalações da Universidade de Loughborough são totalmente acessíveis a cadeiras de rodas e possuem sistema de anel magnético. Contamos ter disponíveis bolsas para apoiar as deslocações dos participantes com baixos rendimentos ou desempregados, especialmente aqueles que são provenientes do sul global, bem como co-organizar o acolhimento de crianças. Apesar de não podermos, no momento, garantir nenhum destes apoios, por favor, façam-nos chegar as vossas necessidades específicas. Daremos o nosso melhor para as satisfazer: asn.conference.5@mail.com

inglês: https://anarchistnews.org/content/anarchist-studies-network-5th-international-conference-loughborough-12-14-sep-2018

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(#AltPT)  Violência policial na okupa À da Maxada em #Setúbal


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A À da Maxada, é desde 2016 uma quinta okupada em Setúbal. Com espaços para hortas, musica, artes,oficinas, ou uma serie de outras atividades, sempre numa perspectiva auto-gestionada, anti-comercial, DIY.

Comunicado

Na tarde de domingo de pizzas na A da maxada dia 19 de Novembro, lá por volta das 18:30 apareceram cinco carros e uma carrinha da polícia . Nós estávamos a fazer e a comer pizza como noutro Domingo qualquer, quando um companheir@ nos diz que estava alguém estranho no portão, a apontar a lanterna e a dizer que era polícia. Nesse mesmo momento vimos cair um calhau vindo do lado da rua que por nossa sorte não atingiu ninguém (o calhau tinha uma dimensão de quase 20cm). Neste momento reparámos que a polícia já estava na porta de cima. Percebemos que estavam muito agressivos e perguntamos porque é que estavam ali e o que é que se passava. Eles só diziam “abre a porta, abre a porta” e logo de seguida decidiram entrar ao pontapé, partiram a fechadura e a porta abriu violentamente batendo na cara de um companheir@ abrindo-lhe um lenho na testa. Mais companheiro@s protegeram a porta barricando-a, telefonámos rapidamente para o advogado a dizer o que se estava a passar.

Subimos o muro da casa para falar com a polícia cara á cara, vimos um grande aparato policial, muitos com escudo e cassetete na mão e bastante enraivecidos. O oficial superior presente disse-nos que a casa era okupada, logo não é nossa e por isso eles tinham mais direito para estar cá dentro do que nós, ao qual lhe respondemos,”nós vivemos aqui”, sem nunca reivindicar a propriedade como nossa. Perguntamos se era preciso agir com essa violência toda, e porque estavam ali? O polícia respondeu que tinha havido uma queixa de um vizinh@ por causa do barulho e que o mesmo também lhes tinha dito que era uma casa ocupada por um grupo de jovens. Disseram-nos que tentaram abrir a porta à força porque se aperceberam que estávamos a trancar a porta.

A polícia perguntou porque não abríamos a porta, ao qual respondemos que não somos obrigados a abrir a porta sem que houvesse um mandato para entrar e que podíamos falar sem sair para fora da casa, explicamos também que a nossa desconfiança vinha na  sequencia do calhau atirado por eles e da agressividade até então demonstrada, ao qual a policia argumentou que eram “a policia”, que não tinham atirado nenhum calhau e que não devíamos ter medo deles porque se quisessem ter entrado já o teriam feito.

A conversa continuou durante uns vinte minutos com a polícia sempre a referir que a casa não era nossa e que não tinham atirado nenhum calhau, ao qual nós respondemos “esta é a casa onde vivemos”, que sabemos não haver queixa alguma d@ proprietári@ e que não nos diga que acabamos de ter uma alucinação colectiva porque tod@s vimos o calhau de grandes dimensões cair cá dentro.

Quando eles se retiraram, falamos entre nós e deduzimos que esse calhau era um acto de provocação. Cai-nos um calhau e passado uns segundos eles já estão a pontapear a porta muito violentos. O plano deles deve ter sido de nos provocar á espera que houvesse uma retaliação da nossa parte para terem um a razão válida para entrar à força pela A da Maxada a dentro feitos uns cowboys. Como já é comum nas suas acções abusivas de poder.

Receberam ou não receberam essa queixa de um vizinh@ não sabemos,sabemos sim que eram 6:30 da tarde, que não nos disseram quem tinha sido o autor da queixa e agregando ainda ao facto de até então termos uma boa relação com todos os vizinhos da nossa rua sem que estes tenham alguma vez demonstrado algum acto de descontentamento face a qualquer actividade feita na A da Maxada, especialmente depois de termos apagado o incêndio ombro a ombro com eles este verão.

Após termos sido obrigados a observar uma peça de teatro de péssima qualidade e de muita saliva gasta “a policia” lá se convenceu/apercebeu que pouco mais podia argumentar retiraram-se a realçar o facto de termos sido avisados que não podíamos fazer mais barulho e que se o fizéssemos seriamos tirados da A da Maxada à força…

Assim que se retiraram fomos ajudar um@ companheir@ a mudar o pneu do carro porque tinha sido esvaziado/furado. O pára-brisas traseiro e um espelho retrovisor da mesma viatura foram partidos, pelos vistos como a mostra de vingança/frustração por não terem conseguido entrar na A da Maxada.

https://adamaxada.wordpress.com

CEM ANOS DEPOIS DA CONTRA REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE: MEMÓRIA HISTÓRICA SOBRE A DESTRUIÇÃO DAS NOSSAS LUTAS


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Este texto é somente um resumo, uma pequena recordação de um desastre histórico que ainda tem repercussões nas nossas lutas de hoje. Neste outubro de 2017, cem anos depois, cabe-nos a nós lembrar a apropriação bolchevique da Revolução Russa, que constituiu um desastre para a classe trabalhadora, um desastre para o povo russo e para todos os povos submetidos ao Império Russo, um desastre para os movimentos anticapitalistas à escala mundial, um desastre para quem procura liberdade, um desastre para a humanidade.

2Para a frente camaradas – para a contra revolução!

Um Desastre Previsível

A deriva contrarrevolucionária da URSS era previsível. Na verdade, Bakunine previu como uma «ditadura do proletariado» rapidamente se converteria em mais uma ditadura sobre o proletariado 50 anos antes de a Revolução Russa ter acontecido. Nos anos seguintes, muitos outros anticapitalistas chegaram à mesma conclusão. Era uma aposta bem segura, considerando a forma como os líderes da nova ditadura encontraram a sua inspiração noutra figura contrarrevolucionária, Karl Marx.

Não fazemos esta afirmação de ânimo leve, denunciado alguém como «contrarrevolucionário» que, sem sombra de dúvida, foi tão importante para as lutas anticapitalistas. Nem chegaríamos a dar esse passo por causa de simples desacordos teóricos. Foi só depois de um estudo minucioso das consequências das ações de Marx que chegámos a esta conclusão.

(mais…)

(memória libertária) Jornal anarquista madeirense de 1902 evoca os ‘mártires de Chicago”


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aqui: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=digitallibrary/digitalcontent&id=1407

“Irá chegar a altura em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que vocês enforcam hoje” – Adolph Fischer

15 anos depois dos “mártires de Chicago” terem sido executados, sob a acusação falaciosa de terem sido os autores materiais de um atentado à bomba alguns meses antes, o jornal madeirense anarquista “A Ideia” dedicava a primeira página do seu nº 1 inteiramente a este caso. O assassinato dos anarquistas de Chicago teve um grande impacto em todo o mundo e em Portugal, onde o movimento anarquista, que estava a nascer, se solidarizou desde logo com os seus companheiros dos Estados Unidos que lutavam pelas 8 horas de trabalho.

Aliás, seria o movimento anarquista e a CGT anarco-sindicalista que em Portugal, anos mais tarde, conseguiriam as 8 horas de trabalho diárias na maior parte dos sectores profissionais (à excepção do trabalho nos campos e no trabalho doméstico).

Uma luta – hoje pelas 30 horas semanais – que urge retomar!

(memória libertária) Honra aos mártires de Chicago


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FRAN FERNÁNDEZ

(…) Em Abril de 1886 as greves começaram a propagar-se a diversas cidades dos Estados Unidos, assim como os primeiros conflitos com o patronato, tais como Lock-outs (fechos patronais), utilização de fura-greves nos locais de greve (nos Estados Unidos conhecidos como scabs) ou confrontos entre o proletariado em luta e grupos armados (a agência Pinkerton destacou-se neste tipo de operações). A tensão social nalgumas zonas dos Estados Unidos era muito grande e no 1º de Maio a greve geral (pelas 8 horas de trabalho) em cidades como Chicago foi efectiva.

Chicago albergava uma comunidade anarquista bastante ampla e muitos eram operários e operárias migrantes de diversas zonas da Alemanha. Nesta cidade o anarquismo era o movimento socialista mais numeroso e importante e deram a esta luta a favor das 8 horas um significado de confronto directo contra as classes dominantes.

Tal como noutras cidades como Nova Iorque, Baltimore, Pittsburg, Washington, São Luís ou Boston, em Chicago alcançou-se a jornada de 8 horas em vários ramos profissionais como os carpinteiros, os embaladores, os tipógrafos ou os mecânicos, assim como uma redução da jornada a 10 horas com aumento de salário para os trabalhadores do sector da carne, padeiros e cervejeiros. De facto, mesmo antes do 1º de Maio e durante esse mês, centenas de milhares de trabalhadores conseguiram a redução da jornada laboral sem perda de salário. No entanto, nem em todos os sítios se celebrou a vitória. Em Milwauke, no contexto da greve, deram-se os acontecimentos da Bay View Massacre a 5 de Maio, onde sete grevistas foram assassinados a tiro. No caso de Chicago, os acontecimentos anunciaram o dramatismo dos incidentes de Milwauke, visto que uns milhares de trabalhadores foram reprimidos quando se dirigiam para a fábrica McCormick, a qual usava fura-greves como mão-de-obra para evitar a paralisação. Face a esta situação os agentes da Agência Pinkerton e as forças policiais dispersaram à força de balas a multidão encolerizada, provocando 6 mortos e várias dezenas de feridos.

Se tivermos em conta que em Chicago a luta e o antagonismo de classe eram muito marcados, com as elites dirigentes reaccionárias e agressivas frente às reivindicações sociais e, no outro extremo, um potente movimento socialista de carácter anárquico, com meios de propaganda estáveis e potentes, como as publicações Arbeiter-Zeitung, dirigida pelo anarquista August Spies e escrita em alemão, ou The Alarm, escrita em inglês sob a direcção de Albert Parsons, assim como a existência de várias organizações, grupos e indivíduos activos que fortaleciam a luta a favor da emancipação social, tais como as personalidades antes mencionadas ou William Holmes, Lucy E.Parsons, Sara E. Ames, William Patterson, James D. Taylor e muitas mais, podemos entender a magnitude dos factos nesta cidade: a luta de classes era uma realidade palpável no ambiente.

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A bomba de Haymarket de 4 de maio de 1886

Depois da tragédia da fábrica McCormick sectores anarquistas e operários convocaram um comício na Praça Haymarket, num contexto de forte ira e raiva pelo que tinha acontecido apenas umas horas antes. De facto, uma primeira versão do cartaz que convocava esse acto apelava a que os operários deviam ir armados e preparados para o que fosse preciso ((“Workingmen Arm Yourselves and Appear in Full Force!”), ainda que na versão final, ao que parece, foi psoto de lado essa expressão face à recusa de Spies em participar no comício se esse apelo existisse. Na verdade, o comício reuniu vários milhares de pessoas, muitas delas acompanhados dos filhos, dado o cariz pacífico que tomou.

Sob uma chuva leve e já ao entardecer teve início o comício com o discurso de August Spies, seguido depois pelos de Albert Parsons e Samuel Fields. Quando o encontro estava prestes a finalizar e sem que nada parecesse que perturbava  o ambiente, fortemente vigiado por forças policiais e agentes da Pinkerton, os corpos repressivos decidiram atacar a concentração, dispersando violentamente as pessoas reunidas na praça. Nesse preciso momento o estrondo de uma bomba lançada contra a polícia ensurdeceu o local.

O polícia Mathias J. Degan morreu em resultado desse acidente laboral, enquanto outros ficaram feridos, ainda que, mais uma vez, o pior ficou para os trabalhadores já que, depois da explosão, das correrias desesperadas e dos disparos policiais, houve mais mortos e uma quantidade indeterminada de feridos. Ainda se desconhece quem foi o autor material do atentado, facto que faz com que qualquer explicação ou hipótese possa ser possível.

A repressão policial posterior foi intensa e foram detidos vários anarquistas, os quais seriam vítimas de um processo judicial que terminou com a execução de vários deles e a prisão de outros. Os detidos que foram julgados foram Albert Parsons, Oscar Neebe, August Spies, Adolf Fischer, Louis Lingg, Michael Schwab, Samuel Fielden e George Engel. Excepto Fielden, Neebe e Schwab, que tiveram penas de prisão, os outros foram condenados à morte pela forca, o que aconteceu a 11 de Novembro de 1887. Louis Ling suicidou-se umas horas antes na sua própria cela, depois de acender um pequeno explosivo (talvez num cigarro) que lhe queimou a cara e o fez agonizar durante algumas horas. Tudo isto aconteceu depois de um julgamento de palhaçada no qual se julgaram mais as ideias do que os possíveis autores materiais do que aconteceu na praça Haymarket a 4 de Maio de 1886.

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A inocência ou culpabilidade pela explosão do dia 4 de Maio foi apenas uma desculpa para abrir um processo contra o anarquismo e os seus elementos mais radicais, conhecidos como Reds. A imprensa burguesa de todo os Estados Unidos, assim como as elites de Chicago e de outras cidades importantes iniciaram uma campanha contra o anarquismo que se revestiu, sem dúvida, de traços xenófobos, uma vez que parte importante dos operários radicalizados eram migrantes e essa campanha tentava, precisamente, separar o “bom trabalhador” nascido na América do migrante europeu radicalizado e anarquista.

O legado por detrás das execuções de 11 de Novembro de 1887

 “O processo aos anarquistas de Chicago foi uma autêntica infâmia e mostrou ao mundo inteiro que na república liberal mais prestigiada do mundo se perseguia e exterminava os trabalhadores socialistas do mesmo modo que em Espanha, Itália, França ou Alemanha. Cabe acrescentar que não só se executaram estes activistas, como também se fecharam centros operários e se praticaram todo o tipo de detenções e maltratos. A vergonha e a arbitrariedade do processo iniciado a 21 de Junho de 1886 no tribunal de Cook County foi tal que, em 1893, o próprio governador John P. Altgeld concedeu a liberdade aos presos, por reconhecer a falsidade do processo. (ALTGED, John P. Reasons for Pardoning Fielden, Neebe & Schwab, the Haymarket Anarchists, 1886, n.c., The Anarchist Library, 2012).

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Caricatura contra John P. Altgeld por rever o caso dos Mártires de Chicago.  O “perdão” (lê-se na faca) soltaria os “cães raivosos” e um deles, já solto, é o do Socialismo que está prestes a atacar uam mulher que, pelas suas roupas, representaria a típica dona de casa protestante e de ascendência anglo-saxónica. Ao fundo, a reprodução do monumentos aos polícias mortos e feridos pela bomba de 4 de Maio de 1886.

Contudo, se analisarmos quem eram os membros do júri é fácil compreender o resultado final da sentença a que chegou: todos eram americanos de nascimento, brancos anglo-saxões, protestantes e racistas e, incluso, dizia-se que um era familiar de um polícia afectado pelos acontecimentos de 4 de Maio. Era, realmente, um júri muito pouco imparcial. A desgraça, por outro lado, acompanhou Michael Schwab depois de ter sido posto em liberdade, já que morreu poucos anos depois de ter sido libertado, em 1898, devido a uma doença respiratória contraída durante o seu cativeiro.

Depois da sua morte, os mártires alcançaram grande projecção internacional, formando parte do imaginário político operário, e transformando-se num referencial para uma multidão de explorados do mundo ocidental.

No Congresso da II Internacional de 1889 foi decidido relançar a jornada de luta do 1º de Maio, sendo especialmente activos os primeiros de maio de 1890 e 1891, ainda que as diferenças de opinião entre anarquistas e marxistas provocassem a divisão no movimento operário internacional, quebrando o seu espírito combativo, reivindicativo e unitário da jornada que em Maio de 1886 agitou os Estados Unidos.

O marxismo, face a um anarquismo que em quase todos os estados ocidentais tinha a vantagem numérica, preferiu, em geral, adoptar um perfil baixo nestas jornadas, com manifestações e comícios pacíficos, ao contrário do anarquismo, que considerava estas jornadas como um pretexto, não só para conseguir as 8 horas de trabalho, mas também para aumentar a tensão social, com a perspectiva posta numa possível insurreição. Estas divisões e o peso internacional da repressão provocaram que já em 1893 ou 1894 o 1º de Maio, como tal, fosse particamente um pouco esquecido e não voltou a florescer com forte durante bastantes anos.

Em qualquer caso, o 11 de Novembro foi uma data muito recordada nos ambientes operários até aos primeiros anos do século XX, e ainda que praticamente relegada ao esquecimento nos nossos tempos, atrás da celebração do 1º de Maio, que ainda se mantém nos nossos dias, está a marca destes operários que foram executados pelas suas ideias e pelo seu activismo social, e não por serem os autores da bomba lançada a 4 de Maio em Chicago.

As imagens são todas da Haymarket Affair Digital Collection.

daqui: https://serhistorico.net/2016/11/04/11-de-noviembre-de-1887-ejecucion-de-los-martires-de-chicago/

(Amor y Rabia) Contra o nacionalismo


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Para ler e download: CONTRA-EL-NACIONALISMO

A crise catalã acendeu nos meios libertários um intenso debate sobre o nacionalismo, o independentismo, a autodeterminação, o federalismo… Uma parte dos libertários apoia o desejo de autodeterminação dos catalães, outros veêm nas proclamações de independência mais uma manobra das classes dirigentes para perpetuarem o seu poder e mobilizarem os trabalhadores para objectivos que não os seus. No âmbito deste debate, de posições extremadas, por um lado e, por outro, de argumentação viva e sustentada, acaba de sair uma publicação em castelhano totalmente dedicada ao tema do nacionalismo. É uma leitura interessante que dá conta, historicamente, de como apareceram alguns dos nacionalismo modernos na Península Ibérica e de como, no Estado Espanhol, os libertários se têm situado neste confronto entre os nacionalismos e um mundo sem fronteiras.

http://revistaamoryrabia.blogspot.pt/

(CGT) ‘Libre Pensamiento’ com dossier sobre ‘Feminismos’


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Para ler e download: http://cgt.org.es/sites/default/files/LP%2091_0.pdf

“Libre Pensamiento”, a revista teórica da CGT espanhola, relativa ao Verão de 2017, já está disponível na internet. Esta edição – já vai no número 91 – dedica especial atenção aos feminismos na óptica do anarquismo.