Mês: Setembro 2016

Contra a transformação do Forte de Peniche, espaço de deportação e luta antifascista, num hotel


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Militantes anarco-sindicalistas presos na Fortaleza de Peniche pela sua ação no movimento do 18 de janeiro de 1934. Texto datilografado de J. Francisco (?), fogueiro da Marinha Mercante,  em folha A4 que acompanha as fotos: “ Fortaleza de Peniche – 1936. Um dia de visita. Os presos que fazem parte desta foto, na sua maioria militantes cegetistas, cumprindo penas várias ou detidos sem culpa formada, após o 18 de janeiro de 1934, pertencem a todas as regiões de Portugal, desde o Algarve ao Norte do país e das mais variadas profissões: camponeses, conserveiros, construção civil, alfaiates, comércio, etc. Entre os que puderam ser identificados encontram-se: José Francisco, ao lado de sua mãe, que por unanimidade de todos resolveram que figurasse na foto, com os seus 83 anos de idade; Barnabé Fernandes, do Barreiro; José Quaresma, de Setúbal, Jorge Viancad R Raposo, da Juventude Libertária de Lisboa. António Inácio Martins, anarquista do Porto, José Bernardo, de Setúbal”.

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(memória libertária) José António Machado (“Graça”), um dos obreiros d’ “A Batalha” clandestina


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José António Machado, tipógrafo e jornalista, militante anarco-sindicalista,  na manifestação do 1º de maio de 1975, em Lisboa. (aqui)

José António Machado (1916-1978), de origem operária, depois tipógrafo e jornalista, foi um dos militantes libertários que permitiram a existência de “A Batalha” clandestina, bem como de outra propaganda anarquista e anarco-sindicalista durante os tempos da ditadura.

Natural do Barreiro, onde nasceu em 1916, José António Machado começou a trabalhar aos 16 anos na indústria corticeira, passando depois para aprendiz da escola da tipografia da Imprensa Nacional. Autodidacta, dedicou-se ao estudo e difusão do esperanto e dos ideais libertários. Fez parte do grupo anarquista do Barreiro “Terra e Liberdade”, que na altura publicava um jornal com o mesmo nome.

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Foi há 41 anos o assalto às instalações consulares espanholas em Lisboa, Porto e Évora


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Há 41 anos, a 27 de Setembro de 1975, a indignação provocada em Portugal pelo fuzilamento em Espanha de cinco jovens antifascistas, dos quais três militantes da FRAP (um grupo maoísta) e dois militantes da ETA – e  depois do anarquista Salvador Puig Antich ter sido garrotado pelo regime franquista, em Março de 1973 – fez com que milhares de pessoas, de uma forma quase espontânea (as relações de grupo e de rede, bem como alguma comunicação social, também funcionaram), saíssem à rua em Lisboa, Porto e Évora destruindo as delegações consulares do Estado Espanhol e de algumas empresas de topo, como a companhia de aviação Iberia.

Em Lisboa, a multidão concentrou-se ao fim da tarde junto do consulado de Espanha, na Avenida da Liberdade, onde foi hasteada uma bandeira da FRAP e parte do recheio das instalações destruído, depois de ter sido forçada uma das janelas. De seguida, os manifestantes rumaram à Praça de Espanha, onde se situa a embaixada e a residência do embaixador, tendo manifestado a sua raiva contra as vidraças de várias empresas espanholas durante o trajecto.

A embaixada foi também rapidamente tomada, sem resistência, e o seu interior completamente devastado pelos milhares de manifestantes – oriundos de partidos da extrema–esquerda, mas também muitos anarquistas, portugueses e do Estado Espanhol -, que assim protestavam contra Franco e a ditadura fascista, anacrónica e desajustada, sobretudo para um país que a 25 de Abril de 1974 tinha visto alguns dos seus direitos e liberdades repostos e em que a pena de morte era considerada a mais extrema violação dos direitos humanos.

O video da RTP, no link em baixo, para além do valor das imagens, peca pelo texto, que não cumpre o rigor histórico, pretendendo insinuar que por detrás deste assalto às instituições consulares poderiam ter estado outros interesses que não os da indignação e os da revolta contra a ditadura franquista.

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Ver Vídeo: O significado do assalto à embaixada de Espanha | Memórias da Revolução | RTP

Ver também: http://kaosenlared.net/27-de-septiembre-la-noche-mas-larga

(Colômbia) Sai o número 30 de”El Aguijón”


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Por todo o mundo reaparecem ou nascem jornais, revistas, fanzines de teor libertário, mostrando a fase de crescimento e de implantação do movimento anarquista à escala global, embora assente em projectos estruturados localmente e, regra geral, de pequena dimensão.

“El Aguijón” é uma publicação de jovens anarquistas da Colômbia que tem feito o seu caminho desde 2009. Merece uma espreitadela.

Para ler e download o “el aguijón” 30 (versão web)  : https://issuu.com/elaguijon-klavandoladuda/docs/no._30_para_web

Jaime Brasil, anarquista e primeiro secretário-geral do Sindicato dos Profissionais de Imprensa de Lisboa


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Num momento em que se prepara a realização de mais um Congresso dos Jornalistas Portugueses recordamos a figura do jornalista e escritor Jaime Brasil, anarquista, colaborador quer da imprensa libertária (no Suplemento Semanal de “A Batalha”, com Ferreira de Castro, Mário Domingues, Nogueira de Brito), quer da imprensa comercial, sobretudo no Primeiro de Janeiro (onde chefiou a delegação de Lisboa) e no Globo (que dirigiu). Muito activo, Jaime Brasil foi um dos fundadores e o primeiro secretário-geral do Sindicato dos Profissionais de Imprensa de Lisboa, um antecessor do actual Sindicato dos Jornalistas.

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Jaime Brasil (à esquerda), ao centro está Roberto Nobre e à direita, Ferreira de Castro.
A foto é de Maria do Céu Nobre, tirada em Versalhes, em 1949. Aqui.

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(opinião) A “Hipótese anarquista” no século XXI


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Octavio Alberola (*)

A leitura do interessante ensaio “A hipótese anarquista ou Badiou,  Žižek  e os preconceitos anti-anarquistas” (1) do companheiro e amigo austríaco Gabriel Kuhn, publicado recentemente na web alasbarricadas (2), incitou-me a manifestar as minhas concordâncias e discordâncias com aquilo que ele expôs neste texto de 2011; pois, apesar de coincidir com as suas refutações das opiniões e afirmações destes famosos filósofos neo-marxistas sobre o anarquismo, discordo sobre a pertinência e a viabilidade da sua proposta – face à “hipótese comunista” de Alain Badiou – de uma “hipótese anarquista” baseada num “forte movimento colectivo unificado sob uma designação comum”.

Mais concretamente: a minha reacção a esse texto tem como motivo o facto de considerar que as “concordâncias” validam as “discordâncias” e que os acontecimentos mais relevantes dos últimos cinco anos, desde que este ensaio foi escrito, não validam a sua proposta. Por isso, antes de argumentar porque é que tal “hipótese” não me parece pertinente nem viável, resumirei previamente essas “concordâncias” e “discordâncias”.

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