acção directa

(Colômbia) Grupo anarquista ocupa edifício universitário e apela à resistência estudantil e popular


colombia

Na tarde de 1 de Março, o grupo clandestino “Anarquistas ao Combate” ocupou o edíficio P da Universidade Pedagógica Nacional (UPN) na cidade de Bogotá, Colômbia, fazendo um apelo à comunidade estudantil a retomar os processos de autonomia e rebeldia nas discussões e práticas estudantis dentro e fora da instituição. Os militantes encapuçados pintaram algumas palavras de ordem nas paredes do edifício e repudiaram taxativamente os mais de 120 assassinatos de líderes comunitários e defensores dos Direitos Humanos apenas em 14 meses em todo o território nacional, especificamente num contexto que mediatiza a paz, esquecendo os graves – e cobardes – atentados paramilitares contra os lutadores sociais.

No passado dia 23 de Fevereiro organizou-se o “Festival pela Rebeldia e Memória”, na Praça Darío Betancourt, que pretendia fortalecer o imaginário estudantil sobre as arremetidas policiais contra os estudantes organizados na UNP e, pela sua vez, servindo como uma actividade preparatória da marcha nacional contra o recente Código Policial aprovado no início de 2017. Quando se realizava este Festival, uma helicóptero sobrevoou a universidade a apenas alguns metros de altura.

aqui: http://rupturacolectiva.com/grupo-clandestino-anarquistas-al-combate-hace-un-llamado-a-luchar-por-la-autonomia-en-colombia/

(Sábado) Concentração em Lisboa contra Trump e pelo fim do patriarcado e do Estado


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Nem Trump, nem trampa: Mais presidentes não, Auto-gestão!

(Lisboa) Sábado, 21 de Janeiro, 15H, concentração junto à Embaixada dos Estados Unidos (Av. das Forças Armadas)

No sábado, dia 21 de Janeiro, realiza-se a Marcha das Mulheres em várias cidades do Mundo, pela igualdade, pela diversidade, pela justiça, pela interseccionalidade das lutas no combate às várias opressões, pela convergência das nossas comunidades de resistência, sob o mote #naosejastrump. Mas não basta que “Não sejas Trump”.

Não sejas trampas: Não sejas Presidente, não sejas Sistema, não sejas Partido, não sejas Democracia-Representativa – foi Ela que elegeu o patife – não sejas poeira-nos-olhos! Há que afrontar os agentes do cisheteropatriarcado e do capitalismo neoliberal em todas as suas mutações.

O mandato de Trump apresenta-se como uma ameaça a mulheres, queers, pessoas trans, imigrantes, pessoas não-brancas e animais não-humanas. Para além dum aumento da discriminação e do risco de crimes de ódio (visto que estas práticas encontram agora legitimação e incentivo no discurso político oficial), estes grupos correm o risco de ver retrocessos no que toca às reformas favoráveis efectuadas nos últimos anos de governação neoliberal.

O momento torna evidente a incipiência dos direitos conseguidos pelo reformismo; direitos que alguns dizem adquiridos e outros conquistados, mas que não passam de “direitos concedidos”. Porque a verdade é que, entre presidentes que vão e presidentes que vêm, as mulheres, as pessoas não-brancas, as imigrantes, as comunidades LBTQIA+ e as animais não-humanas vêem-se sempre a ter de negociar com outrem o que podem ou não podem fazer com o seu corpo. Que “liberdade” é esta, se estamos dependentes da aprovação de um grupo de políticos, ou mesmo de uma maioria, para poder decidir sobre o nosso próprio corpo e como performar/experienciar/viver nele? O estado é uma instituição cuja essência é autoritária, opressiva e cisheteropatriarcal. A sua existência assenta, e tem como objectivo garantir, o controle e a exploração dos corpos de umas em prol da acumulação de riqueza da minoria.

Há que construir e visibilizar as alternativas, que as há! É necessário que deixemos de nos preocupar apenas com as materializações isoladas da opressão e desmantelemos o status quo hierárquico que serve de pedra basilar ao sistema cisheteropatriarcal, mas sem cairmos no erro de falar a partir do lugar inexistente de um sujeito universal neutro. A resistência faz-se pela visibilidade e libertação de todas – mulheres, ciganas, queers, imigrantes, com diversidade funcional, trans, negras, putas, vacas, porcas, cabras, ratas e demais animais.

Assim, desde os nossos múltiplos lugares de enunciação, nós – as feministas, as anti-especistas, as antifa, as fufas, as bissexuais, as queers, as heteras, as não-monogâmicas, as galdérias – reivindicamos, não um novo mestre, mas a auto-determinação. Queremos e somos capazes de auto-organização, horizontalidade e cooperação!

Fascismo Não!
Autogestão!
Feminismo de estado não é solução!

MAM-Portugal e Agenda Libertária Lx

https://www.facebook.com/mamportugal/
https://www.facebook.com/agendalibertarialx/

Carta do Brasil: “A situação aqui é crítica. Tenho medo até de um novo golpe militar.”


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Publicamos este texto de Francisco Castillo, que foi inserido na caixa de comentários na página do facebook do Portal Anarquista em que dávamos destaque à intervenção da estudante Ana Júlia, na  assembleia legislativa do Paraná. O texto sintetiza as razões de luta dos estudantes brasileiros e as suas apreensões face à resposta autoritária do governo e das autoridades.

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Não só contra essa proposta de censura que nós estamos nos organizando. Nós também estamos lutando contra diversos abusos do governo de legitimidade duvidosa (apesar de eu achar que qualquer tipo de regime onde não haja democracia direta é ilegítimo) que quer fazer cumprir a todo custo e com medidas autoritárias uma agenda liberal que começa com uma emenda constitucional (a PEC 241) que corta por 20 anos investimentos em saúde, educação, programas sociais, previdência e em outras áreas vitais para a população brasileira. O mais revoltante que isso acontece ao mesmo tempo que todos os políticos estão aumentando os próprios salários (prática extremamente comum no Brasil) (os salários devem estar girando em torno de R$ 40.000 em media, o que da mais de 10.000 euros, e isso sem as dezenas de benefícios).

Alem dessa emenda constitucional, eles estão querendo censurar o direito de liberdade de expressão dos professores em sala de aula (como vcs ja sabem) e absurdos ainda maiores, como cortar sociologia e filosofia do currículo. Mas, como se não bastasse, este governo ainda promete fazer uma grande reforma trabalhista e previdenciária no próximo ano, que reduzira em muito os direitos dos trabalhadores e dos aposentados. Contratos de terciarização poderão prevalecer sobre a legislação trabalhista. Alem disso tudo, existe um plano a longo prazo da base aliada deste governo de terciarizar todos os serviços públicos e de privatizar a saúde e a educação do país, medida que é apoiada pela nossa desprezível direita que se embaseia na escola austríaca, nos ditadores militares que governaram o pais e no desprezível ditador chileno Pinochet.

Apesar de estarmos ocupando as escolas e lutando com todas as nossas forças, não estamos conseguindo mobilizar a população do pais em favor a nossa causa, já que ela se encontra alienada por uma midia neoliberal e enfurecida contra a demagogia e a corrupção do ultimo governo q se dizia de esquerda que acabou de cair devido a uma politicagem mafiosa executada no congresso.

Acho que estou aqui em um pedido de socorro para vocês, já que vejo que aí na europa vocês conseguem fazer uma oposição muito mais forte a esse tipo de coisa. Nós no Brasil já sofremos com as oligarquias nacionais e com o imperialismo internacional durante os últimos 200 anos. A situação aqui é crítica. Tenho medo até de um novo golpe militar.

Francisco Castillo

(Madrid) Uma antiga sucursal do Bankia ocupada por projectos de economia social


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O Banco Expropriado A Canica albergará a Rede de Economia Solidária de Bairro e a rede de trocas que usa a Caninca como “moeda”.

Situado em Lavapiés, um bairro central habitado por uma grande percentagem de imigrantes, que nos anos 90 ganhou fama pelas suas ocupações, presentemente a sofrer de #gentrificação como tantos outros bairros pelo mundo.

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Luigi Lucheni: um dos muitos regicídas oriundos do anarquismo


texto

Olhe bem para esse rosto, de alguém usado e abusado, maltratado pelas circunstâncias e contexto de sua vida.

Nasceu em Paris, filho nunca reconhecido de italianos – filho da criada com patrão de família rica.

Foi abandonado em um orfanato, fugiu, foi criança de rua. Ainda jovem foi trabalhador, garçom, serviçal. Foi imigrante, foi soldado mandado morrer jovem e pobre na guerra na colonia italiana na Africa, para que velhos ricos pudessem se dar bem.

Nós não saberíamos de sua existência se ele não tivesse sido um assassino regicida. Este é o rosto do orgulhoso executor da Imperatriz Isabel da Áustria em 1898.

Se chamou Luigi Lucheni (Abril, 1873-Outubro, 1910), e depois de preso e morto, foi usado como estereótipo do anarquista perigoso pela burguesia e estadistas dali em diante.

Vivo, vagou miserável pela Europa, não suportando o grau de consciência, de sua história e condição. Decidiu matar e morrer após ouvir histórias sobre Vailant, Ravachol e outras pessoas cuja condição era como a dele. Mortos na guilhotina depois derrubar gente poderosa. Decidiu morrer por matar um estadista, assassinar o rei.

Não tinha dinheiro sequer para conseguir um punhal. Afiou uma lima que encontrou durante tempo suficiente para transformá-la em navalha. Viajou para Genebra para matar um príncipe francês que já estava morto há 1 ano.

Sua lima ficou tão afiada que sua vítima nem sentiu, pensou que lhe haviam tentado roubar o relógio de bolso. Apunhalou uma imperatriz austríaca no coração, entre a praça e o cais do porto na tarde de 10 de setembro de 1898.

Foi capturado poucos metros dali jogando a lima na água. Foi espancado e torturado. Mas seguia sorridente e solicito, a dor não era novidade nenhuma, estava orgulhoso de seu feito.

No tribunal exigiu guilhotina para si mesmo. Queria sair da vida e entrar para história. Foi condenado a prisão perpétua em regime de isolamento.

Sozinho na cadeia, aprendeu a ler e escrever em francês. Por mais de dez anos escreveu suas memórias, que chamou de “Histórias de uma criança abandonada no fim do século XIX, contadas por ela mesma”.

Teve seus escritos roubados pelos carcereiros o que o fez mais arredio. Foi suicidado por policiais na cela em 19 de outubro de 1910.

Seu corpo foi desmembrado e estudado por frenologistas. Sua cabeça foi colocada num vidro e exibida no Instituto Médico Forense de Viena até 1985, sendo descartada em 2000, numa vala comum do Cemitério de Viena com outros pedaços humanos utilizados por décadas para estudos de anatomia.

No Brasil depois de muito tempo seus escritos acabaram sendo publicados como o livro “Memórias do Assassino de Sissi”.

Julgamentos precipitados levam a equívocos, é importante conhecer a história destx e de outrxs anarquistas.

Via: Gwen Uhuru

também aqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Luigi_Lucheni

(memória libertária) Em Julho de 1937 o atentado anarquista contra Salazar podia ter ferido de morte o fascismo


atentado salazar

A 4 de Julho de 1937 o rumo do Portugal fascista e salazarista poderia ter mudado. Um atentado, protagonizado sobretudo por anarquistas (a que se haviam associado elementos republicanos e comunistas), à figura de Salazar que, quase por milagre escapou ileso, poderia ter poupado Portugal a mais quase 4 décadas de fascismo. Durante meses este grupo revolucionário – que já antes tinha colocado bombas nos ministérios e no Rádio Clube Português, em solidariedade com a revolução espanhola e contra o apoio que o governo e o RCP davam aos falangistas de Franco – estudou a melhor hipótese de atentar contra a vida de Salazar – o homem forte do regime fascista. Dadas as características do regime, personalizado em Salazar, a sua morte teria alterado significativamente o curso da história.

O PCP sempre se demarcou desde episódio – e fez bem! Nunca estaria à altura, enquanto organização, de um feito destes. Houve militantes republicanos e comunistas que participaram a título individual – do mesmo modo que a 1 de Janeiro de 1962 militantes de diversas origens  (democratas, anarquistas, comunistas, socialistas e outros antifascistas) também participaram no famoso assalto ao Quartel de Beja.

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(Diário de Lisboa. de 4 de Julho de 1937)

A grande referência histórica para este atentado é Emídio Santana, que esteve preso durante 16 anos. Anarco-sindicalista, militante da CGT, um dos impulsionadores do movimento libertário no pós 25 de Abril e director de “A Batalha” após 1974, publicou um livro – História de um atentado: o atentado a Salazar – que é ainda uma das grandes fontes de informação sobre a preparação e execução deste atentado.

(texto) Há uma ânsia que nos percorre diariamente…


Estivadores

Dia 16 há uma “manifestação contra a precariedade” com convocatória iniciada pelo Sindicato dos Estivadores e suportada por diversos grupos. Neste momento pensamos terem sido ditos todos os argumentos lógicos e racionais; ainda assim, sentimos faltar algo.

Há uma ânsia que trazemos que não assenta na economia, nem na justiça, nem na democracia, e dificilmente encontra palavras para ser expressa. Uma ânsia que nos percorre diariamente, em cada momento que queremos responder aos ataques que sofremos (policiais, económicos, políticos, judiciais, mediáticos…) e não sabemos como, ou sentimos que estamos sozinhos.

Encontramos, por vezes, demasiado poucas vezes, o momento de a expressar, de extravazar, de a pôr em acto. Raramente esse momento é partilhado, de mais que um, de mais que nós e os nossos mais próximos. Enchem-nos o coração de cada vez que existem, que se materializam – mas também não escondemos que nos alegra quando esses momentos são feitos colectivamente por centenas ou milhares de pessoas; há outras possibilidades que se abrem.

A 14 de Novembro de 2012 vivemos um momento assim; por algumas horas algumas zonas de Lisboa estiveram bloqueadas, com barricadas que atrasavam o avanço da PSP e iluminavam uma noite que, de outra forma, teria sido uma mera e entediante reprodução de todas as outras noites. Mas essa foi diferente – todos o sentimos.

Por outro lado, as noites – e dias – que há meses se vivem em Paris e noutras cidades francesas dilatam-nos as pupilas e aceleram-nos o coração, sempre com uma ponta de inveja – de ser tão longe. É sempre demasiado longe. Vemos tudo, gostamos, partilhamos… Mas a partilha é sempre demasiado virtual, demasiado mediada.

Dia 16 há uma “manifestação contra a precariedade”… mas move-nos outra coisa… a alienação em que sobrevivemos, o tédio quotidiano, a exploração que sofremos (e que é tão maior que a “precariedade”), os papéis e funções que nos impõem, o isolamento a que estamos sujeitos. Há uma ânsia que nos percorre… a “nós” e a tantos que desconhecemos, que estarão lá esperando que aquele não seja mais um desfile. Há uma ânsia que quer expressar-se, viver-se, partilhar-se… um misto de raiva, frustração, entusiasmo… dia 16 tentemos pô-la em acto e juntos criarmos um momento que nos alegre, que nasça dessa ânsia e expresse o que cada um deste “nós” sente.

(texto para divulgação enviado por email)