memória libertária

(Almada) Uma das primeiras sessões públicas do Movimento Libertário após o 25 de Abril


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aqui: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/movimento-libertario-portugues/

Almada (21/6/1974) uma das primeiras sessões públicas do Movimento Libertário a seguir ao 25 de Abril de 1974, na Incrível Almadense (*). Na mesa do comício vêem-se Francisco Quintal, Sebastião de Almeida e Emídio Santana, entre outros. Nas primeiras filas Custódio da Costa, Artur Modesto…Video disponível no arquivo da RTP, mas sem som.

(*) Confirmação feita por Carlos Gordilho. “Depois de observar o filme da RTP posso confirmar que se trata de imagens de um comício realizado na Sociedade Incrível Almadense, por iniciativa da delegação de Almada do Movimento Libertário Português. Na mesa encontram-se da esquerda para a direita as seguintes pessoas: Dr. Gladestone da Costa; Francisco Quintal; Domingues; Sebastião de Almeida; Dr. Alexandre Achando; Correia Pires e Emidio Santana.”

(efeméride) Adelaide Cabete, a ‘Louise Michel’, nasceu há 150 anos


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Assinalam-se hoje os 150 anos do nascimento de Adelaide Cabete, alentejana, natural  de Elvas. Formada em medicina, foi colaboradora e dirigiu várias publicações dirigidas às mulheres. Republicana e filiada na maçonaria – que hoje celebra o seu nascimento – , onde adoptou o nome da anarquista francesa Louise Michel, o que prova que “era alguém muito próxima dos ideais anarquistas”, como sustenta a investigadora Isabel Lousada nesta entrevista. Adelaide Cabete foi também uma assídua colaboradora do jornal anarco-sindicalista “A Batalha”, orgão da CGT. 

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De seu nome completo Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete, nasceu em Elvas, freguesia de Alcáçova, a 25 de Janeiro de 1867, filha de Ezequiel Duarte Brazão e de Balbina dos Remédios Damas. Oriunda de uma família humilde, começou a trabalhar muito nova e casou com o sargento republicano Manuel Fernandes Cabete, que a incentivou a estudar.

Em 1889 prestou o exame de instrução primária e, em 1894, concluiu o curso liceal. No ano seguinte mudou-se para Lisboa, onde se matriculou no ano seguinte na Escola Médico-cirúrgica, instituição onde concluiu o curso em 1900 com a tese Protecção às Mulheres grávidas Pobres como meio de promover o Desenvolvimento físico das novas gerações (1900).

Republicana militante, participou activamente na propaganda que antecedeu a mudança de regime em 1910. Professora no Instituto Feminino de Odivelas e médica, procurou sempre defender a melhoria das condições de vida das crianças e das mulheres, com particular ênfase na luta contra a prostituição e o alcoolismo. Propagandista do feminismo fundou e presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Cruzada Nacional das Mulheres Portuguesas, à Liga Portuguesa Abolicionista, às Ligas de Bondade e dirigiu a revista Alma Feminina (1920 – 1929).

Na Universidade Popular Portuguesa organizou um curso de Higiene e Puericultura. Participou no Congresso Internacional de Ocupações Domésticas (Gand, 1913), no Congresso internacional Feminino de Roma (1923), no Congresso do Conselho Internacional das Mulheres (Washington, 1925), nos I e II Congressos Feminista e da Educação (1921 e 1928), nos Congressos Abolicionistas (1926 e 1929). Viveu em Angola entre 1929 e 1934, onde continuou a sua acção a favor da higiene e da assistência. Colaborou em numerosas publicações periódicas como: Educação, Educação Social. O Globo, A Mulher e a Criança, Pensamento, O Rebate.

Iniciada em 1 de Março de 1907, na Loja Humanidade, com o nome simbólico de «Louise Michel». Atingiu os graus 2 e 3º em 1 de Março de 1907, 4º em 28 de Julho de 1910, 5º, 6º e 7º em 16 de Janeiro de 1911. Grau 30º do REAA em 28 de Outubro de 1923. Conservou-se na Loja no período em que laborou sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano Unido (até 1913 e depois de 1920 até 1923) e posteriormente, após a adesão da Loja Humanidade à Ordem Maçónica Mista Internacional O Direito Humano, em 1923. Foi eleita várias vezes Venerável da sua Loja e Grã-Mestra do Areópago Teixeira Simões (1926).

Morreu em Lisboa, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, a 19 de Setembro de 1935.

(para memória futura) Almada, 18 de Janeiro de 1934


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«O concelho de Almada tem então cerca de 23 000 habitantes e a vila pouco mais de 8000, sendo uma parte população flutuante, como nos dias de hoje. A população operária é mais heterogénea em termos sócio-profissionais do que a da Marinha Grande, centro essencialmente vidreiro, ou do que a de Silves, exclusivamente formada por corticeiros.

Em Almada a eclosão do movimento é marcada, na madrugada de 18, pelo corte da linha telefónica e pela sabotagem do cabo submarino entre a Trafaria e Porto Brandão, únicos actos violentos dignos de registo.

Com muitas ou poucas acções espectaculares — menos, em todo o caso, do que as verificadas na vizinha Lisboa, para já não falar da Marinha Grande ou de Coimbra —, os trabalhadores, esses, aderem à greve, ainda que surjam dois comportamentos diferentes.

Trabalhadores há que se apresentam ao serviço, iniciam normalmente a sua actividade às 8.30 e a instâncias de grupos de grevistas que percorrem os locais de trabalho apelando à greve acabam por abandoná-lo e recolher a suas casas. Estão neste caso os operários fabris de Cacilhas, os chauffeurs de táxis que fazem serviço no Largo Costa Pinto, os motoristas das empresas de camionagem que servem todo o concelho e ainda os operários dos estaleiros da Parry & Son.

Outros — o operariado da vila de Almada e o do restante concelho — nem sequer comparecem nos locais de trabalho. Estão neste caso os corticeiros da vila, designadamente os das fábricas Harry Bucknall & Sons, Rankin & Sons, Armstrong & Cork, bem como os que trabalham no Caramujo, Cova da Piedade, Ginjal, Margueira, Banática, Mutela e arredores, ou seja, todos os corticeiros do concelho. E também os operários das fábricas de moagem Aliança e dos Moinhos Reunidos, ambas situadas na Cova da Piedade, os operários dos estaleiros de barcos de madeira da Mutela, os operários de algumas fábricas de conservas, todos os operários da construção civil com obras na Mutela, Cova da Piedade, Porto Brandão, Trafaria, Caparica e Almada, com destaque para os 500 operários que nesta última localidade trabalham então na construção do Arsenal do Alfeite. E o mesmo se passa com os operários de serviços metalúrgicos do concelho e com os operários dos depósitos da Shell, situados na Banática, com os da fábrica de gelo da Companhia Portuguesa de Pesca, no Olho de Boi, e, enfim, com os estivadores e descarregadores de cais.

De uma maneira ou de outra, toda a população industrial do concelho adere à greve. E nem as forças da polícia locais, nem a chegada de 30 praças da GNR, nem a de 40 marinheiros e 2 sargentos da Armada, com os respectivos tenentes, nem as operações de policiamento e de demonstração de força que a sua permanência nas ruas representa — a que se juntará ainda no próprio dia 18 a suspensão do jornal local O Almadense —, levarão a maior parte dos grevistas a apresentarem-se ou a retomarem o trabalho. Apenas os motoristas de camionagem, após terem sido requisitados pelo administrador do concelho, rompem a greve ao fim do dia 18.

Mesmo a 19, se a maioria do operariado retoma o trabalho, alguns impenitentes se mantêm. Os operários corticeiros — com excepção dos da Margueira — e os operários das fábricas de moagem vão permanecer em greve, o que levará à prisão de 24 dos principais dirigentes sindicais do concelho de Almada, e só regressam ao trabalho a 20.»

Maria de Fátima Patriarca, “O «18 de Janeiro»: uma proposta de releitura”, Análise Social, vol. XXVII (123-124), 1993, pp. 1137-1152

aqui: https://www.facebook.com/CentroDeCulturaLibertaria/photos/a.353169281424818.82816.353165078091905/1321681247906945/?type=3&theater

(vídeo) A greve geral de 18 de Janeiro de 1934


 

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Dois vídeos sobre a greve geral de 18 de Janeiro de 1934 feitos pelo jornalista Jacinto Godinho para a RTP. Mais uma vez esquece-se a dimensão nacional do protesto (*) e o foco é a Marinha Grande, onde a “sublevação” dura um par de horas, quando em Silves, Barreiro, Almada a greve é geral e prolonga-se por vários dias. Mas, em termos gerais, é uma investigação rigorosa e isenta.

“Em Agosto de 33 Salazar publica o Estatuto do Trabalho Nacional. Em Portugal acaba o sindicalismo livre, criminaliza-se o direito à greve e começa o corporativismo.

Mas os anarco-sindicalistas e os comunistas não desarmaram. Unem-se pela primeira vez numa greve geral revolucionária. O objetivo desta primeira “geringonça” é derrubar à força de bombas o regime de Salazar e Carmona.

Mas houve uma região que a PVDE descuidou nos planos da greve revolucionária – a Marinha Grande. Na região vidreira, os grevistas tomaram de assalto o posto da GNR e dos CTT. A ocupação durou poucas horas.

No rescaldo da falhada greve revolucionária a PVDE prendeu 696 pessoas só em processos relacionados com a Greve Revolucionária. A polícia política usa a tortura violenta para encontrar os responsáveis pelos atentados bombistas de 18 de Janeiro. Vários dos presos não aguentam as violências e “suicidam-se”. É o caso do militante comunista Mário Vieira Tomé que aparece morto na prisão. Neste episódio tenta-se desvendar o caso e obter pela primeira vez provas concretas de tortura na PVDE. O anarquista Jaime Rebelo corta a língua e Jaime Cortesão dedica-lhe o poema ‘Romance do Homem da Boca Fechada’ (“cortada” no site do vídeo).

Apesar das prisões em massa de 1934, o único dos movimentos anti ditadura que não teve líderes presos foi o PCP que fica solitário na oposição ao regime. A propaganda do regime concentra-se no combate ao comunismo considerado por Salazar “a grande heresia da nossa idade”. (**)

A insurreição nacional perpetrada a 18 de janeiro de 1934 resulta indiretamente de um longo processo de luta social e sindical pela melhoria das condições de vida da classe trabalhadora, e surge especificamente como movimento nacional de contestação à ofensiva corporativa contra os sindicatos livres, por força do recém-publicado “Estatuto do Trabalho Nacional e Organização dos Sindicatos Nacionais” em setembro de 1933 pelo Estado Novo, regime responsável por milhares de vítimas, mortos em confrontos, prisões ou em situações de tortura, prisões em campos de concentração no continente, ilhas e colónias, perseguições, expulsões do país, degredos e deportações para as ilhas e colónias, semeando um rasto de terror entre várias gerações de portugueses.

Jornada de luta contra a fascização dos sindicatos e pela defesa da livre organização dos trabalhadores; contra a ofensiva patronal e do Estado salazarista contra os salários, o horário de trabalho de 8 horas; contra a repressão e em defesa das liberdades cívicas e políticas tinha a determiná-lo a compreensão do que o fascismo representava para os trabalhadores: privação de todas as liberdades, perseguições, prisões, torturas, assassinatos, intensificação da exploração, desemprego e miséria.

A reacção do governo salazarista à greve de 18 de Janeiro, e em particular na Marinha Grande, foi de grande violência e arbitrariedade: elevado número de prisões, despedimentos, julgamentos praticamente sumários, condenações a pesadas penas de prisão, deportações, assalto ao que restava das organizações operárias livres.

O Campo de Concentração do Tarrafal, instalado numa das piores zonas climáticas de Cabo Verde chuvas, fortes ventos, calor, água inquinada com um regime prisional inspirado no modelo nazi, assente na arbitrariedade, na violência organizada, nos trabalhos forçados, tornou-se num verdadeiro inferno para os presos antifascistas que para lá foram enviados, muitos deles participantes na greve de 18 de Janeiro”

(*) https://colectivolibertarioevora.files.wordpress.com/2014/01/textos-18-janeiro.pdf

(**) https://www.facebook.com/PORTAL.ANARQUISTA/photos/a.296793177087642.53912.296105283823098/946763515423935/?type=3&theater

(20 de Janeiro de 1937) Em solidariedade com a revolução espanhola: anarquistas portugueses sabotam ministérios e empresas colaboracionistas com Franco


 

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Foi há 80 anos. Em solidariedade com a Revolução Espanhola e contra o governo e os grupos que em Portugal colaboravam com o fascismo espanhol, uma vaga de actos de sabotagem, realizada por grupos anarquistas, na noite de 20 e na madrugada de 21 de Janeiro de 1937, mostrou que era possível ir além das meras palavras de circunstância.

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(memória libertária) José Negrão Buísel (1875-1954), um anarquista de Portimão


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José Negrão Buísel é uma das referências do anarquismo no Algarve. Professor, seguidor das ideias pedagógicas libertárias da escola Moderna de Francisco Ferrer, esteve ligado à Federação Anarquista do Sul e posteriormente à CGT. Preso por diversas vezes, o seu nome foi atribuído, após o 25 de Abril de 1974, a um estabelecimento de ensino e a uma rua de Portimão.

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(1918) A greve geral em Vale de Santiago e o assassinato de Sidónio Pais


 

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Bilhete-Postal de 1919, retratando o assassinato do Presidente Sidónio Pais na Estação Ferroviária de Lisboa-Rossio, no dia 14 de Dezembro de 1918

Passam hoje 98 anos sobre o assassinato de Sidónio Pais, presidente da 1ª República e um dos precursores do fascismo europeu. A sua morte está ligada à greve geral de Novembro de 1918, que teve um eco particular no concelho de Odemira, no Vale de Santiago, e que foi violentamente reprimida. Num e noutro caso, aparece como figura destacada José Júlio da Costa, o alentejano que matou Sidónio Pais, na Estação do Rossio, em Lisboa, com 25 anos de idade.

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