memória libertária

(memória libertária) “O Rebelde”, uma publicação anarquista de Julho de 1975


rebelde

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“O Rebelde” apenas publicou um número em Julho de 1975, em pleno Verão Quente. Editado por um pequeno grupo de jovens, que se reuniam na sede do “Movimento Libertário Português ” e de “A Batalha”, na Rua Angelina Vidal, a publicação ainda tinha evidentes traços do chamado comunismo de base ou conselhista na sua concepção ideológica. Eram tempos de confusão, em que a tradição anarquista estava a ser recuperada, mas em que ainda predominavam muitos tiques marxistas e guerrilheiristas.

(memória libertária) A Agitação Sindicalista e Anarquista no Início da República: Outubro de 1910 – Janeiro de 1912


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Um texto importante de João Freire sobre os primeiros meses após a implantação da República. Para ler e fazer download.

Fonte:http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/index.php?p=digitallibrary/digitalcontent&id=1608

(San Sebastian de los Reyes, 1977) O renascer da CNT


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Acabam de se completar 40 anos do enorme comício da CNT que teve lugar no dia 27 de Março de 1977 na praça de touros de San Sebastian de los Reyes, o primeiro depois das longas trevas franquistas.
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Nas palavras do então Secretário-Geral da CNT: “Ao meio dia a arena e as bancadas já estavam abarrotadas, oferecendo um espectáculo impressionante que os documentos fotográficos fazem chegar à posteridade. Juntaram-se umas 30 mil pessoas para ouvir a voz da CNT. O cenário era indescritível: centenas de bandeiras, os hinos da Organização, um grande clamor, as primeiras palavras de ordem que depois ouviríamos em milhões de reuniões e manifestações…” (Juan Gómez Casas. Relanzamiento de la CNT: 1975-1979)

(Mina de São Domingos) Foto de Valentim Adolfo João e irmãos


foto valetim Adolfo João

(Foto retirada daqui com a seguinte legenda:
Não tenho vagar amor
Para te dar atenção ,
Tenho muito que fazer
Na minha Associação .
3 grandes mineiros que dariam a vida em prol dos direitos dos trabalhadores .
Antonio, Manuel e Valentim Adolfo Joao)

(mais…)

(Almada) Uma das primeiras sessões públicas do Movimento Libertário após o 25 de Abril


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aqui: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/movimento-libertario-portugues/

Almada (21/6/1974) uma das primeiras sessões públicas do Movimento Libertário a seguir ao 25 de Abril de 1974, na Incrível Almadense (*). Na mesa do comício vêem-se Francisco Quintal, Sebastião de Almeida e Emídio Santana, entre outros. Nas primeiras filas Custódio da Costa, Artur Modesto…Video disponível no arquivo da RTP, mas sem som.

(*) Confirmação feita por Carlos Gordilho. “Depois de observar o filme da RTP posso confirmar que se trata de imagens de um comício realizado na Sociedade Incrível Almadense, por iniciativa da delegação de Almada do Movimento Libertário Português. Na mesa encontram-se da esquerda para a direita as seguintes pessoas: Dr. Gladestone da Costa; Francisco Quintal; Domingues; Sebastião de Almeida; Dr. Alexandre Achando; Correia Pires e Emidio Santana.”

(efeméride) Adelaide Cabete, a ‘Louise Michel’, nasceu há 150 anos


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Assinalam-se hoje os 150 anos do nascimento de Adelaide Cabete, alentejana, natural  de Elvas. Formada em medicina, foi colaboradora e dirigiu várias publicações dirigidas às mulheres. Republicana e filiada na maçonaria – que hoje celebra o seu nascimento – , onde adoptou o nome da anarquista francesa Louise Michel, o que prova que “era alguém muito próxima dos ideais anarquistas”, como sustenta a investigadora Isabel Lousada nesta entrevista. Adelaide Cabete foi também uma assídua colaboradora do jornal anarco-sindicalista “A Batalha”, orgão da CGT. 

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De seu nome completo Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete, nasceu em Elvas, freguesia de Alcáçova, a 25 de Janeiro de 1867, filha de Ezequiel Duarte Brazão e de Balbina dos Remédios Damas. Oriunda de uma família humilde, começou a trabalhar muito nova e casou com o sargento republicano Manuel Fernandes Cabete, que a incentivou a estudar.

Em 1889 prestou o exame de instrução primária e, em 1894, concluiu o curso liceal. No ano seguinte mudou-se para Lisboa, onde se matriculou no ano seguinte na Escola Médico-cirúrgica, instituição onde concluiu o curso em 1900 com a tese Protecção às Mulheres grávidas Pobres como meio de promover o Desenvolvimento físico das novas gerações (1900).

Republicana militante, participou activamente na propaganda que antecedeu a mudança de regime em 1910. Professora no Instituto Feminino de Odivelas e médica, procurou sempre defender a melhoria das condições de vida das crianças e das mulheres, com particular ênfase na luta contra a prostituição e o alcoolismo. Propagandista do feminismo fundou e presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Cruzada Nacional das Mulheres Portuguesas, à Liga Portuguesa Abolicionista, às Ligas de Bondade e dirigiu a revista Alma Feminina (1920 – 1929).

Na Universidade Popular Portuguesa organizou um curso de Higiene e Puericultura. Participou no Congresso Internacional de Ocupações Domésticas (Gand, 1913), no Congresso internacional Feminino de Roma (1923), no Congresso do Conselho Internacional das Mulheres (Washington, 1925), nos I e II Congressos Feminista e da Educação (1921 e 1928), nos Congressos Abolicionistas (1926 e 1929). Viveu em Angola entre 1929 e 1934, onde continuou a sua acção a favor da higiene e da assistência. Colaborou em numerosas publicações periódicas como: Educação, Educação Social. O Globo, A Mulher e a Criança, Pensamento, O Rebate.

Iniciada em 1 de Março de 1907, na Loja Humanidade, com o nome simbólico de «Louise Michel». Atingiu os graus 2 e 3º em 1 de Março de 1907, 4º em 28 de Julho de 1910, 5º, 6º e 7º em 16 de Janeiro de 1911. Grau 30º do REAA em 28 de Outubro de 1923. Conservou-se na Loja no período em que laborou sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano Unido (até 1913 e depois de 1920 até 1923) e posteriormente, após a adesão da Loja Humanidade à Ordem Maçónica Mista Internacional O Direito Humano, em 1923. Foi eleita várias vezes Venerável da sua Loja e Grã-Mestra do Areópago Teixeira Simões (1926).

Morreu em Lisboa, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, a 19 de Setembro de 1935.

(para memória futura) Almada, 18 de Janeiro de 1934


ccl

«O concelho de Almada tem então cerca de 23 000 habitantes e a vila pouco mais de 8000, sendo uma parte população flutuante, como nos dias de hoje. A população operária é mais heterogénea em termos sócio-profissionais do que a da Marinha Grande, centro essencialmente vidreiro, ou do que a de Silves, exclusivamente formada por corticeiros.

Em Almada a eclosão do movimento é marcada, na madrugada de 18, pelo corte da linha telefónica e pela sabotagem do cabo submarino entre a Trafaria e Porto Brandão, únicos actos violentos dignos de registo.

Com muitas ou poucas acções espectaculares — menos, em todo o caso, do que as verificadas na vizinha Lisboa, para já não falar da Marinha Grande ou de Coimbra —, os trabalhadores, esses, aderem à greve, ainda que surjam dois comportamentos diferentes.

Trabalhadores há que se apresentam ao serviço, iniciam normalmente a sua actividade às 8.30 e a instâncias de grupos de grevistas que percorrem os locais de trabalho apelando à greve acabam por abandoná-lo e recolher a suas casas. Estão neste caso os operários fabris de Cacilhas, os chauffeurs de táxis que fazem serviço no Largo Costa Pinto, os motoristas das empresas de camionagem que servem todo o concelho e ainda os operários dos estaleiros da Parry & Son.

Outros — o operariado da vila de Almada e o do restante concelho — nem sequer comparecem nos locais de trabalho. Estão neste caso os corticeiros da vila, designadamente os das fábricas Harry Bucknall & Sons, Rankin & Sons, Armstrong & Cork, bem como os que trabalham no Caramujo, Cova da Piedade, Ginjal, Margueira, Banática, Mutela e arredores, ou seja, todos os corticeiros do concelho. E também os operários das fábricas de moagem Aliança e dos Moinhos Reunidos, ambas situadas na Cova da Piedade, os operários dos estaleiros de barcos de madeira da Mutela, os operários de algumas fábricas de conservas, todos os operários da construção civil com obras na Mutela, Cova da Piedade, Porto Brandão, Trafaria, Caparica e Almada, com destaque para os 500 operários que nesta última localidade trabalham então na construção do Arsenal do Alfeite. E o mesmo se passa com os operários de serviços metalúrgicos do concelho e com os operários dos depósitos da Shell, situados na Banática, com os da fábrica de gelo da Companhia Portuguesa de Pesca, no Olho de Boi, e, enfim, com os estivadores e descarregadores de cais.

De uma maneira ou de outra, toda a população industrial do concelho adere à greve. E nem as forças da polícia locais, nem a chegada de 30 praças da GNR, nem a de 40 marinheiros e 2 sargentos da Armada, com os respectivos tenentes, nem as operações de policiamento e de demonstração de força que a sua permanência nas ruas representa — a que se juntará ainda no próprio dia 18 a suspensão do jornal local O Almadense —, levarão a maior parte dos grevistas a apresentarem-se ou a retomarem o trabalho. Apenas os motoristas de camionagem, após terem sido requisitados pelo administrador do concelho, rompem a greve ao fim do dia 18.

Mesmo a 19, se a maioria do operariado retoma o trabalho, alguns impenitentes se mantêm. Os operários corticeiros — com excepção dos da Margueira — e os operários das fábricas de moagem vão permanecer em greve, o que levará à prisão de 24 dos principais dirigentes sindicais do concelho de Almada, e só regressam ao trabalho a 20.»

Maria de Fátima Patriarca, “O «18 de Janeiro»: uma proposta de releitura”, Análise Social, vol. XXVII (123-124), 1993, pp. 1137-1152

aqui: https://www.facebook.com/CentroDeCulturaLibertaria/photos/a.353169281424818.82816.353165078091905/1321681247906945/?type=3&theater