Mês: Dezembro 2016

Declaração da I Reunião Regional do Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa


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Dia 22 de Dezembro de 2016, reuniu-se no espaço Disgraça o Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa para a sua I Reunião Regional. Esta contou com a presença dos membros da própria organização, assim como observadores externos convidados para participar na mesma.

No decorrer da reunião debateram-se intensivamente assuntos relacionados com a estrutura organizativa do Coletivo, as nossas estratégias e linhas de ação, e a aprovação de novos núcleos e grupos de trabalho.

Foram aprovadas alterações aos estatutos que asseguram e reforçam a nossa forma de funcionamento federalista, e também o novo estatuto de Amigos do CEL, para qualquer pessoa, incluindo não-estudantes, que se queiram envolver com a nossa organização porém não como membros.

Para além disto, foram criados 3 comités:
– Antirepressivo: campanhas contra a repressão, assessoria jurídica do Coletivo, esclarecimento de qualquer questão jurídica que possa surgir;
– Comunicação e Propaganda: gestão comunicativa e informativa do Coletivo;
– Formação: campanhas de formação para militantes, difusão cultural, e gestão de todo o material formativo gerado;

Os resultados desta reunião constituem um avanço para uma presença mais forte e enraizada nas instituições de ensino da nossa área de atuação, mas também a abertura para a expansão noutros munícipios que não Lisboa. Incentivamos assim todos os estudantes interessados na luta por uma educação livre e uma sociedade sem classes a contactar-nos e a juntarem-se a nós.

Desejamos a todos os outros grupos libertários sucesso nas suas lutas, e agradecemos ao Disgraça a possibilidade de realizar a reunião no seu espaço.

Adotado pela Reunião Regional, 22 de Dezembro, 2016

CEL-Lisboa

aqui: https://www.facebook.com/colestlib/photos/a.966188940072393.1073741828.951731221518165/1386767081347908

(anarquismo no mundo) Nicarágua: uma revolução na Manágua de hoje


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Gabriel Pérez Setright | Carlos Herrera | Niú

Gabriel Pérez Setright é artista, anarquista e anticapitalista. “A minha esperança para o futuro é que as pessoas confiem no poder que têm para mudarem as coisas”.

Dánae Vílchez

Numa pequena rua sem saída da Colónia Miguel Bonilla, em Manágua, há uma casa com algo que a distingue: uma grande bandeira com um arco-irís ondeia à entrada. Contrasta com o intenso azul das paredes, uma delas marcadas pelas letras que anunciam que chegaste a La Rizoma, um centro cultural fundado por Gabriel Pérez Setright.

Este jovem de 24 anos converteu a sua casa num centro comunitário e denomina-se a si próprio como anarquista e anticapitalista. É escritor e artista visual e apresentou recentemente a sua obra “outro (fim do) mundo é possível”, na qual contrapõe às icónicas fotografias da revolução Sandinista, capturadas por Susan Meiselas, imagens da Manágua moderna, com grandes edifícios e empresas transnacionais. (mais…)

(#DISRUPTJ20)Solidariedade anarquista contra a tomada de posse de Donald Trump


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Enquanto Internacional de Federações Anarquistas (IAF-IFA) apoiamos as manifestações programadas para a altura da tomada de posse de Donald Trump a 20 de Janeiro de 2017.

Ao mesmo tempo, vale a pena dizer que não apoiamos Hilary Clinton nem qualquer outro/a político/a: sabemos que eles/as são as duas faces do capitalismo, o racismo e a guerra. Mas a tomada de posse de Trump significa a legitimização da supremacia branca, do neonazismo e da misogenia.

As eleições não nos interessam um chavo; a mudança pela qual lutamos apenas poderá ser alcançada por nós através da acção directa.

Não esperamos nada dos/as políticos/as senão sofrimento, exploração e opressão.

Apoiamos todos/as os/as que sofrem ataques da polícia, assassinatos racista e violência sexista.

Em solidariedade

CRIFA – Internacional de Federações Anarquistas

Marselha, 3-4 de Dezembro de 2016

(Lisboa) A Escola-Oficina n.1 da Graça e a pedagogia libertária


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A Escola-Oficina nº 1 da Graça (encerrada definitivamente em 1987), onde andaram nomes sonantes do anarquismo e do anarco-sindicalismo, como Emídio Santana, tinha como método de ensino a pedagogia libertária de Francisco Ferrer e as experiências libertárias da escola moderna. Um ensino que juntava as componentes teórica e prática e em que a sanção era substituída pelo estímulo e pela experimentação. A vertente libertária foi sempre mais relevante do que a maçónica, que foi importante no projecto inicial, mas cuja definição pedagógica foi, sobretudo, libertária.

Sobre esta escola-oficina refere Viriato Porto (em comentário ao post de José Maltez, onde este afirma que: A colaboração entre libertários e maçons produziu a Escola-Oficina nº 1. No Largo da Graça. Um bom exemplo de ideais progressivos e práticos. Faz parte do meu currículo ter sido membro da direção da instituição, ainda hoje existente.):

“Por outras palavras, para quem não saiba, tratava-se da educação anarquista na Escola-oficina nº1 com métodos libertários e de educação integral. Existiu uma luta surda pelo controlo pedagógico da Escola entre os directores, na sua maioria, e excepção feita a Luís da Matta, Maçons e Republicanos, e os professores, que liderados por Adolfo Lima, com o precioso apoio de Luís da Matta, são sobretudo Anarquistas.Por modelo educativo libertário, entendemos nós, uma síntese entre os conceitos metodológicos e pedagógicos da educação nova do princípio do século, e os planos educativos de tradição socialista que vêem na educação integral uma forma de combater a desigualdade social traduzida pela existência desde sempre nos sistemas educativos ocidentais de vias profissionais por um lado, e académicas por outro. Da educação nova, os libertários aproveitarão o rigor no estudo do desenvolvimento físico e intelectual da criança e a necessidade de na base dos processos educativos existirem motivações «naturais» da criança incompatíveis com a repressão física e intelectual; da tradição socialista de educação (ver entre outros, Dietrich, 1973) os anarquistas salientarão a necessidade de os processos educativos serem o mais globais possíveis, juntando os aspectos técnicos e de aprendizagem profissional, com os aspectos científicos,artísticos e culturais característicos de uma «boa educação tradicional».”

Sobre os métodos pedagógicos da escola-oficina e a sua história – http://repositorio.ispa.pt/…/10400.12/1694/1/AP%202(3)%2032…
http://gremioestreladalva.blogspot.pt/2012/11/uma-instituicao-paramaconica-escola.html
https://www.facebook.com/escola.oficina.1/

(José Estevão) “O anarquismo terá que ter futuro”


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José Estevão é um anarquista português, a viver há mais de quatro décadas na Holanda, país onde se refugiou como refractário à guerra colonial. Alentejano, natural da vila mineira de Aljustrel, tem uma actividade militante quotidiana em Amesterdão – actualmente tem estado muito activo no apoio aos refugiados –, mas visita regularmente Portugal, tendo participado no Encontro Libertário de Évora, realizado em Maio passado. Recentemente foi entrevistado por companheiros chilenos (da Federação Anarquista Local de Valdivia) , uma entrevista que traduzimos agora para português.

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(solidariedade) Uma carta da escritora Aslı Erdoğan presa na Turquia


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Aslı Erdoğan é uma escritora e jornalista turca que está presa desde o passado mês de Agosto sob a acusação de apoiar “organizações terroristas”, nomeadamente pelo seu apoio ao povo curdo. Em 2014, para denunciar a tomada de Kobane pelo Estado Islâmico, Aslı Erdoğan organizou uma marcha de escritores à fronteira entre a Turquia e a Síria. A sua prisão tem tido eco em vários países, nomeadamente em França, onde estudou há alguns anos atrás. Esta solidariedade ganha maior expressão agora, quando se aproxima a data para o seu julgamento, marcado para 29 de Dezembro. A carta que agora publicamos foi enviada há alguns dias ao jornal libertário franco-turco Kedistan, que tem sido um dos grandes veículos na denúncia das arbitrariedades levadas a cabo pelas autoridades turcas, violando todos os direitos humanos, sejam eles individuais ou colectivos, desde a alegada tentativa de golpe de estado falhado, em Julho deste ano.

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(Equador) Apelo à solidariedade com o Povo Shuar na luta contra a indústria extractivista 


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A carta que publicamos em seguida foi enviada ao meios libertários e alternativos de todo o mundo por uma companheira que vive numa comunidade indígena na selva amazónica equatoriana e em que apela à solidariedade urgente contra o extractivismo que continua a ser a actividade dominante de vários regimes da América Latina, ocupando as terras das comunidades indígenas e reduzindo-as à aculturação e à miséria.  Esta nossa companheira – que prefere não ser identificada devido à possibilidade de represálias – é socióloga, antropóloga e libertária. Em várias ocasiões já serviu de negociadora entre os povos Shuar e Huaurani e o governo equatoriano de Rafael Correa.  Hoje, como sempre, o anarquismo é o grande aliado dos povos indígenas e o movimento libertário internacional a quase única garantia de que a sua voz é ouvida. Partilhamos esta carta, solidarizando-nos com o Povo Shuar e exigindo que a sua identidade e as suas terras sejam integralmente respeitadas e convidamos todos os libertários a somarem a sua voz à nossa na denúncia dos novos (?) regimes latino-americanos cujo programa parece não ser mais do que o extermínio dos povos indígenas que se oponham ao modelo extractivista.

Versão em Castelhano (aqui)

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(1918) A greve geral em Vale de Santiago e o assassinato de Sidónio Pais


 

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Bilhete-Postal de 1919, retratando o assassinato do Presidente Sidónio Pais na Estação Ferroviária de Lisboa-Rossio, no dia 14 de Dezembro de 1918

Passam hoje 98 anos sobre o assassinato de Sidónio Pais, presidente da 1ª República e um dos precursores do fascismo europeu. A sua morte está ligada à greve geral de Novembro de 1918, que teve um eco particular no concelho de Odemira, no Vale de Santiago, e que foi violentamente reprimida. Num e noutro caso, aparece como figura destacada José Júlio da Costa, o alentejano que matou Sidónio Pais, na Estação do Rossio, em Lisboa, com 25 anos de idade.

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(Júlio Carrapato) Os cães ladram e o indivíduo passa


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(…) Se não pretendemos ser nem professores nem alunos, nem postos emissores nem postos receptores, nem pastores nem carneiros, nem carcereiros nem prisioneiros, nem exploradores nem explorados, nem governantes nem governados, nem elegíveis nem eleitores, nem representantes nem representados, que mossa nos podem fazer as excomunhões? Os cães ladram e o indivíduo passa. O indivíduo que se preza, claro está. E que não quer nada nem ninguém, nem acima nem abaixo dele; nem entronizar nem ser entronizado; nem endeusar nem ser endeusado. E é tão difícil ser-se hoje em dia, nesta sociedade de consumo e de opressão, um indivíduo autêntico, contrariamente ao que dizem os sinistros partidários do nivelamento por baixo, semelhante ao de relva cortada com a tesoura de tosquiar! É tão difícil não se ser um manequim da rebeldia, um estereótipo da revolta ou uma imagem de Epinal da revolução! Ou então uma pessoa não se limitar a ser uma profissão, um estado civil, um número de matrícula, um bilhete de identidade, uma caderneta militar, um boi que é levado ao matadouro, um automóvel que é posto na garagem, um cheque a assinar, uma letra a vencer, um aumento de salário, um posto na hierarquia, um cartão de aderente a um partido, uma carta de cotizante sindical… É tão difícil, em suma, não se ser uma imagem de marca qualquer, no seio de uma sociedade que só vive de encenação e de publicidade, e onde se prefere sempre a imagem à realidade…

Júlio Carrapato – excerto do artigo “Algumas verdades sobre o Individualismo Libertário”, publicado no jornal “O Meridional”, nº 1, Faro, Abril de 1978

“O ódio que Mário Botas tinha contra a burguesia era de uma imensidão inaudita”


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O pintor Mário Botas nasceu a 23 de Dezembro de 1952 na Nazaré. Em Lisboa, a seguir ao 25 de Abril de 1974, foi uma presença constante nos meios libertários, nomeadamente como frequentador da sede de “A Batalha”, na rua Angelina Vidal.  A poucos dias de mais um aniversário do nascimento de Mário Botas recuperamos este artigo de José Maria Carvalho Ferreira, que com ele manteve estreitas relações de amizade até à sua morte, a 29 de Setembro de 1983, em Lisboa, publicado na revista “A Ideia”, de Novembro de 2013.

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