Mês: Fevereiro 2016

(memória libertária) A Confederação Geral do Trabalho (1919-1927)


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Volume 1

Volume 2

Defendido em 2014 como tese universitária para as provas de doutoramento, está disponível na web um trabalho de várias centenas de páginas, da autoria de José Miguel de Jesus Teodoro, sobre a Confederação Geral do Trabalho, desde a sua fundação, em 1919, ao seu encerramento após o golpe do 28 de Maio, em 1927. Um estudo aprofundado sobre a Central Sindical Anarco-Sindicalista que marcou o movimento operário durante a 1ª República.

O trabalho, com muitas referências e de grande rigor científico, divide-se em dois volumes. O primeiro com a parte de análise histórica e o segundo sobretudo com anexos e documentação diversa.

(8 de Março) Mulheres Livres do Curdistão apelam à solidariedade internacional


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Convocatória Internacional: convite do KJA à participação no 8 de Março, Dia Internacional da Luta das Mulheres, no Curdistão

Estimadas mulheres do mundo

O grande legado herdado do movimento mundial das mulheres, de luta pela liberdade da mulher no Curdistão, construído através de grandes sacrifícios, continua a avançar contra a mentalidade dominada pelos homens nos últimos 40 anos. Fazemos um chamamento a todas as mulheres do mundo para que se unam a nós de forma solidária e para que nos ergamos na luta comum este 8 de Março, o Dia da Resistência e da Luta das Mulheres.

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Informação alternativa portuguesa e do estado espanhol está reunida em Coimbra


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O Encontro de informação alternativa promovido pela Rede de Informação Alternativa, constituída em Portugal em Outubro passado, e para o qual foram convidados vários órgãos de informação alternativos do Estado Espanhol, está a decorrer em Coimbra desde quinta-feira, dia 25 de Fevereiro, e termina no domingo, 28 de Fevereiro. Grande parte da agenda do Encontro realiza-se em sessões privadas entre os diversos colectivos, tendo havido duas sessões públicas e abertas a quem quis participar, realizadas nos dois primeiros dias. Delas damos aqui conta utilizando as notícias e as imagens que produzimos para o facebook.

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Foto guilhotina.info

Relato do 1º dia, quinta-feira, 25 de Fevereiro

Termina no domingo o Encontro de Informação Alternativa que está a decorrer em Coimbra e que junta espaços informativos portugueses e do Estado espanhol. Ontem à noite (5ª feira), com carácter público e aberto, realizou-se uma mesa-redonda de apresentação dos vários projectos no Ateneu de Coimbra, com a presença de mais de meia centena de pessoas e em que participaram o Indymedia, Jornal Mapa, Portal Anarquista, Guilhotina.info, La Directa, Periódico Diagonal e Radio Vallekas.

Durante o dia de hoje o debate vai ser interno entre estes projectos, estando marcada para o fim da tarde, às 18 horas, também no Ateneu, uma oficina de rádio da responsabilidade da radio comunitária de Vallekas, um populoso bairro de Madrid.

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Relato do 2º dia, sexta-feira, 26 de Fevereiro

Em Coimbra, onde está a decorrer o Encontro entre diversos espaços e órgãos de informação alternativos portugueses e do Estado espanhol, a sessão do fim de tarde desta sexta-feira, de novo no Ateneu, foi muito animada e interessante. O tema era a experiência da radio Vallekas, uma rádio comunitária de um dos maiores bairros da cidade de Madrid. Valeria e Álvaro, os dois companheiros da radio que nos relataram esta experiência, que já leva 30 anos a emitir em FM e vários via web, fizeram-no de forma contagiante, partilhando conhecimentos, algumas dicas e sugestões técnicas muito importantes. Entre todos ficou o “bichinho” da radio que poderá fazer com que um dia destes apareça um projecto de radio alternativa em Portugal, ao serviço dos movimentos sociais e dos colectivos assembleários e horizontais. Vamos a ver…

No espaço de discussão mais restrito entre os colectivos portugueses (Portal Anarquista, Indymedia, jornal Mapa e guilhotina.info) e os colectivos do Estado Espanhol (Diagonal Periodico e Radio Vallekas, de Madrid e Directa, de Barcelona), durante a manhã e principio da tarde, falou-se da estrutura financeira destes projectos, de como melhorar o seu financiamento – algo que preocupa todos os colectivos de um e do outro lado da fronteira – e dos efeitos da Lei Mordaça em Espanha e de outras leis repressivas com que os Estados pretendem criminalizar os protestos, os movimentos sociais e os colectivos de informação alternativos.

O encontro prossegue este sábado e domingo, estando todos os participantes a contarem com o apoio precioso, em termos logísticos, das Repúblicas Ninho dos Matulões, Solar dos Kapangas e Rosa Luxemburgo, bem como do Ateneu de Coimbra.

Ainda este sábado os participantes no encontro juntar-se-ão à Marcha Europeia Pelos Direitos dos Refugiados, que se realiza em Coimbra (bem como em muitas dezenas de outras cidades por toda a Europa), com início marcado para as 15 horas.

rede anrquista

Décimas a António Gonçalves Correia


gonçalves correia

António Gonçalves Correia (São Marcos da Atabueira, Castro Verde, 3 de Agosto de 1886 — Lisboa, 20 de Dezembro de 1967) foi um anarquista, vegetariano, ensaísta, poeta e humanista português. Fundador da Comuna da Luz, a primeira comunidade anarquista em Portugal.

*

Ele levava a Liberdade
A todo o lugar que ia.
A toda a gente que via
Dizia em sinceridade
Da sua ideia, a bondade.
Em qualquer lado que estava
Esse sonho que levava,
Nascido do coração
Quase como uma oração,
A todos ele o contava.

O Gonçalves Correia andou
De caixeiro-viajante
Quem o viu até garante
Que alguma coisa ficou.
Que se ele tanto adubou
O seu sonho vai crescer
E vai outra vez viver
Logo que chegue seu tempo,
É só esperar o momento,
Da semente florescer.

Incansável lutador
No seu Alentejo viveu
Com todos ele conviveu
Levantando seu clamor
Sempre c’ um mesmo fervor
A todos os trabalhadores
Falava dos seus amores
Liberdade, Revolução
Paz com comunhão
De iguais, sem mandadores.

Nem passarinhos, queria presos
Abria gaiolas nas feiras
Soltava-os como bandeiras
Lutava p’los indefesos
Deixava todos surpresos
Com as coisas que fazia.
Sempre que ele aparecia
A liberdade trazendo
Seu ideal defendendo
A opressão estremecia.

Hoje tem nome na rua
No Alentejo é lembrado
Um pouco por todo o lado
Sua bandeira flutua
Negra, de noite com Lua
Nada pode a opressão
Contra livre coração.
Gonçalves Correia via
P’ra onde o futuro corria
Deixou-nos essa lição.

por António Pereira

aqui: http://antoniogoncalvescorreia.blogspot.pt/2014/09/decimas-antonio-goncalves-correia.html

No 10º aniversário da morte de Gisberta


homenagem gisberta

#Altpt

“No Porto, a transexual Gisberta é espancada, violada e atirada viva (amarrada) para um poço, onde morre. O crime fora cometido por um grupo de jovens que estavam ao cuidado de uma instituição católica de acolhimento de menores, com financiamento estatal. A morte de Gisberta questiona os limites do género binário, mas também a confusão insistente entre transfobia e homofobia. É este o momento em que o feminismo é obrigado a questionar a exclusão das suas fileiras de mulheres que não considerava como tais e que também não entravam na categoria de gays ou lésbicas. O ódio às pessoas trans atravessou todas estas décadas remetidas que estavam à marginalidade e à rua.

Todavia, neste crime, não são apenas as pessoas trans que ganham voz própria pelo ódio e indiferença a que estão sujeitas. A institucionalização de crianças e jovens pelo Estado, a forma como vivem e são educadas, a violência das suas vidas, poderia ser o ponto de partida para a reivindicação de uma mudança social radical. Acabámos contudo com as associações LGBT e feministas espectadoras de um julgamento. Acabámos com a direita a pedir penas de prisão mais implacáveis para crimes cometidos por menores. E podemos dizer que foi pouca a revolta contra os sistemas de institucionalização de menores e a forma como o Estado organiza a vida destas crianças e jovens. Como diria o juiz no julgamento de Gisberta, ao determinar que ela morreu por afogamento: “A culpa foi da água”.” (http://www.jornalmapa.pt/2013/12/09/ha-uma-historia-queer-em-portugal-2/)

*

Há 10 anos, a 22 de Fevereiro de 2006, era barbaramente assassinada no Porto, Gisberta, por um grupo de jovens internados numa instituição financiada pelo Estado. Transexual, Gisberta foi assumida como símbolo de luta contra uma sociedade onde a diferença é sempre reprimida. Dez anos depois algumas coisas mudaram, mas não muito.

O jornal mapa numa série de artigos abordou esta questão. Também vários espaços ligados à defesa da diversidade e às questões de género têm vindo a abordar este assunto, que é ainda uma ferida aberta na sociedade portuguesa.

Alguns links:
http://dezanove.pt/em-memoria-de-gisberta-salce-junior-902198
http://www.jornalmapa.pt/2013/12/09/ha-uma-historia-queer-em-portugal-2/
http://www.jornalmapa.pt/2014/03/02/ha-uma-historia-queer-em-portugal-segunda-parte/

Texto de Raquel Varela em solidariedade com Ana Nicolau, bisneta de Gonçalves Correia, o fundador da Comuna da Luz


Gonçalves Correia e Ana Nicolau, dois tempos diferentes, uma mesma luta pela liberdade
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A historiadora Raquel Varela escreveu no facebook um pequeno texto sobre Ana Nicolau, a activista que vai a julgamento em Março, por ter exigido das galerias do Parlamento a demissão do governo de Passos Coelho. Ana Nicolau é bisneta – e não neta, como Raquel Varela afirma – de Gonçalves Correia, o anarquista alentejano do concelho de Castro Verde (São Marcos da Atabueira), cuja memória ainda perdura, bem viva, por terras do Baixo Alentejo. Fica bem a Raquel Varela esta forma solidária de estar e a lembrança de Gonçalves Correia (… na Comuna da Luz eram crudíveros, mas – ao que se sabe – não andavam nus, a não ser, talvez, em certos dias de calor intenso, que o sol aperta a doer aqui no Alentejo…), o anarquista tolstoiano (mas não só…) responsável por dar corpo à primeira cooperativa de trabalhadores agrícolas e artesãos no Alentejo em finais da primeira década do século passado. Para além de uma intensa actividade em prol dos trabalhadores e do anarquismo, coube também a Gonçalves Correia proferir a conferência “A Felicidade de todos os seres na sociedade futura” realizada no V Congresso dos Trabalhadores Rurais, no teatro Garcia de Resende, em Évora, no dia 16 de Dezembro de 1922, um texto ainda hoje cheio de frescura e actualidade pelo respeito que demonstra por todas as espécies viventes – humanas e não humanas.
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a
TEXTO DE RAQUEL VARELA:
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Uma distinta senhora – imagino que já perto dos 40 anos mas que os media tratam como «activista»- ainda aguardo o dia em que um ministro que nacionaliza bancos será tratado como «activista» dos mercados – , regressemos, perdão, uma senhora, dizia eu, será levada a julgamento porque pediu nas galerias do Parlamento a demissão de Passos Coelho. Gritou «demissão!». Parlamento da qual ela é, creio, uma espécie de…como dizer…, co-proprietária, junto com 10 milhões de cidadãos. Nunca é muito lembrar que isto é uma democracia representativa, farrusca, em mau estado, mas onde o poder é do povo, e o Parlamento mero representante desse poder.

Ana Nicolau, de sua graça. Nacionalizou um banco? Despediu milhares de pessoas? Subiu a conta de electricidade? Mandou os jovens emigrarem? Não. Gritou «demissão». Um inconseguimento. O representante não gostou. Já dizia o Salazar, se «soubesses o que custa mandar, preferias toda a vida obedecer…». Curiosamente Ana Nicolau é neta de um dos mais singulares homens deste país, Gonçalves Correia. Foi até à morte, já nos anos 60, um destemido opositor a Salazar, e um homem de uma humanidade e bondade raras. Conheço com detalhe a sua história, por razões profissionais e pessoais – ensinou o meu pai a ler Tolstói, um dos maiores escritores de sempre, e que, entre outras maravilhas, distribuiu as terras de que era proprietário pelos camponeses que nela trabalhavam. De quanta terra, de quanta terra precisa um homem?

Eu, confesso, jamais iria viver na sua comuna vegetariana, onde consta, se andava nu. Vegetarianismo para mim é tortura. Nu intimidade. Mas é difícil encontrar na história do século XX um punhado de homens tão generosos e que tenham feito tanto, tão bem e a tanta gente como este anarquista tolstoiano, que foi preso defendendo os mais pobres dos mais pobres assalariados agrícolas do Alentejo, quando em plena República não se hesitou em esmagar o movimento operário – muito antes de Salazar, apesar da historiografia positivista tentar atribuir à República uma aura de protecção social, que nunca existiu de facto. Gonçalves Correia foi fundador do jornal A Questão Social. No seu primeiro editorial escreveu «o nosso jornal é para afastar o ódio e proclamar a harmonia. Mas o nosso jornal, porque à Verdade se quer sujeitar, terá de dizer muita coisa que não agrade a certos magnates nacionais e estrangeiros».

Aqui um artigo do antropólogo João Carlos Louçã sobre o extraordinário percurso de Gonçalves Correia. Que a neta não se sinta intimidada e siga o seu caminho, para que todos possamos mandar e, assim, ninguém tenha que obedecer.
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relacionado:

Noam Chomsky: “o centro da natureza humana é o que Bakunin chamou de ‘instinto da liberdade'”


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(Imagem: Jared Rodriguez / Truthout)

Aos 87 anos Noam Chomsky acaba de lançar, nos Estados Unidos, um novo livro  intitulado “Que tipo de seres somos nós?” (“What Kind of Creatures Are We?”). O livro é um conjunto de palestras feitas por Chomsky na Universidade de Columbia em dezembro de 2013, nas quais investiga áreas como ciência cognitiva, linguística, filosofia e teoria política. O economista e cientista C.J. Polychroniou falou com Chomsky sobre este livro, numa conversa em que o linguista voltou a defender o socialismo libertário como alternativa ao capitalismo liberal e ao capitalismo de estado. E como saída para o futuro da humanidade diz escolher “o optimismo ao desespero”.

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(…) Você definiu sua filosofia política como socialismo libertário/anarquismo, mas recusa-se a aceitar o ponto de vista segundo o qual o anarquismo, como uma visão da ordem social, flui naturalmente de suas visões sobre linguagem. A relação é apenas de coincidência?

É mais que coincidente, mas muito menos que dedutiva. Num grau suficiente de abstração, há um elemento comum – que foi às vezes reconhecido, ou ao menos vislumbrado pelo Iluminismo e na era romântica. Em ambos os domínios podemos perceber, ou ao menos esperar, que o centro da natureza humana é o que o [anarquista russo Mikhail] Bakunin chamou de “um instinto pela liberdade”, que se revela tanto no aspecto criativo do uso da linguagem normal quanto no reconhecimento de que nenhuma forma de dominação, autoridade ou hierarquia é autojustificada. Cada uma precisa justificar a si mesma e se não pode, o que normalmente ocorre, deve ser desmantelada, em favor de mais liberdade e justiça.

Esta me parece a ideia central do anarquismo, derivada de suas raízes clássicas, liberais, e de percepções mais profundas – ou esperanças – sobre a essência da natureza humana. O socialismo libertário vai além, ao reunir ideias sobre simpatia, solidariedade, auxílio mútuo, e também raízes do Iluminismo e concepções sobre a natureza humana.

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