Incêndios nas montanhas do Tajiquistão e nos centros de recenseamento e alistamento militar –  O resumo de notícias semanal do site anarquista russo avtonom.org/


Queimar, guerra, queimar

Após a invasão da Ucrânia, começou na Rússia uma onda de ataques aos escritórios de recenseamento e alistamento militar. Durante a noite são lançados cocktails molotov contra as janelas dos centros militares, de Moscovo a Irkutsk. A vasta geografia dos atentados exclui qualquer organização centralizada – é claramente uma iniciativa popular que tem ecoado no coração dos russos. Por vezes os atacantes são detidos, mas mais frequentemente permanecem sem serem identificados. Isto não surpreende: se a degradação das próprias unidades de combate do exército russo atingiu o nível a que estamos a assistir na Ucrânia, o que se pode dizer sobre os barrigudos comissários militares na retaguarda?

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Anarquistas e anti-autoritários suecos e finlandeses contra a adesão à NATO


O anúncio do pedido de adesão da Suécia e da Finlândia à NATO provocou o descontentamento dos grupos e coletivos anarquistas, anarco-sindicalistas e anti-autoritários destes dois países que criticam a crescente militarização da Europa.

A SAC, a Central Anarco-Sindicalista Sueca, fundada em 1910, que reúne alguns milhares de filiados, condena “ a vil guerra da Rússia contra a Ucrânia e manifesta a solidariedade para com o povo da Ucrânia e com todos os que na Rússia lutam pela paz”, mas “vemos ao mesmo tempo com horror o crescente armamento da Suécia e da retórica militarista nas questões da segurança, com o foco apenas na defesa militar e na adesão à NATO”, em vez da “promoção da paz e nos esforços para a sua manutenção”. A SAC considera ainda que “a NATO não é uma organização de paz, antes pelo contrário”.

Na Finlândia, o coletivo A-ryhma (Grupo A), que junta anarquistas e outros anti-autoritários, considera, em comunicado divulgado recentemente, que “ a maior parte da elite finlandesa apoia já há muito tempo a adesão à NATO” e que está a aproveitar o ataque da Rússia à Ucrânia para efetivar essa adesão.

Os anti-autoritários finlandeses consideram que Putin está enfraquecido e que não constitui um perigo para a Finlândia, mas que a adesão à NATO pode trazer consequências, até pelo facto desta aliança possuir armas nucleares e ser liderada pelos Estados Unidos, país para o qual “atacar e ocupar outros países tem sido uma parte inerente da sua política externa” nas últimas décadas.

Dizendo defender “a resistência anarquista ucraniana, contra a invasão russa, e as acções não violentas e violentas dos anarquistas russos contra a guerra”, os libertários finlandeses apoiam o “desarmamento nuclear multilateral” e recordam que a adesão à NATO, de que a Turquia faz parte, poderia voltar-se contra o povo curdo, que a Finlândia tem apoiado. “Erdogan ocupou militarmente o norte da Síria, destruindo a sociedade curda, bem como continua a atacar o norte do Iraque na tentativa de esmagar as tentativas curdas de democracia. Esse comportamento não difere significativamente do da Rússia de Putin”.

https://www.federacaoanarquista.com.br/a-ryhma-se-opoe-a-adesao-da-finlandia-a-otan/

https://www.facebook.com/aryhma

https://www.facebook.com/SAC.Syndikalisterna/

A ESSÊNCIA É MAIS IMPORTANTE DO QUE A BANDEIRA 🏴


Pramen

09.05.2022

Tendo derrotado um adversário mais agressivo e mais forte na Segunda Guerra Mundial, a URSS conseguiu colar a si mesma o rótulo de “anti-fascismo”, permanecendo ao mesmo tempo, na sua essência, um estado fascista. Questões como “quem atacou primeiro?”, “estamos sob a ameaça de sermos agredidos pelo capitalismo imperialista?” e assim por diante ajudaram a propaganda a mascarar, durante muito tempo, esta realidade por detrás do antigo rótulo.

Nem a escravidão dos chechenos, nem a anexação da Crimeia, e muito menos o assassinato e a detenção de opositores internos, conseguiram destruir este mito. O velho truque foi usado por todo o lado: somos representantes do bem, do anti-fascismo/comunismo/democracia (escolha o que preferir) por isso temos as mãos livres. Como se, em nome do bem, se pudessem cometer todas as atrocidades, bastando, para isso, demonizar e desumanizar o inimigo.

Que conclusões podem ser tiradas? O facto de, nalguns conflitos, o Estado ter de se defender, não o torna anti-fascista. Qualquer Estado adota slogans nobres e refugia-se por detrás do que diz ser o interesse das pessoas, mas o conteúdo é mais importante do que o letreiro. Criar uma imagem de um inimigo brutal e difundir a lógica da responsabilidade coletiva ajuda o Estado a estabelecer primeiro o controlo sobre as emoções das pessoas e depois sobre as suas consciências, abrindo campo para o fascismo. Não o tipo de fascismo onde há tanques e mortes, mas aquele em que começamos a confiar implicitamente nas autoridades estatais e a considerar que a dissidência joga a favor do inimigo.

Assim, no campo de batalha, é preciso que não te esqueças de exterminar os demónios que existem dentro de ti próprio, de avaliar até que ponto as tuas ações e as dos teus aliados coincidem ou não com os princípios do anarquismo. Cabe-nos a nós determinar se a nossa luta trará a libertação, ou se a nossa crueldade e necessidade de vingança destruirão a essência dos nossos atos, substituindo no campo de batalha a bandeira do “anti-fascismo” pela da “democracia” .

Pramen (revista digital dos anarquistas bielorussos. Muitos integram as unidades de defesa territorial da Ucrânia que combatem a invasão russa)

Depois da guerra. Declaração de Maio de anarquistas na Ucrânia


Militantes do grupo ucraniano Bandeira Negra junto da nova carrinha obtida graças ao apoio popular. Traduzimos as suas conclusões preliminares dos últimos dois meses e meio de massacre. A atividade anterior do grupo é abordada neste e neste material. Todas as fotos são tiradas de seu canal Telegram. Junte-se também à nossa campanha de arrecadação de fundos para trabalhar na restauração do tecido social da cidade e ajudar os moradores civis da destruída Kharkiv.

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“ESTA É DEFINITIVAMENTE A HORA DE AGIR” – ENTREVISTA COM UM MEMBRO DO ESQUADRÃO ANTI-AUTORITÁRIO QUE LUTA NA UCRÂNIA


Ilya, um anarquista numa unidade anti-autoirtária

Após o início da guerra, muitos dos nossos camaradas em Kiev tornaram-se voluntários ou membros do Esquadrão Anti-Autoritário no âmbito da Defesa Territorial. Neste momento  o esquadrão está empenhado principalmente no treino e em operações de vigilância. Quando o inimigo ainda se encontrava na região de Kiev, os elementos da Unidade foram para posições a frente no apoio às Forças Armadas Ucranianas (AFU) participando na vigilância com drones, no transporte de refugiados através dos corredores verdes e atenderam os pedidos de ajuda feitos pelos cidadãos sobre a atividade de grupos de sabotagem.

Falámos com Ilya, um anarquista da Rússia que vive na Ucrânia há quase 3 anos e que participou na revolta de 2020 na Bielorrússia. Sobre a dificuldade de dominar o ofício  da guerra, o papel das armas na libertação e as perspetivas políticas para a região.

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(Makhno) MÃE ANARQUIA E NÃO MÃE RÚSSIA


A Mãe Anarquia ama os seus Filhos

Por Nestor Makhno (UCRÂNIA) (1919)

Os nossos cavalos estão a correr milha após milha,

Porque a Liberdade não tem preço.

Através da mira da minha metralhadora

Estou à procura do inimigo na poeira.

A Mãe Anarquia ama os seus filhos,

A Mãe Anarquia não está à venda.

Vamos esperar pelo inimigo, com chumbo vamos destruí-lo

A Mãe Anarquia está connosco! 

Vou colocar a minha faca no fogo

E depois aproximar-me-ei furtivamente.

Nada a lamentar por entrar na luta,

Não há nada de triste.

A Mãe Anarquia ama os seus filhos…

A única coisa que me faz feliz é o (inimigo) morto,

morto pela força do meu amigo.

A única coisa que consigo ver e permanecer calmo

É o inimigo morto.

A Mãe Anarquia ama os seus filhos…

Vamos esperar pelo inimigo, com chumbo vamos destruí-lo

A Mãe Anarquia está connosco!

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Anarquia, canção escrita por Nestor Makhno (1919).

Anarco-comunista, Makhno liderou durante a revolução russa, um movimento de camponeses do sul da Ucrânia (a Makhnovitchina) que combateu quer o exército branco de Denikin, quer o exército vermelho de Lenin e de Trotsky, em nome da organização autónoma dos trabalhadores e de recusa do poder bolchevique, independentemente de qualquer nacionalismo. (aqui)

*

Versão Inglesa:

MOTHER ANARCHY NOT RUSSIE MOTHER

Mother Anarchy Loves Her Sons

By Nestor Makhno (UKRAINE) 1919

Our horses are running mile after mile,

Cause Freedom is priceless.

Through the slot of my machine gun

I’m looking for the enemy in the dust.

Mother Anarchy loves her sons,

Mother Anarchy is not for sale.

We’ll wait for the enemy, with lead we’ll destroy them

Mother Anarchy is with us!

I’ll put my knife into the fire

And then I’ll sneak closer.

Nothing to be sorry for into the fight,

Nothing to be sad about.

Mother Anarchy loves her sons…

The only thing that makes me happy is the dead one,

killed by the strength of my friend.

The only thing I can see and remain calm

Is the dead enemy.

Mother Anarchy loves her sons…

We’ll wait for the enemy, with lead we’ll destroy them

Mother Anarchy is with us!

.

Anarchy , song writen by Nestor Makhno (1919)

aqui: https://www.facebook.com/Makhnovshchina/posts/mother-anarchy-loves-her-sonsby-nestor-makhnoour-horses-are-running-mile-after-m/624184410985882/

(Cruz Negra Anarquista de Dresden) A nossa posição sobre a solidariedade com os anarquistas ucranianos


Poucos dias antes do início da guerra de agressão, trocámos opiniões com camaradas da Ucrânia, entre outros. O que fazer em caso de guerra? Para nós era claro que iríamos responder ao pedido de ajuda dos companheiros. Vimos que tínhamos possibilidades de o fazer, de forma muito concreta, ao iniciarmos uma campanha de angariação de fundos para apoiar a Operação Solidariedade, diretamente na Ucrânia, e às pessoas em fuga no exterior. Ficou claro para nós que já havia ativistas que planeavam ficar e lutar na Ucrânia. Desta forma, posicionámo-nos claramente e fomos também criticados por isso. Por conseguinte, no texto a seguir, gostaríamos de explicar brevemente porque é que estamos a fazer o que estamos a fazer.

1) Como é que vocês, enquanto anarquistas, podem apoiar a guerra?

Posicionamo-nos claramente contra esta guerra. O gatilho desta guerra é a fome de poder, o imperialismo e o fascismo do regime de Putin. Ele e os seus apoiantes querem esta guerra, não as pessoas que vivem na Ucrânia.

Portanto, se somos contra esta guerra, a questão é: como parar a guerra? Um ponto de vista anti-militarista sugere que as forças armadas ucranianas poderiam render-se e submeter-se ao regime russo. Na nossa opinião, contudo, isto não conduziria ao fim da guerra, mas encorajaria a Rússia a expandir-se ainda mais (por exemplo, para a Moldávia ou Polónia). Como não podemos esperar atualmente uma mudança de poder na Rússia, a única saída, em nossa opinião, é uma derrota da Rússia. Isto pode parecer uma coisa diferente, mas em qualquer caso subentende que as pessoas na Ucrânia se possam defender militarmente contra a Rússia da melhor maneira possível.

Portanto, queremos apoiar o povo da Ucrânia a defender-se para pôr fim a esta guerra o mais depressa possível.

Também não queremos ter a pretensão de sermos nós a decidir se é correto alguém defender-se contra os invasores pela força das armas. Se uma pessoa luta ou foge a escolha é sua. É importante para nós que tanto as pessoas que lutam como as que fogem tenham o nosso apoio. Na nossa opinião, estas duas formas de agir não devem ser postas uma contra a outra!

2) Como é que vocês, enquanto anarquistas, apoiam o Estado ucraniano/Exército ucraniano?

Nós não apoiamos diretamente o Estado ou o exército da Ucrânia. O nosso objetivo é apoiar as pessoas a defenderem-se a si mesmas e às suas casas contra uma guerra de invasão. Contudo, é verdade que muitas pessoas decidiram juntar-se ao Exército Ucraniano ou às Unidades de Defesa Territorial porque atualmente não existem alternativas sob a forma de unidades independentes.

Em 2014, havia grupos independentes a lutar em Donbass que eram principalmente de direita. Por esta razão, entre outras, o Estado ucraniano tem-se concentrado nos últimos meses em impedir a criação de grupos independentes ou tentou integrá-los no exército.

Para os libertários e anti-autoritários, a situação atual não é simples nem livre de contradições. Ou se mantêm fiéis aos seus princípios políticos e não lutam, ou comprometem-se e aderem à defesa militar. A questão de saber se é correto fazer certos compromissos a fim de alcançar objetivos maiores é algo que encontramos repetidamente na nossa organização política. Neste caso, podemos compreender bem as pessoas que se querem defender, de armas na mão,  da possibilidade de terem que viver sob o regime de Putin. Se a entrada no exército ucraniano for a única opção durante a luta, também entendemos isso. Contudo, continua a ser importante e inevitável para nós continuarmos a observar criticamente o estado ucraniano e, portanto, também o seu exército, e não os “apoiar” de forma irrefletida, apenas porque neste momento são “os bons da fita”.

Traduzido com a ajuda da versão gratuita do tradutor – http://www.DeepL.com/Translator

aqui: https://abcdd.org/en/2022/05/10/position-on-our-solidarity-work-in-ukraine/

(opinião) A criminosa invasão da Ucrânia reforçou a NATO, o militarismo e a extrema-direita


A criminosa invasão da Ucrânia por parte do exército russo às ordens de Putin, para além de ter violado todas as regras do direito internacional e da convivência entre os povos (em que qualquer agressão, mas, sobretudo, uma invasão territorial deverá ser firmemente combatida), veio alterar o xadrez internacional numa cada vez maior polarização entre blocos político-militares.

Para já, a pretexto da proclamada “desnazificação” putiana da Ucrânia, o que se viu foi:

– Um reforço inesperado da NATO, que agonizava à falta de um pretexto para existir;

– Uma credibilização da União Europeia e do euro, que estavam, depois da saída da Grã-Bretanha do espaço europeu,  com dificuldades de afirmação;

– O reforços dos investimentos militares na União Europeia e nos Estados Unidos e a presença militar, cada vez mais reforçada, dos Estados Unidos na Europa;

– O rearmamento da Alemanha, o que acontece pela primeira vez depois da II Guerra Mundial.

E, por último, exatamente ao contrário do que Putin afirmou para justificar a invasão, nunca em momento algum na história da Europa pós-nazi se tinha visto um tal ressurgimento da extrema-direita e dos seus valores, perfeitamente integrados nas sociedades ocidentais, ainda marcadas pela experiência negativa e dolorosa das décadas de poder comunista nas chamadas democracias populares do leste europeu.

Mesmo uma milícia como o Batalhão Azov, que começou como uma milícia da extrema-direita nazi (embora ao longo dos anos tenha integrado milhares de elementos das mais variadas origens, sob o lema do nacionalismo, sem que a marca de extrema-direita fosse obrigatória) tem visto a sua imagem ser “adocicada” e, no fim desta guerra, depois da resistência em Mariupol, aconteça o que acontecer aos resistentes na Azovstal, persistirá como símbolo da resistência à invasão russa para muitos milhões de ucranianos e de outros povos no mundo.

Se Putin queria efetivamente acabar com o nazismo às suas portas – os resultados são bem diferentes.

A Europa militarizou-se; a NATO reforçou-se; a extrema-direita cresceu e o papel da Rússia no mundo reduziu-se ao de um estado pária e com um peso diminuto, deixando praticamente de contar no grande braço-de-ferro que se prepara – esse sim, qual Tratado de Tordesilhas –, num futuro próximo, na divisão do mundo entre os Estados Unidos, os seus aliados e a China.

j.m. (recebido por email com pedido de publicação)

(Maio de 2022) A Cruz Negra Anarquista de Moscovo atualiza informações sobre a repressão das autoridades russas sobre quem protesta contra a guerra


As possibilidades de protesto na Rússia já eram significativamente limitadas antes da pandemia, e durante os últimos dois anos, desde Março de 2020 até ao ataque russo à Ucrânia, as manifestações de rua foram proibidas com o pretexto da pandemia de Covid. As pessoas fizeram protestos contra a perseguição ao líder da oposição Alexey Navalnyi, e em poucos outros casos, mas estes terminaram em detenções maciças. Mas mesmo assim, havia liberdade de expressão nas redes sociais, alguns meios de comunicação social relativamente livres permaneciam abertos, as autoridades faziam concessões nalguns conflitos locais, tais como a defesa das áreas verdes e contra o desmatamento florestal.

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