(poema) CHÃO


Vegan

a propósito do do dia mundial do veganismo (1 de Novembro)

Além do humanismo
Há a necessidade de libertação
Aos explorados sob os garfos e
Sobre o pátio do matadouro
Da pele que te cobre
Do relincho e do mugido
Do grasnar e do pio
Que não atende teu ouvido.
Tua piedade restrita e calada
Se for ignóbil não vale o gesto
Da tua mão quando te fazes
Carrasco:
Evita em ti a sede pela domesticação
Seja tua ou do outro e
Seja humano
Ou não. Recorda:
A faca que deita o gado na degola
Vende o mesmo lucro que te imola.

Augusto de Sousa

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“Fascínio”, o último documentário do colectivo Left Hand Rotation é dedicado ao turismo massificado de Sintra


FASCÍNIO from Left Hand Rotation on Vimeo.

Desde o coletivo Left Hand Rotation (baseado em Lisboa) enviamos o
nosso último documentário, “FASCÍNIO” (2018).

Sintra: 30.000 habitantes. Mais de 3 milhões de turistas por ano.

Fascinados pelo final do mundo conhecido, pelos segredos escondidos nos
subterrâneos, uma multidão aproxima-se de Sintra. Os rastos das suas
vivências inundam um destino prestes a colapsar e colocam-nos perante o
dilema. Continuar a gerir a demora do inevitável? Ou penetrar na serra?

Quem acreditar no seu mistério, encontrará na novidade do que é muito
antigo, caminhos esquecidos, a fuga ao eterno retorno.

FASCÍNIO, uma longa metragem documental do colectivo Left Hand Rotation
(http://www.lefthandrotaton.com), produzida pela Criaatividade Cósmica
para o Festival Aura.

Obrigado

Coletivo Left Hand Rotation
www.lefthandrotation.com
www.museodelosdesplazados.com

(Alentejo) Três meses depois da greve geral de 18 de novembro de 1918, “A Batalha” escreve que “as violências atribuídas aos rurais não podem ser comparadas com as violências praticadas pelos lavradores”


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No dia 23 de Fevereiro de 1919 – está quase a fazer cem anos! – é publicado o primeiro número do jornal “A Batalha”, diário, órgão da União Operária Nacional e, depois, da Confederação Geral do Trabalho. Logo nesse primeiro número há uma referência à greve geral de 18 de Novembro de 1918 no Alentejo.  Para o jornal sindicalista revolucionário as violências atribuídas aos rurais não podem ser comparadas com as violências praticadas pelos lavradores.

“No Alentejo

As violências atribuídas aos rurais – As violências praticadas pelos lavradores

Têm sido inúmeras as acusações formuladas, quer na imprensa quer fora dela, contra a organização rural do Alentejo, acusando-a, aquando do movimento de Novembro, de promover violências inúteis e afirmando que os trabalhadores saquearam várias propriedades, retirando de ali muitos valores, além de muitas outras violências, cuja enumeração seria fastidiosa. Conseguiu-se, assim, criar um ambiente de hostilidade contra os agrupamentos corporativos e contra o organizamos que os representava: a U.O.N. Prenderam-se algumas centenas de trabalhadores rurais e muitos deles foram deportados, sem julgamento, para África, não obstante não terem, na maioria, cadastro e ser a primeira vez que eram detidos. Alguns que se encontravam em Monsanto foram postos em liberdade, juntamente com os restantes presos políticos e por questões sociais, contra o que insurgiu um lavrador que, em carta publicada no Diário de Notícias, pedia ao titular da pasta do interior que ordenasse a sua recaptura, assim como não acedesse a repatriar os rurais tão iniquamente deportados, por, em seu entender, eles deverem ser considerados presos de delito comum em virtude das violências que dizia terem sido praticadas por eles.

Sempre duvidámos da veracidade dos relatos que sobre eles se fizeram e sobre a nossa mesa estão algumas cartas que confirmam este nosso modo de ver, pois, segundo se lê nelas, não só os rurais não cometeram os actos violentos de que são acusados, como a verdade é que se eles foram cometidos a sua autoria deve ser atribuída aos bandos armados que, capitaneados pelos lavradores e, um deles, por José Júlio da Costa, um dos assassinos de Sidónio Pais, exerceram toda a espécie de depredações em Vale de Santiago, Odemira e Panoias.

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A greve geral de 18 de novembro de 1918 na imprensa burguesa


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Apesar de ter sido rapidamente controlada e os seus objectivos não terem sido atingidos, a greve geral de 18 de novembro de 1918, convocada pela União Operária Nacional em pleno auge do sidonismo, e poucos dias depois de ter sido assinado o armísticio que pôs fim à I Guerra a 11 de novembro e em plena epidemia da “pneumónica”, teve uma profunda repercussão em termos repressivos e também na imprensa burguesa, uma vez que dada a ditadura de Sidónio Pais muita imprensa anarquista e operária tinha sido impedida de circular.

Só três meses depois, em Fevereiro de 1919 apareceria o diário operário “A Batalha” que iria romper o gheto informativo com que, quase sempre, as lutas operárias se debatem. A Capital, diário republicano da noite, apenas sai para as bancas no dia 20 de novembro, dois dias depois da greve geral, devido à paralisação dos tipógrafos, segundo uma curta nota inserida nessa mesma edição.

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“Ultima Barricada” é o nome de um novo colectivo libertário vocacionado para a divulgação do “anarquismo classista”


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“A burguesia poderá destruir e arruinar o seu próprio mundo antes de abandonar o palco da história, mas nós levamos um mundo novo nos nossos corações. Esse mundo está a crescer neste instante.” –Buenaventura Durruti

A “Última Barricada” é  um novo coletivo de divulgação do socialismo libertário, tendo como foco principal o anarquismo classista herdeiro da ala libertária da “Primeira Internacional”. Fazemos traduções, transcrições e compilações de materiais diversos, sendo o nosso portal uma biblioteca digital em construção permanente que inclui não apenas diversas autoras(es) clássicas e contemporâneas, como também arquivos históricos e coleções temáticas. Pretendemos igualmente divulgar literatura teórica respeitante às várias tradições de luta pela emancipação social como feminismo, anti-racismo, anti-colonialismo/imperialismo, ecologismo, etc. – privilegiando sempre as perspetiva classistas, revolucionárias e anti-autoritárias.

Deste modo, a Última Barricada pretende ser um recurso útil não só para simples interessados como para militantes e investigadores de áreas afins.

Na área de arquivo histórico a página na internet do grupo oferece desde já abundantes textos clássicos do movimento operário e sindical, bem como o arquivo de Neno Vasco composto por material diverso.

Links:

https://ultimabarricada.wordpress.com/

https://www.facebook.com/ultimabarricadaX

(Nov. 1918- Nov. 2018) Cem anos da greve geral contra a guerra, o sidonismo e a carestia de vida que teve um dos seus epicentros em Vale de Santiago (Odemira)


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aqui

Em 1918, a União Operária Nacional convoca uma greve geral para o dia 18 de Novembro. A guerra, a carestia de vida e a escassez alimentar tornavam a vida dos trabalhadores num inferno. De forma a reagir contra esta situação de agravamento do dia-a-dia dos trabalhadores portugueses a central sindical, em que predominavam os sindicatos e associações de classe anarquistas e sindicalistas revolucionários, decide juntar as diversas reivindicações sectoriais e avançar para uma greve geral que, no entanto, resultou num fracasso, ainda que com resultados diferentes conforme as regiões do país.

As causas para este fracasso prendem-se essencialmente, segundo os historiadores, com o anúncio do armistício que pôs fim à I Guerra Mundial, assinado a 11 de Novembro, poucos dias antes do início da greve; à pneumónica, que grassava por todo o país; e à forte repressão que os sindicalistas da UON sofriam na pele por parte das leis celeradas e anti-operárias do governo de Sidónio Pais e que conduziu até ao assassinato de trabalhadores em Montemor-o-Novo e Alpiarça quando participavam em comícios de protesto.(1)

O movimento grevista teve, entre outros sectores de todo o país, especial impacto entre os rurais do Alentejo e os ferroviários de Sul e Sueste. Em Évora a greve durou 8 dias. Em Odemira e no Vale de Santiago a repressão foi especialmente dura, com deportações de rurais para a África. Foram fuzilados trabalhadores na Moita e em Portimão. (2)

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Novo grupo anarquista nasce em Coimbra


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Quem somos?

O Grupo de Estudos Anarquistas Bernardina Neves, GEABN, é um espaço vivo criado para a análise e discussão crítica conjunta de textos, documentos e situações históricas associadas ao movimento e pensamento anarquista, reunindo-se em Coimbra.

foptoQuem foi Bernardina Neves?

Do que sabemos, Bernardina Neves, “Dryada”, foi uma costureira, militante anarquista, e a primeira mulher presa política da cidade de Coimbra durante a ditadura salazarista. Detida com Alfredo Neves a 28 de agosto de 1934 por “atividades antifascistas de influência anarco-sindicalista” e sendo entregue à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (antecessora da PIDE), morrendo mais tarde em prisão hospitalar.

Escolhemos o nome desta vida para nome deste Grupo de Estudos com o objetivo de lhe dar visibilidade como símbolo de resistência feminina no séc. XX em Portugal não só ao regime fascista português mas também contra o Estado e contra o Capital, numa época onde o meio militante e sindical era hegemonicamente masculino e as vozes e vivências das mulheres eram ainda mais marginalizadas que atualmente.

reunião

1ª sessão do GEABN:  “Anarquismo e Organização da Luta de Classes”

O Grupo de Estudos Anarquistas Bernardina Neves (GEABN) terá a sua 1ª sessão de discussão e análise em Coimbra no dia 10 de Novembro, acolhida pela República Ninho da Matulónia (Rua Infanta Dona Tereza 29B, 4º andar).

Esta sessão irá incidir sobretudo nas distinções, contornos e papéis propostos para as organizações da classe trabalhadora consideradas por Bakunin e mais tarde pela Dielo Truda (publicação anarquista dinamizada por participantes da Revolução Ucraniana de 1919) como necessárias para o triunfo da revolução social, introduzindo a conceção de dualismo organizacional.

Textos propostos:
BAKUNIN, Mikhail, A Política da Internacional, 1869
Dielo Truda, Plataforma Organizacional da União Geral dos Anarquistas, 1926 —— (Apresentação + Secção Geral)

Acesso aos textos:

https://drive.google.com/…/1m5LdQ3GVtWVyBF0VStzCxQaogdoJhYM…

A leitura prévia dos textos é aconselhada para a sua discussão, mas nenhum conhecimento anterior é requerido.


Fontes:
https://goo.gl/dNixAj
https://goo.gl/gfcruK
https://goo.gl/9E38W7
https://goo.gl/1x9N3d