Sobre Haukur Hilmarsson, o anarquista islandês morto em Afrin: “era um companheiro terno e sensível. Foi consequente até ao fim”


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O Batalhão Internacional da Liberdade (IFB) que combate em Rojava lado a lado com o YPG pela libertação do povo curdo e a implementação do municipalismo de base libertária anunciou recentemente a morte de mais um combatente internacionalista o anarquista islandês, Haukur Hilmarsson, de 32 anos. Segundo o comunicado do International Freedom Battalion:

“O nosso camarada Haukur Hilmarsson (nome de guerra Sahin Hosseini) tornou-se imortal. Era um militante anarquista dedicado,que respondeu ao apelo antifascista do YPG e do Batalhão Internacional da Liberdade e que viajou imediatamente para se juntar à luta em Manbij. Impossibilitado de alcançar Rojava e deportado do Iraque para a Islândia natal, ele não desistiu. Voltou rapidamente à região e ganhou honra e respeito nas sangrentas batalhas de Raqqa, integrando como comandante de equipe a IFB. Ele era popular e todos os camaradas confiavam nele, por isso foi escolhido como representante no comitê da unidade. Pronto para partir depois da derrota do ISIS em Raqqa, voltou mais uma vez à luta para enfrentar as forças fascistas coloniais invasoras daTurquia e dos seus aliados jihadistas. Foi nessa luta que ele se tornou um mártir, em Afrin. Ao morrer, dizemos que ele se tornou imortal, pois nunca esqueceremos o seu combate, o seu nome e o seu exemplo – e nunca vamos desistir da luta. Os mártires são imortais!” (aqui)

José Diogo, um companheiro português residente na Islândia privou de perto com Haukur Hilmarsson e sobre ele deixa-nos, a pedido do Portal Anarquista, este depoimento:

“Que posso dizer?… Acima de tudo era um homem combativo, anarquista, pela acção directa. Conheci-o depois do colapso financeiro islandês de 2008. Lembro-me bem do seu activismo, do seu enorme entusiasmo em defesa dos requerentes de asilo e ultimamente dos refugiados. Depois da curta euforia revolucionária de 2008, os nossos encontros foram rareando. Ele, como muitos de nós por aqui, estava extremamente desiludido com a política na Islânda. E começou a ausentar-se, a viajar. O nosso último encontro ocorreu há 7 ou 8 meses atrás. Disse-me que tinha estado na Grécia com os companheiros anarquistas mas que, por diversas razōes, esses encontros não o satisfizeram. Depois nada mais soube dele… até ao dia de ontem: o dia em que chegou a triste notícia da sua morte em defesa de Afrin. Era um sonhador que sonhava acordado. Viveu como sempre quis: juntando o pensamento à acção. Foi consequente até ao fim. Era um homem terno e sensível e deixou-me uma grande dor no coração… E mais não sei dizer, companheiros.”

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