(2 de Março de 74) Puig Antich: o último anarquista a ser assassinado pelo garrote vil em Espanha



LLuis Llach. “I si canto trist” (A Salvador Puig Antich).

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Num dia como este, em 1974, era barbaramente assassinado pelo Estado Espanhol o anarquista catalão Salvador Puig Antich. Foi o último preso do franquismo executado pelo método do garrote vil.

Puig Antich tinha 25 anos e pertencia ao MIL (Movimento Ibérico de Libertação), um grupo anarquista criado para apoiar a luta dos sectores mais radicais dos trabalhadores, nomeadamente através de métodos de acção directa.

Alvo de uma emboscada em Setembro de 1973, por parte da polícia, em Barcelona, Puig Antich e um companheiro resistem e tem lugar um tiroteio no qual Puig Antich acaba ferido e um guarda civil, Francisco Anguas Barragán, é morto.

Puig Antich é preso e acusado de ser o autor dos disparos que causaram a morte de Anguas Barragán e posteriormente julgado em conselho de guerra e condenado à morte por um dos regimes mais bárbaros de toda a Europa.

Em muitos países realizam-se manifestações e pedidos de comutação da pena capital, mas Franco mantém-se inflexível e não concede o indulto.

A 2 de Março de 1974, às 9:40 da manhã, numa cela da Cadeia Modelo de Barcelona Salvador Puig Antich é a última pessoa da história da Espanha a ser executada pelo garrote vil e mais um das muitas dezenas de anarquistas assassinados desta maneira pelo regime franquista.

No mesmo dia, embora alguns minutos antes, na prisão de Tarragona, também foi garrotado o alemão (da RDA) Heinz Chez, a quem não se conhecia qualquer actividade política, mas que foi acusado de matar um guarda civil. (aqui)

Em Portugal nos meios oposicionistas e de jovens libertários –a pouco mais de um mês do 25 de Abril de 1974 – o assassinato de Puig Antich causou também uma profunda consternação e revolta.

Um ano depois, a 3 de Março de 1975 – para assinalar a morte de Puig Antich e em solidariedade com os trabalhadores espanhóis ainda sob o jugo franquista – realizou-se em Portugal uma manifestação promovida por diversos grupos e sectores anarquistas que juntou alguns milhares de manifestantes na baixa lisboeta.

Meses depois, na noite de 26 e madrugada de 27 de Setembro de 1975, quando foram fuzilados cinco outros antifascistas, presos pelo regime franquista, acusados de pertencerem à ETA e à FRAP (Frente Revolucionária Antifascista e Patriótica, maoista) muitos anarquistas participaram no assalto ao consulado e embaixada de Espanha em Lisboa, conjuntamente com militantes e simpatizantes de outras correntes políticas. O consulado na Rua do Salitre é destruído e a embaixada na Praça de Espanha é incendiada. As vidraças dos escritórios da Ibéria na Avenida da Liberdade e de outras empresas espanholas são estilhaçadas. Também no Porto houve uma manifestação de protesto junto ao consulado de Espanha, que foi reprimida a tiro e com gás lacrimogéneo por forças da PSP e do Exército.

Ainda nesse dia, em Évora realizou-se também uma manifestação antifranquista de protesto contra a execução dos cinco antifascistas.

a.

sobre Puig Antich: http://www.soliobrera.org/pdefs/cuaderno3.pdf

Garrote vil  é uma peça, utilizada como instrumento de tortura, que provocava a morte lentamente, à medida que se vai apertando. O garrote era aplicado no pescoço da vítima, mantida imóvel amarrada a uma cadeira. Era frequemente utilizado em Espanha, onde a sua prática foi legal entre 1820 e 1978, altura em que foi abolida a pena de morte em Espanha.

Um exemplo de garrote vil

Garrote vil

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