Dia: Fevereiro 7, 2015

A ‘outra’ Reforma Agrária: unir terras, unir pessoas


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Jornal “Combate” de 16/5/1975

As primeiras ocupações de terras deram-se no Alentejo em finais de 1974. Terá sido o início da Reforma Agrária, surgida como reacção ao abandono das terras pelos latifundiários, muitos deles ligados ao regime fascista, que após o 25 de Abril de 1974 fugiram para o Brasil, Espanha ou outros países. A ocupação de terras, no Alentejo e no Ribatejo, surgiu quase sempre como uma reacção à falta de trabalho e ao desemprego. Teve o apoio dos Sindicatos Agrícolas criados nessa altura por iniciativa do PCP, partido que depois reivindicou e instrumentalizou como sua a Reforma Agrária e a ocupação de terras – na maior parte dos casos estas ocupações foram feitas com o apoio das forças armadas -, estando Álvaro Cunhal sempre presente nas chamadas conferências da Reforma Agrária realizadas em Évora a partir de 1976, em que fazia o discurso de encerramento,. Este é o cenário geral, construído e divulgado na altura, mas que, embora correspondendo ao quadro geral, não abarca a totalidade daquilo a que se pode chamar o movimento da Reforma Agrária, uma vez que houve muitas cooperativas no Alentejo e Ribatejo identificadas com outras visões e espaços políticos (PS, UDP, etc.) ou mesmo sem alinhamentos político-partidários.

Houve também outras cooperativas, com maior expressão a norte do Tejo – Torrebela, Árgea, Barcouço, entre outras -, que se definiram por posicionamentos diferentes, geralmente ligados a sectores autogestionários  e – diríamos hoje, assembleários e de democracia directa – com uma grande carga de motivação transformadora da vida, herdeira de Maio de 1968 e de outros movimentos alternativos, em que para além do trabalho em comum se perspectivava uma vida comunitária – muito em linha daquilo que hoje são as Cooperativas Integrais.

Sobre a Cooperativa da Torrebela há filmes e uma literatura razoavelmente abundante, mas sobre a Comunal de Árgea (Torres Novas) e sobre a Cooperativa de Barcouço (Coimbra) existe muito menos documentação. No entanto, o extinto jornal “Combate” publicou dois artigos interessantes sobre estas cooperativas, em que a já dissolvida organização política LUAR teve alguma presença, mas em que dominava o pensamento libertário e antiautoritário, mesmo que não assumido exactamente nesses termos. Mas em várias delas participaram e foram activos elementos que, já na altura, se afirmavam como libertários ou anarquistas. Eram cooperativas que não se reviam na estrutura e no movimento dominado pelo PCP e que chegaram a criar canais de distribuição comuns – mercados próprios em Setúbal e Lisboa – e formas estreitas de relacionamento.

comunal

artigo no ‘Combate’ sobre a Comunal de Árgea: http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=07961.023

um testemunho: Comunal de Árgea: uma cooperativa do pós-25 de Abril inspirada no Maio francês de 1968

artigo no ‘Combate’ sobre a Cooperativa de Barcouço: http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=07961.041

relacionado: A sementeira 1 (1977) – Algumas notas acerca das cooperativas agrícolas

 

sobre a Torrebela:

(Porto) Percurso pedestre pela ‘Trilha Histórica do 3 de Fevereiro 1927’ este domingo


3 de fevereiro copy

Para não deixar apagar a memória revolucionária e libertária do Porto!….

No âmbito da acção CAMINHAR C/ A GENTE enquadrada no Programa de Apoio às Associações Juvenis do IPDJ realizaremos no próximo Domingo, dia 8 pelas  10.30 h. o  Percurso pedestre: “Trilha Histórica do 3 de Fevereiro 1927”– com distribuição de folheto-guia e mapa do percurso. Encontro na entrada central da Estação de São Bento.

http://terravivaporto.blogspot.pt/

O que foi o 3 de Fevereiro de 1927?

A primeira tentativa consequente de derrube da ditadura militar instalada com o golpe de 28 de Maio de 1926 eclodiu no Porto na madrugada de 3 de Fevereiro de 1927.  No plano traçado, os revoltosos, à frente dos quais se encontravam “militares e civis republicanos cuja actividade política se tinha desenvolvido até ali fora da estrita vida partidária” 1, contavam com o levantamento das forças conjuradas em Lisboa e no resto do país nas doze horas seguintes, mas não aconteceu assim.

Esta revolução, como preferem chamar-lhe alguns dos intervenientes, fermentou no ambiente conspirativo generalizado que estava estendido a toda a oposição política ao governo da ditadura. Fortemente marcado pela participação de militares, o movimento que ganhava forma, já então identificado como o “reviralho”, tinha o apoio para esta acção de um leque alargado de forças políticas que ia desde o Partido Radical Democrático, Acção Republicana, Seara Nova, Esquerda Democrática ao sindicalismo revolucionário e ao anarquismo militante. (Ler mais) 

(Amadora) ‘Nu sta Djunto’ no Bairro de Santa Filomena este sábado


hoje

Nu sta Djunto com Sta. Filomena para Sta Filomena em Sta. Filomena!

7 de Fevereiro – das 15 às 22 horas – Pastelaria Sto. António, Santa Filomena – Amadora
Música – Convívio – Entre-ajuda – Solidariedade

Nu Sta Djunto – Estamos Juntos é um movimento de entreajuda e auto-gestão baseado nos princípios da união, apoio-mútuo, auto-suficiência e solidariedade.

https://www.facebook.com/NuStaDjuntoEstamosJuntos